5 Empirical results
5.4 Other determinants
A representação dos documentos ao longo dos anos foi materializada e estruturada de diferentes maneiras até chegar ao que, atualmente, se entende por um registro bibliográfico. O caráter essencial do registro bibliográfico pode ser expresso por
um conjunto matriz de elementos informativos de um item bibliográfico, agrupados em uma estrutura lógica. Quando os dados são armazenados em formato legível por máquina, o registro se refere a um registro matriz de que se derivam todos os produtos. Um registro se relaciona geralmente somente a um título (SEAL; BRYANT; HALL, 1982, p. 8, tradução nossa).
No entanto, o modo de construção do registro bibliográfico no tempo, no que tange às soluções práticas e aos estudos propostos, levou ao surgimento de uma terminologia diversa, revelando uma base conceitual relativamente comum e algumas diferenças, a depender da origem de cada proposta. Essas propostas têm como origem, de um lado, a transposição das fichas catalográficas manuais para registros bibliográficos de catálogos produzidos em meio eletrônico e, de outro, a conversão das bibliografias especializadas impressas para as bases de dados especializadas no âmbito dos sistemas de informação científica.
A descrição, ou representação documentária descritiva, componente do registro bibliográfico decorre, assim, desse percurso. A atividade de representação documentária descritiva é entendida como a construção de uma estrutura por meio de um processo de
condensação identificativa e formal do objeto original segundo um conjunto de normas de catalogação. Estão presentes, na representação documentária descritiva, produtos e processos documentários. Por processos são compreendidos o conjunto de operações, envolvendo decisões com vista à representação da informação concebida com a finalidade de produzir resultados específicos. E por produto entende-se o resultado da realização de um processo específico ou de uma atividade humana.
Os 11 termos selecionados sobre representação documentária descritiva são os que seguem: descrição, descrição bibliográfica, análise formal, catalogação, catalogação descritiva, catálogo, representação descritiva, referenciação bibliográfica, bibliografia, bibliografia descritiva e referência bibliográfica.
No dicionário especializado de Biblioteconomia e Arquivologia, Cunha e Cavalcanti (2008) fazem uma compilação de designações de outros autores e apresentam a seguinte definição para ‘catalogação descritiva’: “escolha da entrada principal e das entradas secundárias, transcrição da página de rosto, imprenta, colação e demais dados descritivos” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 71). A indicação da entrada principal e das entradas secundárias faz supor que a definição apresentada é representativa do modelo anglo- americano de elaborar fichas catalográficas, sendo assim entendido e nomeado por catalogação descritiva. Os autores relatam que, a partir da década de 1970, a expressão catalogação descritiva teria sido substituída por descrição bibliográfica, além de apresentarem uma remissiva ‘ver também’ para este termo. Todavia, não explicam e nem apresentam referências que justifiquem o motivo que tenha levado à alteração do nome catalogação descritiva a que se referem.
No verbete ‘catalogação’ do mesmo Dicionário, Cunha e Cavalcanti (2008, p. 70), apresentam as seguintes definições:
2. processo técnico para registro e descrição de itens tendo em vista a organização de catálogos. 3. Em sentido mais amplo, a catalogação abrange não somente a descrição bibliográfica, mas também a análise temática com seus produtos, entre eles a identificação temática.
Na parte 3 dessa definição consta que a catalogação abrange os conceitos da descrição bibliográfica e da análise temática. A análise temática pode ser entendida como a análise do documento que traduz a sua essência em conceitos e a descrição bibliográfica corresponde ao
registro dos elementos, retirados do item em processo de catalogação e fontes de referência, capazes de identificar este item por suas características. São, p. ex., elementos de descrição: título, autor, edição, local, editor,
gravadora (para discos), data, número de páginas, tempo (para filmes e discos), entre outros (MEY; MENDES, 1989, p. 6).
Em uma abordagem mais abrangente, o termo Catalogação abarcaria tanto a catalogação descritiva, incluindo a descrição bibliográfica, quanto a análise temática.
Desse modo, vale observar as regras de catalogação descritiva da LC, de 1956, quanto à peculiaridade do termo catalogação descritiva para esta instituição, que também é nome da divisão responsável pelo processo de identificação e descrição dos objetos.
