Moçambique é um dos países que também possui uma CTM com Portugal, à semelhança de Angola, no entanto os seus resultados têm sido diferentes. Após analisadas as respostas dos Questionários realizados aos Oficiais que estiveram presentes em Angola, fez-se um questionário ao TCor Santos que esteve na CTM com Moçambique.
Quadro 12 - Dados do TCor Santos na CTM com Moçambique
ENTIDADE ENTREVISTADA
NOME Luís Manuel Ricardo dos Santos
IDADE (anos) 46
POSTO TCor
PERÍODO EM QUE ESTEVE EM
MOÇAMBIQUE Jul/10 - Jul/11
FUNÇÃO Chefe da Repartição de Administração Escolar/ Direção de Ensino
Em relação à estrutura do questionário utilizada, é importante referir que a única variável que altera é de Angola por Moçambique, ou seja, a composição das perguntas é idêntica.
Quadro 13 - Apresentação dos dados da Questão nº1 (Moçambique)
Entidades TCor Santos Assessoria Sim Diretor técnico Projeto 3
Passando agora à análise da questão nº1 podemos constatar que à semelhança dos entrevistados anteriores o TCor Santos também desempenhou a função de Diretor Técnico e desempenhou funções de assessoria. É de realçar que no caso moçambicano a Academia Militar Marechal Samora Machel (AMMSM) engloba a formação de Oficiais de todos os ramos e não só do Exército como o caso angolano.
Quadro 14 - Apresentação dos dados da Questão nº2 (Moçambique)
Entidades TCor Santos Participação Sempre que solicitado
Intervenção Positiva
Relativamente à participação do entrevistado, este, sempre que solicitado participava nas reuniões e a sua intervenção foi vista como positiva.
Quadro 15 - Apresentação dos dados da Questão nº3 (Moçambique)
Entidades TCor Santos
Opinião tida em conta Sim
Potencialização do trabalho Experiência profissional
À semelhança dos outros entrevistados a sua opinião era tida em conta e a sua experiência profissional também.
Quadro 16 - Apresentação dos dados da Questão nº4 (Moçambique)
Entidades TCor Santos
Mais-valia Sim
Área Todas
A partir da questão nº4 começam a surgir diferenças em relação às respostas começando pela capacidade de intervenção. Enquanto que em Angola os Oficiais portuguese tinham que lidar com membros do Exército, em Moçambique era necessário lidar com elementos de outros ramos, e visto que tem vindo a ser produtivo, considera-se que este projeto de cooperação foi um projeto com sucesso.
Quadro 17 - Apresentação dos dados da Questão nº5 (Moçambique)
Entidades TCor Santos
Parceria com as FADM Grande potencial
Incremento da CTM Cooperação, reestruturação de unidades e venda de equipamentos
Em Moçambique, segundo a entidade entrevistada, existe um grande potencial no que toca à CTM, orientada para a coordenação, reestruturação e aquisição de equipamento. Se fizermos uma comparação com o que se passa em Angola, pode-se deduzir que a CTM com Moçambique está mais desenvolvida porque no caso angolano o objetivo é a consolidação do ensino e melhoria dos oficiais formadores em contraposição com a já consolidada formação dos oficiais moçambicanos.
Quadro 18 - Apresentação dos dados da Questão nº6 a.
Entidades TCor Santos
6 a.
Atividades desenvolvidas pelos Oficiais Portugueses Correlação com Moçambique
Metodologia Programa-quadro
A grande diferença que se pode identificar entre as duas Academias, no que toca ao plano de atividades, são os PQ existentes em Moçambique onde são estabelecidos objetivos a cumprir num determinado espaço temporal. No caso angolano existiu o projeto 3, mas fruto de opções feitas pelo governo angolano o projeto resumiu-se à criação de uma Academia Militar restrita à componente Exército.
Quadro 19 - Apresentação dos dados da Questão nº6 b.
Entidades TCor Santos
6 b.
Participação das FADM e Governo Recetivo à cooperação e à ajuda externa portuguesa
Numa base comparativa entre os dois países africanos já referidos, esta alínea da questão nº6 pretendeu analisar a intervenção e participação do governo de ambos os países nas atividades das respetivas academias. Em Moçambique o governo é recetivo à ajuda portuguesa e o entrevistado TCor Santos não refere influências de outras nações. Em Angola, o entrevistado 2 e o entrevistado 3 mencionam nas suas entrevistas, nesta alínea em particular, de assessorias e influências diferentes da portuguesa.
Quadro 20 - Apresentação dos dados da Questão nº7
Entidades TCor Santos
Bases de Documentação portuguesas Referencial dos cursos em Portugal Documentação utilizada Diferenças ao nível orgânico
Vários dos entrevistados da CTM com Angola referem da adaptação da documentação portuguesa como base mas com a tentativa de se aproximar da realidade angolana e que há a tentativa de emancipação angolana em relação à documentação utilizada. No caso moçambicano, a doutrina base é a portuguesa e a única adaptação que é referida pelo entrevistado é que a sua aplicação difere de um só ramo (Exército) para uma Academia conjunta.
Quadro 21 - Apresentação dos dados da Questão nº8
Entidades TCor Santos
Qualidade equiparável Ainda não está atingido
Em relação ao nivelamento dos países da CTM pode-se dizer que o nível português de ensino superior militar não foi atingido nos dois estabelecimentos em questão, sendo que a longo prazo se possa tornar exequível. Os entrevistados que estiveram em Angola referem a evolução da CTM como uma continuidade mas que necessita ainda de acompanhamento por parte de Portugal. Moçambique já se revela mais autónomo e mais independente, podendo num momento futuro igualar ou até se diferenciar pela positiva da Academia Militar em Portugal.
Depois de expostas as respostas ao questionário tanto da parte angolana como da parte moçambicana, podem-se extrair várias deduções. Em primeiro lugar constata-se que a evolução do projeto da criação da Academia Militar dos Ramos em Angola não foi positiva havendo a necessidade de reestruturar o projeto do PQ e a respetiva alteração do projeto 3 para o projeto 7 o que veio contribuir para um retardamento da aplicação do mesmo. Também se constatou que a presença de outros países em Angola veio alterar aqueles que eram os planos de construção de um estabelecimento de ensino superior militar, orientados segundo um ponto de vista português. Durante as entrevistas dos oficiais que estiveram em Angola, observou-se que existem lacunas na formação de oficiais angolanos e de áreas que não possuem assessoria.
O caso moçambicano, de acordo com o testemunho do TCor Santos, é um projeto que foi considerado um sucesso onde o Projeto 3 está implementado e que está a ser consolidado. A grande diferença entre o caso moçambicano e o caso angolano no âmbito da CTM é que a AMMSM engloba todos os ramos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique o que comprova que o projeto foi bem executado. A intervenção do governo moçambicano e das suas Forças Armadas foi direcionada para o apoio português, leia-se, foram sempre recetíveis aos inputs dados por Portugal e a sua doutrina foi baseada também na doutrina portuguesa. Contrapondo esta situação com Angola, o segundo sofreu influências de outros países o que fez com que os resultados obtidos na AMMSM não fossem iguais ou similares aos da AMEx.