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Details of the Validation Procedure

3.5 Validation Procedure

3.5.3 Details of the Validation Procedure

Há um lado a se considerar, que é oposto à luz, entre os deuses gregos, em sua mitologia arcaica, encontrado na deusa da Noite (Nix), uma divindade primordial, ou seja, o lado da escuridão e da noite, que no mito, alimenta relações em grande parte ambíguas com os deuses solares; Nix, era uma deusa respeitada e temida, entre os próprios deuses; um evento que a envolve pode recordado num texto homérico, da seguinte forma: a „mãe‟ dos deuses Hera, durante a guerra de Tróia, necessita auxiliar os gregos e pensa em pedir ajuda à Hipnos, o deus do sono, para que adormeça o grande Zeus, uma vez que este estava favorecendo os troianos na Guerra; Hipnos recebe a promessa de prêmios, se conseguir o intento. Ao ouvir o apelo da deusa, são tais as palavras do Sono para Hera, pedindo desculpas por não poder atendê-la – em um outro momento, sofreu perseguição movida por Zeus, e temia uma repetição; o poeta escreve, colocando as palavras na boca do deus:

“Despertando, furioso se mostra Zeus grande; os outros deuses maltrata, buscando-me em todos os cantos; e destruir-me-ia, talvez, atirando-me do éter às ondas, não fosse a Noite salvar-me, que os deuses e os homens impera. A ela me recolho, refreando Zeus crônida a cólera imensa, pelo receio de à rápida Noite causar desagrado”. (HOMERO, s.d., 231- 232).

Segundo Commelin, “A Noite, deusa das trevas, filha do Caos, é na verdade a mais antiga divindade. Certos poetas a consideram filha do Céu e da Terra: Hesíodo dá-lhe um lugar entre os Titãs e o nome de Mãe dos Deuses, porque sempre se acreditou que a Noite e as trevas haviam precedido a todas as coisas”. (COMMELIN, s.d., p.21). Possivelmente o temor que Nix inspirava, era o encontrado entre o temor real e imaginário, de um mundo que passava grande parte de seu período, em uma escuridão desconhecida pelos padrões contemporâneos; ressalta-se que a Noite seja exatamente um dos deuses primordiais do mito grego, fazendo eco ao que outras mitologias contavam, com o mundo iniciando no caos e na escuridão. Os deuses lunares e noturnos gregos, são divindades fêmeas e uma deusa lunar,

está entre a raça titânida, Selene, irmã do Hélios, e, consequentemente, encontrada entre os cultos primordiais, e suas características vão compondo-se gradativamente, no decorrer dos séculos, a aspectos maléficos e soturnos.

Digno de observação, é que tantos os irmãos titãs, como os olímpicos, sol e lua, são encontrados como parceiros constantes e concordantes, não revelando qualquer polarização, entre dia e noite, luz e escuridão, bem ou mal. Ártemis, a irmã de Apolo, deusa lunar posterior à Selene, e divindade como ele, do mundo oriental, apresenta-se nos mitos, como ciosa de sua condição virginal, para não dizer temerosa de contatos com deuses ou homens, não tendo segundo os relatos, condescendência para com o mortal que incorresse em sua ira; há uma explicação de conteúdo psicológico em seu mito, recordando as reflexões sobre os arquétipos junguianos, para isto; segundo Brandão, tão impressionada ficou a deusa Ártemis, ao ajudar no parto, sua mãe Leto no nascimento de Apolo e, “vendo os sofrimentos por que passara sua mãe, (...), que jurou jamais casar”. (BRANDÃO, 1992, p. 58). Seu séquito sempre é composto de jovens heroínas e ninfas, que haviam abdicado de relacionar-se com o mundo masculino; observa-se em seu mito, uma visão depreciativa e ideológica das mulheres, ressaltado em sua condição de deusa lunar, e consequentemente, perigosa.

Os estudiosos confirmam, que o último grupo de invasores da península jônica, os dórios, possuíam uma clara formação patriarcal, inspirando apesar das plasticidades, o mundo dos deuses, como a presença de deuses masculinos dominadores. Brandão chega a afirmar:

“Com as invasões dórias houve, (...) uma completa ruptura e desagregação política, social, religiosa e cultural do mundo aqueu. (...) fortemente organizados em torno de seus chefes militares, os invasores estavam ainda muito presos e ligados à primitiva e belicosa sociedade indo-européia. Reinava entre eles, uma pilhagem feroz, dada a superioridade do homem como guerreiro. Houve, nesse sentido, um retrocesso muito sério em relação aos reinos aqueus onde a mulher, mercê da influencia matrilinear cretense, gozava de uma liberdade, de uma estima e de um respeito, que nunca mais ela terá ao menos na Grécia continental”. (BRANDÃO, 1993, p.103).

