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Quanto ao planejamento anual de ensino de música (Anexo 2), ele foi solicitado à professora, que imediatamente o enviou. Neste documento, foram identificadas características próprias e diferenciadas, ou seja, enquanto a escola tem uma formatação voltada mais para o ensino tradicional com ênfase na confessionalidade, para essa professora o objetivo do ensino de música tem uma abordagem mais contemporânea; o interesse é desenvolver a linguagem musical onde as crianças possam apreciar a “boa” música e não, por exemplo, aquelas praticadas pela mídia popular, algumas vezes sem qualidade, estimular a escuta, criatividade e a importância do silêncio, ampliar o universo cultural das mesmas pelo regate do folclore brasileiro entre outras características.

Quando se mencionou anteriormente que o planejamento anual apresenta características próprias e diferenciadas, também foi relatado pela própria professora que existem as diretrizes do colégio a serem seguidas, mas dentro do possível e ela estando em sintonia com o coordenador faz ajustes pertinentes ao seu planejamento. A professora informou ainda que o coordenador adota com ela uma postura de liberdade, para que faça as mudanças necessárias no planejamento anual. Melhor dizendo, um conteúdo que não tenha ficado tão claro no ano anterior pode ser modificado, a compra de algum material didático para um melhor desempenho de alguma atividade pode ser adquirido, a introdução de uma certa atividade nova pode ser feita e a inclusão de determinado conteúdo, entre tantas outras mudanças, podem ser realizados.

Mediante esse comentário da professora e em relação à postura do coordenador, acredita-se que ele, além da confiança no trabalho desenvolvido pela mesma, tem necessidade em desenvolver um planejamento que se adeque às características da criança em relação à aprendizagem musical, conferindo à professora essa credibilidade. Essa postura revela alguns pontos primordiais em relação ao processo de planejamento e sua implementação cotidiana. Cada professor tem de estar consciente que o ato de educar deva refletir alguns aspectos, como: para quem, o quê e como lecionar nesse caso em especial junto à criança.

A professora ainda comentou que as reuniões para a formulação do planejamento ocorrem entre os meses de novembro e dezembro do ano corrente

para o ano posterior. Após o período de férias no mês de janeiro, a mesma apresenta ao coordenador a proposta de planejamento para que haja a discussão e por fim a aprovação do mesmo. Soube-se que a discussão que ocorre no mês de janeiro, além de obedecer uma relação hierárquica, tem por fim a troca, ou seja, como já comentado, são verificados os acertos em relação ao planejamento do ano anterior, com o intuito de um melhor desenvolvimento das atividades, além de um resultado mais eficaz em relação ao conteúdo musical e sua sintonia com as crianças.

Em relação ao plano que está sendo trabalhado nesse ano, observou-se que o mesmo apresenta as seguintes informações:

• O que se espera da criança no final do ano em relação à Educação Musical. • Objetivos gerais do ensino da música.

• Objetivos específicos23 do ensino da música.

• Conteúdos a serem desenvolvidos durante o ano. • Bibliografia a ser utilizada como apoio.

• Avaliação sobre o que se espera da criança no término do ano.

Ao analisar o planejamento de ensino dos Jardins I e II (crianças de 4 e 5 anos, respectivamente), foram encontrados alguns pontos, que serão tratados na sequência.

Os planos são praticamente iguais, ou seja, há pequenas mudanças, no planejamento do Jardim II em relação ao I, podendo ser comprovado no (Anexo 2). Quando se menciona a existência dessas mudanças, nota-se uma pequena inclusão de conteúdo no Jardim II em relação ao estágio anterior. Também foram identificadas durante as observações que quando as atividades eram iguais, tanto para o Jardim I quanto para o II, o que existia era um pouco mais de dificuldade e complementação para o Jardim II no tocante ao desenvolvimento das atividades, pois se entende que haja um maior entendimento do conteúdo por essas crianças de 5 anos em relação às menores.

23 No tocante aos objetivos específicos encontram-se os seguintes aspectos: Distribuição, dos

conteúdos seguindo suas características: conceitual, procedimental e atitudinal. Essa classificação refere-se às tipologias dos conteúdos desenvolvidos por Antoni Zabala.

Na escrita do planejamento de educação musical não fica tão explícita a questão da interdisciplinaridade entre a música, por exemplo, com as outras linguagens artísticas ou mesmo com outra área do conhecimento. Todavia, verificou- se no instrumento de pesquisa desse estudo (entrevista com a professora – Anexo 3) na questão de nº. 1 e principalmente presenciamos constantemente durante as observações o quanto são utilizados por essa professora os aspectos relativos à interdisciplinaridade, proporcionando e facilitando a oportunidade da construção do conhecimento para as crianças.

Portanto, registra-se aqui que a interdisciplinaridade é também relevante para a construção do conhecimento, mas deve ser calcada em uma atitude que supere a visão fragmentada de cada área do conhecimento. De acordo com Fazenda (2002, p. 86), interdisciplinaridade:

“[...] é muito mais do que um conjunto de disciplinas, é uma libertação de modelos predeterminados, é saber usar a utilidade do tempo; é uma relação entre pessoas, que começa a partir de um olhar, que pode gerar um momento único de interação, um momento de aprendizagem.”

Ao complementar o pensamento da autora em relação à interdisciplinaridade, compreende-se como sendo uma postura globalizante, integrada e coerente. Assim sendo, durante as atividades desenvolvidas pela professora pesquisada, sempre havia um “olhar” para outras linguagens, tais como: oral, matemática, a dança e artes plásticas, entre outras.