5. Design of a Context Aware Platform
5.1 Design principles
A coleta de dados primários da pesquisa para análise da evolução do programa foi realizada no Brasil e na França. No Brasil, o levantamento da bibliografia primária foi efetuado em diferentes setores da Capes. A condição da autora como analista em ciência e tecnologia da agência, tendo exercido as funções de assessora da Diretoria de Relações Internacionais e de coordenadora geral de cooperação internacional da mesma diretoria possibilitou acesso privilegiado à documentação. A maior parte dos documentos disponíveis, contudo, encontrava-se na Divisão de Tratamento da Informação da Coordenação de Gestão de Documentos (DTRAT/CGD). Parte da documentação foi também recuperada nos arquivos da Diretoria de Relações Internacionais e na antiga Diretoria de Programas da Capes.9 Além dos arquivos físicos, foram coletados documentos nos arquivos eletrônicos da Coordenação Geral de Cooperação Internacional.
Parte do levantamento de dados primários foi realizada na França, tanto no Ministério da Educação Nacional quanto no escritório do Cofecub.10 Embora em ambos os países fosse constatada a escassez de informações e do arquivo de documentos, a possibilidade de complementação da documentação existente entre instituições parceiras enriqueceu a pesquisa.
O levantamento dos projetos objetos do estudo foi realizado na Capes,11 onde não há uma base de dados alimentada com as referências e informações do programa e do financiamento, mas apenas uma planilha com alguns dados da parceria.12 A partir desse documento inicial – a planilha disponível na agência –, foi feito, inicialmente, um trabalho de checagem e correção de nomes e demais informações. Realizada essa primeira etapa, passou-
9 Essa coleta foi realizada com o apoio dos servidores Astrogildo Brasil, Ângela Santana, Jussara Prado e Nancy
Silva.
10 No lado francês, o levantamento de dados contou com o apoio de Oliver Giron, no Menesr, e de Maria Saint-
André, no escritório do Cofecub.
11 Buscaram-se também no Cofecub informações sobre o programa, contudo, a quantidade de informações
disponíveis era ainda menor. No caso do Cofecub, devido às mudanças de presidente, houve também a mudança da universidade que acolhia a sede do programa pelo lado francês. Isso prejudicou, em muito, a manutenção de arquivos. De qualquer forma, há falta de documentação em ambos os lados acerca de documentos mais antigos, principalmente da década de 80 e do início da década de 90.
12 Como não há um sistema informatizado de inclusão de dados e acompanhamento dos projetos, o trabalho é
feito manualmente pelos técnicos responsáveis pelo programa em planilhas de Excel. Nesse sentido, além de não haver um padrão para consolidação da informação, algumas informações se perdem quando há troca do responsável pelo programa. Ademais, nas primeiras décadas do programa, os controles eram feitos em papel, o que torna ainda mais sensível a precisão das informações. De qualquer forma, quando da celebração do aniversário de 30 anos do Capes-Cofecub, foi feito um esforço para o levantamento de dados nos arquivos da agência e recuperação das informações de todo o período de vigência do programa. As informações são
públicas e estão disponíveis no site da Capes:
se à construção de uma tabela própria com os dados necessários para o prosseguimento da pesquisa. Na planilha da Capes constava as seguintes informações: número do projeto, título da pesquisa, IES no Brasil, coordenador brasileiro, IES na França, coordenador na França e grande área.
O primeiro passo para a confecção das informações próprias foi organizar e padronizar os dados da agência.13 Essa atividade demandou uma quantidade de tempo bastante significativa, haja vista que, aditivamente à padronização das informações que viabilizassem quaisquer análises, também foi necessária a checagem e correção de nomes e dados e sua complementação, para que fosse possível a pesquisa no sistema Lattes, além da inclusão de outras informações para uma análise mais detalhada das variáveis.
