Approach
3.2 Design
O motivo mais comum, que leva as pessoas a praticarem actividade desportiva actualmente, é a busca pela beleza física, a exaltação pelo corpo perfeito (Faria Júnior, 2004).
Essa análise, é enquadrada para as pessoas jovens adultas, mas quando se refere aos idosos, essa conotação não condiz. Actualmente, a massificação pela busca de uma actividade desportiva para idosos, tem aumentado consideravelmente.
Entre tantos motivos e razões que levam os idosos a procurarem uma actividade desportiva acaba por ser a busca por uma melhor qualidade de vida e o aumento da longevidade (Apple e Mota, 1991; Leite, 1999; Mazo, 2001; Faria Júnior, 2004).
Não se pode esquecer, que assim como a actividade desportiva poderá trazer benefícios à vida dos idosos, no decorrer do envelhecimento, outros elementos devem ser levados em consideração, tais como: a hereditariedade,
alimentação adequada e hábitos de vida apropriados, de maneira que possam ajudar em muito na manutenção da autonomia do idoso (Okuma, 1998).
Podemos perceber que nos últimos anos, os profissionais da área da saúde têm enfatizado a necessidade de prevenir ou retardar o desenvolvimento das doenças crónicas que acometem a população idosa, numa tentativa de aumentar a expectativa de vida activa, através do bem estar funcional.
Muitas das alterações nas estruturas e funções fisiológicas que ocorrem com a idade resultam da inactividade desportiva. Como exemplo, Okuma (1998) cita a alteração na sensibilidade à insulina, na massa corporal magra, na taxa metabólica basal e na capacidade aeróbia.
Vale lembrar que a prática da actividade desportiva para idosos, não pode ser considerada como uma novidade. Gobbi (1997) ressalta que, ainda no ano de 1936, já se tinha notícia de competições de atletismo para veteranos no Parque Trianon, na cidade de São Paulo.
O que se pode considerar como novidade é o respaldo da literatura científica no processo da actividade desportiva para pessoas idosas no que diz respeito à melhoria dos processos de atenção, já que por meio da prática, esses indivíduos, conseguem manter níveis mais satisfatórios do que seus congéneres que não realizam qualquer tipo de actividade desportiva (Leite, 1996; Alves, 1995).
Mediante essa situação, a propagação do exercício físico para idosos tem-se tornado uma estratégia simples, barata e eficaz tanto para diminuir os custos relacionados com a saúde assim como para melhorar a qualidade de vida.
Segundo Leite (1996), no idoso as qualidades físicas como, a coordenação, o equilíbrio, os reflexos neuromotores, etc., diminuem com o avançar da idade, tornando bastante complexas muitas tarefas simples, como arrumar a própria cama, servir um café, vestir-se sem auxílio (Apple e Mota, 1991; Guimarães et al., 2004).
Além disso, por muitos anos, pensou-se que o declínio da performance era uma consequência normal do envelhecimento. Contudo, estudos recentes indicam que o declínio do desempenho está mais relacionado com o estilo de vida que a pessoa adopta no curso da sua vida (como: tabagismo, prática
regular de exercícios físicos, alimentação e tipo de actividade ocupacional), do que em relação a própria idade (Safons e Pereira, 2004).
Meirelles (2000) enfatiza que o idoso activo vive melhor, já que através das actividades desportivas, ocorre a preservação e a minimização das limitações corporais debilitantes e alterações orgânicas próprias da não actividade desportiva.
As perdas no domínio cognitivo, dentre eles a atenção e as disfunções físicas, contribuem para a maior redução da independência do idoso, limitando suas possibilidades de viver confortável e satisfatoriamente, além de restringir sua actuação na sociedade (Okuma, 1998). Isto, por sua vez, fatalmente tem reflexos nos domínios sociais e psicológicos.
O que se constata, é que além do significativo impacto que actividade desportiva regular pode ter sobre a prevenção e o tratamento de doenças crónico-degenerativas em idosos, ela tem efeitos importantíssimos na manutenção da capacidade funcional, na manutenção de sua atenção para a realização de determinadas tarefas de modo mais autónomo. Efeitos esses, que o acometem devido ao “desuso” do corpo em virtude do sedentarismo.
