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6. Results

6.1 Descriptive Statistics of the Variables

A Design Science Research é o método de pesquisa que sustenta os estudos realizados no paradigma da Design Science. (DRESCH et al., 2015). Segundo os autores, vários métodos têm sido propostos ao longo do tempo para sistematizar os passos a serem seguidos nos estudos fundamentados na Design Science. Bunge (1980), Takeda et al. (1990) e Eekels et al. (apud DRESCH et al., 2015) propõem métodos diferentes, mas que guardam semelhanças entre si. (DRESCH et al., 2015). De acordo com a comparação feita por Dresch et al. (2015), há unanimidade entre os autores quanto a três fases, a saber, a definição do problema, as sugestões de possíveis soluções e o desenvolvimento das soluções propostas. As demais etapas, revisão da literatura, avaliação das soluções propostas, decisão sobre a melhor solução, reflexão e aprendizagem e comunicação dos resultados, aparecem de maneira heterogênea nos métodos avaliados. (DRESCH et al., 2015).

Independentemente do método a ser seguido, Hevner et al. (2004) propõem sete diretrizes que devem ser observadas na condução de uma Design Science Research. Essas diretrizes, ilustradas no Quadro 5, baseiam-se no fato de que a Design Science Research é um processo de resolução de problemas, no qual o conhecimento, a compreensão e a solução de um problema de projeto são adquiridos na construção e aplicação de um artefato. (HEVNER

et al., 2004). Tais diretrizes, segundo os autores, devem ser seguidas para que a Design

Science Research esteja completa.

Quadro 5 - Diretrizes para a condução de Design Science Research

Diretriz Descrição

Diretriz 1: design como um

artefato de pesquisa A Design Science Research deve produzir um artefato viável sob a forma de um construto, um modelo, um método ou uma instanciação. Diretriz 2: Relevância do

Problema Diretriz 2: O objetivo da pesquisa em Design Science é desenvolver soluções baseadas em tecnologia para importantes e relevantes problemas de negócios. Diretriz 3: Avaliação do Design A utilidade, a qualidade e a eficácia de um artefato devem ser rigorosamente

demonstradas com o uso de métodos de avaliação bem executados Diretriz 4: Contribuição da

Pesquisa Pesquisas fundamentadas na Design Science devem fornecer contribuições claras e verificáveis, seja pela criação do próprio artefato ou pela ampliação e melhoria dos fundamentos da Design Science e/ou das metodologias de

design.

Diretriz 5: Rigor da Pesquisa A Design Science Research baseia-se na aplicação de métodos rigorosos, tanto na construção como na avaliação do artefato.

Diretriz 6: Design como um

processo de pesquisa A busca por um artefato eficaz requer a utilização dos meios disponíveis para alcançar os fins desejados, desde que sejam consideradas as leis que regem o ambiente em que o problema em estudo está inserido.

Diretriz 7: Comunicação da

Pesquisa Os resultados da Design Science Research devem ser adequadamente comunicados, tanto para o público mais orientado à tecnologia, quanto ao mais orientado à gestão.

Fonte: Hevner et al. (2004).

Comparando as diretrizes propostas por Hevner et al. (2004) e os principais elementos que compõem a Design Science Research, elencados por Dresch et al. (2015), é possível fazer algumas inferências, que estão ilustradas na Figura 16. As diretrizes 1 e 2 devem sustentar as etapas compreendidas entre a definição de problema, que deve ser relevante (Diretriz 2), e a sugestão e desenvolvimento das soluções, os artefatos (Diretriz 1). Por sua vez, a Diretriz 3 – avaliação – sustenta a etapa de mesmo nome, bem como a seleção da melhor solução. A etapa de reflexões e aprendizagens deve explicitar as contribuições da pesquisa – Diretriz 4 – enquanto a Diretriz 7 – comunicação da pesquisa – deve nortear a última etapa da Design

Science Research, a saber, a comunicação dos resultados. Embora a Diretriz 5 – rigor da

pesquisa – faça referência específica às atividades de desenvolvimento e avaliação dos artefatos, acredita-se que, juntamente com a Diretriz 6 – design como um processo de pesquisa – deve sustentar toda a realização da Design Science Research, desde os critérios que consideram um problema como relevante, passando pela revisão sistemática da literatura, pelas etapas de sugestão, de desenvolvimento, de avaliação e de escolha do artefato, pelo

processo de reflexão e de explicitação das aprendizagens, finalizando com a comunicação dos resultados.