No que se refere à área do conhecimento, optou-se por trabalhar com as oito grandes áreas apresentadas pela Capes, quais sejam: ciências agrárias; ciências biológicas; ciências da saúde; ciências exatas e da terra; ciências humanas; ciências sociais aplicadas; engenharias; linguística, letras e artes. Segundo Mueller,
Se de um lado isso tornou viável a classificação dos pesquisadores por grande área do conhecimento, por outro lado talvez tenha levado a algumas simplificações excessivas, com o risco de ter-se colocado em uma mesma categoria pesquisadores cujos interesses específicos, afiliações paradigmáticas e métodos de pesquisa sejam diferentes a ponto de influenciar hábitos de comunicação. Apesar deste risco, a decisão de usar apenas as oito categorias foi mantida, dada a dificuldade de classificar os sujeitos apenas com base nas informações disponíveis na base Lattes. (2005, p. 1).
Esse processo levou a uma simplificação da investigação, entretanto, a adoção da área, subárea ou especialidade inviabilizaria a análise para um período de 34 anos com mais de 700 sujeitos. Entendemos que, para uma investigação mais detalhada por área ou subárea, seria necessária a delimitação de um menor período de análise, o que não era o objetivo da pesquisa, haja vista a busca por apresentar a evolução do programa. Para a confirmação da grande área de atuação do pesquisador, foi realizada a checagem na plataforma Lattes, tendo em vista não existir esse dado padronizado na Capes. Em alguns momentos deparamo-nos com informações da área de avaliação, em outros com a subárea, área ou até mesmo especialidade. Houve casos em que duas áreas eram informadas. Logo, foi preciso a realização de uma longa pesquisa para essa padronização.
Em relação ao coordenador e à IES no Brasil, em casos de rede, optou-se sempre por manter o coordenador responsável pelo projeto e sua respectiva instituição. Além das
13 Ao final, para que fossem possíveis as análises, foi necessária inclusive a padronização das siglas e
informações já disponíveis, foi incluída a Unidade da Federação da instituição, sua natureza administrativa e o sexo do pesquisador. No que se refere à Unidade da Federação, foi considerado o estado onde está localizada a instituição de vínculo profissional do acadêmico. Foi também incluído o gênero do pesquisador e natureza administrativa da instituição – se pública, privada ou confessional/comunitária. No caso das instituições públicas, elas foram subdivididas em federais e estaduais.
Já no lado francês, foi realizada a uniformização das instituições de pesquisa. A tabela disponível apresentava, muitas vezes, departamentos, laboratórios ou unidades de pesquisa de uma instituição maior; assim, para a análise foi preciso realizar a uniformização dos dados. Para análise de gênero, como alguns nomes são incomuns, foi feita uma pesquisa na internet utilizando o nome do pesquisador e as opções de imagem do Google. Como, em alguns casos, a indicação do pesquisador foi feita apenas com o sobrenome, apoiou-se no Lattes do pesquisador brasileiro ou mesmo nas demais informações do projeto, como instituição de origem, para verificar o nome completo e o gênero do responsável francês. Pequenas imprecisões e incorreções nas grafias foram identificadas e corrigidas quando das buscas eletrônicas.
Nessa fase, a atividade que demandou maior lapso temporal para o levantamento foi a obtenção do endereço eletrônico. A Capes dispunha de cerca de 70% dos e-mails necessários, o que facilitou bastante o trabalho, entretanto, foi feita uma checagem amostral, haja vista que muitos e-mails eram institucionais ou estavam desatualizados. Os e-mails faltantes e as checagens foram realizadas principalmente por meio da ferramenta Google, mas também nas páginas dos programas de graduação e pós-graduação, departamentos e institutos de pesquisa, verificando os artigos recentemente publicados pelo autor, nos quais normalmente consta o contato, e ainda no Facebook. Durante essa busca, se constatou o falecimento de alguns dos coordenadores. Apesar de todo esse esforço, não foi possível levantar o e-mail de alguns coordenadores dos projetos iniciais, o que nos levou a crer que eles não têm desenvolvido atividades de pesquisa e ensino. Esse número, porém, não foi expressivo, sendo menor que 1% da população. De qualquer forma, mesmo no caso de pesquisadores cujos e-mails não puderam ser obtidos ou estavam incorretos, utilizamos a ferramenta de contato do Lattes na tentativa de acesso ao pesquisador.
Finalizado o levantamento, foi possível iniciar as etapas de análise cientométrica e a aplicação do questionário.