O termo [catalogação descritiva], sob o aspecto biblioteconômico, é geralmente empregado para distinguir a parte da catalogação que trata da identificação e descrição de qualquer objeto (não somente livros) que figure na coleção da biblioteca, da que se ocupa da análise do seu conteúdo. Esta distinção tem sido a base da organização da catalogação na Library of
Congress, onde as duas partes componentes do processo de catalogação se
efetuam, respectivamente, numa Divisão de Catalogação Descritiva e numa Divisão de Catalogação de Assuntos (LIBRARY OF CONGRESS, 1956, p. 1).
Quanto à descrição bibliográfica, este e a catalogação descritiva não representam a mesma função, apesar de fazerem parte do mesmo processo que é o da catalogação. A catalogação descritiva inclui a elaboração dos pontos de acesso e os elementos descritivos dos itens, e a descrição bibliográfica é uma parte da catalogação descritiva, pois se concentra na construção das descrições dos documentos sem trabalhar os pontos de acesso.
A seguinte observação de Eliane Mey (1987, p. 40) é de interesse a este trabalho: antes da publicação da ISBD, no ano de 1971, havia restrita literatura sobre descrição bibliográfica, mas as produções pós-ISBD “não se voltam a princípios teóricos, embora a descrição [bibliográfica] ocupe um espaço bem mais amplo”. Mey (1987, p. 40) entende que as publicações sobre catalogação anteriores à divulgação da ISBD não se preocupavam com a questão do por que registrar elementos dos documentos. Na ausência de normas estabelecidas internacionalmente, as representações dos documentos produzidas pelos catalogadores continham suas próprias interpretações a respeito de como proceder à descrição ou transcrição, acarretando, assim, diversidade na forma de apresentação dos elementos. A partir da ISBD, o procedimento da descrição bibliográfica passou a ser mais claro. A norma, como linguagem da técnica moderna, ocupa nesse sentido a função de prescrever um processo e não de fundamentar o processo, embora o faça a seu modo.
Dentre os autores citados nestes verbetes do dicionário de Cunha e Cavalcanti (2008), Eliane Mey é uma das autoras mais profícuas sobre o tema no Brasil. Para ela e Silveira (2009), a catalogação abrange não só o estudo, mas também o preparo e a organização dos
registros. As autoras deixam implícito que concordam que a análise temática faça parte da catalogação, definindo-a como
o estudo, preparação e organização de mensagens, com base em registros do conhecimento, reais ou ciberespaciais, existentes ou passíveis de inclusão em um ou vários acervos, de forma a permitir a interseção entre as mensagens contidas nestes registros do conhecimento e as mensagens internas dos usuários (MEY; SILVEIRA, 2009, p. 7).
O entendimento da catalogação em uma abordagem abrangente, conforme explicado anteriormente, influenciado pela compartimentalização das disciplinas nos cursos de Biblioteconomia no Brasil, segmentou-se em duas grandes disciplinas: a catalogação de assunto e a catalogação descritiva. “A catalogação de assunto passou a ser designada como Representação Temática e a catalogação descritiva referente à descrição bibliográfica e aos pontos de acesso passou a ser designada como Representação Descritiva” (SILVEIRA, 2007, p. 35).
Algo pouco explorado no Brasil é o uso do termo Representação Descritiva. O desenvolvimento teórico e metodológico da Representação Descritiva e da Representação Temática foi realizado de modo separado, o que trouxe dificuldades na articulação e no entendimento dos conceitos desses processos (ORTEGA, 2010b).
Na investigação pela origem do termo no Brasil, não usual fora do país, identificou-se que o registro da expressão Representação Descritiva foi mencionada pela primeira vez no Brasil nos debates, fomentados pelos cursos de Biblioteconomia, que decorreram no Currículo Mínimo de Biblioteconomia de 1982.