Figura 16 - Relação entre as etapas do método e as diretrizes

Fonte: Elaborado pela autora com base em Dresch et al. (2015) e Hevner et al. (2004).

Após discutidas as etapas e diretrizes da Design Science Research, cabe aprofundar o conceito de artefato, uma vez que, segundo Hevner et al. (2004), é na construção e aplicação do artefato que se efetiva o conhecimento e que se compreende um problema de projeto e sua solução. Dresch et al. (2015) ampliam o debate quando abordam que a construção de um artefato contribui para o fortalecimento da base de conhecimento, uma vez que o pesquisador busca, por meio da revisão da literatura, identificar teorias e artefatos anteriormente desenvolvidos e encontrar lacunas que justificam a construção de novos artefatos. Os artefatos podem ser desenvolvidos sob a forma de um constructo, um modelo, um método ou uma instanciação. (HEVNER et al., 2004; DRESCH et al., 2015). Essa classificação foi originalmente proposta por March e Smith (1995 apud DRESCH et al., 2015), porém os autores trazem um quinto tipo de artefato, que são as regras tecnológicas ou design

Os constructos podem ser entendidos como conceitos que formam o vocabulário de um domínio; são utilizados para descrever os problemas e especificar as respectivas soluções. (MARCH; SMITH, 1995). Dresch et al. (2015) complementam que os constructos formam a linguagem especializada e o conhecimento compartilhado de uma disciplina ou subdisciplina, podendo variar em termos da formalidade. Como exemplos de constructos, apresentam a própria linguagem e os números.

Um modelo é, segundo March e Smith (1995), um conjunto de proposições ou declarações que expressam as relações entre os construtos. Ainda de acordo com esses autores, um modelo é uma representação de como as coisas são. Essa definição está alinhada à proposta por Pidd (1998), que conceitua modelo como uma representação externa e explícita de parte da realidade vista pela pessoa que deseja usar aquele modelo para entender, mudar, gerenciar e controlar aquela parte da realidade. Dresch et al. (2015) complementam que, para a Design Science Research, a preocupação não é necessariamente validar o modelo verificando sua aderência à realidade, mas verificar se ele é capaz de capturar os elementos essenciais da realidade representada, a fim de assegurar a sua utilidade.

Um método, por sua vez, é definido como um conjunto de passos, baseado em um conjunto de constructos, usado para executar uma tarefa. (MARCH; SMITH, 1995). Dresch et al. (2015) acrescentam que os métodos podem estar atrelados a modelos, sendo, muitas vezes, utilizados para converter um modelo ou representação em outro no curso da resolução de um problema ou na proposição de uma melhoria

Por fim, March e Smith (1995) consideram instanciações como a realização de um artefato no seu ambiente, demonstrando a viabilidade e a eficácia dos modelos e dos métodos que eles contêm. Dresch et al. (2015), por sua vez, adendam que as instanciações contemplam um conjunto de regras para a utilização de outros artefatos – constructos, modelos e métodos – em um ambiente real, levando em consideração o contexto econômico e cultural desse ambiente.