Há consequentemente, um contraste no aspecto simbólico, na maneira como os irmãos divinos se relacionam com os homens: Ártêmis, os afugenta. Apolo, os atrai. Ainda que possua um culto poderoso na antiguidade, a deusa não encontra entre seus pares olímpicos, uma relação equilibrada, retratada como uma divindade adolescente, na Ilíada, e no panteão divino, é tratada uma filha mais nova do grande Zeus. O culto de Àrtêmis, foi um dos que resistiu à chegada do mundo cristão, bem como testemunhou, a derrocada do panteão olímpico, na sequência da decadência e fim da civilização grega.

O mundo dos deuses, recordando o mais remoto dos poetas gregos conhecido,

Hesíodo, possui cores masculinas e misóginas, mas no caso de Homero, a situação visível em

particular, é na Ilíada (é notório que quase todas as deusas não se relacionam bem com seus pares masculinos, com exceção de Afrodite e Ares, significativamente representando o amor e a guerra).

Werner Jaegger chega a afirmar: “os deuses de Homero são, por assim dizer, uma sociedade imortal de nobres”. (JAEGGER, 1995, p. 32), mas os atos nobres, são em geral masculinos; na Odisséia, que registra os feitos de uma heroína, a rainha Penélope, estimula em suas páginas, o modelo de fidelidade ao marido distante, e assim fala o eidolon, a alma de Agamenon, à Odisseu no mundo dos mortos, quando este desce até o Hades para consultar o que lhe estava preparado no seu retorno: “quero agora dar-te outro conselho, que deves gravar no espírito: faze que tua nau aborde em segredo, e não às claras, à terra de teus pais: porque ninguém pode confiar em mulheres”. (HOMERO, 2003, p. 152).

Na Bíblia cristã, no livro de Atos, há a cena do tumulto provocado por ourives fabricantes de nichos da deusa, contra a pregação apostólica na cidade de Éfeso, recordado na seguinte passagem, onde um exaltado comerciante defende a manutenção do culto da deusa- lua: “(...) o próprio templo da grande deusa Ártêmis perderá todo o seu prestígio, sendo logo despojada da sua majestade aquela que toda a Ásia e o mundo veneram. Ouvindo isto, ficaram cheios de furor e puseram-se a gritar: Grande é a Ártemis dos efésios!”. (BÍBLIA DE JERUSALÉM, 1985, p. 2087).

Finalmente pelas eras cristãs que seguem, Ártêmis será transformada melancolicamente, numa divindade que precisa dividir com outras tantas, as atenções dos fiéis, nos cultos da terra e que serão associados à bruxaria, nos períodos medievais, dissipando-se inteiramente, até perder sua complexa identidade mitológica.

Nesta análise, entre a luz e os seus contrastes, não se comenta Tánatos, a morte personificada pelo mito grego, um personagem presente em vários relatos, e tratada normalmente, de forma depreciativa pelas histórias, mas sim, a finitude relacionada à chegada dos ciclos naturais. Tánatos não age sozinho, como condutora da morte; precisa da determinação das deusas Queres ou Parcas (Clotos, Láquesis e Átropos), que de fato decidiam o fim do fio da existência, e sua presença não é notada, por exemplo, quando os deuses punem os seres humanos, com o fim da vida. Quem reina absoluto no mundo após a vida, é Hades, divindade que em nada perde em poder, para o luminoso irmão que reside no

Olimpo. Hades, é um „Zeus‟ subterrâneo, que governa com sua corte silenciosa, o mundo dos mortos, ainda que se situe no mito, como mandatário da morte, e não a morte personificada.

Finalmente, se recorda, as relações entre a luz, escuridão e a morte, ligadas à natureza e as estações do ano, constituindo em seus meandros, o mito de Deméter e o rapto de sua filha Perséfone por seu tio Hades, onde estes contos mitológicos, convergem para o período do Solstício de Inverno, dando-lhe um importante suporte.