4. Regionen Nord-Salten
5.3 Det industrielle systemet
"Os problemas da Área Central estão relacionados com o seu passado histórico, como a sua base geográfica, o desenvolvimento urbano da aglomeração como um todo, o contexto econômico local, do país e mesmo mundial (...)” (SILVA, 2004b, p. 53).
Como foi visto, os centros urbanos eram facilmente identificáveis ou pelo forte apelo simbólico ou pela relação funcional que esta área estabelecia com as cidades. Entretanto, e segundo a estrutura proposta por este trabalho, após a transformação do centro em problema para a cidade, resgatar sua importância requereu a associação entre o seu significado simbólico, o seu significado funcional e outras perspectivas que possam ser identificadas para os centros, fenômeno que se
consolidará no quartel final do século XX, quando passa a fazer parte da pauta da política urbana por volta dos anos de 197015.
Balsas (1999) discorre que o foco nas áreas centrais está relacionando à "recentralização" à quarta fase do processo de desenvolvimento urbano que abrange diversos países dos diferentes continentes. A citação de Turke-Schafer explicita “que os centros tradicionalmente com peso político, econômico e cultural são estruturas muito sensíveis: podem perder as suas funções e a cidade pode ficar para trás na competição com outras aglomerações” (apud BALSAS, 1999, p. 49). A extensão espacial é uma causa do alto custo de infra-estrutura urbana pela propagação dos serviços, pela ampliação das vias de acesso normalmente executadas com recursos públicos.
O centro, nesse contexto de revalorização, reúne características importantes como a possibilidade de abrigar atividades diversas e com capacidade de aliar a população por meio de valores concretos e simbólicos, evidenciando a expressão coletiva da cultura urbana de uma cidade. Uma das razões para a consolidação dessa idéia indica que os centros, como as aglomerações no espaço, possuem o potencial de atração de deslocamentos sistemáticos que minimizam o tempo gasto pelos indivíduos. Esta atração é manifestada por meio da aglomeração das instituições sociais que fundamentam a organização da sociedade, isto é: a e economia, por meio dos mercados; a religião, por meio dos templos; e a política, mediante a existência de espaços públicos e edifícios que representam o poder (VILLAÇA, 2004, p. 25), além dos equipamentos
15 Em 1969, foi aprovado o plano regulador de Bolonha que deu início ao processo de recuperação do centro histórico da cidade. Em 1976, uma das primeiras intervenções em áreas centrais no sentido de requalificá-las foi do Faneiul Hall Marketplace em Boston, e, em 1979, foram iniciadas as políticas de recuperação de áreas centrais no Brasil estruturadas por secretarias que compunham o Ministério da Educação e Cultura.
culturais que viabilizam a criação da imagem que vende a história e a alta cultura como os produtos urbanos.
O reconhecimento do valor da área é recuperado quando passa a ser ressaltada a preservação de seus variados usos e incorporado o uso residencial baseado no modelo europeu. O centro das cidades norte-americanas é valorizado pela organização dos serviços e do comércio, além do incentivo para a permanência dos edifícios da administração pública e fóruns (SANFORD, 2007). Os centros das cidades americanas também começam a ser interessantes aos empreendimentos habitacionais em decorrência da demanda da população que se modifica e que necessita de facilidades diferentes das de outros tempos. O aumento da expectativa de vida, a diminuição do número de componentes na família, o aumento do valor dos combustíveis e do trânsito urbano colaboram para a implantação dessa função urbana.
Já na América Latina, a condição encontrada foi um pouco diversa, haja vista que determinados centros nuclearam extensas regiões metropolitanas e que estas permaneceram em contínuo crescimento. O padrão de urbanização ingressou-se em um processo de grande transformação. Entre os anos de 1940 e 1980, a expansão urbana alcançou a periferia das cidades, ampliando as infra- estruturas urbanas, mas deixando-nas inconclusas. Sendo assim, e observando o esvaziamento do patrimônio construído do centro, pareceu oportuno iniciar o investimento centralizador, resultando no retorno das atenções aos centros urbanos. Esta tendência foi somada à importância singular dos centros devido ao seu potencial histórico e cultural e à possibilidade de capitalizá-lo. Propagar o
centro como a alternativa para a solução das cidades, isto é, solução para divulgar a imagem das cidades, passa a ser objetivo mundial.
Esta etapa do trabalho, além de investigar os conceitos de centro de modo a traduzir um amplo leque contextual, também é dirigida a apresentar e a justificar a terminologia utilizada nesta tese, isto é, o centro. A idéia que procuramos apresentar mostra que o tempo e o espaço são fundamentais para a compreensão das alterações conceituais do centro, e ampliar seus limites e denominá-los área central não é em si uma maneira de melhorar ou facilitar o seu entendimento, especialmente na escala urbana. Além do tempo e do espaço, as mudanças nos padrões produtivos não deixaram de interferir no centro urbano, atitude esta que positivamente fez com que este espaço não desaparecesse ou fosse incorporado por outros bairros contíguos. Tourinho conclui ainda na introdução de seu trabalho:
Ainda que o centro não possua exatamente as mesmas características em todas as partes e que não exista apenas uma conceituação de centro, pois os conceitos dependem das óticas profissionais e situações histórico – sociais dos diferentes observadores, constata-se, contudo, que tanto os discursos científicos quanto outras falas menos especializadas guardam elementos em comum no tratamento do tema centro – sejam eles de cidades norte-americanas, européias ou brasileiras (2004, p. 11).
Estão presentes a expressão e a força da terminologia centro se observadas suas diversas opções de adjetivações compostas e como o sentido permanece em todas: Centro Histórico, Centro Tradicional, Centro Principal, Centro Velho ou Centro Novo.
O centro do qual se trata carrega uma relação com a história-tempo e com o espaço constituindo um “nó de fluxos”, um lugar geográfico, configura-se, apesar das oscilações de interesse, como o espaço importante para as cidades e
sua sociedade (CASTELLS, 1984). O centro é uma espécie de zona de intercâmbio e de coordenação das atividades essencialmente vinculada à história, e onde são valorizados os lugares geográficos, os elementos arquitetônicos (religiosos e civis) e por extensão o urbano (estrutura urbana e bairros) e do conteúdo social. O centro também é a única área da cidade onde ainda se espera a permissão da sociedade para que se reconheça, conforme Carrión (1998), a presença da diversidade étnica, portadora de processos históricos contraditórios e conflituosos que têm milhares de anos de existência em permanente contradição.
1.3. CENTROS: SIGNIFICADO, FUNÇÃO, DELIMITAÇÃO, APROPRIAÇÃO E