Quanto ao quinto tipo de artefato, as design propositions, são definidas por Van Acken (2004 apud DRESCH et al., 2015, p. 113) como “um template genérico que pode ser utilizado para o desenvolvimento de soluções para uma determinada classe de problemas”. Trata-se, portanto, de uma contribuição teórica da Design Science Research que pode ser aplicada em situações semelhantes. Van Aken e Romme (2009) detalham essa definição salientando que o termo “genérico” significa que uma design proposition não se trata de uma solução específica para um problema específico, mas sim para uma classe de problemas. No entanto, os autores salientam que a validade de uma design proposition se limita a certo domínio de aplicação,

podendo ser considerada uma mid-range theory. Mais genericamente, Van Aken e Romme (2009, p. 8) descrevem a lógica da design proposition da seguinte maneira: “se você quer obter Y em uma situação Z, então aplique a intervenção X”, onde Y é a solução para o problema ou situação em estudo, Z é o contexto em que a situação está inserida e X é a design

proposition.

Apresentados os tipos de artefatos e seus conceitos, explicita-se que a presente pesquisa pretende construir os seguintes artefatos: um método de avaliação de opções estratégicas, que como etapas terá a construção de modelos, sendo um conceitual, na forma de uma estrutura sistêmica, e outro computacional, na forma de um modelo de dinâmica de sistemas, e a posterior avaliação do método no contexto empresarial foco de análise da pesquisa. A construção desses artefatos e das demais etapas desta pesquisa é descrita na próxima seção.

Antes, no entanto, cabe apresentar os passos do método de pesquisa que sustenta este trabalho. Conforme abordado, vários métodos foram anteriormente propostos para condução de Design Science Research. Na presente pesquisa, optou-se por utilizar o método proposto por Dresch et al (2015). O método desses autores considera os métodos anteriormente formulados e as diretrizes de Hevner et al. (2004), tratadas como critérios que servem para “apoiar a condução de uma pesquisa capaz de gerar resultados confiáveis e relevantes”. (DRESCH et al., 2015, p. 124).

A Figura 17 apresenta os 12 passos principais e as relações de dependência entre eles, representadas pelas setas contínuas; quanto às setas tracejadas, representam possíveis feedbacks. (DRESCH et al., 2015). A primeira etapa do método é a identificação do problema a ser estudado, que deve ser relevante, de acordo com a Diretriz 2 proposta por Hevner et al. (2004). Essa relevância deve ser justificada pelo pesquisador, segundo Dresch et al. (2015). A questão de pesquisa adequadamente formulada é o produto esperado dessa etapa. (DRESCH et al., 2015).

Definido o problema a ser estudado, as etapas seguintes se ocupam da conscientização desse problema. Trata-se de entender o contexto em que o problema está inserido, bem como seus diferentes aspectos e causas. (DRESCH et al., 2015). Os autores afirmam que, ao final dessa fase, espera-se que os requisitos para os artefatos que serão desenvolvidos estejam formalizados. Uma das abordagens que possibilita essa conscientização é a estrutura sistêmica (ROMME 2003 apud DRESCH et al., 2015) que, segundo Andrade et al. (2006), é um mapa que representa as relações existentes entre as variáveis, permitindo o entendimento dos padrões de comportamento e a identificação dos pontos de alavancagem.

A revisão sistemática da literatura subsidia o pesquisador tanto no que diz respeito às teorias das ciências tradicionais a serem consideradas na construção dos artefatos quanto na identificação de possíveis artefatos que tenham sido desenvolvidos para a classe de problemas em estudo. (DRESCH et al., 2015).

Figura 17 - Método para Condução da Design Science Research

Fonte: Dresch et al. (2015, p. 125).

A etapa seguinte, subsidiada pela revisão sistemática da literatura, permite ao pesquisador identificar os artefatos existentes e assegurar-se de que a sua pesquisa trará contribuições efetivas. (DRESCH et al., 2015). Esse passo possibilita também que o pesquisador seja “mais assertivo em suas proposições de desenvolvimento de novos artefatos” (DRESCH et al., 2015, p. 129), à medida que pode fazer uso “das boas práticas e lições

adquiridas e construídas por outros estudiosos” (DRESCH et al., 2015, p. 129) e identificar lacunas e críticas acerca dos artefatos desenvolvidos. É ainda nessa fase que o pesquisador deve configurar a classe de problemas a qual pertence a sua situação de estudo, uma vez que é esperado que a solução proposta não seja específica da situação estudada, mas que possa ser generalizável a uma classe de problemas. (DRESCH et al., 2015).