A aprovação do segundo Currículo Mínimo de Biblioteconomia pelo Conselho Federal de Educação (CFE), por meio da Resolução n. 8, de 29 de outubro de 1982, teve como antecedentes debates, propostas e sugestões da classe para a reformulação do primeiro Currículo Mínimo de 1962. Sua implantação foi dada no ano de 1984, passando a constituir- se de três grupos de matérias a partir de uma nova estruturação de conteúdos que possibilitasse, dessa forma, uma diferença na formação técnica e intelectual do bibliotecário.
a) Matérias de fundamentação Comunicação;
Aspectos sociais, políticos e econômicos do Brasil contemporâneo; História da cultura.
b) Matérias instrumentais Lógica;
Língua portuguesa e literatura da língua portuguesa; Língua estrangeira moderna;
Métodos e técnicas de pesquisa. c) Matérias de formação profissional Informação aplicada à Biblioteconomia; Produção dos registros do conhecimento; Formação e desenvolvimento de coleções;
Controle bibliográfico dos registros do conhecimento; Disseminação da informação;
Administração de bibliotecas (BRASIL, 1982, p. 20787).
O documento produzido pelo Grupo de Trabalho, constituído por professores de Instituições de Ensino Superior, em novembro de 1980, aprovado pela Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação e Cultura (SESu/MEC), e encaminhado ao CFE como um anteprojeto da resolução, apresenta pela primeira vez, segundo identificado na pesquisa, o registro do termo Representação Descritiva.
Entre as Matérias de formação profissional, a ementa da disciplina ‘Controle bibliográfico dos registros do conhecimento’ configura-se da seguinte maneira:
Ementa:
Organismos nacionais e internacionais envolvidos com o controle bibliográfico. Fontes bibliográficas. Organização e Processamento dos Registros da informação. Formas de representação dos registros da informação. Representação descritiva: catalogação e referenciação bibliográfica. Representação temática: classificação, indexação e resumo. Objetivos:
Capacidade de analisar, avaliar, selecionar e utilizar fontes bibliográficas. Capacidade de elaborar instrumentos de controle bibliográfico em função dos serviços bibliotecários (BRASIL, 1981, p. 19, grifo nosso).
Lourenço e Alvarenga (2007, p. 1), ao discutirem os objetivos da representação descritiva, afirmam que até a década de 1980, para os autores da área de Ciência da Informação, a “representação descritiva teve o seu desenvolvimento atrelado à prática da catalogação e da bibliografia, sempre com a preocupação principal de identificar os elementos essenciais e complementares necessários para uma representação documental satisfatória e universal”.
Nessa perspectiva, os conceitos compreendidos no âmbito do ensino de Biblioteconomia podem ser esquematizados da seguinte maneira, na Figura 2:
Figura 2 – Conceitos em torno da Catalogação a partir da discussão dos professores das escolas de Biblioteconomia no Brasil.
Fonte: Elaborado de acordo com as definições de Brasil (1981, p. 19).
O termo Representação Descritiva, considerando as formas denominativas catalogação e referenciação bibliográfica, está vinculado à noção de registro bibliográfico ou de referência bibliográfica, e envolve modos distintos de trabalho deste registro/referência, como a produção de catálogos e de bibliografias, e a produção dos sistemas de informação científica ou bases de dados científicas em geral, incluindo os modos de apresentação deste registro.
Na Tabela 1, os 11 termos sobre representação documentária descritiva estão esquematizados, distinguindo-se os termos relativos aos processos e aqueles relativos aos produtos. O termo descrição bibliográfica consta tanto como processo quanto como produto.
Quadro 1 – Termos recorrentes presentes na representação documentária descritiva
R ep re se nt aç ão do cu m en tá ri a de sc ri ti va Processos descrição catalogação catalogação descritiva representação descritiva descrição bibliográfica referenciação bibliográfica análise formal Produtos catálogo bibliografia bibliografia descritiva descrição bibliográfica referência bibliográfica Fonte: O autor (2015).
Como processo, foram levantados os termos: descrição, catalogação, catalogação descritiva, representação descritiva, descrição bibliográfica, referenciação bibliográfica e análise formal. Cabe ressaltar que os termos representação descritiva, referenciação
bibliográfica e análise formal não foram encontrados nos dicionários adotados para esta pesquisa, sendo utilizados textos para a elaboração de tais conceitos. A conceitualização proposta para os termos consta a seguir.
