335 FREIRE, Paulo, Pedagogia da Esperança..., ob. Cit., p. 68.
336 PINTO, Célia Regina, Uma história do feminismo no Brasil, ob. Cit., p. 77
337 Documento de subsídio da III Conferência de Políticas para as Mulheres, disponível em
http://www.conferenciadasmulheres.com.br/, acesso em 10 de janeiro de 2012.
338MAGENDZO Abraham K, ob. Cit..
339 A expressão “atoras” é de Judith Karine Cavalcanti Santos, em Participação das trabalhadoras domésticas no cenário político brasileiro, Dissertação de Mestrado Faculdade de Direito da UnB, 2010 340 MARQUES-PEREIRA, Bérengère, em Dicionário crítico do feminismo, ob. Cit., p. 39.
90 Neste ano, houve cem inscrições e apenas seis mulheres não permitiram usar a ficha de inscrição para levantamento de dados para esta pesquisa. Uma das explicações para a não permissão é a desconfiança sobre a pesquisa acadêmica.
Ainda, dentre essas cem inscrições, oito eram estudantes da UnB que participavam da coordenação do curso e ao mesmo tempo eram cursistas. Ressalta-se que a coordenação da UnB era composta, além de por estas estudantes, por outras estudantes que já haviam concluído o curso de PLPs em outros anos, pela professora da FD/UnB responsável pelo projeto e também por um estudante homem que, como tal, acompanhava o projeto e colaborava na sua reflexão, porém não se formava PLP já que este título é exclusivo das mulheres como identidade relacionada à ação afirmativa que se propõe o projeto
Ao final do curso, do total de cerca de 90 inscritas no primeiro dia; 07 desistiram antes de começar o curso, o que possibilitou que fosse permitida a inscrição de mais pessoas que apareceram no primeiro dia de oficina, totalizando cem fichas de inscrição preenchidas. Ainda, 09 mulheres nunca apareceram no curso, mesmo tendo sido consultadas se gostariam de manter a inscrição. Por fim, 30 desistiram ao longo do curso e 54 mulheres se formaram.
Em relação às que se formaram, 13 mulheres são de Ceilândia/DF, 09 são de Taguatinga/DF, e havia pessoas das mais diversas regiões do Distrito Federal (DF), mesmo distantes341, e do entorno do DF como de Águas Lindas de Goias/GO.
Em relação ao nível de escolaridade 25 mulheres estavam cursando ensino superior, sendo que destas 06 eram da coordenação e estudavam na UnB e 10 cursavam Serviço Social em outras Universidades. Ainda, 07 já possuíam o superior completo, totalizando assim, 32 mulheres com nível superior cursando ou já completo. Desse
341 Asa Norte; Asa Sul; Cruzeiro Velho; Brazlândia; Recanto das Emas; Santa Maria; Sobradinho;
Samambaia; Riacho Fundo I; Vicente Pires; Guará I; Riacho Fundo II; Guará II 7 30 54 9 0 10 20 30 40 50 60 desconfirmou matrícula
desistiu formou nunca apareceu
Total
91 modo, eram poucas as que apresentavam nível de escolaridade de até o ensino médio (12 estudantes).
Em razão disso, algumas estudantes, nas avaliações, apresentaram como sugestão que o curso fosse divulgado no ensino médio “e não só nas faculdades”. Todavia, o motivo do grande número de estudantes não poderia ser este, pois não houve nenhuma ação sistematizada, e nem interesse, por parte da coordenação de realizar a divulgação do curso somente nos meios universitários.
Tanto é assim que a grande maioria (47 pessoas) ficou sabendo do curso por meio de indicação de quem já havia participado dele; outras 10 ficaram sabendo por sugestão de amigas, e somente 06 ficaram sabendo na Faculdade. Isto demonstra que o alto índice de presença de mulheres universitárias não ocorreu em virtude da divulgação.
Uma das explicações para tanto é o próprio aumento da inserção social de pessoas oriundas das classes mais pobres nas Universidades nos últimos anos, em especial, nas particulares, por meio de incentivos governamentais como Prouni, já que as condições socioeconômicas das estudantes não são as mesmas das oriundas da própria UnB342. A começar que as estudantes que possuem origem nas áreas do Plano
Piloto, que são as mais nobres do DF, coincidem em serem, em verdade, as estudantes da UnB que compõem a coordenação.
Além disso, muitas das que estão na Universidade iniciaram os seus estudos já mais velhas, visto que, em relação à idade, 18 mulheres tinham entre 20 e 30 anos e 15 mulheres tinham de 40 a 50, sendo que 03 possuíam mais de 60 anos. Ainda, 21 mulheres já haviam sido casadas e 12 mulheres possuíam filhos/as. Ademais, 20 mulheres exerciam trabalho remunerado, o que significa que muitas trabalhavam e estudavam ao mesmo tempo.
Ainda, 29 mulheres se declaram negras (pretas e pardas), o que representa a grande maioria, sendo que 11 se declaram brancas e 06 se declaram amarelas. Dentre as declarações como “amarela” houve um problema porque muitas que assinaram como tal em verdade não eram “orientais”, mas “loiras”, o que demonstra uma falta de debate na sociedade sobre a questão de identidade racial e o que significam as classificações do
342 O Prouni - Programa Universidade para Todos, foi criado pelo Governo Federal em 2004 e
institucionalizado pela Lei nº 11.096, em 13 de janeiro de 2005, com a finalidade a concessão de bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições privadas de educação superior. O Prouni já atendeu, desde sua criação até o processo seletivo do segundo semestre de 2011, 919 mil estudantes. Informações disponíveis em http://prouniportal.mec.gov.br/
92 IBGE343. Quanto a religiosidade, 20 mulheres que se formaram são católicas e 09
evangélicas, 04 espírita, sendo que 11 não apresentaram possuir uma religião específica e nenhuma outra foi citada.
Um aspecto importante da turma que se formou é que duas mulheres possuem deficiências, sendo que uma possui dificuldades de locomoção com uma das pernas e a outra possui deficiência visual. A convivência com esta última suscitou a percepção da necessidade de incluir na agenda das discussões o debate sobre as condições das mulheres com deficiência na sociedade brasileira.
Em relação aos motivos apresentados, por quem se formou, para realizar o curso foram apontados, principalmente, a temática abordada como atrativo, conhecer os direitos das mulheres, a possibilidade de ajudar o próximo e realizar trabalhos na comunidade; além de motivos profissionais. Nesta turma, havia também uma mãe acompanhando a filha no processo de aprendizagem que apresentou isto como um fator de motivação344.
Das que se formaram, 18 informaram já atuar em algum tipo de movimento, sendo que dentre elas 06 apontaram a coordenação do curso de PLPs. Das que desistiram, apenas 08 apresentaram um motivo para a sua desistência. Quatro delas desistiram por problemas de saúde na família e pessoal; outras três em razão de impedimentos ocasionados pelo trabalho que exercem; e uma apresentou dificuldades pessoais de acompanhar. Todas disseram que gostariam de ter finalizado se não fosse os problemas pessoais que enfrentaram.