4. Datapresentasjon og analyse
4.6 Det emosjonelle aspektet ved organisasjonsendringer
TABELA 3 – Fontes de informações utilizadas pelos docentes
Tipo de fontes de informação - %
Convencionais % Audiovisuais % Virtuais %
Livros 66,66 Televisão 24,24 Internet 63,63 Revistas especializadas 27,27 Vídeo cassete 18,18 E-mail 3,03
Jornais 15,15 CDs 3,03
Anais de congresso 15,15
Catálogos 6,06 Periódicos 3,03
As formas de aquisição de informação pelos entrevistados do CCE se dão através de três fontes de informação: convencionais, com (32) 96,96% de adeptos, destacando-se o tradicional livro, seguido das revistas especializadas; fontes virtuais, no caso a Internet, em segundo lugar, além das fontes audiovisuais, como TV e vídeo cassete. Embora menos da metade dos entrevistados ainda não faça uso da Internet, podemos verificar outras posições mais extremadas, mas nem por isso alarmantes, em que alguns sujeitos se revelam fascinados pela tecnologia: “uso bastante livros, mas uso bastante o computador, inclusive estou viciada
na Internet, porque é uma coisa riquíssima”. Como se trata de um grupo com um nível
elevado, tanto pela faixa etária, como pela maturidade intelectual e em se tratando de uma novidade em nosso meio, tal reação configura-se como algo aceitável. Nesse aspecto, GIACOMETTI (1990, p.13), num estudo sobre a motivação e busca de informação pelo
docente pesquisador, resgata MORGAN (1997), para explicar os aspectos implícitos nas atitudes, com vistas a objetivos. De acordo com esses autores, a motivação ocorre em ciclos, nos quais “algum estado motivador leva ao comportamento, o comportamento leva ao
objetivo, e quando o objetivo é atingido, o motivo se reduz, pelo menos temporariamente”.
A predominância da fonte escrita pode ser entendida pelo viés cultural e valorativo atribuído ao livro. Quem não se sente dono, zeloso e guardião do seu livro, mesmo sendo seu conteúdo de domínio público, comercializado e disponibilizado em bibliotecas e nas redes eletrônicas de informação? Afeiçoamo-nos tanto ao livro, como amigo e conselheiro, que estabelecemos uma relação afetuosa, conforme a análise de CHARTIER (1998, p. 99) sobre os dotes do livro: “Costurado, portátil, acessível, o livro do século XX é um possível
companheiro de cada momento. Ele se tornou um objeto comum que, como a tigela ou o cachimbo, satisfaz os prazeres mais simples”. Por outro lado, esta predominância do escrito
pode ser atribuída às representações sociais que as pessoas fazem do livro, a partir da credibilidade imputada à Bíblia Sagrada, como fonte confiável.
Comparando-se o resultado que revela a preferência pela fonte impressa, com os dados da primeira coleta (ANEXO I), podemos inferir que a cultura predominante de leitura pelos docentes entrevistados ainda é através das fontes convencionais, conforme sintetizado na tabela abaixo, as vantagens de uma sobre a outra:
TABELA 4 - Vantagens e desvantagens das fontes de informação na percepção dos docentes
FONTES Vantagens % Desvantagens % Facilidade de manuseio/acesso 27,27 Desatualização 12,12 Elaboração, anotação, reflexão 6,06 Inacessível 12,12
TRADICIONAIS
Confiabilidade 6,06 Limitação 6,06 Agilidade/rapidez da informação 39,39 Altos custos 12,12 Atualização 18,18 Dificuldade no manuseio 9,09 Diversificação da informação 12,12 Exigência de tempo 6,06 Impossibilidade de deleite 6,06
VIRTUAIS
As fontes tradicionais ainda têm o seu devido conceito, uso e valor; mesmo que, em algum momento, possam estar fora de uso − por causa do impacto que vem causando as fontes virtuais de informação − atendem bem às demandas, embora em termos de atualização deixem a desejar. Neste aspecto, a Internet é imbatível.
