Não sendo este trabalho direcionado especificamente para a imagem no ensino da História, convém no entanto, devido à sua importância e à ligação direta com a BD, fazer uma breve referência à sua relevância no ensino da História.
Hoje em dia vivemos num numa época dominada pela imagem, já não são só as imagens difundidas pelas páginas dos jornais, a fotografia, o cinema, a TV ou os computadores, hoje também os telemóveis que serviam para somente falar, servem na maioria das vezes para captar imagens e partilhá-las rapidamente por toda uma rede online. Vivemos numa sociedade eminentemente visual, rodeados por imagens.
Note-se que, como vimos na pré-história da BD, também os nossos antepassados, através da representação iconográfica utilizaram a imagem como forma de comunicação entre os próprios e que permitiu que comunicassem com os seus descendentes. Também na Idade Média e ao longo de vários séculos, onde a maioria da sociedade era iletrada, a imagem era utilizada como forma de transmitir valores e instruir atribuindo-se à icnografia uma função educativa.
Apesar da importância que a imagem foi tendo na história da humanidade, nem sempre ela tem a devida atenção por parte de alguns historiadores ou professores da área da História.
Paulo Knauss afirma que
Alguns destes vestígios visuais tão antigos têm uma longa história, que antecede em muito a escrita e sua hegemonia nas sociedades. Desprezar esta constatação pode deixar em segundo plano uma grande parte da história humana, ou ao menos de um universo de fontes para o seu estudo. É por isso que os estudiosos das civilizações de tempos remotos da vida humana
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com frequência não conseguem escapar da análise das imagens. (Knauss, 2006, p. 99)
O mesmo autor salienta ainda o facto de que mesmo quando se ficou a palavra escrita, o novo código não veio substituir a imagem. A convivência entre expressão visual e expressão escrita sempre foi muito próxima. )bidem como podemos aliás constatar em alguns dos exemplos referidos anteriormente, pertencentes à pré-história da BD.
Outra importância que a imagem assume é o potencial de comunicação universal que abrange todas as camadas sociais sendo capaz de ultrapassar as diversas fronteiras sociais pelo alcance do sentido humano da visão )bidem mesmo os que não se identificam com a palavra escrita. Assim, desprezar as imagens como fontes da História pode conduzir a deixar de lado não apenas um registro abundante, e mais antigo do que a escrita, como pode significar também, não reconhecer as várias dimensões da experiencia social e a multiplicidade dos grupos sociais e seus modos de vida. )bid., pp e
Dada a importância da imagem como documento histórico, será relevante que a mesma seja utilizada pelos (as) professores (as) na sala de aula, tanto por poder ser um válido documento histórico passível de análise, como pelo impacto que pode ter junto dos (as) alunos (as) a utilização deste recurso.
Antes de mais, deve-se esclarecer que o facto de ter referido que a imagem poder ser um válido documento histórico, prende-se com o fato de que a imagem por si só não carrega a validade documental, tal como acontece como o texto escrito. É aqui que se centra a importância do (a) professor (a) na escolha do material, a preparação e análise dos recursos a serem ou poderem ser utilizados pelos (as) alunos (as). Em especial, nos dias de hoje, onde muito material pode ser encontrado pelos (as) estudantes, por exemplo na internet, convém que haja uma seleção e análise do material a ser usado. A própria validação e identificação do documento poderá ser a primeira abordagem a ser trabalhada pelo (a) professor (a) com os alunos tendo em atenção as suas origens e ao contexto e intencionalidade com que foram produzidas, tentando também compreender se são fontes primárias ou secundárias.
O importante é ressaltar que toda e qualquer fonte está sempre imersa em condições sociais de produção e são discursos representativos do real. As fontes expressam valores políticos, sociais, culturais e religiosos, que devem ser lidos de forma critica e não como verdades naturais e inquestionáveis (Silva, 2010, p. 173)
A escolha das imagens, deve ter também em conta os (as) alunos (as) com quem se vai trabalhar onde as suas idades o nível de ensino e características da turma, deverão ser tidas em conta.
E que tipo de imagens poderemos usar? Diria que os recursos são intermináveis, sendo que na grande maioria dos casos, só é possível ser feita uma análise através da sua representação em papel, fotografia ou imagem digital. Mas
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)magens diversas produzidas pela capacidade artística humana também nos informam sobre o passado das sociedades, sobre as suas sensações, seu trabalho, suas paisagens, caminhos, cidades, guerras. Qualquer imagem é importante, e não apenas aquelas produzidas por artistas. Fotografias ou quadros registram as pessoas, seus rostos e vestuários e são marcas de uma história. Produções modernas, como os filmes, registam a vida contemporânea e reconstroem o passado, revivendo guerras, batalhas e amores de outrora, ou ainda imaginam o futuro. Trata-se de imagens em movimento e com som. Os filmes não são registros de uma história (Bittencourt, 2008, p. 353)
Mas para além da sua validade como documento histórico, porquê utilizar documentos como a imagem na sala de aula?
O documento passou a ser instrumento didático para o professor porque ajudaria a tirar o aluno de sua passividade e reduziria a distância de sua experiencia e seu mundo de outros mundos e outras experiencias descritas no discurso didático. Estimulou-se o uso de mapas históricos, gravuras, filmes, que permitiriam refazer as imagens do passado ou fazer o aluno poder, ele mesmo, imaginar como era o passado. Dessa forma espera-se que as aulas se tornassem mais atraentes, e o aluno, mais participante (Schmidt & Cainelli, 2004, p. 93)
Para além do carácter lúdico e atrativo que se busca na utilização das imagens, como referido anteriormente, elas são também sujeitas a um olhar crítico, e são um bom ponto de partida para a introdução de um tema para a discussão sobre o que está representado, refletindo sobre o contexto no qual as imagens foram produzidas, formar conceitos, questioná-los e desenvolver a capacidade imaginativa.
Esta abordagem mais didática em relação à imagem deve ser feita principalmente com a ajuda do (a) professor (a) por ser mais difícil. Ora, nem sempre estaremos preparados para tal, mas é importante reconhecer que a imagem deve servir bem mais do que para ilustrar e embelezar, na tentativa de motivar ou chamar a atenção do (a) aluno (a).
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