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Development in Automation (the second machine age)

Primeiro foram realizadas simulações com o MKS em suas condições originais de modelagem para o reajuste dos salários, reservando os respectivos resultados para fins de comparação. Após isso, novas simulações foram geradas para a nova versão do modelo, com as alterações e introduções descritas na seção anterior, comparando-se os resultados das variáveis selecionadas para análise.

A análise foi dividida em três etapas. A primeira teve como objetivo avaliar o impacto da PVSM sobre o emprego e a distribuição funcional de renda. Para tanto, foram selecionadas para efeito de análise qualitativa as seguintes variáveis agregadas:

i) Nível de Emprego, obtido coletando-se a variável “Ntot” que representa o nível de emprego no modelo MKS e;

ii) Participação dos salários na renda (wy), calculada a partir da seguinte equação w/y = (Ntot*w)/(PIBcorrente + Gastosgov),

cujas variáveis componentes, coletadas das simulações do modelo MKS, representam: Ntot = emprego total da economia, w = salário nominal, PIBcorrente = produto privado, Gastosgov = gastos do governo.

Essas são as variáveis principais, objeto de análise dessa dissertação para os efeitos da política de salário mínimo implementada. Coube ainda à primeira parte da análise selecionar as variáveis que constituem os canais keynesianos segundo os quais o emprego poderia ser afetado por uma variação dos salários, bem como os fatores kaleckianos que determinam a participação dos salários na renda. O objetivo seria verificar por quais desses canais e fatores,

em operação no MKS, as variáveis objeto foram afetadas com a implementação da política de salário mínimo testada. Para a análise qualitativa dos canais keynesianos e fatores kaleckianos, as variáveis foram selecionadas da seguinte forma:

Canais keynesianos pelos quais a variação dos salários poderia afetar o emprego no MKS:

iii) Nível de investimentos, obtido coletando-se a variável que representa a Demanda por Bens de Capital “DK” no MKS;

iv) Distribuição de renda em favor dos trabalhadores, analisada a partir da parcela dos salários na renda total “wy” (como esse canal keynesiano constitui, junto com o emprego, uma das variáveis principais analisadas (e por isso citada no item ii), a variável “wy” teve duplo foco de análise, o primeiro como variável principal e objeto, e o segundo, como canal keynesiano para os resultados sobre o emprego; Fatores kaleckianos que possam ter operado no MKS sobre a participação dos salários na renda total da economia:

v) A razão “j” de Kalecki, que é a razão entre o custo das matérias-primas e o custo com salários. Como o MKS não calcula diretamente esta variável, para obtê-la foi necessário coletar variáveis que pudessem compor a seguinte equação:

J = Valor da produção de matérias-primas / massa de salários operacional total da indústria45

O valor da produção de matérias primas, que indica o custo de todos os setores com matérias-primas, foi obtido multiplicando a produção do setor pelo seu preço médio. Assim, coletou-se:

- A produção total do setor de matérias-primas, representada por QMtot no MKS; - O preço médio praticado pelas firmas do setor de matérias-primas, representado por pmediom, respectivamente.

Já para a massa de salários total da indústria, somou-se a massa de salários de cada setor, obtida multiplicando o salário nominal pelo nível de emprego operacional de cada setor. Assim, foi preciso coletar ainda:

- O salário nominal, que no MKS está representado por “w”;

45 A massa de salários operacional inclui somente os salários pagos aos trabalhadores da linha de produção (chão de fábrica), enquanto a massa de salários total da indústria soma à massa de salários operacional também os salários pagos aos pesquisadores em P&D de cada empresa.

- O emprego operacional total do setor de bens de consumo básico, “NCb” no MKS;

- O emprego operacional total do setor de matérias-primas, “NM”; - O emprego operacional total do setor de bens de capital, “NK”; - O emprego operacional total do setor de bens supérfluos, “NS”.

Coletadas as variáveis descritas, fez-se:

J = (QMtot * pmediom) / (w*NCb + w*NM + w*NK + w*NS);

vi) Grau de monopólio “k”, para o qual também não há variável gerada pelo MKS, tendo sido obtida pela coleta das variáveis que compõem a equação k = (massa de salários total da indústria + valor da produção de matérias-primas + lucros totais) / (massa de salários operacional total da indústria + valor da produção de matérias- primas). O valor da produção de matérias-primas já foi descrito no item anterior, utilizando-se o mesmo resultado. A massa de salários total de cada setor considera o emprego operacional total (descrito no item anterior) mais o emprego em pesquisa de desenvolvimento. Assim, além das variáveis já mencionadas no item anterior, coletou-se para a obtenção de “k”:

- O nível de emprego em pesquisa total da indústria, representado pela variável “NP&Dtot";

