• No results found

4.2 The Variables

4.2.3 Descriptive Statistics

Alexandre de Hales (m. 1245), inglês, professor na Universidade de Paris, de posse de todas as obras de Aristóteles, procura construir uma nova síntese filosófica sobre essa nova base. Porém, não consegue desligar-se dos elementos tradicionais que não estão de acordo com as novas doutrinas. Escreveu uma Summa Theologica, vasta enciclopédia científica, plano que depois foi bastante imitado posteriormente. Aperfeiçoa o método didático inaugurado por Abelardo, cujo esquema é o estudo das questões com argumentos a favor e contra, com soluções e resposta às objeções. Alexandre foi bastante considerado entre os filósofos do século XIII, entre eles Tomás. Mais tarde seu sistema ficou atrás de seus sucessores. Entre os franciscanos, São Boaventura e Scoto o ultrapassaram (FRANCA, 1969, p. 100).

Na relação entre filosofia e teologia, Alexandre se pergunta se a teologia é ciência. Ele contrapõe teologia, no caso a Sagrada Escritura, a todas as ciências humanas. A teologia não é ciência, mas sabedoria, por transcender todas as ciências. Seu objeto é Deus, que, portanto, está acima daquilo que trata as ciências humanas. A finalidade não é conhecer a verdade, mas mover para o amor e oferecer um conhecimento afetivo, chegar ao amor. O método, por sua vez, não se dá por definições divisões e raciocínios, mas por preceitos, alegorias, exemplos, discursos e metáforas. A teologia não é proveniente de uma investigação humana, mas da revelação divina. Trata-se de uma contraposição fundada na separação entre ciência da causa suprema (sabedoria) e a das causas segundas e das criaturas (ciência). O autor distingue entre teologia cristã e a teologia dos filósofos. Pode-se aceitar e utilizar a filosofia dos pagãos, mas reconhecendo sua insuficiência e inferioridades frente à doutrina dos Santos Padres (FRAILE, 1986, p. 168).

Com relação a Deus, o autor entende que nenhuma inteligência poderia ignorar a demonstração de Deus, por ser tão fácil. Para tanto, soma diversas provas. A de causalidade,

de São João Damasceno; a das verdades eternas de Santo Agostinho; a da contingência dos seres de Ricardo de São Vitor; a do conhecimento da alma de Hugo de São Vitor e Ricardo e a do argumento ontológico de Santo Anselmo. Por outro lado, é difícil quando se trata de penetrar no conhecimento da natureza divina. O mistério da Santíssima Trindade, por exemplo, somente pode ser conhecido pela revelação, uma vez que é inacessível à razão humana. No entanto, podemos conhecer alguma coisa da essência de Deus por analogia, partindo das criaturas, que são efeitos. Deus possui a perfeição por natureza e as criaturas por participação. São muitos os atributos de Deus: simplicidade, unidade, imutabilidade, infinitude, incompreensibilidade, imensidão, eternidade, verdade, poder e sabedoria. A essência divina é simples, identificando-se nela Deus e a divindade. As idéias exemplares de todas as coisas estão na mente divina e se identificam com a sua essência, sem que se diversifique sua unidade e altere a sua simplicidade. Nelas, Deus conhece em si mesmo a essência de todas as coisas. São os universais ante rem, enquanto que os universais in re são as formas que estão unidas à matéria (FRAILE, 1986, p. 168-169).

O autor assume a teoria aristotélica das quatro causas para explicar as relações entre Deus e o mundo. Deus é causa eficiente, formal e final da realidade. Causa eficiente porque o mundo depende da sua onipotência, causa formal porque contem as idéias exemplares das coisas e causa final por ser o bem supremo para o qual tudo tende, cada realidade a seu modo (ABBAGNANO, 1984, p. 206).

Sobre o hileformismo, a essência do ser criado se compõe do quod est e quo est, o que é e pelo qual é e também de matéria e forma. Trata-se de uma composição universal que está nas substâncias criadas, incluindo-se os anjos e as almas humanas. Há, portanto, uma matéria

espiritual, que não está sujeita ao movimento nem à contradição. Existe também a matéria corpórea, que se divide em celeste, a dos astros, sujeita ao movimento local, mas não à

corrupção e a terrestre, a dos corpos do mundo sublunar, que estão sujeitos ao movimento e à resistência. Trata-se da conhecida tese do hilemorfismo universal de Avicebron (FRAILE, 1986, p. 169-170).

Com relação à alma humana, Alexandre assume várias definições de outros autores. Trata-se de uma substância espiritual, criada por Deus e que vivifica o corpo. Ela não é simples, mas composta de matéria e forma espiritual. Sua união com o corpo é como forma do corpo, que é matéria. Segue também Agostinho, no sentido que ela é um motor ao móvel. Possui três potências: a vegetativa, a sensitiva e a intelectiva, que se distinguem entre si, bem como da essência da alma (FRAILE, 1986, p.170). Como forma do corpo e atividade, a alma é também passividade com capacidade de receber a ação de outros seres, o que constitui a sua

matéria. Os seres criados, além de sua composição de matéria e forma se compõem também de essência e existência, o que também se aplica à alma (ABBAGNANO, 1984, p. 206).

Quanto ao conhecimento, no caso intelectivo, existe o conhecimento aristotélico por abstração ou também chamado naturalismo e o do iluminismo agostiniano. O autor combina tais conceitos mais os avicenianos, semelhantes aos de Agostinho. Para o autor, existe uma gradação de objetos inteligíveis: o mundo corpóreo, os espíritos criados, as razões eternas, os primeiros princípios e, sobretudo, Deus. Para conhecer tais objetos fazem falta outras potências da alma. Esta possui um intelecto material que é uma capacidade receptiva e para colocá-la em ato é necessária uma ação de um intelecto agente ou de uma iluminação extrínseca. Sendo a alma composta de matéria e forma, o intelecto possível diz respeito à parte material e o agente à parte formal. Tal intelecto não está separado, mas unido à alma. Porém, sua função corresponde ao conhecimento dos seres sensíveis. Para conhecê-los basta a fantasia e o intelecto agente com o trabalho da abstração. Porém, acima disso há os espíritos criados e para conhecê-los é preciso outra faculdade, o intelecto, que corresponde à razão superior de Santo Agostinho. Há ainda outros objetos superiores, os primeiros princípios, as razões eternas e Deus. Para conhecer tudo isso, necessita-se de uma outra faculdade, a inteligência, que exige uma iluminação divina especial. Há assim, um desdobramento do intelecto agente até chegar à distinção deste, como faculdade própria do homem e o intelecto separado, ou a fonte primária de toda inteligibilidade que é Deus (FRAILE, 1986, p.170-171).