Estudos têm comprovado que sujeitos com uma actividade desportiva intensa apresentam, do ponto de vista funcional, uma melhoria dos mecanismos de atenção e vigilância. Este dado é muito importante, uma vez que o grau de concentração na tarefa é um dos processos mais relevantes do alto rendimento (Fonseca, 1995; Albuquerque, 1998; Alves e Araújo, 1996) sendo a sintonia entre sujeito e a realização, factor decisivo no resultado. Por efeito da prática contínua da actividade desportiva, o processamento da informação pode ser facilitado e/ou requer pouco atenção.
O estudo realizado por Delay e Pichot (1973) demonstrou que existe uma relação positiva entre atenção e a prestação desportiva do mais alto nível competitivo. Segundo esses autores, é do comum acordo entre os treinadores que os mecanismos da atenção podem ser melhorados pela prática da actividade desportiva, em especial pela modalidade específica em si. Esta opinião pode também ser corroborada por Meireles (2000) que sugere mesmo que através do treino se pode atingir o processamento automático, ou seja, realizar uma determinada tarefa sem recorrer a um esforço atencional de forma consciente.
Curi (2002) indica algumas sugestões práticas para melhorar os processos de atenção, nomeadamente no que se refere à manutenção do estado de alerta, à capacidade limitada de processar a informação e a forma como seleccionamos os estímulos, tais como: procurar o estado de activação óptimo apenas quando necessário, tentando relaxar nos momentos chamados mortos, tentando associar os estados de alerta máximos aos sinais mais importantes; ajudar o sujeito a compreender quais os estímulos mais relevantes para a tarefa, para assim ignorar os restantes; evitar monotonia nas tarefas; indicar ao sujeito quais os pontos fundamentais de uma situação, de modo a dirigir a atenção sobre eles, e em simultâneo eliminando as fontes de distracção e de perturbação; educar os processos atencionais, em função da actividade praticada; reduzir o nível de ansiedade e stress, imposto pela prática desportiva.
A discussão sobre sistemas e processos de atenção intencionou esclarecer a interactividade dos sistemas de memória no processamento cognitivo normal. Embora seja possível imaginar, do ponto de vista do sistema nervoso, a existência de uma transferência de conteúdos entre diferentes sistemas neurais que se constituiriam nos substratos desses sistemas de memória, parece mais correcto admitir que a informação seja processada e mantida de maneiras distintas (Tavares, 1999; Habib, 2000; Damásio, 2000). Esses processos poderiam ser modificados, ao longo do tempo, pela interacção com os conteúdos relacionados com outras unidades de processamento.
Uma questão é se as diferenças na atenção associadas à idade são melhor explicadas em termos da capacidade ou pela variação das estratégias (Damásio, 2000; Barreiros, 1999; Botelho, 1998).
Alterações na atenção poderiam ser vistas primeiramente como um défice de processamento da informação, ao contrário de um comprometimento de memória, onde os efeitos da idade parecem apresentar-se somente quando certos tipos de processamento são exigidos (Brickenkamp, 2000).
Outras interpretações frequentemente mencionadas nas diferenças associadas à idade no funcionamento cognitivo, estão relacionadas com uma redução dos recursos disponíveis para o processamento, possivelmente em função da eficácia reduzida e da atenção nas tarefas que utilizam a memória
operacional (Atkinson e Shiffrin, 1968; Eyseck e Keane, 1994; Moran, 1996; Fonseca, 2001).
Em geral, as pesquisas têm indicado que para a atenção, diferenças entre adultos mais jovens e mais velhos aumentam com a demanda do tipo de estímulo, bem como de uma prática regular de actividade desportiva, que pode manter níveis relevantes nos sujeitos mais activos, independente da idade. Entretanto, deve-se considerar que as respostas dos mais velhos serão sempre mais lentas em relação aos mais jovens (Paschoal, 1996; Botelho, 1998; Barreiros, 1999; Mota, 1999; Rauchbach, 2001).
Assim, o processo de atenção, pode ter melhoras significativas em idosos que se mantêm activos por períodos de tempo mais prolongados. Nesse sentido, ressaltamos o valor que deve ser dado à prática da actividade desportiva por essa população, já que os benefícios são evidentes.