Formalizada a classe de problemas e concluída a identificação dos artefatos previamente desenvolvidos, o pesquisador passa, então, a propor os artefatos para a solução do problema em estudo. (DRESCH et al., 2015). Por se tratar de um processo criativo, é nessa fase que o método científico abdutivo se faz presente. (DRESCH et al., 2015).

Dentre os artefatos propostos, um deve ser selecionado e projetado. Projetar o artefato pressupõe que o pesquisador “descreva os procedimentos de construção e avaliação do artefato” (DRESCH et al., 2015, p. 131), bem como estabeleça o desempenho esperado. Esses passos, segundo os autores, são necessários para garantir o rigor da pesquisa, e estão de acordo com a diretriz 5 proposta por Hevner et al. (2004).

O próximo passo é o desenvolvimento do artefato, que pode se valer de uma série de abordagens como “algoritmos computacionais, representações gráficas, protótipos, maquetes, etc.” (DRESCH et al., 2015, p. 131). Como produto dessa etapa, espera-se a formalização das heurísticas de construção que, segundo Dresch (2013), são os requisitos necessários para o funcionamento adequado do ambiente interno do artefato, com vistas ao ambiente externo.

Na etapa de avaliação do artefato deve-se verificar se os requisitos definidos na conscientização foram atendidos pelo artefato desenvolvido. (DRESCH et al., 2015). Os autores salientam que, com exceção do artefato instanciação, que obrigatoriamente precisa ser avaliado em um ambiente real, a avaliação pode ocorrer tanto em um ambiente real como em um ambiente experimental. Caso os resultados encontrados não satisfaçam os requisitos, as causas de insucessos devem ser investigadas, e a pesquisa retomada a partir da etapa em que as falhas ocorreram. (DRESCH et al., 2015). Como saída dessa etapa, os autores apontam que devem ser explicitadas as heurísticas contingenciais, definidas por Dresch (2013) como os limites e o contexto em que o artefato pode ser utilizado de maneira válida.

Com a avaliação do artefato, passa-se a explicitar as aprendizagens obtidas ao longo da pesquisa, a fim de que ela possa servir como referência a estudos futuros. (DRESCH et al., 2015). É importante, segundo os autores, que o pesquisador relate também os pontos de insucesso com os quais se deparou no decorrer da pesquisa. Embora relevante, esse ponto raramente é realizado pelos pesquisadores, de modo que muitas lições não são compartilhadas com outros estudiosos. (LITTELL et al., 2008). À explicitação das aprendizagens segue-se a

formalização das conclusões da pesquisa, que deve incluir o relato das limitações encontradas. (DRESCH et al., 2015).

Como mencionado, o avanço do conhecimento em Design Science só ocorre se a aprendizagem gerada na pesquisa for generalizada a uma classe de problemas. (VAN AKEN, 2004). Sendo assim, ao final da pesquisa, espera-se que o artefato e suas heurísticas – tanto as de construção quanto as contingenciais – sejam generalizados à classe de problemas configurada na etapa de conscientização. (DRESCH et al., 2015). Segundo os autores, ao fazer essa generalização, o pesquisador lança mão do método indutivo. Por fim, os resultados devem ser comunicados, seja por meio de publicação em revistas especializadas, seja em congressos de interesse da área em estudo. (DRESCH et al., 2015).

Findada a descrição do método de pesquisa, a próxima seção relata como cada uma dessas etapas será conduzida na presente pesquisa. Apresenta, ainda, as técnicas de coleta e análise de dados a serem empregadas.