Depois de feita a pesquisa documental, as leituras exploratórias e revisão literária cuja perspectiva teórica se situa predominantemente no campo das ciências sociais com enfoque na Sociologia da Infância, demos início à preparação da pesquisa empírica, nomeadamente a escolha dos sujeitos alvo, como já foi referido, e a organização dos instrumentos de recolha.
Foram realizados os primeiros contactos para formalizar a participação voluntária das crianças, junto dos pais e crianças.
Depois dos aspectos logísticos tratados e das sessões estruturadas, demos começo às mesmas, seguindo um guião ou roteiro flexível e de acordo com os
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interesses e motivação das crianças envolvidas. Na primeira sessão, propusemos às crianças o preenchimento de uma ficha de identificação/caracterização que nos permitiria recolher algumas informações importantes e levaria a criança a embrenhar-se, gradativamente, na vertente séria e preciosa da sua participação.
O recurso ao gravador, de utilidade imprescindível, foi explicado às crianças. Numa situação de debates, em que vários elementos intervêm, é necessária a sua utilização para que nada se perca, pois dificilmente a investigadora e sua auxiliar conseguiriam anotar tudo o que poderia ser dito. A riqueza desses dados não dispensa a utilização do gravador que, terá assim, e apenas essa função. Depois de desmistificada e minimizada a presença do gravador, as crianças passariam a relativizá-la, sabendo contudo, a proficuidade das suas “falas”.
No final de cada sessão haveria lugar a uma troca de impressões sobre o desenrolar da mesma e no início da seguinte, até porque alguns elementos poderiam ter faltado, fazíamos uma sumarização da sessão anterior. Desta forma também “ não se perdia o fio à meada”, pelo contrário era possível continuar a desfiá-la, serenamente. Seriam ainda produzidos registos, dos quais era possível vir a retirar informação, pela sua riqueza e valor figurativo, como representação pictórica das suas concepções/imagens acerca dos temas tratados. Estes foram incluídos em Anexos.
De seguida, foram elaborados os guiões de entrevista a pais e alguns professores, bem como a autorização das respectivas escolas para a disponibilização dos docentes aquando da recolha de informação. Estes guiões foram preparados de forma intuitiva e de encontro aos objectivos que havíamos elencados e aos dados que pretendíamos recolher, não tendo encontrado outros que servissem de modelo. Depois de testados com uma mãe e uma Professora, sem vínculo ao estudo, foram reformulados e aplicados com as pessoas seleccionadas e convidadas a participar.
Neste aspecto, temos a referir não ter obtido qualquer entrave à realização das entrevistas, apenas e tão-somente a falta de tempo que alguns alegaram, fazendo atrasar a recolha de dados. No entanto, esta indisponibilidade notou –
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se mais nas entrevistas realizadas aos pais que, por vários motivos e sempre de ordem pessoal, faziam por protelar a entrevista. A nosso ver este comportamento teria que ver directamente com a temática a ser abordada nas entrevistas; a morte de um familiar próximo que não aparentava ser do agrado deles. Referimos, ainda o facto de apenas termos entrevistado mães e professoras, talvez por terem sido as primeiras a ser contactadas. Contudo, não foi vedada a hipótese de entrevistar pais ou professores, estes não se disponibilizaram para tal. Também e talvez por isso, a falta de tempo supramencionada pelas entrevistadas e a causa de alguns atrasos na recolha destas informações, tenha que ver com o facto de, as referidas entrevistadas, serem do sexo feminino, mais sobrecarregadas com trabalho doméstico e profissional, supomos nós sem preconceitos culturais ou de outra ordem.
As entrevistas semidirectas, ainda que estruturadas segundo um guião, pressuponham à partida uma conversa formal com o objectivo de extrair informação e deveriam decorrer da forma mais natural e aberta possível, pelo que foi respeitada a disponibilidade e vontade dos entrevistados, na perspectiva de Quivy & Campenhoudt.7
O tratamento dos dados implicou, inicialmente, a transcrição exacta das conversas gravadas nas sessões do Grupo de Enfoque e ainda as entrevistas semiestruturadas.
Posteriormente e depois de feitas as transcrições, procedeu-se à análise de conteúdo em função dos objectivos traçados para este estudo. Seguidamente, foi elaborada uma grelha síntese descritiva, dividida em sete dimensões de análise – Vida, Morte, Rituais, Luto, Família, Amigos e Sentimentos/Emoções – tratadas segundo as categorias emergentes.
Relativamente às entrevistas foi nossa convicção a conveniência em acarear na mesma grelha, as concepções das crianças e dos adultos face às questões trabalhadas, porquanto estas também espelham a ideia que cada um deles tem do outro, ampliando a possibilidade duma recolha e confrontação de concepções de duas gerações diferentes, face à mesma questão.
7
Segundo estes autores a entrevista semidirecta é utilizada na investigação social, não como um processo inteiramente aberto, nem muito encaminhado por perguntas, tomando a forma de
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Esta grelha foi construída com o objectivo de aumentar a compreensão dos resultados obtidos, tornando possível uma análise sociológica da informação, permitindo a apresentação sintética e significante do conteúdo das sessões, das entrevistas e trabalhos, através da selecção de todas as expressões e citações dos actores/crianças/adultos consideradas relevantes, significativas e pertinentes, do ponto de vista das questões orientadoras da investigação e de refutação às mesmas e será apresentada em Anexos (em formato digital).
