O concelho de Mértola é detentor de uma grande riqueza patrimonial construída e natural, traduzida em diversos recursos, que surgem como uma das alavancas do processo de desenvolvimento do concelho. (Ver anexo 2).
Os recursos patrimoniais construídos no concelho de Mértola são muito diversificados e com um valor inigualável. Como resultado desta riqueza e fruto do Projecto Mértola, a vila de Mértola é hoje apelidada de “Vila Museu”. Neste âmbito, é de salientar o trabalho desenvolvido pelo CAM – Campo Arqueológico de Mértola, em parceria com diferentes entidades locais.
O CAM, surge inicialmente como uma secção da ADPM – Associação de Defesa do Património de Mértola, no entanto, a necessidade de uma gestão mais especializada dentro da arqueologia, proporcionou a formalização do CAM em 1988, como estrutura autónoma da ADPM.
Associações de desenvolvimento local: Que contributo para o desenvolvimento local?
Desde o seu surgimento, o CAM desenvolve investigação científica multidisciplinar no âmbito das ciências sociais e humanas e o seu principal interesse é a história e a arqueologia. Todavia, a equipa de trabalho tem vindo a dedicar-se à história local, ao património histórico, à herança artística e cultural, à museologia e à antropologia física, apresentando, neste momento, um vasto curriculum de intervenções em Mértola.
Por outro lado, ao olharmos para os recursos patrimoniais naturais do concelho de Mértola é revelada uma grande diversidade biológica e paisagística, com uma beleza muito singular, como é exemplo a área fluvial do Pulo do Lobo.
Com o objectivo de preservar todo esse património a ADPM desenvolveu um largo número de projectos científicos na área do ambiente, com o apoio do Ministério do Ambiente, da Administração Regional, de instituições internacionais, como a WWF e, através de Fundos de Desenvolvimento Regional. Os impactos destes estudos estiveram na origem da classificação de uma zona da bacia hidrográfica do rio Guadiana como Reserva Natural, objectivo que foi concretizado em 1996, com a Criação do Parque Natural do Vale do Guadiana. O PNVG – Parque Natural do Vale do Guadiana, com uma área de 69,6ha, abrange os concelhos de Mértola e Serpa, ao longo do rio Guadiana, desde o Pulo do Lobo até à foz da ribeira do Vascão, que faz fronteira com o Algarve.
As unidades de paisagem dentro da área do PNVG dividem-se em três estruturas geomorfológicas que albergam inúmeras espécies animais.
Quadro 2 – Unidades paisagísticas e estruturas geomorfológicas do PNVG
Estrutura Geomorfológica Unidade Paisagística
Planícies ondulantes Culturas extensivas de sequeiro, áreas de esteval e montado de azinho Elevações quartzíticas São Barão (225m) e Alcaria Ruiva (370m) Vales encaixados do rio Guadiana e
afluentes Escarpas e matagais mediterrâneos.
Fonte: Pré-Diagnóstico do concelho de Mértola – Rede Social, 2004
No que se refere aos dados estatísticos do turismo observamos que Mértola, a seguir a Beja, é o concelho do Baixo Alentejo que regista maior número de visitantes. Em 2001 o Posto de Turismo de Mértola e a Região de Turismo da Planície Dourada contabilizaram um total de 10882 visitantes, dos quais 3192 eram estrangeiros, mais
Associações de desenvolvimento local: Que contributo para o desenvolvimento local?
recentemente, em 2005 foram contabilizados um total de 16591 visitantes, dos quais 7569 eram estrangeiros. Estes dados mostram uma tendência crescente do número de visitantes ao longo dos anos.
Os recursos disponíveis no concelho de Mértola na promoção do turismo são muito diversificados e têm vindo a aumentar ao longo dos anos. Actualmente, Mértola dispõem de um total de 20 alojamentos, de tipologias bastante variadas (Casa de Campo, Turismo em Espaço Rural, Agro-Turismo, Residencial, Pensão, Hotel, Casa Privada), em diferentes localidades do concelho e ao nível de restauração contabilizam- se 17 restaurantes e 3 bares de animação (Ver anexo 2).
O concelho de Mértola é detentor de uma grande variedade de produtos agro- alimentares, os quais são produzidos em empresas de pequena dimensão ou produtores individuais que ainda mantém os sabores e texturas tradicionais desses produtos, sendo de salientar, os queijos, os enchidos, o pão, o mel, entre outros.
No que se refere à realização de eventos/festas, o concelho de Mértola tem alguns eventos que se destacam a nível regional e até nacional, como é exemplo o Festival Islâmico, o Festival do Peixe do Rio, a Feira do Mel, Queijo e Pão e a Feira Agro- Pecuária Transfronteiriça Vale do Poço. Por outro lado, no período do verão realizam-se nas principais localidades do concelho as festas tradicionais, muitas delas em honra de um Santo Padroeiro ou de Nossa Senhora.
No apoio à dinâmica turística tem surgido em Mértola algumas empresas como é exemplo a Merturis – Empresa Municipal de Turismo de Mértola, em 2004 e a Alentejo Tours – Operador Turístico, criado por um privado e pela ADPM, em 2007. Paralelamente têm, também, sido criadas por particulares, empresas de prestação de serviços ao turismo.
A oferta turística de Mértola, em 1994 foi alvo de um estudo sobre as potencialidades turísticas da região, financiado pelo INTERREG e solicitado pela ADPM a uma equipa do ISCTE, coordenada por Roque Amaro. Este estudo apresenta estratégias e ideias para reflexão e chama a atenção para a existência de alguma desarticulação entre aquelas que podem ser as verdadeiras atracções turísticas da área e o perfil da oferta turística que efectivamente está a ser dada a conhecer a quem procura a região, que deriva do facto
Associações de desenvolvimento local: Que contributo para o desenvolvimento local?
gestão e dinamização turística, potenciadora da sua própria afirmação, enquanto atracções turísticas. Apesar deste alerta e do aumentado consideravelmente da oferta turística em Mértola em correlação com o aumento do número de visitantes, nos últimos anos, ainda não houve uma estratégia de alteração dessa tendência.