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Development of a deep learning model

Esse fenômeno fica marcado quando surge mais de um tipo de modalizador atuando em um mesmo enunciado e consequentemente, gerando efeitos de sentido diversos. Vejamos como esse fenômeno se revelou em nossa pesquisa a partir dos trechos analisados a seguir: CM01-EE01 – Linhas 12-15

L1 [...] sou coordenador do curso de radiologia e:: eu fiz questão de colocar inclusive na grade não tinha... não é toda escola que tem a disciplina de radiologia veterinária... você

sabe muito bem disso...

Nesse trecho da CM01, L1 apresenta uma auto avaliação otimista em relação ao fato de ter inserido na matriz curricular a disciplina de radiologia veterinária. Procurando defender o seu ponto de vista com mais intensidade, ele parte do eixo da certeza com o uso do modalizador epistêmico asseverativo sabe que coocorre com o modalizador avaliativo muito

bem. Este modalizador avaliativo por sua vez, exerce dupla função neste enunciado, além de expressar um julgamento imprime também um caráter de certeza. O efeito de sentido que se gera no enunciado, a partir dessa coocorrência, é que o avaliativo acentua o caráter asseverativo, uma vez que a avaliação fortalece a afirmação da certeza de que o interlocutor é conhecedor da questão colocada, ou seja, L2 sabe que “[...] não é toda escola que tem a disciplina de radiologia veterinária...[...]”, até porque L2 trabalha em outra instituição e conhece a matriz curricular do curso.

CM02-EE01 – Linha 45-54

L2 [...] fui pra São Paulo fazer na Usp fiz o mestrado em farmacologia lá... porque sempre

acho importante... a farmacologia é uma ferramenta dinâmica pra você usar na clínica...

na cirurgia... pra você usar na inspeção dos produtos de origem animal...

L2 [...] enfim... tá atrelado a tudo... é uma área que sempre gostei... também fui prá lá... quando cheguei em São Paulo fiquei trabalhando numa clínica durante pouco tempo MESmo... porque... como eu fui bolsista Fapec eles pediam exclusividade e aí sempre rolava aquele medo né... de alguém denunciar... aquela coisa... então... eu sai da clínica que eu trabalhava em São Paulo... e aí eu me dediquei só ao mestrado...

No trecho CM02 podemos observar coocorrência em dois momentos. Primeiramente, quando L2 argumenta sobre a sua formação acadêmica e faz uso do modalizador epistêmico quase-asseverativo acho seguido do modalizador avaliativo importante. Assim, L2 expressa que considera importante o fato de ter se dedicado aos estudos da área de farmacologia, mas essa importância é apresentada como uma crença, algo pessoal, não como uma certeza, ou seja, ela é relativizada; no entanto, apesar de relativizada, é avaliada de forma positiva, ou seja, foi uma boa escolha ter se dedicado a essa área do conhecimento.

Na sequência do enunciado, L2 avalia a área de farmacologia e assim faz uso do modalizador asseverativo sempre seguido do modalizador avaliativo gostei para continuar o relato acerca da sua formação. O efeito de sentido que se gera no enunciado, a partir dessa coocorrência, é que ocorre uma acentuação do caráter asseverativo impresso pelo modalizador sempre sobre o modalizador avaliativo gostar. Há, portanto, uma apreciação ou avaliação positiva de L2 como uma certeza de que sempre existiu esse sentimento pela área a qual escolheu para se especializar.

CM03-EE01 – Linhas 70-71

L1 se houvesse a necessidade de já iniciarmos com o senhor em... já em dezembro... teria algum problema?

No trecho CM03 o enunciado é apresentado por L1 como se já houvesse a indicação de que vai precisar contratar o entrevistado para o mês seguinte à seleção. Tendo isso em vista, L1 almeja saber maiores detalhes sobre a disponibilidade de tempo de L2 para assumir disciplina na Unixy. Para tanto, inicia o enunciado fazendo um questionamento sobre a possibilidade de existência de uma obrigação, logo faz uso do modalizador epistêmico quase- asseverativo se houvesse (no modo subjuntivo), coocorrendo com o modalizador deôntico de obrigatoriedade necessidade, sendo que o primeiro atenua o caráter de obrigatoriedade do segundo. Nesse caso, o caráter da obrigatoriedade é apresentado como algo incerto, ou seja, não se sabe se irá ocorrer de o professor ser contratado para assumir disciplina na escola técnica ainda durante o mês de dezembro de 2014, logo há uma atenuação desse caráter deôntico, pois o locutor não se responsabiliza por essa obrigatoriedade.

