VI. Other Coping Strategies
10. Bibliography
O comportamento da potência aeróbia em valores absolutos é apresentado na Figura 8. O V&O2pico apresentou-se crescente com o passar dos anos para ambos os sexos. Os maiores ganhos médios foram observados entre os rapazes a partir dos 12 até os 16 anos, enquanto que entre as moças o mesmo comportamento ocorreu entre as idades de 10 e 13 anos; após esse período, os valores médios da potência aeróbia elevaram-se mais discretamente. Os rapazes apresentaram valores médios 18% mais elevados que o das moças considerando todos os grupos etários, contudo as diferenças estatisticamente significantes ocorreram a partir dos 14 anos.
No presente estudo, dos 10 aos 16 anos, os ganhos médios na potência aeróbia mais que duplicou entre os rapazes (107%), enquanto para as moças, foi de 66%. A diferença entre os sexos foi de aproximadamente 10% dos 10 aos 13 anos, mas elevou-se em 18% (de 10 para 30%) dos 14 aos 16 anos. Esses resultados estão diretamente associados àqueles observados para a ventilação pulmonar, no mesmo período etário, para ambos os sexos. Nesse caso, o coeficiente de correlação entre o V&O2pico e a VE, independentemente do sexo, foi de 0,91 (p<0,001); sendo ainda mais elevada para os rapazes (r = 0,96, p<0,001) em relação às moças (r = 0,87, p<0,001).
3,46 3,18 2,82 2,44 2,05 1,91 1,67 1,57 1,69 1,89 2,20 2,20 2,48 2,61 1,00 1,35 1,70 2,05 2,40 2,75 3,10 3,45 3,80 4,15 10 11 12 13 14 15 16 Idade (anos) VO 2 (L. m in -1 ) Mas Fem * * * *p<0,05
FIGURA 11 – Curvas de distância VO2 (L·min-1) de crianças e adolescentes de ambos os sexos.
Em um estudo envolvendo crianças européias, de 12 a 17 anos de idade (102 rapazes e 131 moças), KEMPER e VERSCHUUR (1987) acompanharam por quatro anos os resultados da potência aeróbia absoluta e relativa, considerando as variações da idade cronológica e esquelética. O teste foi semelhante ao do presente estudo, realizado em esteira com velocidade fixa de 8 km·h-1, com incrementos na inclinação da esteira a cada 2 minutos, até a exaustão. Os resultados da potência aeróbia em relação à idade cronológica, entre os rapazes, apresentaram um aumento com o passar dos anos, com ganhos médios de aproximadamente 58% (de 2,41 a 3,81 L·min-1), enquanto que entre as moças, os ganhos foram menos acentuados no mesmo período, em torno de 17% (de 2,31 a 2,71 L·min-1). Embora o período etário tenha sido um pouco diferente do período contemplado pelo presente estudo, e ainda que os valores médios tenham sido mais elevados, no geral, os ganhos médios demonstraram um comportamento semelhante nos dois grupos amostrais, pois na presente amostra, os ganhos no mesmo período foram de 68% e 38%, para rapazes e moças respectivamente.
Em um estudo longitudinal de cinco anos, envolvendo rapazes e moças pré- púberes (dos 9 aos 13 anos), ROWLAND, VANDERBURGH e CUNNINGHM (1997) observaram que a partir dos 10 anos os rapazes apresentaram resultados médios
estatisticamente mais elevados que os das moças. Quando foram analisados os ganhos dos 10 aos 13 anos, um aumento de 40% foi verificado entre eles, sendo de 31% para elas no mesmo período, enquanto que no presente estudo esses resultados foram de 46% e 40%, para rapazes e moças, respectivamente. Aos 10 anos, as diferenças entre os sexos não superavam 21%, diferença mais elevada aos 10 anos que no presente estudo (6%), enquanto que aos 13 anos já ultrapassavam 29% e, no presente estudo, não chegavam aos 11%. Esses resultados são distintos do presente estudo nas comparações interssexos, pois, neste estudo, as diferenças entre os sexos apareceram somente aos 14 anos, entretanto, os ganhos intrassexos podem ser considerados semelhantes em ambos os estudos. Isto se deveu provavelmente à enorme diferença de amostra (apenas 11 rapazes e 9 moças) do estudo em tela, não correspondendo a outros resultados na literatura.
