1- INTRODUCCIÓ
1.1. Descripció i justificació del tema elegit
As reflexões que pretendemos aqui apresentar sobre os NC referem-se a como essa subclasse pode ser definida e caracterizada no português brasileiro. Todavia, conforme já referimos, não temos em português uma bibliografia que trate da questão, ao encontro de nossos propósitos nessa pesquisa. Nesta medida, recorremos também a reflexões sobre os coletivos em outras línguas, a fim de projetarmos um conceito de coletivo mais amplo do que o recorrente nos estudos gramaticais brasileiros.
Nesse sentido, consideramos que alguns apontamentos apresentados por Bosque, no capítulo El nombre común, da Gramática Descriptiva de la Lengua Española, são pertinentes às nossas reflexões, pois, apesar de o autor analisar os NC na perspectiva de outra língua, a descrição dos nomes apresentada atém-se a questões de fundamental relevância à nossa pesquisa, como a quantificação na língua; o traço léxico de pluralidade; a caracterização dos NC considerando o aspecto morfossintático dessa subclasse.
Bosque analisa os substantivos coletivos considerando essa subclasse como sendo marcada pelo traço de pluralidade que a distingue dos substantivos plurais e individuais, além de permitir aos coletivos um comportamento sintático singular em relação às outras subclasses dos nomes. O autor apresenta uma série de considerações sobre o comportamento sintático dos coletivos. Ele observa que a gramática do espanhol, assim como podemos apontar para a portuguesa, não permite que adjetivos qualificativos distribuam a propriedade que se referem entre os componentes do conjunto designado por um nome coletivo. Se a propriedade qualificativa fosse distribuída entre os elementos do conjunto, deveríamos considerar que um exército
muito grande significa um exército de gigantes (p.36), e que uma matilha muito pequena significa uma matilha de cães pequeninos.
Segundo Bosque, os adjetivos simétricos (igual, sinônimo, vizinho, diferente, incompatível etc.) predicam-se de nomes plurais e a propriedade denotada pelo adjetivo não afeta independentemente cada membro da classe nomeada: se afirmamos que duas
orações são extensas, estamos predicando sobre o tamanho de cada uma, mas se afirmamos que duas orações são sinônimas não estamos dizendo que cada uma possui a propriedade de ser sinônima, mas sim que uma é sinônima em relação à outra (p.36). A reciprocidade é a fundamental característica dos adjetivos e substantivos simétricos, o que aponta a necessidade que esses nomes têm de predicar sobre nomes plurais, pois é necessário que haja mais de um elemento envolvido para que haja a reciprocidade.
Porém, os coletivos, apesar de possuírem o traço de pluralidade, não são aceitos como argumentos dos adjetivos simétricos, pois os nomes coletivos denotam conjunto de elementos que não podem ser predicados isoladamente. Nesta medida, frases como *
“A família era parecida” (p.36); * “A frota era incompatível” são agramaticais assim
como a frase * “O cachorro era igual”, pois os argumentos selecionados para os adjetivos simétricos não preenchem a necessidade de pluralização distributiva imposta por esses adjetivos.
Bosque apresenta um breve comentário sobre o comportamento sintático dos coletivos frente a preposições, verbos, adjetivos e advérbios. Segundo o autor, a preposição entre relaciona-se com complementos formados por substantivos plurais e sintagmas nominais coordenados, conforme os exemplos a seguir:
a. Entre as flores. / Entre os livros.
b. Entre a espada e a parede / Entre João e Pedro. (p.39)
Apesar de a preposição entre necessitar de complementos plurais ou sintagmas coordenados, essa preposição pode aparecer com certos substantivos em singular que não cumprem nenhuma das condições mencionadas, como demonstram os exemplos a seguir:
a. Entre o exército, entre o público, entre a comitiva, entre a multidão, entre a orquestra, entre o eleitorado, entre o séqüito etc. (p.39)
Os complementos acima são constituídos por coletivos que se referem a pessoas, segundo Bosque, o que aponta que esses coletivos preenchem a necessidade de complementos plurais imposta pela preposição entre. O fato de a preposição em questão também relacionar-se com nomes coletivos permite que interpretemos certas unidades léxicas compostas como substantivos coletivos, já que essas unidades relacionam-se com a preposição entre com naturalidade: <entre a opinião pública>, <entre a terceira idade>, de acordo com a perspectiva assumida por Bosque em relação aos NC.
O autor em questão pontua que verbos como reunir, juntar, somar etc., geralmente, necessitam de complementos no plural ou coordenados e, em certas situações, eles impõem que seus sujeitos sejam marcados flexionalmente pelo morfema de plural. Frases do tipo a seguir são perfeitamente aceitas: "O aluno reuniu os colegas"; "O governo juntou as provas", mas não serão aceitas se forem construídas da seguinte forma: * “O aluno reuniu o colega" (sem coordenar o sujeito com o complemento do verbo - O aluno reuniu o colega com...); e * “O governo juntou a prova" (sem que o elemento prova esteja fragmentado ou sem coordenar o sujeito com o complemento do verbo - “O governo juntou a prova à...”).
É possível notar que os dois complementos verbais estão no plural, pois tanto o verbo reunir quanto juntar denotam uma predicação a mais de um elemento, ou partes de um mesmo elemento. Essa característica desses verbos impõe que seus complementos estejam no plural ou indiquem uma pluralidade, necessária, também ao sujeito oracional quando o verbo inçar ação reflexiva: "Os alunos se reuniram" e não * “O aluno se reuniu" (sem coordenar o sujeito com o complemento do verbo - O aluno se reuniu com...). Os substantivos coletivos, como apresentam um traço de pluralidade lexical preenchem a necessidade de pluralidade imposta pelos verbos analisados, e podem ocupar o lugar gramatical destinado a substantivos plurais: "A plêiade se reuniu"; "A tropa se juntou".
De acordo com Bosque, locuções adverbiais como por unanimidade impõem requisitos numéricos às entidades a que elas predicam. Locuções desse tipo exigem que os elementos que elas predicam estejam no plural: <Os diretores concordaram com a decisão por unanimidade>, < Os senadores aprovaram a lei por unanimidade>. Os
substantivos coletivos, por possuírem um traço de pluralidade, podem perfeitamente relacionar-se com esse tipo de locução adverbial, conforme é apresentado nos exemplos subseqüentes, pois esses nomes preenchem a imposição numérica característica da locução adverbial apresentada.
a. A multidão rechaçou a proposta por unanimidade. b. A decisão foi tomada pela assembléia por unanimidade.
O adjetivo numeroso, conforme postula o autor, rechaça substantivos singulares individuais. Construções do tipo: *<uma parede numerosa (p.45), um relógio numeroso> são consideradas agramaticais. Porém, de acordo com Bosque, esse adjetivo pode se relacionar perfeitamente como substantivos coletivos, o que novamente aponta que o traço de pluralidade desses nomes os distinguem dos substantivos singulares individuais.
a. séqüito numeroso; frota numerosa etc.
Na seção 2.7. apresentaremos nossas reflexões a respeito da perspectiva assumida por Bosque na caracterização dos NC, e apontaremos em que medida as discussões do autor são pertinentes a nossa perspectiva de análise dos coletivos no português.
2.6. Considerações sobre os nomes coletivos, pautadas no tratamento dado a essa