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Design bricolage

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Chapter 2 . Situating the Research

3.3.3 Design bricolage

O desgaste pelo acúmulo de atividades pelas mulheres e sobrecarga de trabalho podem gerar uma patologização das mulheres com o adoecimento das mesmas, as mulheres acabam desenvolvendo mais sintomas em função do estresse (Lipp, 1996 e 2001, Areias e Guimarães 2004, Alves, 2004a).

Os dados relatados pelo IBGE (Brasil, 2005a), no último censo, revelam que cerca de 30% dos lares brasileiros são mantidos por mulheres. Temos no setor de teleatendimento presença feminina marcante (Glina &

Rocha 2003, Vilela e Assunção 2004, Fernandes et al. 2005; Rocha et al. 2005).

Nogueira (2006) afirma que essa presença feminina expressiva existe porque há uma divisão sexual no trabalho em teleatendimento, já que esse serviço conta com jornadas de trabalho de seis horas por dia e permite que a mulher mantenha o foco de prioridades de trabalho no âmbito doméstico. O autor ainda reforça que para ocorrer mudanças nas condições de trabalho da mulher é preciso que haja mudança na divisão sexual de trabalho no espaço doméstico.

Conforme a apresentação das tabelas, resgata-se alguns dos dados para desenvolvimento da discussão. As teleoperadoras pesquisadas caracterizou-se na faixa etária jovem, com idade variando entre 19 e 45 anos, com média de 25,5. O tempo na profissão variou entre um mês e 16 anos, com mediana de 3 anos e a média de tempo de profissão foi de 36 meses; já o tempo de trabalho na central variou entre 15 dias a 8 anos, com média trabalho na central pesquisa de 7 meses e com mediana de 7 meses. As pesquisadas foram predominantemente solteiras, 59,6% e apenas 32,6% (n= 17) tinham filhos.

A metade das teleoperadoras na central tinham apenas o ensino médio completo 50,0%. O IBGE (Brasil, 2005a) revela que a região Nordeste historicamente apresenta um nível de instrução que se situa aquém do restante do país, mas vem registrando um quadro de melhoria nos últimos anos. Em 1997 as mulheres ocupadas tinham nível de instrução mais elevado do que os homens. Nos primeiros níveis de instrução há proximidade entre homens e mulheres, mas entre os que atingem o nível superior predominam as mulheres. Nesta ótica, chama-se atenção para o percentual que tem o superior incompleto, o que pode-se supor que ou estavam cursando ou trancaram matrícula.

DeSouza et al. (2000) referem a partir da década de 1970 a construção social dos papéis femininos no Brasil teve grande crescimento em virtude de grandes mudanças no cenário político nacional, com a ditadura militar demonstrando sinais de fraqueza houve o aumento da feminilização do mercado de trabalho, nesta década a participação feminina economicamente ativa era 18,5% e subiu para 26,9%. O aspecto religioso foi outro ponto de apoio, a igreja Católica passou a assumir uma posição mais próxima da massa, as religiões afro-brasileiras contribuíram na medida em que apresentavam modelos positivos para mulheres pobres, como a mãe de santo que é a figura de grande destaque na hierarquia dessas religiões.

Salvador tem grande influência das religiões afro-brasileiras e é notória a importância das figuras femininas do candomblé em diferentes aspectos sociais. Um dos exemplos mais conhecidos é o da Mãe Menininha do Gantois, nome no candomblé de Maria Escolástica da Conceição Nazaré, que ficou conhecida por ter entre seus consulentes personalidades famosas do cenário baiano como escritores e políticos, mas o que de fato a tornou conhecida foi que em meio à repressão da ditadura militar na década de 1970, não só evitou o fechamento do terreiro e foi uma das principais articuladoras para o término das proibições da realização das atividades religiosas, que se extendiam pela madrugada e só eram permitidas até o horário das 22h. Chalhoub (1998) e Bernardo (2005) em remonte histórico sobre a mulher no mercado trabalho, mostram que a mudança na postura das mulheres quanto ao comportamento e o aumento significativo no mercado de trabalho, na política e em discussões sociais influenciaram as gerações que se seguiram.

Um número elevado de teleoperadoras na central tinham apenas o ensino médio completo 50,0%. O IBGE (Brasil, 2005a) revela que a região Nordeste historicamente apresenta um nível de instrução que se situa aquém do restante do país, mas vem registrando um quadro de melhoria nos últimos anos. Em 1997 as mulheres ocupadas tinham nível de instrução

mais elevado do que os homens. Nos primeiros níveis de instrução há proximidade entre homens e mulheres, mas entre os que atingem o nível superior predominam as mulheres.

As teleoperadoras predominantemente solteiras, observou-se uma minoria com filhos 32,6% (17), e estas com apenas um, ao analisar mais detalhadamente. Na década de 1960 mulheres acima de 35 anos ou mais, que engravidavam pela primeira vez era consideradas idosas. Azevedo et al. (2002) e Andrade et al. (2004) concordam que em mulheres acima de 35 anos, há um maior risco obstétrico em decorrência do envelhecimento ovariano, a freqüência aumentada de doenças crônicas em mulheres nessa faixa etária, hipertensão arterial e diabetes, que acarretariam riscos potenciais para a gravidez. No ano 2000, aproximadamente 10% de todos os nascimentos ocorreram em mulheres com 35 anos ou mais. Muitas mulheres estão adiando sua gestação para a quarta ou quinta décadas para priorizar sua carreira, buscando estabilidade financeira e parceiro estável.

O horário da central é dividido em três turnos de serviço, de segunda a sexta: 7h00 ás 13h00, 9h00 ás 15h00, 15h00 ás 21h00. Encontramos neste estudo, 44,25% das teleoperadoras que cursavam o nível superior, no entanto quando os universitários necessitam realizar estágios obrigatórios em suas áreas especificas, segundo a coordenação da central, ocorre uma rotatividade na empresa com média de 5% ao mês.

A empresa tem o horário das 7h00 ás 13h00 para teleoperadores que necessitam chegar na faculdade no período da tarde e segundo informações da própria equipe de recrutamento, a empresa é procurada por universitários em busca de um auxilio nas despesas da graduação e aquelas que ainda não ingressaram no meio acadêmico buscam o setor como auxilio nas despesas do lar. Já quem é graduada 5,8% procura oportunidade de se inserir em sua área especifica do mercado de trabalho.

Por ter horários tão flexíveis a empresa é ser muito procurada por estudantes universitários, quando estes necessitam realizar estágios obrigatórios em suas áreas especificas gera rotativadade na empresa, segundo a coordenação da central, com média de 5% ao mês.

Como já relatado a central tem horários flexíveis e permite que os profissionais tenham dupla jornada de trabalho, nesse levantamento de dados enfocamos a pesquisa com atividades utilizando a voz, no entanto, estudos sobre gênero e trabalho como os de Nogueira (2003) e (2006) há uma preocupação em se aprofundar nas atividades de trabalho na esfera doméstica que também causam desgaste e são pouco valorizadas pela sociedade patriarcal.

Na tabela 4 foram demonstrados dados sobre o uso da voz profissionalmente e a satisfação das teleoperadoras quanto a mesma. Uma minoria, 17,3% realizavam outra atividade com voz, como: cantora, professora e teleoperadora receptiva em outra central de teleatendimento. A freqüência dessa atividade variou de duas vezes na semana (durante 4h) a 30h semanais. Acredita-se que por conta da flexibilidade de horário seja possível conciliar duas atividades profissionais, o que pode trazer maior risco a essas teleoperadoras pela sobrecarga de atividade vocal.

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