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dos J ovens e seus F amiliares

Analisando os problemas de saúde no momento do estudo verificou-se que 14,7% dos fumantes e não fumantes relataram alergias respiratórias; 26,5% dos fumantes e 29,4% dos não fumantes obstipação; 5,8% dos fumantes refluxo gastroesofágico; 2,9% dos não fumantes gastrite; 2,9% dos fumantes relataram depressão, entre os não fumantes do sexo feminino 11,7% relataram que tinham ovário policístico.

A ocorrência de dislipidemias no passado foi de 2,9% nos fumantes, sendo que 38,2% relataram nunca ter feito exame para o diagnóstico de dislipidemias. Entre os não fumantes 8,8% relataram já ter tido algum tipo de dislipidemia e 44,1% relataram que nunca tinham feito exame para verificar a concentração sérica de colesterol e frações.

Com relação ao uso de medicamentos, somente um fumante relatou uso de anti- depressivo. A prevalência do uso de contraceptivos orais ou injetáveis foi de 41,2% pelas fumantes e nenhuma das não fumantes fazia uso deste tipo de medicamento. Os tipos de

doenças, freqüência dessas e freqüência do uso de medicamentos observados deve-se aos critérios de exclusão do estudo.

A Tabela 11 representa a história positiva de obesidade, dislipidemias, hipertensão arterial, doença cardiovascular, diabetes e câncer dos familiares próximos (avós, pai, mãe, irmãos e tios) dos jovens fumantes e não fumantes. A presença dessas doenças em um ou mais familiares não apresentou diferença estatisticamente significante entre os jovens fumantes e não fumantes. JENSEN et al. (1995) observaram resultados semelhantes, encontrando que a história familiar de diabetes, hipertensão, obesidade e doenças cardiovasculares não diferiram entre fumantes e não fumantes.

Tabela 11 - História Familiar de obesidade, dislipidemias, hipertensão arterial, doença cardiovascular, diabetes, câncer nos familiares dos jovens fumante e não fumantes.

Fumantes Não Fumantes p Doenças crônicas em familiares

n % n % Obesidade Ninguém 17 50,0 20 58,8 0,719 1 pessoa 16 47,1 8 23,5 2 pessoas 1 2,9 3 8,8 3 pessoas - - 3 8,8 Dislipidemias Ninguém 13 38,2 14 41,2 0,296 1 pessoa 18 52,9 14 41,2 2 pessoas 2 2,9 6 17,6 3 pessoas 1 8,8 - - Hipertensão Arterial Ninguém 18 35,3 8 23,5 0,265 1 pessoa 14 41,2 23 67,6 2 pessoas 1 2,9 2 5,9 3 pessoas 1 2,9 1 2,9 Doenças Cardiovasculares Ninguém 12 35,2 13 38,2 0,164 1 pessoa 18 52,9 18 52,9 2 pessoas 1 2,9 3 8,8 3 pessoas 3 8,8 - - Diabetes Ninguém 18 52,9 17 50,0 1,00 1 pessoa 14 41,2 14 41,2 2 pessoas 1 2,9 3 8,8 3 pessoas 3 8,8 - - Câncer Ninguém 20 58,8 21 61,8 0,296 1 pessoa 11 32,4 13 38,2 2 pessoas 2 5,9 - - 3 pessoas 1 2,9 - -

Com relação à escolaridade no grupo dos fumantes, 58,8% cursavam universidade, 14,7% curso técnico, 8,8% curso pré-vestibular e 17,6% segundo grau. Entre os indivíduos não fumantes 58,8% cursavam/ a universidade, 26,5% curso técnico, 14,7% segundo grau. Vale ressaltar que a semelhança na escolaridade entre os grupos pode ser devido à forma como o estudo foi conduzido, uma vez que as escolas foram escolhidas de acordo com a viabilidade de acesso e que nem todos os fumantes encontrados foram avaliados, pelos motivos anteriormente explicitados.

Os resultados na literatura sobre fatores socioeconômicos como determinantes do tabagismo na adolescência são controversos (MALCON et al., 2003; MUZA et al., 1997; MOREIRA et al., 1995; POLETTO et al., 1991). A Tabela 12 apresenta fatores socioeconômicos: escolaridade dos pais, presença de emprego, salário ou mesada e renda per capita da família dos jovens fumantes e não fumantes.