- O lucro operacional total da indústria, que no MKS é a variável “LucroOpind”; - O emprego total de cada setor,

A partir das variáveis coletadas, fez-se:

K = ((w*NP&D + w*NCb + w*NM + w*NK + w*NS) + (QMtot * pmediom) + LucroOpind)/ ((w*NP&D + w*NCb + w*NM + w*NK + w*NS) + (QMtot * pmediom))

Como o mark-up praticado por cada firma depende do seu grau de monopólio, essa equação fornece o valor acima dos custos que na média as empresas conseguem obter ao preço praticado, portanto, indica o grau de monopólio médio da indústria;

vii) Composição setorial do emprego, que foi adotada como aproximação da composição industrial46. Esta variável também tem foco duplo, atuando como fator kaleckiano de determinação da parcela de salários na renda, e também (e em

46 No próprio texto de análise dessa variável (seção 6.1 do capítulo 6) a justificativa para essa escolha foi melhor detalhada, bem como aponta-se as suas limitações.

consequência) como canal keynesiano para os efeitos sobre o emprego (caso o setor onde a participação dos salários for maior tenha sido o setor que mais cresceu, a parcela de salários na renda deverá ter crescido, e dadas as diferentes propensões a consumir entre as classes essa distribuição de renda de empresários para trabalhadores se refletirá no nível de consumo, impactando positivamente o nível de emprego. Para a análise desta variável foram coletadas:

- Fração do emprego industrial do setor de bens de consumo básico no total do emprego da economia, que no MKS é gerado pela variável “NCb/Ntot”;

- Fração do emprego industrial do setor de matérias-primas no total do emprego, representado no MKS pela variável “NM/Ntot”;

- Fração do emprego industrial do setor de bens de capital no emprego total, “NK/Ntot” no MKS;

- Fração do emprego industrial do setor de bens supérfluos no total do emprego, que no MKS é a variável “NM/Ntot”;

Avaliar se uma mudança do peso de cada setor no total do emprego após implementada a PVSM opera contra ou a favor de uma maior participação dos salários na renda só é possível tendo conhecimento da parcela dos salários na renda de cada setor isoladamente (se cai o peso de um setor cuja participação dos salários maior que nos demais setores, isso concorre para uma queda da parcela dos salários na renda total da economia). Para o cálculo da parcela dos salários em cada setor adotou-se a seguinte equação (exemplificada para o setor de bens de capital (“K”), e feita semelhantemente para cada um dos quatro setores):

Parcela dos salários no setor K = 100* (massa de salários K/valor da produção de K)

A massa de salários de cada setor foi obtida anteriormente para o cálculo da razão “j” e do grau de monopólio “k”, assim como o valor da produção do setor de matérias-primas, aproveitando-se esses resultados. Já para o valor da produção dos demais setores foi obtida multiplicando a produção total de cada setor pelo preço médio praticado pelas firmas em cada um desses setores. Para tanto, coletou-se:

- A produção total do setor de bens de consumo básico, representada por “QBtot” no MKS;

- A produção total do setor de bens de capital, “QKtot” no MKS; - A produção total do setor de bens supérfluos, “ QStot”;

- O preço médio praticado pelas firmas do setor de bens de consumo básico, “pmediob”;

- O preço médio praticado pelas firmas do setor de bens de capital, “pmediok”; - O preço médio praticado pelas firmas do setor de bens supérfluos, “pmedios”; Coletadas essas variáveis restantes, fez-se (tomando o setor “K” como exemplo, feita semelhantemente para cada um dos quatro setores):

Parcela dos salários no setor K = 100*(w*NK)/( QKtot * pmediok)

viii) A taxa de desemprego, obtida coletando-se “z”, a variável correspondente no MKS;

ix) A taxa de juros nominal, obtida coletando-se a variável “rbacen” no MKS;

x) A variável “w`” de Kalecki, que é a parcela dos salários na renda total da indústria como função da razão “j`” e do grau de monopólio “k`”, explicados anteriormente nos itens “v” e “vi”. Uma vez calculados a razão “j`” e o grau de monopólio “k`”, o “w” de Kalecki foi obtido utilizando a equação discutida no capítulo 3 para a determinação da parcela dos salários na renda:

w` =1/(1+ (k` - 1) (j` + 1))