Quanto às sessões do Grupo de Enfoque pretendíamos que elas se concretizassem semanalmente, num total de dez a doze sessões, mas não nos foi possível. O adiamento de algumas sessões, por motivos de ordem particular afectos às crianças e seus familiares e a temática em si, fizeram por um lado arrastá-las no tempo e por outro lado evidenciar um certo cansaço, das crianças, em virtude do tema parecer estar esgotado e a tornar-se repetitivo. Daí que decidimos dar por concluídas as sessões, na oitava, antevendo o desinteresse das crianças, fonte de dados e informação para o nosso estudo. Para a realização das sessões foi elaborada uma programação com carácter flexível. A estruturação, Roteiro ou Guião, seguinte define – a;
Quadro 1 - 1ª SESSÃO
DIA ACTIVIDADE ESTRATÉGIAS/RECURSOS INTERVENIENTES
HORA 21-02-2009 10h-11.30h Apresentação de todos os presentes. Conversa sobre a finalidade do estudo. Vídeo-“Agenda para 2009” com imagens de animais Que sentimentos ou emoções estão evidenciados? Relatar um acontecimento que tenha sido agradável ou desagradável na vossa vida! Gravar os relatos. Conversa sobre sentimentos/emoções.
Escolher imagens e definir os Sentimentos ou Emoções expressos nelas. Regista-lo em pictograma ou em texto. A investigadora A anotadora As crianças
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Quadro 2 - 2ª SESSÃO
DIA ACTIVIDADE ESTRATÉGIAS/RECURSOS INTERVENIENTES
HORA 28-02- 009 10h-11.30h Conversa sobre a actividade anterior e efeitos que ela produziu posteriormente.
Conto de uma história:
“O bebé que não gostava de televisão” Caracterizar a Família…
Gravar os relatos.
Conversa sobre vários temas.
Falar sobre a atitude do menino. Vocês costumam ter esse poderpara tomar decisões?
Propostas de atitudes ou ideiasdas crianças para mudar os comportamentos dos adultos.
A investigadora A anotadora As crianças
Quadro 3 - 3ª SESSÃO
DIA ACTIVIDADE ESTRATÉGIAS/RECURSOS INTERVENIENTES
HORA 07-03-2009 10h-11.30h Conversa sobre a actividade anterior e efeitos que ela produziu posteriormente. Curta- metragem;“Pela paz no mundo inteiro”. Gravar os relatos.
Conversa sobre as situações evidenciadas; guerra, fome, miséria, pobreza, infelicidade, morte… Outros contextos, “outras Infâncias”…
A investigadora A anotadora As crianças
Quadro 4 - 4ª SESSÃO
DIA ACTIVIDADE ESTRATÉGIAS/RECURSOS INTERVENIENTES
HORA 14-03-2009 10h-11.30h Conversa sobre a actividade anterior e efeitos que ela produziu posteriormente “O Beijo da Palavrinha”, de Mia Couto, na Centésima Página Gravar os relatos.
A interpretação desta história será realizada na próxima sessão.
Referir atitudes, procedimentos, Rituais visíveis ou não…
A investigadora A anotadora As crianças
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Quadro 5 - 5ª SESSÃO
DIA ACTIVIDADE ESTRATÉGIAS/RECURSOS INTERVENIENTES
HORA 21-03-2009 10h-11.30h Conversa sobre a actividade anterior e efeitos que ela produziu posteriormente. Curta- metragem”;“ Vê se adivinhas. Faz algo” História: “A casada Maria” Caracterizar a Vida. Gravar os relatos.
Comparação entre o vídeo e a história (vida e morte, natural ou provocado).
Diálogo sobre Perdas de animais/pessoas queridas, rituais fúnebres.
A investigadora A anotadora As crianças
Quadro 6 - 6ª SESSÃO
DIA ACTIVIDADE ESTRATÉGIAS/RECURSOS INTERVENIENTES
HORA 04-04- 2009 10h-11.30h Conversa sobre a actividade anterior e efeitos que ela produziu posteriormente.
História “O Beijo da Palavrinha” de Mia Couto.
Gravar os relatos.
Conversa sobre a história.
Descrever a Morte; sinais de morte e rituais posteriores.
A investigadora A anotadora As crianças
Quadro 7 - 7ª SESSÃO
DIA ACTIVIDADE ESTRATÉGIAS/RECURSOS INTERVENIENTES HORA 18-04-2009 10h-11.30h Conversa sobre a actividade anterior e efeitos que ela produziu posteriormente. História; “Todos nós nos sentimos…tristes” “A história do Óscar” e “A história da Ana” Gravar os relatos.
Conversa sobre a tristeza e causas.
A importância dos Amigos e outras Ajudas…
Qual foi a ultima vez que te sentiste triste?”
O que é saudade?
A investigadora A anotadora As crianças
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Quadro 8 - 8ª SESSÃO
DIA ACTIVIDADE ESTRATÉGIAS/RECURSOS INTERVENIENTES
HORA 10-05-2009 10h-11.30h Conversa sobre a actividade anterior e efeitos que ela produziu posteriormente Teatro Timbra; “O Pai” “ Onde está a avó?” Gravar os relatos.
Conversa sobre estas duas histórias;
O menino que não tem pai… A avó que faleceu…
A investigadora A anotadora As crianças
9ª SESSÃO – Sessão/convívio
Nesta última sessão as crianças foram levadas a um restaurante, da sua preferência, a almoçar e em seguida ao cinema, excepto uma que faltou por compromissos pessoais inadiáveis. Foi-lhes ainda prometido pela investigadora, a entrega de um diploma pela participação neste estudo e assinado pelos Orientadores da Tese, como forma de agradecimento e valorização, bem como um incentivo a futuras participações, em estudos relevantes sobre as crianças nos quais elas queiram e possam cooperar de livre vontade, sabendo do seu valor e proficuidade para os mesmos.