A descrição, entendida como uma “representação do aspecto exterior dos seres e das coisas, por meio da palavra escrita ou falada” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 71), ou uma “ação ou resultado de expor em palavras como é ou foi (algo, um fato, um sentimento etc.)” (AULETE, 2004, p. 249), é processo documentário de organização da informação, e sua elaboração constitui-se de práticas que buscam enumerar os possíveis elementos que permitem realizar a representação de um documento com fins de identificação do mesmo.
A catalogação refere-se ao processo de elaboração, construção e manutenção de catálogos, que inclui a preparação das descrições bibliográficas, a determinação das formas de entradas, da atribuição de assuntos e elaboração de resumos.
A catalogação descritiva refere-se a um subprocesso ou uma parte da catalogação que fornece a identificação descritiva dos documentos, bem como a definição dos pontos de acesso descritivos.
A descrição bibliográfica trabalha com um conjunto de dados bibliográficos que descreve e identifica um recurso bibliográfico.
Sob o termo representação descritiva encontra-se o processo de catalogação na elaboração de registros bibliográficos e o processo de referenciação bibliográfica na construção de referências bibliográficas.
O termo análise formal é tratado nas operações da Análise Documentária (GARRIDO ARILLA, 1999; PINTO MOLINA, 1989; GLAUSÓ GARCÍA, 1993), que se encontra desenvolvido na próxima seção. A corrente integrada da Análise Documentária concentra dois procedimentos: a análise de conteúdo e a análise formal. A análise formal é o processo que compreende a descrição bibliográfica. Permite a identificação dos elementos de um documento, de modo a proporcionar distinção entre os documentos.
Como produto, foram identificados os termos: catálogo, bibliografia, bibliografia descritiva, descrição bibliográfica e referência bibliográfica.
O catálogo é uma compilação de registros bibliográficos dispostos segundo tipos de funções e de entradas, organizados de acordo com um plano definido e proporcionando acesso aos documentos.
A bibliografia pode ser identificada como uma disciplina, área do conhecimento, arte, ciência ou como um produto documentário. Como produto, apresenta-se como uma lista bibliográfica que segue uma ordem específica com elementos descritivos sob a forma ou a parte de documentos, permitindo a identificação dos mesmos e apresentando-se na forma de um documento secundário ou repertório bibliográfico.
A bibliografia descritiva é um produto específico da bibliografia em que se faz descrição pormenorizada do item, na qual são nomeados os elementos que o identificam, além do estado de conservação, encadernação e quaisquer outras particularidades consideradas importantes para a representação do documento.
A descrição bibliográfica como produto é a parte do registro bibliográfico relativa aos elementos de descrição de um documento.
A referência bibliográfica é compreendida como um conjunto de elementos descritivos, identificado a partir de um documento ou partes dele, que permite sua representação individual. É utilizado nas bibliografias e nas notas de pé de página de trabalhos acadêmicos.
O conjunto desses conceitos aponta para a discussão referente à relação entre as atividades procedimentais que envolvem a Bibliografia e a Catalogação, pois, embora possuam a mesma missão de fornecer a identificação de documentos e o acesso às suas descrições, apresentam produtos finais particulares.
Percebe-se, que o processo de descrição é trabalhado tanto na catalogação, no âmbito da descrição bibliográfica, quanto na referenciação bibliográfica, na elaboração das referências bibliográficas. Contudo, os processos são trabalhados separadamente, utilizando normas diferentes para a elaboração dos produtos. Desse modo, caberia a pergunta: o que de comum existe entre esses dois processos? Principalmente, a descrição como conjunto estruturado de conteúdos que visa a identificação de objetos, por isso, chamados de documentos. A percepção é lógica e clara, mas perde a coerência ao se trabalhar prescritivamente esses processos, na ausência da observação de que a técnica descritiva perpassa tanto a catalogação, quanto a referenciação bibliográfica.
Os processos de catalogação e de elaboração de bibliografias dispõem de orientações singulares. A catalogação tem suas peculiaridades e seus parâmetros específicos diferenciados daqueles da bibliografia. De acordo com Serrai (1984, p. 183 apud Pensato, 1994, p. 115), “catalogação e bibliografia têm ambas a missão de representar a descrição dos documentos;
mas suas finalidades são diferentes, resultando em diferentes critérios, métodos e técnicas de apresentação dos mesmos documentos”.