A segunda etapa se constituiu na análise de variáveis secundárias, porém importantes para que se veja como a PVSM afeta essas variáveis trazendo informações relevantes de consequências desses efeitos. Esse conjunto de variáveis conta com:

xi) Produto Interno Bruto, obtido por meio da soma de duas variáveis do MKS: “PIBcorrente” e “Gastosgov”

xii) A inflação, obtida coletando a variável correspondente ao índice de preços ao consumidor no MKS,“IPC”;

xiii) O salário mínimo nominal por trabalhador, inserido no MKS conforme descrito na seção 5.3, obtido coletando-se das simulações a variável que o denota, “wmin”;

xiv) O salário de mercado nominal por trabalhador, obtido coletando-se a variável que o representa, “wmks”;

xv) O salário nominal efetivo, obtido coletando-se a variável “w”;

xvi) A receita do governo, gerada pelas simulações com a denotação “Receitagov”, e deflacionada com base no índice de preços ao consumidor (a variável “IPC”); xvii) Dívida pública como proporção do PIB, obtida coletando a variável

correspondente no MKS “DívidagovRenda”;

xviii) Gastos do governo, obtida pelas simulações com a nomenclatura “Gastosgov”, também deflacionado com base no “IPC”;

xix) Proporção do Emprego Público sobre o Total do Emprego, obtido dividindo o emprego total do setor público (Ng) pelo emprego total da economia (Ntot) xx) Consumo: Obtido a partir da soma da demanda por bens de consumo básico coma

demanda por bens supérfluos, representado no MKS pelas variáveis Db e DS respectivamente.

A terceira etapa consistiu em testar uma regra alternativa de taxa de juros. A política monetária do MKS, como visto no capítulo 4, tem como regra a busca de um nível de taxa de desemprego (6%) que, na avaliação do banco central, não geraria pressões inflacionárias na economia. Outras regras de política monetária têm sido implantadas nas economias reais, diferentes da usada no MKS, e isto poderia suscitar questionamentos sobre a sensibilidade dos resultados encontrados na análise da PVSM diante de mudanças nestas regras. Neste sentido, embora não houvesse necessidade de testar outras especificações de regras para verificar os efeitos da PVSM frente ao modelo Original (pois o que se busca na dissertação é exclusivamente averiguar o efeito da introdução desta PVSM), buscou-se realizar tal exercício como esforço suplementar de análise. Os resultados das simulações para um “nova regra” de determinação da taxa de juros mostraram que os efeitos da PVSM permanecem com plena eficácia e sem perda de eficiência, confirmando a robustez dos resultados

O cálculo de cada uma das variáveis do MKS está disponível em Cavalcanti Filho (2002) em formato C++, contudo, um arquivo contendo essas variáveis será entregue em meio digital, devido à extensão do arquivo.

O período intertemporal das simulações é de 120 períodos47, equivalendo cada período a um trimestre. Portanto, tem-se, 30 anos de uma economia hipotética onde todo o comportamento possui uma determinação endógena, o que é suficiente para que se manifeste o movimento cíclico de longo prazo da economia, para que se faça sua análise.

Para cada combinação de política econômica, gera-se 100 simulações para a estabelecida quantidade de períodos. Sendo 4 o total de combinações, gerou-se 400 simulações para o MKS original e mais 400 simulações para o modelo com a PVSM, portanto, 800 simulações para realizar a comparação entre os modelos para uma variável. Considerando as duas variáveis principais propostas, e mais 30 entre complementares e secundárias que necessitaram ser coletadas, soma-se 24.400 trajetórias geradas48. Apenas para que se possa ter uma dimensão do esforço e tempo empenhados na obtenção dos nada menos que 2928000 (2, 928 milhões) valores trabalhados, já que consideramos para análise os 100 períodos de cada simulação.

Para cada variável é calculada a média aritmética para o modelo original e com a PVSM, e ambas as médias são plotadas num gráfico comparativo para que se observe os efeitos da política, isso para todas as combinações.

Para a realização das simulações foi utilizado o programa computacional LSD (versão 5.9, disponível em www.business.aau.dk/revolution/lds), e a planilha eletrônica do Excel para a coleta, tratamento de dados, e preparação de gráficos para a visualização do comportamento de cada variável macroeconômicas a ser estudada. A verificação da influência das políticas econômicas sobre as trajetórias das variáveis analisadas se deu com as seguintes combinações de alíquotas tributária, monetária e de gasto público para o procedimento de análise qualitativa:

 Um percentual de expansão dos gastos públicos de 3%.

 Duas alíquotas de imposto de renda sobre os salários reais dos trabalhadores, representadas pela variável TAXW: 30% e; 50%.

47Exceto durante os testes iniciais, quando para algumas combinações específicas se julgou necessário observar se as tendências percebidas nas trajetórias apresentavam continuidade ou reversão, quando num espaço de tempo maior.

48Não inclusas aquelas realizadas durante toda a fase de testes que foram descartadas, por diferentes motivos, por exemplo quando identificados erros na construção de alguma variável ou equação.

 Duas regras de política monetária (PM), que representam as bandas de variação das taxas de juros em pontos percentuais: 0,125 p.p e 1,0 p.p.