3. Practical part: creating a book with Norwegian folktales
3.2. Detailed work and technical realization of conceptual idea
A arquitetura moderna surge como resposta aos avan- ços técnicos e progressos científicos promovidos pela Revolução Industrial, que exigiram novos tipos cons- trutivos e exploração dos novos materiais (MONTEIRO, 2013, p. 53). Há, portanto, uma estreita relação entre a produção deste período e o processo de industrializa- ção pelo qual passavam as cidades. No caso brasileiro,
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isto se dá no início do século XX. Segundo Paiva (2011, p. 73, grifo do autor),
O processo de industrialização no Brasil, que tem início no primeiro governo Vargas, contribuiu “para a perda do dinamismo da economia re- gional”. A configuração territorial de independência das regiões no relacio- namento com os centros consumido- res do exterior foi substituída pouco a pouco pela criação de uma hierar- quia nacional, que implicou em novas condições de dependência, reforçadas também no plano político pela cen- tralização do poder pretendida pelo Estado Novo. (Grifos do original).
Num primeiro momento, o desenvolvimento nacio- nal guiado por esta nova lógica econômica acontece de forma mais concentrada na região Sudeste, o que faz com que algumas cidades brasileiras já apresentem um crescimento econômico proeminente desde os anos 1930. A pulverização destes investimentos estatais em outras regiões, como o Nordeste, só vem a acontecer posteriormente.
(...) no Nordeste, entre as décadas de 1920 e 1950, a urbanização foi condi- cionada pela herança da base agroex- portadora, pela indústria rudimentar, pela permanência do capital comer- cial de origem fundiária e pelo pro- cesso migratório. A urbanização se relaciona também com as oportuni- dades de trabalho nas capitais face às dificuldades encontradas no campo, fomentadas pelos empregos públicos e pelo setor terciário, favorecendo um relativo dinamismo urbano. É im- portante ressaltar que, no Nordeste, o Estado tem um papel significativo no nível de renda e no emprego públi- co, justificando em grande medida o processo de urbanização das capitais estaduais.
Em síntese, nesta primeira fase do processo de industrialização, entre 1920 e 1960, na qual existe uma con- centração de investimentos em São Paulo, cabe às demais regiões um es- forço de complementaridade no pro- cesso de unificação do mercado na- cional. (PAIVA, 2011, p. 76).
O Ceará, inserido neste contexto, tem seu desenvolvi- mento e consequente aumento da produção de algumas
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tipologias de edifícios públicos decorrente dos inves- timentos nacionais no Nordeste, que datam do início da segunda metade do século XX. Neste contexto, vá- rios órgãos e instituições são implementados no Esta- do, em especial na capital Fortaleza, e estes começam a demandar construções para abrigar suas atividades. Surge, então, a necessidade de se construir edifícios go- vernamentais, instituições de ensino superior, bancos (como o Banco do Nordeste – BNB e o Banco do Estado do Ceará – BEC), distritos industriais e vários outros. Este modelo de desenvolvimento culmina na criação, em 1959, da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE.
Com o advento da SUDENE e baseado nas suas proposições desenvolvimen- tistas se inaugurou o planejamento estatal no Ceará. As estratégias as- similavam os pressupostos do de- senvolvimento via industrialização, como forma de superar o caráter ru- dimentar e manufatureiro da indús- tria do período anterior. (...)
O modelo de desenvolvimento econô- mico pretendido inseria-se nos plane- jamentos governamentais do Estado, à moda das articulações que desem- bocaram na criação da SUDENE. Nes- se caminho, o PLAMEG I – Plano de Metas Governamentais – (1963-1966), instituído pelo governador Virgílio Távora, criou o aparato institucional necessário à implantação deste novo modelo de desenvolvimento, entre eles: a Superintendência do Desen- volvimento Econômico e Cultural do Ceará (SUDEC), a Companhia de De- senvolvimento do Ceará (CODEC) e o Banco do Estado do Ceará (BEC). (PAI- VA, 2011, p. 86).
Este momento compreende o período de transição entre o governo de Juscelino Kubitschek e o conflituoso início dos anos 1960, que culminou na implantação do regime militar, quando se teve uma continuidade da força do Estado, uma vez que, como afirma Segawa (2002, p. 160) “ (...) a política das reformas pós-1964 voltava-se para a capacitação do Estado para intervir na economia, ape- sar da retórica liberal de seus promotores.”. Os gover- nos estaduais estabeleceram planos de metas de acor- do com este contexto político e econômico. No caso do Ceará, o primeiro deles foi o PLAMEG I (1963-1966), no governo de Virgílio Távora, que foi sucedido por vários outros planos governamentais nas gestões seguintes:
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o Plano de Ação Integrada do Governo – PLAIG (1967- 1971), o Plano de Governo do Estado do Ceará – PLAGEC (1971-1975), o Plano Quinquenal de Desenvolvimento do Estado do Ceará – PLANDECE (1975-1979), o 2o. Plano de Metas Governamentais – PLAMEG II (1979-1983) e o Pla- no Estadual de Desenvolvimento – PLANED (1983-1987). Outro acontecimento importante deste período que contribuiu para a produção de arquitetura pública foi a criação, em 1955, da Universidade Federal do Ceará. Vários dos exemplares modernos fortalezenses mais significativos são edifícios institucionais vinculados à UFC, como a Residência Universitária da UFC, do ar- quiteto Ivan Brito, e a Pró-Reitoria de Extensão da UFC, dos arquitetos José Liberal de Castro (1926) e José Neud- son Braga (1935).
Do ponto de vista da arquitetura, o início desse desen- volvimento coincide com o retorno da primeira gera- ção de arquitetos locais, formados principalmente no Rio de Janeiro e no Recife. Estes profissionais já tinham tido contato com a nova arquitetura que vinha sendo produzida nos principais centros urbanos do país, e trazem para Fortaleza esse repertório, que passa a ser a linguagem adotada para as demandas do poder público em relação à burocracia e ao terciário público, que se incrementava à medida que a cidade se modernizava. Posteriormente, soma-se a isso, como já foi menciona- do, a criação da Escola de Arquitetura da UFC, o que ampliou o numero de arquitetos na capital envolvidos com estes projetos. Este período, portanto, foi bastante fértil com relação à produção arquitetônica moderna cearense, uma vez que Fortaleza apresentava, à época, um ambiente bastante favorável para o desenvolvimen- to do modernismo. Segundo Paiva e Diógenes (2008, p. 03):
A partir de 1969 o Ceará começa a co- nhecer anualmente novo contingente de profissionais, com vinte arquitetos diplomados a cada ano. E a cidade de Fortaleza testemunhou desde então grande incremento na produção de obras realizadas de acordo com proje- tos elaborados por arquitetos, inician- do-se uma nova fase na arquitetura cearense.
Neste contexto, portanto, num período que se inicia nos anos 1960 e se estende até a primeira metade dos anos 1980, são construídos em Fortaleza diversos edifícios públicos, sejam de caráter institucional e educacional,
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para atender às demandas das novas universidades, se- jam sedes dos bancos públicos, sejam edifícios governa- mentais nas escalas municipal, estadual e federal para atender às expansões dos seus órgãos e secretarias. Em sua maioria, estas edificações são federais ou estaduais, e localizados na região central de Fortaleza. É possí- vel também identificar alguns exemplares vinculados a vetores de expansão da cidade, como os eixos leste e sudeste, além de localidades de grande concentração de edifícios, como os campi universitários ou centros administrativos (figura 2.1.). É neste recorte que se inse- rem os edifícios analisados no próximo item.