Solicitados a falar sobre as vantagens de uma fonte sobre a outra, alguns entrevistados foram enfáticos a respeito das vantagens dos livros. Outros, mais serenos, apresentaram argumentos decisivos para preferir usar o livro e não a Internet: “particularmente acho o
acesso mais rápido. Eu tenho o hábito de ler, de estudar rabiscando, comparando com os outros”. Nesse sentido, outro entrevistado se pronunciou favorável ao livro, “pela possibilidade e maior facilidade de elaborar anotações, não pode ser substituído por nenhuma outra fonte. No meu caso, permite maior reflexão”. Com o mesmo espírito, outro
entrevistado defendeu o livro, justificando que “as novas tecnologias dão uma sensação de
pressa, de não podermos nos deleitar com a leitura demorada, imaginativa, recriadora”. Tal
argumento não é totalmente compartilhado por Chartier, já citado. Ao analisar a trajetória do livro quanto às mudanças na sua forma, e na perspectiva de uma leitura contemplativa, ruminativa e meditativa, posta em discussão com a publicação da Bíblia em formato virtual, na França, o autor considera que:
“O novo suporte do texto permite usos, manuseios e intervenções do leitor infinitamente mais numerosos e mais livres do que qualquer uma das formas antigas do livro [...] Eu não sei se uma reflexão teológica se desenvolveu no mundo do texto eletrônico, mas ela seria absolutamente apaixonante, ao lado de uma reflexão filosófica ou de uma reflexão jurídica” (p. 88, 91).
A preferência por livros e revistas especializadas justifica-se pela facilidade no manuseio, e reflete uma tendência inversamente proporcional: dificuldade de manusear o computador, para acessar a Internet, cuja maior vantagem declarada foi a agilidade/atualização da informação, conforme posicionam-se enfaticamente alguns dos entrevistados: “você tem a informação num ritmo muito mais rápido e, as vezes, até com mais
precisão”; “Eu acho que a atualização é a maior contribuição. Antes, eu trabalhava na minha disciplina com dados de três, quatro anos, achando que era atual, porque era o que havia sido publicado. O relatório do INEP, quando era de dois anos, do ano anterior, era atual”. Na verdade, existem áreas onde o impacto é maior, pois requer dados atuais,
Da mesma forma, outro entrevistado se pronunciou: “Normalmente as informações
verificadas na Internet são fresquíssimas, enquanto que as fontes tradicionais nem sempre são”.
Quanto aos altos custos da tecnologia informática, considerável parcela da população, não apenas no Piauí, mas em nível de Brasil, realmente não tem acesso a essa tecnologia, ficando patente na reportagem de FRUET (2000) − A aula do futuro − discrepâncias a partir das formas como um restrito número de estudantes de um bairro nobre do Estado de São Paulo encontra motivação para assistir aula. Nessa escola em questão, os alunos contam com verdadeira parafernália eletrônica, na qual é possível visitar o interior de uma célula, através de óculos de realidade virtual, com monitores plugados ao computador, manejado por professores. Tais escolas contam ainda com uma sala do futuro, na qual as carteiras trazem um monitor com tela de cristal líquido, e uma lousa que custa US$ 18 mil, sensível ao toque de caneta especial. Tudo que é escrito surge no terminal do aluno, podendo ser gravado em disquete. Na mesma reportagem é mostrado “a vida como ela é”, cujo cenário está situado no extremo sul de São Paulo, em Vargem Grande, onde o computador ainda é um sonho distante, porque para aquela comunidade a luta ainda envolve questões básicas, como água, educação elementar e principalmente, professores. No que tange à tecnologia, o que tem de mais moderno é uma máquina de escrever elétrica, de acordo com o depoimento de uma das mães daquela comunidade: ´Mas aqui deve ser mais fácil aparecer computadores do que
professores´. (p. 48).
Considerando esse dado, fica mais fácil compreender o comportamento informacional do docente entrevistado do CCE. Na verdade, o que temos é uma perspectiva de abordagem virtual para uma realidade tradicional. No momento em que o entrevistado diz que gosta de “rabiscar, anotar, se deleitar com a leitura demorada”, revela, implícita, uma cultura informacional hegemônica, cujas raízes são muito fortes. A inserção de recursos, sejam virtuais ou audiovisuais, demanda uma série de mudanças em nível institucional, como infra- estrutura, capacitação de recursos humanos, de modo que incentive a introdução gradual de uma nova cultura informacional. Quanto à Internet, apresenta atrativos que − arriscamo-nos dizer − certamente contribuirão para apressar essa mudança.