Souza e Couso Jr. (1997), ao interpretarem oito provas de carga em EHC com 60cm e 70cm, comprimentos entre 11,46m e 23,80m, executadas em solos sedimentares e residuais, constataram que a mobilização da resistência de ponta dessas estacas ocorre com baixa rigidez, ou seja, com grandes deslocamentos, e independem da compacidade do terreno de apoio, apesar de nenhuma prova de carga ter atingido a ruptura física. Por sua vez, Albuquerque et al. (2001), após extração de uma EHC de 40cm e 12,0m de comprimento executadas em solo residual de diabásio (silte argilo- arenoso, fofo), relatam a existência de solo solto sob a ponta dessas estacas.
Em seu trabalho, Albuquerque (2001) verificou, para EHCs executadas em solo residual de diabásio, não saturado, constituído de argila silto-arenosa de alta porosidade e silte argilo-arenoso, que o deslocamento necessário para obtenção do limite máximo de reação de ponta é de 1,5% do diâmetro da estaca (5,8mm) e, para a plena mobilização do atrito lateral, foram necessários pequenos deslocamentos (~ 6,2mm = 1,55% D). O autor esclarece, no que tange ao atrito unitário máximo, que a estaca teve comportamento semelhante às estacas escavadas executadas no mesmo solo. Com relação à ponta, que absorveu cerca de 7% da carga total, o valor da resistência foi seis vezes superior ao da estaca escavada. Klosinski e Rychlewski (2003) observaram, também, ao analisar 79 resultados de provas de carga executadas na Polônia, que a capacidade de carga de CFA é maior que as das usuais estacas escavadas. Esses últimos autores alertam, no entanto, que essa conclusão não leva em conta o tipo de solo no qual a estaca foi executada.
Ao apresentarem os resultados de prova de carga realizada na primeira estaca hélice instrumentada de Brasília, com 40cm e comprimento de 18,5m, Cunha et al. (2002) observaram que a fundação só começou a mobilizar carga em sua ponta quando cerca de 21% da carga total já havia sido aplicada em seu topo. Na carga máxima aplicada, aproximadamente 25% da carga de topo chegaram até a base da fundação.
Evers et al. (2003) verificaram que, para duas EHCs executadas em solo de complexa estratigrafia com camadas de argila mole (variável de 60cm a 200cm), entre camadas de areia, a maior parte da carga foi resistida por atrito lateral: 80% para uma estaca e de 85% para outra. Para as duas estacas, a mobilização da resistência de ponta foi progressiva, não evidenciando ruptura do solo na ponta.
Entretanto, Souza (2006) apresenta quatro possibilidades de contato do concreto-solo na ponta de EHC correlacionando o material escavado pelo trado e a posterior concretagem da estaca. A ocorrência de uma ou de outra possibilidade está ligada aos cuidados do operador ao final da perfuração e
início da concretagem, aos detalhes geométricos do dentes da ponta do trado e ao tipo de solo. O autor, ao apresentar uma estaca de 80cm de diâmetro com ponta apoiada em solo de alta resistência (confirmada por sondagem e limite da capacidade da perfuratriz de grande porte), notou que a mobilização da resistência de ponta ocorre com deslocamentos muito grandes, incompatíveis com a resistência natural do solo. O deslocamento sofrido pela estaca, em torno de 10cm, não foi suficiente para “cravar” a estaca no solo natural, eliminando, assim, a influência do provável solo solto existente na ponta. Na verificação expedita de duas estacas apoiadas em argila siltosa dura, com 70cm de diâmetro e 5,5m de comprimento, cuja escavação atingiu 0,50m abaixo da ponta da estaca, a ponta dessas estacas ficou com forma cônica, tendo reduzido a área de contato da ponta da estaca com o solo natural em 70% da área nominal.
Para Anjos (2006), a situação de uma estaca isolada executada em solo arenoso homogêneo, mostrando que a resistência lateral unitária aumenta linearmente com a profundidade, é proporcional à tensão vertical efetiva. No caso, o atrito lateral foi representado por uma fração da carga, consequentemente, a relação entre o esforço normal dividido pela carga aplicada no topo da fundação e o atrito é dada por uma equação do segundo grau ou parabólica.
