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7.1 Design ship

A disciplina “Ludicidade como instrumento pedagógico”, vem trazer novas discussões

sobre o lúdico. Mais uma vez percebe-se a relevância dada a essa característica humana e sua presença no lazer.

Logo na apresentação da disciplina, já se elucida o entendimento de lúdico: “Importa

lembrar que o lúdico não é mera brincadeira, é uma característica intrínseca ao homem, pois é através dele que se aprende e se transforma, que se diverte, que se liberam as ansiedades e se

constroem as relações sociais”. (CD.08, 2011, p.9). Percebe-se que o lúdico está estritamente

ligado à capacidade de aprender, por isso muito se fala sobre essa característica ligada às atividades infantis, já que a criança está constantemente aprendendo no brincar.

Para reforçar a ideia de que a ludicidade está no ser humano, independentemente da fase de sua vida, a aprendizagem é enfatizada como algo constante:

A capacidade de aprender é a característica mais marcante do ser humano, acompanhando-o em todas as fases de sua vida. Ele aprende coisas novas através da interação com o outro e pela ação no meio em que vive. Assim, ele descobre, modifica e apropria-se do conhecimento, integrando-se na sociedade como ser ativo, reflexivo e criativo. (CD.08, 2011, p.15).

No caderno didático, a ludicidade é identificada nas atividades ditas de lazer (como viagens, passeios, teatro, televisão, festas, etc.) e que até mesmo outras atividades como colecionar bonecas, adesivos, etc. são realizadas “na tentativa de suprir essa necessidade

humana do lúdico, do jogo, da brincadeira e do prazer”. (CD.08, 2011, p.16). Novamente o

prazer é trazido como característica do lúdico. Afirmando tal característica, destaca-se no caderno didático que:

A ludicidade faz parte da atividade humana e uma de suas principais características é a espontaneidade. Para uma atividade ser considerada lúdica, ela não precisa ser necessariamente um jogo ou uma brincadeira, mas sim gerar prazer. (CD.08, 2011, p.18).

Dessa forma, é pertinente destacar que tanto o trabalho quanto o lazer podem proporcionar prazer e serem lúdicos. Portanto, a forma como são conduzidas e vivenciadas as atividades são mais importantes do que o tipo de atividade. Concorda-se que a presença do lúdico pode estar em qualquer tipo de atividade, mas mais uma vez, reitera-se, que mesmo que se busque o prazer, nem sempre ele é alcançado e nem por isso uma experiência pode deixar de ser lúdica.

Resumindo sobre o que esta pesquisa entende e se apoia em relação à ludicidade, traz- se um trecho de Gomes (2004) quando explica:

[...] sendo linguagem humana, o lúdico pode manifestar-se de diversas formas (oral, escrita, gestual, visual, artística, entre outras) e ocorrer em todos os momentos da vida – no trabalho, no lazer, na escola, na família, na política, na ciência, etc. Todavia, como visto, em nossa sociedade capitalista o lúdico é equivocadamente relegado à infância e tomado como sinônimo de determinadas manifestações da nossa cultura (como festividades, jogos, brinquedos, danças e músicas, entre inúmeras outras). Mas, as práticas culturais não são lúdicas em si. É a interação do sujeito com a experiência vivida que possibilita o desabrochar da ludicidade. (GOMES, 2004, p.145).

O caderno didático cita a Declaração Universal dos Direitos Humanos que diz que:

“Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive à limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas”. A Declaração dos Direitos da Criança também é citada: “A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos

mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover

o gozo deste direito”. Esses trechos merecem destaque por dizerem respeito ao lúdico e reforçarem a necessidade do mesmo. Tais artigos sustentam a conclusão de que o lazer é uma necessidade humana:

Assim, podemos dizer que o reconhecimento do lazer como uma necessidade humana é um avanço, mas que ainda é preciso garantir as possibilidades de práticas lúdicas que possam assegurar ao homem um desenvolvimento pleno.

Independentemente da idade, a ludicidade é uma necessidade que transcende a pura diversão, pois contribui para o desenvolvimento humano em seus aspectos físicos, emocionais, cognitivos, sociais e culturais.

A ludicidade contribui para a saúde mental, a socialização e a aprendizagem. (CD.08, 2011, p.24).

A aula 4 dedica-se aos conceitos e características do lazer, da recreação e do tempo livre, essencial para se capturar os saberes sobre a temática lazer que a disciplina prioriza.

Quanto ao lazer, são citadas três obras de autores diferentes que defendem o lazer como ocupação realizada no tempo livre, fora do tempo destinado a obrigações como o trabalho. Os autores e citações usados aparecem dessa forma:

Autores como Cavallari e Zacharias (1994) definem lazer como um estado de espírito de pessoa em seu tempo livre e quando em busca do lúdico.

Já o sociólogo francês Joffre Dumazedier (apud MARCELLINO, 1995), defende conceito de lazer como o conjunto de ocupações às quais o indivíduo se entrega por livre vontade. Para o autor, tais ocupações podem tanto ser de repouso apenas quanto para se entreter, ou mesmo para desenvolver uma participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora. Cabe ainda ressaltar que isso tudo ocorre apenas quando esse indivíduo se livra das obrigações profissionais, familiares e sociais que lhe cabe.

