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8.3 Design, kausalitet og effekt

8.3.1 Design og kausalitet

A inovação social apresenta diferentes visões e práticas. Uma possibilidade muito usual observada na literatura sobre o tema é a questão associada às artes e criatividade. Mumford (2002) apresenta um ponto de vista singular do conceito a partir da análise histórica de vida de pessoas notáveis, em especial Benjamin Franklin. Este utilizou de estratégias e táticas para gerar e programar inovações sociais na região da Filadélfia de sua época, o que contextualmente gerou estratégias de implementação de baixo custo apropriadas e levou-o a construir o apoio necessário para projetos de demonstração destinados a diversos problemas enfrentados pela comunidade. Assim, são discutidas as implicações dessas estratégias e táticas para a inovação nas organizações modernas, mas com um caráter individual, pois é a partir de concepção e ação de notáveis que se solucionam problemas comunitários.

Alguns conceitos, em especial ligados à esfera empresarial e Estados, buscam na inovação social a superação da crise do Estado e bem-estar social, como o Presidente da União Europeia, José Manuel Durão Barroso. Para ele a função da inovação social seria a superação da atual crise, com empregos seguros e aumento da competitividade (OCDE, 2010). Assim, a OCDE define inovação social:

Social innovation seeks new answers to social problems by: identifying and delivering new services that improve the quality of life of individuals and communities; identifying and implementing new labour market integration processes, new competencies, new jobs, and new forms of participation, as diverse elements that each contribute to improving the position of individuals in the workforce (OCDE, 2010, p. 196)3.

Este é, como se pode depreender, um conceito com a ideia da competitividade e superação do desemprego, referência ao trabalho e à integração, e não de novas possibilidades de inserção na solução das necessidades que não seja o mercado. A partir desse conceito, a superação dos problemas sociais pode ser entendida como uma inicativa social ou de privatização e não uma inovação social, pois a sociedade não é a originária e participante de um processo, mas submetida a ações localizadas, uma questão de escala de atuação. A inovação social deve ser concebida como um processo que resulte em uma verdadeira participação, manifestando-se de baixo para cima e dando ao processo um sentido amplo da sustentação.

Os autores Hillier (2004) e Moulaert (2008b) definem dois domínios nos quais essa noção é mobilizada para os negócios: na organização empresarial e na finalidade da empresa. Apesar de fazerem uma crítica a esse modelo, pois a inovação social muitas vezes aparece como uma dimensão corretiva do sistema, pontuam uma nova roupagem para o conceito, agora social.

Sob essa perspectiva, pode-se citar o Center for Social Innovation (CSI), da Stanford Graduate School of Business(um centro da universidade Stanford Nova York cuja a função é criar ideias que aprofundem e avancem nossa compreensão da gestão e com essas ideias para desenvolver líderes inovadores, com princípios, e perspicazes que

3 A inovação social busca novas respostas para os problemas sociais por: identificar e entregar novos

serviços que melhoram a qualidade de vida dos indivíduos e das comunidades; identificação e implementação de novos processos de integração no mercado de trabalho, novas competências, novos empregos e novas formas de participação, como diversos elementos que cada um contribuir para melhorar a posição dos indivíduos no mercado de trabalho (Tradução deste autor).

mudam o mundo) que define a Inovação social como: novel solution to a social problem that is more efective, efcient, sustainable, or just than existing solutions and for which the value created accrues primarily to society as a whole rather than private individuals4 (PHILLS, 2008, p. 34). Assim, essa é a ligação desse conceito com o chamado terceiro setor e a economia plural, solidária e social, para a formação de capacidades intelectuais capazes de superar obstáculos para um mundo mais justo, com uma economia com princípios sociais. Ou o empreendedor social trabalha para conseguir lucro ou uma ligação sustentável com o mercado.

Outra visão sobre o tema ciência, política e administração pública analisa os aspectos negativos do caráter hierárquico de sistemas de decisão políticos. Sobre esses aspectos podem-se citar, como exemplos, os aspectos positivos sobre políticas sociais, com participação da sociedade, como conselhos ou mesmo orçamentos participativos de diversas cidades no Brasil após o processo de democratização e a constituição de 1988 (NOUY, 2005; VAILLANCOURT, 2011). Dessa forma, tal quadro constitui uma nova política pública, em especial a social, que tem algumas características em comum com a visão empresarial – estritamente a ação centrada nos resultados e gestão de escassos recursos –, mas com determinados avanços de participação.

No Brasil encontramos um conjunto de ideias que faz referência ao conceito de inovação social, cujo entendimento centra-se, sobretudo, na tecnologia social aplicada por organizações vinculadas ao empresariado, como a fundação Banco do Brasil5, ou a iniciativas da sociedade civil, como o caso do institudo de tecnologia social (ITS)6, com definição enquanto “práticas de intervenção social que se destaquem pelo êxito na melhoria das condições de vida da população, construindo soluções participativas, estreitamente ligadas às realidades locais em que forem aplicadas” (HORTA, 2006, online, [s.p.])7. Apesar de se admitir que a tecnologia social é uma novidade de técnicas e metodologias transformadoras importantes em um processo de desenvolvimento, e legítima na afirmação da sociedade, este entendimento de inovação social acrescenta a

4 Uma solução nova para um problema social que é mais efetiva, eficiente e sustentável do que as

soluções até então existentes e pela qual o valor criado é revertido para a sociedade como um todo, em vez de apenas para um determinado grupo privado. (Tradução deste autor).

5 <http://www.fbb.org.br/tecnologiasocial/o-que-e/tecnologia-social/>. Acesso em: fev. 2014.

6 <http://www.itsbrasil.org.br/>. Acesso em: fev. 2014.

busca a territorialidade e o território. Assim, o empoderamento social representa uma possibilidade de avanço da autogestão das comunidades.

No sentido da sustentação das mudanças sociais, pode-se observar que o tema inovação, na atualidade, parece ser utilizado de diversas maneiras, com diversos significados nas ciências, buscando a superação dos desafios da construção de uma sociedade cidadã e além do mercado – um mundo possível a ser construído para uma economia cujos empreendimentos representem: utilidade social, comprometimento com a coletividade, autonomia de gestão, controle democrático, primazia das pessoas e distribuição de excedentes.