No estudo transversal de ARMSTRONG et al. (1991), com rapazes e moças inglesas de 12 a 15 anos, o V&O2pico mensurado no teste de esteira demonstrou resultados semelhantes aos do presente estudo. Os autores observaram que, com o passar dos anos para ambos os sexos, os ganhos foram mais acentuados entre os rapazes (60%) do que para as moças (19%). As diferenças médias entre os sexos ficaram na ordem de 22%, em favor dos rapazes, e foram estatisticamente mais elevadas a partir dos 13 anos. Embora as médias no
2
O
V& absoluto do presente estudo sejam ligeiramente mais elevadas, o comportamento obtido em ambos os sexos foi semelhante, pois no mesmo período etário os ganhos médios entre os rapazes foram de 55% e entre as moças foram de 31%.
JANZ, BURNS, WITT e MAHONEY (1998) avaliaram diretamente a potência aeróbia máxima de 53 rapazes (8 - 12 anos) e 57 moças (7 - 11 anos) por cinco anos. Considerando os valores do V&O2 absolutos, os rapazes apresentaram médias mais elevadas em relação às das moças, em todos os anos. Para eles os valores médios do V&O2pico absoluto
(L·min-1) aumentaram todos os anos, porém os relativos (mL·kg-1·min-1) aumentaram significativamente até o terceiro ano de estudo (8-10 anos), quando continuou aumentando, mas discretamente, até o quinto ano (11-12 anos). Os resultados para as moças demonstraram que os aumentos também ocorreram nos valores absolutos, contudo, apenas até o quarto ano de estudo (7-10 anos), enquanto que nos valores relativos os resultados apresentaram uma diminuição a cada ano de estudo.
Em outro estudo longitudinal, McMURRAY, HARRELL, BRADLEY, DENG e BANGDIWALA (2002) avaliaram a potência aeróbia indiretamente através de um teste escalonado em cicloergômetro (PWC 195) de 1279 moças e 1261 rapazes de 8 a 16 anos. Mesmo que o protocolo de estudo não se assemelhe aos diferentes estudos apresentados até o momento, sua relevância é devida ao grande número de indivíduos participantes e da faixa etária incluir a da presente amostra. Os resultados demonstraram que a potência aeróbia absoluta (L·min-1) aumentou em ambos os sexos e grupos étnicos, sendo mais elevado entre os rapazes do que entre as moças, em qualquer idade. Entretanto, dos 10 aos 16 anos, os rapazes apresentaram um aumento médio de 81%, enquanto que nas moças, o aumento foi de 28%. No caso das moças, o aumento na potência aeróbia ocorreu apenas até os 14 anos (por volta de 32%), quando os valores médios estabilizaram-se em aproximadamente 1,90 L·min-1. Esses resultados apresentaram valores médios mais baixos dentre os diferentes estudos, provavelmente, devido ao tipo de ergômetro utilizado e pelos valores serem obtidos indiretamente, entretanto, ao analisarmos o comportamento geral para ambos os sexos, os resultados apontam para um comportamento semelhante, em todos eles.
MALINA, BEUNEN, LEFREVRE e WOYNAROWSKA (1997) procuraram estabelecer a influência da maturação dos resultados da potência aeróbia de crianças e adolescentes poloneses, de ambos os sexos, mediante um estudo longitudinal-misto por quatro anos (11-15 anos). Os períodos foram estabelecidos considerando o pico de velocidade de crescimento em maturação precoce, média e tardia para rapazes; para a idade da menarca em precoce, média e tardia para as moças. Os resultados demonstraram que nos diferentes períodos maturacionais o V&O2 absoluto aumentou com o passar dos anos para, ambos os
sexos, sendo mais acentuado entre os rapazes, enquanto que nos valores relativos, houve, uma queda em ambos os sexos, mais acentuadamente entre as moças.
Com relação aos períodos maturacionais, os rapazes com desenvolvimento precoce apresentaram valores médios de V&O2pico absoluto mais elevados que os demais, enquanto que entre para os valores relativos ocorreu o inverso, ou seja, as médias mais baixas foram determinadas para o grupo com maturação mais avançado (precoce) ao longo dos anos. Para as moças, os resultados foram semelhantes, com médias mais elevadas para os valores absolutos e mais baixas para os relativos à massa corporal. Estes grupos com maturação precoce apresentaram médias mais elevadas em estatura e massa corporal que os demais
grupos. Estes grupos apresentaram resultados opostos aos grupos precoces, com valores mais baixos para os rapazes e mais elevados para as moças. Os resultados sugerem que não ocorreu um efeito importante da maturação nos dados longitudinais do presente estudo, devido ao fato de não ter havido diferenças entre os diversos grupos maturacionais ao longo dos anos, maiores que os efeitos observados na idade cronológica. Vale ressaltar que no estudo em questão, os indicadores maturacionais entre os sexos foram distintos, idade no PVC e da menarca, para rapazes e moças respectivamente, podendo ser diferente quando uma mesma estratégia fosse adotada para determinar maturação em ambos os grupos.