Lima e Gusmão (2006) concluíram que o atrito lateral estimado por métodos semiempíricos corresponde à carga referente ao deslocamento de 2% do diâmetro da estaca, nas provas de carga realizadas.
Os autores Huybrechts e Maertens (2008), ao analisarem uma prova de carga instrumentada de uma EHC com 10,4m de comprimento com ponta apoiada em areia, concluíram ser otimista considerar a resistência de ponta relativa a deslocamento de 10% diâmetro. Afirmam que a resistência da base continua a aumentar com o aumento do deslocamento (enfatizam que até grandes deslocamentos) e que, no início do ensaio, não foi obtida quase nenhuma resistência de ponta com indícios de possível relaxamento do solo abaixo da ponta da estaca, devido a um problema de execução.
Com a realização de ensaio dinâmico em EHC de 70cm de diâmetro e 12,0m de comprimento, Oliveira, Falconi e Perez Jr. (2008) obtiveram pela análise CAPWAP, percentual de resistência de ponta variando de 33,9 a 40,8%.
Vipulanandan, Vembu, e Brettmann (2009) executaram prova de carga em uma EHC de 46cm de diâmetro e 15,2m de comprimento, em solo coesivo no Campo Experimental de Geotecnia da Universidade de Houston até a máxima carga de 187tf e 50mm de deslocamento máximo. A estaca estava instrumentada com extensômetros de cordas vibrantes. Os autores concluem que a maior parte da carga foi resistida por atrito lateral e a contribuição da resistência de ponta aumentou perto da carga de ruptura atingindo um percentual de 10%.
Ao analisar um Banco de Dados da Bélgica, De Cock (2009) indicou deslocamento relativo da EHC na carga de serviço, presumindo um fator de segurança de 2 na carga última. Os valores foram situados entre 1-1,5% para resistência por atrito e 0,5-1,5% para resistência de ponta.
No entanto, Silva (2011) apresenta ensaio realizado em uma EHC com diâmetro de 40cm e 15,28m de comprimento executado em Guará-DF. A partir dos 11,5m, praticamente não ocorreu transferência de carga, o que fisicamente é difícil de explicar, pois se trata da ponta ou base da estaca embutida em camada de solo competente. Salienta-se que o recalque final do ensaio foi de 50mm, ou seja, o ensaio levou a estaca à ruptura física conduzindo à dedução de tensões residuais provocadas por retração do concreto, por sucção ou pelo processo executivo estão presentes. Esse mesmo autor, ao analisar oito EHCs instrumentadas em profundidade executadas em sítios diferentes, diâmetros variados (40cm, 60cm, 80cm) e comprimentos variando de 13,12m a 18,50m, relatou valores obtidos para a parcela da ponta de 3,4% a 31%.
Os pesquisadores Batista, Coutinho e Freire (2010) utilizaram o Método de Décourt para separação das parcelas de ponta e de atrito lateral. Na análise de duas provas de carga realizadas em EHC, na cidade de
Natal – RN, em solo de areia fina, parcialmente saturado com NSPT
crescente com a profundidade (EHC01: 3≤ NSPT≤46 e EHC02: 9≤ NSPT≤60),
os autores obtiveram, para a estaca com diâmetro de 80cm e comprimento, 15,12m, um percentual de 63% da carga total referente ao atrito lateral. Para a estaca com diâmetro de 50cm e comprimento de 13,12m, o Método de Décourt mostrou um percentual de atrito lateral igual a 90%.
O Método de Décourt foi também utilizado por Santini et al. (2012) que analisaram cinco provas de carga em EHC, com diâmetros variados em 40, 60 e 70cm e com comprimentos também variados entre 19 e 27 metros, na cidade de Recife. O perfil típico do subsolo apresentava 25m de espessura de uma camada de solo arenoso, variando de pouco compacto a compacto, com SPT entre 03 e 30 e maior que 30 aos 25m de profundidade. Das cinco estacas analisadas, a estaca com 40cm de diâmetro e 22,0m de comprimento foi testada até a carga máxima de 1600kN, com recalque máximo de 9,4mm e apresentou maior participação de atrito lateral; já a estaca 70cm de diâmetro e 24,0m de comprimento, testada até 4800kN, com recalque máximo de 23,9mm, apresentou maior parcela de ponta.
2.7.3 Metodologia de interpretação da curva carga-recalque