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6 Results

6.5 Rheological properties

6.5.1 Determination of linear viscoelastic region

O LC é a principal teoria considerada neste trabalho e, por isso, ao final de cada unidade, refleti sobre a presença de características dessa teoria em diferentes momentos durante as aulas. O quadro abaixo tenta resumir algumas características do LC, compiladas com base em vários autores (CERVETTI; PARDALES; DAMICO, 2001; DUBOC; FERRAZ, 2011; GIROUX, 2002; JORDÃO, 2013; JORGE, 2012; JUCÁ; FUKUMOTO; ROCHA, 2011; KUBOTA; LIN, 2009; LANKSHEAR; KNOBEL, 1997; MATTOS, 2011b; MATTOS; VALÉRIO, 2010; MCLAUGHLIN; DEVOOGD, 2004; MENEZES DE SOUZA, 2011). Não são questionamentos e respostas suficientes

para que se entenda tal proposta por completo, mas são suficientes para atingir um dos objetivos desta pesquisa, qual seja, a inclusão do LC nas aulas de inglês para surdos.

Quadro 12 – Principais questionamentos para compreensão do Letramento Crítico

Letramento Crítico

Para quê?

Para contribuir para uma educação que promova cidadania ativa; para promover transformação, reflexão e ação; para levar os leitores a questionarem as representações presentes nos textos.

Para quem e para quando?

Para todos, independentemente do nível socioeconômico, raça/etnia. Para qualquer momento, nível de escolaridade ou idade.

Para onde e como?

Escolas e outros espaços. Através de atividades que envolvam leitura de textos escritos e imagéticos, produção escrita, compreensão e produção oral, reflexões, discussões e ações.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Santos e Ifa (2013) afirmam que “atualmente, há várias definições para a abordagem do letramento crítico e para o sujeito dito criticamente letrado” (p. 7). Portanto, o quadro acima busca apresentar algumas dessas definições, focando naquelas que vão ao encontro da análise dos registros feitos durante esta pesquisa.

De acordo com o Quadro 12, o LC crítico pode ser promovido em qualquer nível de escolaridade e idade, mas de maneira gradativa (JORDÃO, 2013), conforme o contexto do(s) envolvido(s). Assim, mesmo que os alunos estivessem em níveis iniciais de aprendizagem de LI, isso não impediu que houvesse momentos que propiciassem o desenvolvimento do LC em sala de aula. Alguns dos alunos estavam tendo o primeiro contato com o ensino formal de LI, entretanto eles já tinham experiências que contribuíram para um posicionamento nas aulas, visto que suas idades variavam entre 17 a 21 anos. Portanto, os alunos não chegaram sem nenhum conhecimento de mundo e, por isso, mesmo que de maneira mais discreta em alguns momentos, iam se posicionando conforme as oportunidades surgidas durante as aulas.

O quadro acima também tentou abordar os motivos de se desenvolver o LC nas aulas. As respostas, baseadas nos diversos autores supracitados, também condizem com os resultados observados nesta pesquisa. Na última linha do quadro (“para onde e como”), afirmo, de acordo com os diversos autores citados, que o LC pode acontecer na escola e em outros espaços através de diversas formas. Todavia, dentre elas, estão as habilidades de “compreensão e produção oral”, que não foram abordadas nas aulas.

Mesmo assim, são informações que condizem com um contexto mais amplo para a promoção do LC em outros espaços.

Por fim, o Quadro 12 também foi elaborado a partir das três perguntas finais do questionário aplicado aos alunos. As perguntas de um a oito, tiveram o objetivo de obter informações pessoais, educacionais e de conhecimento linguístico dos alunos, conforme já foi apresentado no Quadro 8 apresentado no capítulo 3. Entretanto, as questões de nove a onze visaram a coletar informações sobre as aulas de inglês. Para esta pesquisa foi utilizado apenas um questionário que foi aplicado após o término da unidade 8. As justificativas dos alunos foram filmadas. Abaixo, apresento as respostas obtidas:

Quadro 13 – Pergunta 9

Você achou interessante as aulas de inglês que discutiram temas como “inclusão social”, “racismo”, discriminação” e “gêneros”? Por quê?

Oliver Sim, um pouco.

Felicity Sim, um pouco.

Cisco Sim, muito.

Barry Sim, muito.

Caitlin Sim, muito.