CM05-EE01 – Linhas 139-143

L1 [...] professor é:: me diga uma coisa... em relação a:: uma coisa que eu gosto de perguntar aos candidatos... até pessoal MESmo... mas eu preciso saber pois depois vocês vocês começam a entender... a questão de de... como é que o senhor trata a sua saúde? e o seu e o seu... o que o senhor faz nas suas horas vagas?

No trecho CM05, temos uma coocorrência de modalizadores do eixo do conhecimento, que se dá no nível do delimitador pessoal com o epistêmico asseverativo

MESmo, expressando o compromisso do locutor com o caráter de certeza do que anuncia e

com a intenção de apresentar seus argumentos como incontestáveis. Ao utilizar a expressão

MESmo, L1 apresenta o conteúdo como algo certo e do qual tem pleno conhecimento, no

entanto, ele relativiza essa certeza ao utilizar a palavra pessoal. Assim, L1 deixa registrado que a sua pergunta se refere a algo individual, de foro íntimo e não profissional por exemplo. Dessa forma, justifica que se trata de um assunto que ele enquanto coordenador de curso costuma abordar durante a seleção de professores porque considera importante saber se os candidatos cuidam regularmente da vida pessoal e mais especificamente da saúde. O efeito de sentido que se gera no enunciado, a partir dessa coocorrência é a de que há uma acentuação do caráter da delimitação, pois a pergunta ser feita de modo pessoal, é algo certo, logo esse modalizador reforça essa certeza.

CM07-EE01 – Linhas 219-230

L2 [...] e eu SEMpre paro... acho que sou o professor que MAIS para nas aulas... porque cada slide que eu passo e aí paro... pessoal... vocês entenderam? não ficou claro alguma coisa?... o que que tá faltando? eu vou BEM devagar MESmo... eu não tenho problema em relação a isso não... e na minha profissão também... isso é muito comum... porque a gente lida desde o pessoal... das pessoas que estão em assentamento também... dando a assistência rural... assistência veterinária até aquele dono de fazenda (...)

L1 fazenda cara...

L2 é... que sabe de tudo também... então... a gente já é acostumado desde a faculdade a lidar com esses universos diferentes e SAber se comunicar com essas pessoas...

No trecho CM07, L2 busca apresentar a didática que ele costuma adotar para ministrar as suas aulas. Para tanto, faz uso do modalizador avaliativo BEM devagar, expressão adverbial, que coocorre com o asseverativo MESmo, advérbio, para argumentar sobre a sua estratégia de trabalho. Podemos perceber que o efeito de sentido que se gera no enunciado, a partir dessa coocorrência, é a de que o modalizador avaliativo é acentuado pelo

asseverativo, pois o locutor usa o segundo para confirmar a certeza do que ele está dizendo no primeiro, ou seja, é certo que L2 age dessa forma na condução das suas aulas.

CM09-EE05 – Linhas 160-163

L1 então... você costuma fazer plano de aula semanal? é isso?

L2 exatamente... semanal... então feito isso aí... aí sim... aí já é preparado todo o material... em cima justamente de data show... e por aí vai... exposição das aulas... independentemente... trabalho e aí vai...

No trecho CM09, L1 deseja saber se L2 costuma fazer o plano de aula semanalmente. L2, visando passar segurança com a sua resposta, faz uso do modalizador asseverativo exatamente, seguido do modalizador delimitador semanal. Ao utilizar a expressão exatamente, o locutor concorda plenamente com o argumento proferido por L1. Ou seja, L2 assevera que faz os seus planos de aula semanalmente e não mensalmente ou semestralmente, por exemplo. Essa asseveração, portanto, acentua a delimitação semanal, uma vez que fazer o plano de aula semanalmente é apresentado por L2 como algo certo, que realmente acontece e é isso que o locutor quer deixar claro para o interlocutor.