Requixa (1979), por sua vez, enxerga a educação de hoje como um grande veículo para o desenvolvimento, e o lazer como um instrumento excelente para impulsionar o indivíduo se desenvolver, ampliando os seus interesses e a sua esfera de responsabilidades. (CD.08, 2011, p.54).

É ainda destacado que o lazer tem um papel sociocultural importante e que as pessoas que não têm momentos de lazer e de descanso não produzem/trabalham tão bem quanto as que usufruem desse tempo. Conclui-se que, para elas, o lazer é tratado como oposto ao trabalho e ajuda na recuperação do indivíduo, refazendo sua força para melhor trabalhar e produzir. Como exemplo disso, o caderno didático cita a ginástica laboral como uma prática de lazer que favorece o descanso e prevenção de doenças por meio de alongamentos e exercícios específicos.

Outra curiosidade a respeito do lazer apontado no material é a sua divisão do lazer em dois tipos:

Temos dois tipos de lazer: o recreativo e o esportivo. O primeiro é aquele que ocorre sem a presença de regras. Por exemplo, pessoas numa piscina no clube. Já o segundo é aquele onde as regras são determinadas e têm de ser seguidas, como em um jogo de futebol. (CD.08, 2011, p.53).

Tal tipologia é vaga, mas condiz com o pensamento sobre as características do lazer nas quais o texto se apoia.

Posteriormente, baseado na definição de recreação de Cavallari e Zacharias (1994), o caderno didático descreve:

Para eles, a recreação seria o momento ou a circunstância de lazer que o indivíduo escolhe espontaneamente e através da qual satisfaz suas vontades e anseios.

Os mesmos autores apresentam cinco características básicas da recreação: o único objetivo com recreação é recrear-se; a recreação é espontânea e livre; cada pessoa escolhe o que fazer, de acordo com seus interesses; a recreação induz a estados psicológicos positivos, pois sempre está associada ao prazer; a recreação deve propiciar o exercício da criatividade; e, se a recreação for coletiva, ela deve ser escolhida de acordo com os interesses comuns dos participantes; aproximando as pessoas com as mesmas características. (CD.08, 2011, p.55).

Percebe-se que vários fatores apontados servem para reforçar que, neste caderno didático, o lazer está intimamente ligado a estar ocupado com alguma atividade recreativa, mais uma vez tendo a obrigação de ser um momento agradável que o sujeito livremente escolhe para participar da atividade com a simples finalidade de recrear-se, apesar também de admitir que a recreação pode propiciar o exercício da criatividade. Tal afirmação é contraditória, já que a recreação passa a ter outra finalidade.

Quanto ao tempo livre, o caderno didático traz esse conceito em separado para constatar e determinar que o lazer é realizado nesse tempo, quando as obrigações com o trabalho já foram cumpridas, como aparece no parágrafo:

Geralmente dedicamos nosso tempo livre ao lazer, justamente porque tempo livre é o tempo que não é dedicado ao trabalho ou outras atividades sociais mais definidas. Para muitos seria um tempo de descanso da vida sobrecarregada, mas para outros, esse tempo poderia ser usado para um desenvolvimento interior surpreendente. (CD.08, 2011, p.56).

Nesse contexto, recorre-se ao trabalho de De Masi:

[...] em seu livro “O ócio criativo” [De Masi], questiona a falta de preparo das pessoas para lidar com seu tempo livre. Ele acredita que nesta era ‘pós-industrial’ nós teremos cada vez menos trabalho, apresentando mais horas disponíveis. No entanto, a sociedade nos prepara, assim como nossos pais nos criam, justamente para o trabalho, mas não para o tempo livre. De Masi afirma que o homem precisa se adaptar a esta tendência e aprender a desfrutar do seu tempo livre. (CD.08, 2011, p.56).

Como já avaliado em outro caderno didático, a ideia de que se tem mais tempo livre nos dias atuais não condiz com a realidade, pode ser que se tenha menos ainda em função de

acúmulo de funções, jornadas duplas, triplas, dedicação aos estudos, etc. No entanto, é interessante pensar que as pessoas sejam educadas para o lazer, mesmo que para este material didático pontue que ele é realizado somente no tempo livre. O fruto dessa educação leva as pessoas a buscarem, talvez um maior número de possibilidades de lazer, reconheçam as diversas manifestações culturais e tornem-se capazes de escolher o tipo de lazer que lhes interessa e não apenas àqueles que são divulgados e comercializados no mercado. Concorda-

se que o “tempo livre não deveria ser usado apenas para que a pessoa recupere suas forças,

mas sim para que possa fazer dele um momento criativo e prazeroso, desenvolvendo assim

um potencial inato” (CD.08, 2011, p.56).

Dentre os conhecimentos sobre o lazer essas são as reflexões que se podem fazer, e nota-se que, nos documentos avaliados até o momento, o conceito de lazer como uma ocupação a ser realizada no tempo livre, prevalece.