John Diggle Sim, muito.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Em sua justificativa para essa questão, Cisco explicou, por exemplo, que estava indo jogar futebol com os amigos e percebeu as diferenças nas aparências físicas de seu time. Eram todos surdos, mas alguns negros, outros brancos, baixos, altos, gordos e magros. Entretanto, nesse momento, ele viu todos como somente seu time de futebol. Cisco disse que nesse momento se lembrou do que havíamos discutidos na unidade sobre discriminação e ressaltou a importância do que foi para ele essa aula. Os outros alunos, de maneira geral, justificaram que acharam interessante porque eram temas importantes de serem discutidos. Nenhum deles respondeu que não achou interessante. A pergunta seguinte trouxe o seguinte resultado:

Quadro 14 – Pergunta 10

Você já havia discutido esses temas em outra disciplina alguma vez?

Oliver Sim, já havia discutido alguns dos temas na disciplina de Geografia. Felicity Sim, já havia discutido alguns dos

Cisco Sim, já havia discutido alguns dos temas na disciplina de Geografia. Barry Sim, já havia discutido alguns dos

temas na disciplina de Geografia. Caitlin Sim, já havia discutido alguns dos

temas na disciplina de Geografia. John Diggle Sim, já havia discutido alguns dos

temas na disciplina de Geografia. Fonte: Elaborado pelo autor.

A resposta unânime dos alunos pela disciplina de Geografia foi explicada da seguinte maneira: o professor, no ano da coleta de dados, discutiu com os alunos sobre os escravos presentes no Brasil na época da colonização. Através de gravuras e outras informações textuais os alunos puderam realizar uma discussão mais detalhada sobre o assunto. Mesmo que, possivelmente, o professor de Geografia tenha abordado questões sobre o racismo, a discussão focou em acontecimentos de séculos passados. Não que isso não tenha importância. Acredito que isso possa ter contribuído para o desenvolvimento do LC dos alunos, mas o foco que foi dado nas minhas aulas foi diferente, pois abordou o momento atual. A próxima pergunta apresentou as seguintes respostas:

Quadro 15 – Pergunta 11 Você achou as aulas difíceis? Por quê?

Oliver Sim, muito.

Felicity Sim, um pouco.

Cisco Sim, mais ou menos.

Barry Sim, muito.

Caitlin Sim, mais ou menos.

John Diggle Sim, mais ou menos.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Dois alunos acharam as aulas muito difíceis, três responderam que o grau de dificuldade foi mediano (mais ou menos) e uma aluna respondeu que foi um pouco difícil. Justificando sua resposta, Cisco se posicionou dizendo que o vocabulário é muito complicado e que se confunde muito mais do que o português. Oliver, Felicity e John Diggle, mesmo dando respostas diferentes, alegaram que esquecem a grafia das palavras constantemente e, como essa é a primeira vez que estão aprendendo inglês, acreditam que a dificuldade é normal. Para essa afirmação comentei que alguns deles já tiveram inglês no ano anterior com outra professora. John Diggle confirmou e explicou:

Sim, mas pesado como você ensina é a primeira vez.

Todos os outros alunos concordaram com essa resposta, inclusive Caitlin e Barry que permaneciam mais calados e apenas confirmavam as justificativas dos colegas, balançando a cabeça afirmativamente e se recusando a dar uma resposta própria nesta e nas demais perguntas. Isso me fez pensar em duas possibilidades: 1) minhas aulas foram organizadas com um nível muito além do que os alunos poderiam atingir ou 2) os outros professores de inglês que trabalharam antes de mim organizavam suas aulas muito aquém das habilidades dos alunos. Como houve aprendizagem, mesmo que minhas aulas tenham sido consideradas “pesadas”, acredito que a segunda alternativa também possa ser verdade, mas mesmo assim, penso que posso rever o nível das minhas aulas para um planejamento futuro.

Assim, através das respostas dos alunos, avalio positivamente as aulas de inglês que aconteceram durante a geração de registros para esta pesquisa.

O objetivo geral deste trabalho era compreender se o LC poderia contribuir não somente para a leitura e a escrita em LI dos participantes, mas também para que o aluno tivesse acréscimos significativos para um posicionamento crítico diante de diversas situações recorrentes na sociedade. A partir das discussões feitas nessa seção, percebo que as teorias do LC conseguiram um lugar importante nas aulas de inglês e contribuíram tanto para a aprendizagem de leitura e escrita em LI, quanto para a formação cidadã dos alunos. O ser humano vai se tornando criticamente letrado ao longo da vida, é um processo construído aos poucos, mas acredito que esse pouco foi possível aos alunos através das nossas aulas de inglês.