Tabela 12 - Escolaridade dos pais, presença de emprego, salário ou mesada e renda per capita da família dos jovens fumantes e não fumantes.

Fumantes Não Fumantes Características socioeconômicas n % n % p Escolaridade do Pai Não sabe 2 7,4 - - < Fundamental Completo 10 37,0 9 29,0 0,137 ≥ Fundamental Completo 15 55,6 22 71,0 Escolaridade da Mãe Não sabe - - - - < Fundamental Completo 3 11,1 9 29,0 0,003* ≥ Fundamental Completo 24 88,9 22 71,0 Emprego Sim 12 44,4 13 41,9 0,361 Não 15 55,6 18 58,1 Salário ou mesada < 2 salários mínimos 17 63,0 23 74,2 ≥ 2 salários mínimos 5 18,5 3 9,7 0,001

Não tem mesada fixa 5 18,5 5 16,1

Renda per capita da família

< 2 salários mínimos 17 62,9 21 67,8

≥ 2 salários mínimos 5 18,5 5 16,1 0,003

Não sabe 5 18,5 5 16,1

Foram avaliados 27 indivíduos fumantes e 31 não fumantes.

Avaliando a escolaridade dos pais verificou-se que 55,6% dos jovens fumantes possuíam o pai com o ensino fundamental completo ou escolaridade acima dessa e 70,9% dos jovens não fumantes, não se encontrou associação entre a escolaridade do pai e o vício de fumar dos jovens (p=0,137). Observou-se que em 88,9% dos fumantes a mãe possuía ensino fundamental completo ou escolaridade acima e entre os não fumantes 70,9%. Observou-se associação estatisticamente significante (p=0,003) entre o vício de fumar dos jovens e a maior escolaridade da mãe. Entretanto, POLETTO et al. (1991) observaram que o tabagismo entre os jovens foi independente da escolaridade dos pais.

O tabagismo entre os jovens foi independente desses possuírem emprego ou não (p=0,361). Além da associação entre maior escolaridade da mãe e tabagismo dos jovens, também se encontrou associação estatisticamente significante entre salário e mesada e a renda per capita da família maior ou igual a dois salários mínimos e o tabagismo dos jovens (p=0,001 e p=0,003, respectivamente). Esses resultados diferem dos observados por MUZA et al. (1997) que encontraram maior prevalência de consumo de tabaco em classes sociais

mais baixas. Este autor justifica esse achado devido às classes mais favorecidas terem maior acesso às informações a respeito do prejuízo do cigarro à saúde.

Também não se encontrou associação entre o salário e a mesada do jovem (p=0,696) e renda per capita da família (p=0,183) maior ou igual a 1,5 salário mínimo com o jovem ter sido classificado como fumante brando ou pesado. Para a associação da proibição dos pais com o salário e a mesada do jovem (p=0,222), com a renda per capita da família (p=1,000) não se observou diferença estatisticamente significante. Não se verificou associação entre os pais saberem do tabagismo dos filhos com o salário e a mesada (p=1,000) e a renda per capita da família (p=0,659).

MOREIRA et al. (1995) também observaram maior prevalência de tabagismo em classes mais baixas. Contudo, nesse estudo quando foi isolado o efeito somente da renda observou-se uma tendência de associação inversa. Os autores justificaram este fato devido à restrição da aquisição de cigarros pela falta absoluta de dinheiro. Entretanto, a utilização da informação da renda familiar por jovens para associação de nível socioeconômico com níveis de prevalência de substâncias psicoativas esbarra no fato de que muitos jovens desconhecem a renda familiar, outros a subestimam ou a superestimam (MUZA et al., 1997). Para inferência da inserção social estes autores afirmaram que o nível educacional dos pais tem sido preferencialmente usado.

No presente estudo, a análise dos fatores socioeconômicos e das condições de saúde dos jovens e de seus familiares, não encontrou diferença entre esses grupos para a maioria das variáveis estudadas, demonstrando homogeneidade quanto a essas características entre os grupos. Verificou-se, portanto que o tabagismo associou-se à maior renda dos jovens e de suas famílias, e que o maior nível de escolaridade das mães não os impede de serem fumantes.