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48 Cf. EQUIPE. Zazen Produções, Site Oficial, Rio de Janeiro. Disponível em:

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representou o Brasil nos festivais de cinema: Sundance Film Festival, Amsterdam Film Festival, entre outros. No Brasil, Os Carvoeiros foi exibido na 23ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Festival de documentários “É Tudo Verdade”. Esteve em exibição, por mais de três meses, nos cinemas do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte.49 Dois anos depois lança o documentário Ônibus 174, no qual foi Diretor, Roteirista e Produtor, tendo a parceria de Marcos Prado na produção e distribuição através da Zazen Produções.

A parceria com Pimentel inicia-se nessa produção (ele foi um dos depoentes) e será consolidada anos depois com o projeto Tropa de Elite. Ao escolher ouvir o depoimento dos polícias envolvimentos no incidente com o ônibus 174, ele abre a problemática do sistema para além de uma deficiência exclusiva na assistência social, mas também dentro de suas próprias instituições, que reclamam do mau treinamento e despreparo do BOPE-RJ. Inúmeras críticas foram feitas à condução da PM no incidente, demonstrando, por fim, o lado brutal e violento da força policial que assassina o já retido sequestrado Sandro do Nascimento.

O documentário faz, através de digressões de fotos, um histórico do rapaz enquanto exibe cenas do sequestro gravadas pela Rede Globo. A personagem principal dessa trama pouco tem haver com seu xará Nascimento de Tropa de Elite, estando do outro lado da relação de poder. Sandro Nascimento sofre abusos da polícia, da violência urbana, quase é assassinado no famoso incidente da praça da candelária – conhecido como chacina da candelária –, contudo ambos são vítimas de um sistema corrupto, ineficaz, desorganizado e deficiente.

A parceria com Marcos Prado continua na elaboração dos documentários para televisão Os Pantaneiros (2003, para a Globosat), Facing The Jaguar (2003) e

Pantanal Cowboys (2003), o último para exibição internacional nos canais National

Geographic Television e NBC nos Estados Unidos.50

Em 2006, produziu o premiado Estamira (2004), documentário com maior público nos cinemas naquele ano e primeira direção individual de Marcos Prado. Ocupa a décima colocação entre os documentários mais visto dos últimos dez anos no Brasil e

49 Cf. PORTFÓLIO. Zazen Produções, Site Oficial, Rio de Janeiro. Disponível em:

<http://www.zazen.com.br/#/br/portfolio/realizados/>. Acesso em: 01 maio 2011.

50 Cf. EQUIPE. Zazen Produções, Site Oficial, Rio de Janeiro. Disponível em:

CAPÍTULO I:“Retomada” Do Cinema 1990: Breve Análise Do Contexto Do Cinema Atual Pá g in a

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recebeu 33 prêmios nacionais e internacionais, tais como: Melhor Documentário segundo o júri oficial, nos Festivais Internacionais do Rio de Janeiro e de São Paulo, o Grand Prix no Festival Internacional de Documentários de Marseille e foi escolhido como o Melhor Documentário no Festival Internacional de Karlovy Vary. Prado lançou em 2005 seu segundo livro de fotografias: Jardim Gramacho, trabalho realizado ao longo de 11 anos no Lixão do Rio de Janeiro.

Apenas em 2007 Padilha realiza o primeiro longa metragem ficcional, Tropa

de Elite, filme nacional mais visto no ano e vencedor do Urso de Ouro em Berlim em

2008. Independentemente do sucesso, é válido ressaltar que o filme passou por diversas modificações desde seu projeto inicial até o produto final distribuído.

Inicialmente tratava-se de mais um documentário, contudo para preservação da segurança dos depoentes envolvidos, foi necessária a reformulação do projeto, vislumbrando-se a construção de personagens fictícias a partir dos depoimentos recolhidos. Tal mudança foi necessária também por uma questão prática, afinal nenhum policial deixaria ser filmado torturando e cometendo assassinatos. Segundo a revista

Bravo, esta foi uma das motivações iniciais para a mudança do projeto para obra

ficcional, tal como foi comercializada.51

Todavia, a película não chegou ao mercado sozinha. No ano anterior é lançado o livro Elite da Tropa (2006), baseado nos estudos do antropólogo e sociólogo Luís Eduardo Soares e nos depoimentos dos coautores, ex-oficiais do BOPE-RJ, Rodrigo Pimentel e André Batista. As fontes documentais para ambas as obras foram os depoimentos/denúncia dos ex-policiais militares do BOPE-RJ e da DRACO, o apoio recebido por suas fontes pode ter tido interferência na escolhida do eixo central da narrativa.

Ao contrário de muitas críticas feitas à Tropa de Elite, acerca da sua suposta apologia ao Estado Policial ou do favorecimento de uma postura fascista, percebe-se que a construção da trama da película é feita sob o viés do tênue limiar entre o que é legalizado e a política de combate da instituição polícia. Distanciando-se da narrativa

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clássica Hollywoodiana,52 a violência aqui não é vista como redentora; o filme expõe o corpo policial como ambíguo, corrupto, escasso de recursos e brutal.

A situação narrada leva o espectador a ver no cenário retratado um Rio de Janeiro em Estado de Exceção, em que a constituição pouco importa durante as operações de combate a criminalidade, talvez o que torne Tropa impactante seja o fato de que o BOPE, não é ficcional e seus métodos não são menos truculentos.

52 A despeito da crítica superficial de Plínio Fraga, feita após a exibição do festival de cinema Rio em

Jundiaí, em que o filme foi pela primeira vez exibido em 27/09/2007, o filme não tem um final triunfal e nem mesmo um herói que acredita no que faz, pelo contrário seu ar é pessimista e a batalha parece interminável.