CM12-EE09 – Linhas 39-50

L2 [...] no caso se você não tiver... por exemplo... eu às vezes quando eu me empolgo... eu falo rápido... então... eu já me vigio...ou quando o aluno não professora divagar ... quando eu me empolgo num assunto... aí você acelera... acho que boa dicção... tem que

realmente gostar da docência... né? porque às vezes você não domina o assunto... aquele

conteúdo... você não domina... então... você tem que gostar pra poder pesquisar... pra poder estudar mais a fundo... pra poder trazer mais informações pro aluno... eu acho que... além de tudo você tem que ter COM QUE contribuir naquela disciplina... por exemplo... no caso que dei... com a alta complexidade... eu não TENho com que contribuir... não tenho experiência... vou contribuir com que? só com a teoria? só ler... eu acho que a vivência... se você tem alguma coisa a repassar além do que tem ali no livro... eu acho importante...

Nesse enunciado, L2 avalia como certas algumas características positivas que o professor precisa ter para atuar na área docente. A avaliação é feita no eixo do conhecimento, calcada no conhecimento partilhado entre L1. Podemos observar que L2 faz uso de modalizadores para acentuar sua avaliação sobre o perfil que ele considera adequado para o professor. Primeiramente, ele marca o seu discurso com o deôntico de obrigatoriedade tem

gostar. O efeito de sentido que se gera no enunciado, a partir dessa coocorrência, é a de que

tanto o deôntico como o asseverativo acentuam o caráter da avaliação do enunciado, expresso pelo verbo gostar.

Em seguida, aparece mais uma coocorrência do deôntico de obrigatoriedade tem que com o avaliativo gostar, cujo efeito de sentido é o de que o deôntico de obrigatoriedade acentua o caráter avaliativo: em outras palavras, gostar, postura positiva que se espera do professor, é algo obrigatório. Assim, o modalizador deôntico de obrigatoriedade em destaque acentua o caráter positivo expresso pelo modalizador avaliativo.

CM18-EE22 – Linhas 95-104

L1 [...] é bem provável que as provas didáticas aconteçam amanhã... eu acredito que quem foi entrevistado hoje fique pra segunda... mas não é certeza não... na pior das situações se você passar nessa fase pode ser que a prova seja amanhã... tá bom?

L2 tudo bem... provavelmente no turno da manhã? L1 tarde...

L2 tarde...

L1 o nosso horário de expediente é à tarde... certo? então... é:: é só aguardar...

L2 legal...

Nesse enunciado da EE22, o modalizador avaliativo marcado pela palavra bem acentua a probabilidade impressa pela expressão provável – modalizador epistêmico quase- asseverativo que estabelece um grau de possibilidade ou probabilidade que vai do menos provável ao mais provável. Assim, o modalizador avaliativo bem acaba por acentuar o caráter de probabilidade, aproximando-o da noção de certeza. Desse modo, é mais provável que as provas aconteçam no dia previsto por L1: do ponto de vista do locutor, é quase certo que a próxima fase do processo seletivo aconteça “amanhã”, mas, como não tem certeza, L1 prefere não se comprometer com o dito. Por isso, escolhe estrategicamente amenizar seu argumento por meio do modalizador quase-asseverativo em destaque com a expressão bem

provável e, com essa estratégia, automaticamente, se isenta da responsabilidade, caso ocorra

algum impedimento de essa fase do processo não se concretizar na data prevista.

Convém ressaltar que o corpus desta investigação apresentou elementos modalizadores que se enquadram na classificação denominada por Cervoni (1989) de “núcleo duro” os chamados modalizadores tipicamente modal, conforme pode ser observado ao longo deste capítulo das análises. Além desses modalizadores, apareceram elementos característicos da “modalidade impura” tais como: a entonação de ênfase, a repetição, as orações adjetivas e

as expressões adjetivas, as quais se inserem no grupo denominado “parcialmente modal”, pelo autor.

Dito isso, apresentamos a seguir, algumas reflexões extraídas das análises aqui empreendidas.