Os propósitos da catalogação são discutidos pelo autor Domanovszky ao estabelecer uma relação entre os objetos da catalogação e as funções do catálogo, dividindo-os em três classes principais.
1.a. O setor fundamental da primeira função consiste em veicular informação sobre os objetos elementares primários, isto é, itens fisicamente separados, nos acervos produzidos por impressão ou técnicas relacionadas, e usando a linguagem escrita como meio de comunicação, para os quais o catalogador escolhe prover acessos de acordo com as regras de catalogação padronizada.
1b. O setor complementar da primeira função consiste em veicular informação opcionalmente:
1.1. sobre objetos elementares secundários, isto é,
a) sobre componentes completos e intelectualmente separados dos conteúdos complexos do objeto elementar primário (por exemplo, sobre os trabalhos individuais contidos nos anais de um simpósio), ou
b) sobre [parte] constitutivas subordinadas dos conteúdos dos objetos elementares primários (por exemplo, apêndices, estudos complementares, prefácios, epílogos, comentários, ou outro material explicativo); e finalmente
1.2. sobre objetos elementares terciários, isto é, sobre aspectos específicos dos objetos elementares primários ou secundários (por exemplo, a atividade de tradução, edição ou revisão por uma pessoa diferente do autor, ou sobre uma participação menor de uma entidade na produção de um objeto elementar primário ou secundário, que foi ele próprio registrado, por meio tanto de uma entrada principal como por entrada secundária coordenada ou acessória, pelo título, pelo nome de outra entidade com papel de maior consequência, ou, em um único caso específico, por um autor pessoal). 2. A segunda função consiste em fornecer informação reunida sobre todos os objetos elementares registrados no catálogo, cujo conteúdo não- material seja tanto o original como a tradução de um texto específico, coleção de textos, ou outro conteúdo documental, ou ainda uma versão revista, aumentada, abreviada, bem como adaptação ou seleções deste texto original – seja em linguagem mais recente ou em uma tradução organizada em unidades compostas separadas.
3. A terceira função consiste em organizar informação sobre todos os objetos elementares registrados no catálogo sob nomes de pessoas ou “entidades” em unidades informacionais compostas, novas, cada uma das quais comunica informação reunida sobre aquela parte das produções e atividades de um indivíduo ou entidade, incluída naqueles objetos elementares (DOMANOVSZKY, 1974, p. 171-172 apud MEY, 1987, p. 22- 23, grifo nosso).
Por objeto elementar entende-se o item em si. As funções de veicular, fornecer e organizar informação sobre um item referem-se, respectivamente, ao conceito de comunicação do catálogo e à estrutura complexa que não se assemelha a uma mera lista ou inventário (MEY, 1987).
As funções da bibliografia, de acordo com Serrai (1984 apud Pensato, 1994), marcam um livro ou uma obra evidenciando os traços que os caracterizam, de preferência: 1) como veículos de signos (objeto de estudo da Bibliografia analítica); 2) como acontecimento tipográfico e editorial (objeto de estudo da Bibliografia descritiva); 3) como produto cultural, tecnológico e econômico (objeto de estudo da Bibliografia histórica); 4) como indivíduo de uma classe literária ou de uma classe semântica (objeto da Bibliografia enumerativa); e 5) como manifestação de um texto ou de uma categoria linguística e estilística (objeto de estudo da Bibliografia textual).
A escolha de dados assumidos no processo de descrição numa bibliografia a identificará em um dos estudos específicos da Bibliografia. Na Catalogação, a descrição é recurso de comunicação do catálogo fornecendo informação organizada.
Não é por acaso que esta interseção esteja na origem de algumas expressões e conceitos; elas representam a união entre essas duas atividades ou entre alguns resultados ou produtos do processo descritivo. A variação terminológica, nesse sentido, caminharia para uma harmonização ao demarcar as atividades e os produtos da Catalogação e da Bibliografia caracterizando suas funções e seu público-alvo.
4 A DESCRIÇÃO SOB O PONTO DE VISTA DA CATALOGAÇÃO E DA