FIGUR 2. NETTO FINANSFORMUE ETTER ALDER
Avsnitt 3 går nærmere inn på hva slags effekter dereguleringen av boligmarkedet kan ha hatt for atferden til de berØrte markedsdeltakerne. Jeg argumenterer for at opphevelsen av
2. Dereguleringen av boligmarkedet: Utforming og omfang
O estudo da metáfora nos leva pelo verbo poético ao sentido transitório da linguagem poética. Nesse ponto devemos voltar à epifora, alma da metáfora, para finalizar este capítulo
É preciso entender essa alma como a contraposição de dois termos que se estranham e alcançam um patamar transcendente. Mas nesse caminho é necessário passar pela desafora, base, situação, obstáculo a ser removido. A remoção do obstáculo que aflora como uma nova significação é a primeira tarefa da epífora. Ela, entretanto, apresenta-se fugidia, misteriosa porque é mágico o seu desfecho, até absurdo, no final de uma explanação teórica. Por esse motivo, ocorre abrir um espaço para observá-la.
a- No discurso direto e na linguagem própria, segundo Ricoeur o choque semântico entre termos (colisão), não explica a metáfora, mostra dela apenas a estrutura material, que precisa passar pela desafora. O material da epifora liga-se ao potencial criativo do poema e depende da intuição, responsável pela percepção do ícone, ou da imagem. A explosão criativa, produto claramente atribuído ao imaginário realiza o objetivo da metáfora, mostra sua essência por meio da epifora. No processo de formação da metáfora, a epifora revela a sua gênese, que é o movimento. Essa concepção já vem de Aristóteles ao fundamentar a metáfora como ligada ao nome, submetida à análise da palavra.
b- A epífora, em Aristóteles, baseia-se na transposição que envolve informação e perplexidade149, devido à profunda mudança, em toda a extensão de significados.
148 Cf. Paul RICOEUR, A Metáfora Viva, p. 301. 149 Cf. Paul RICOEUR, A Metáfora Viva, p. 30.
A metáfora liga-se à lexis por intermédio do nome, da frase ou do verbo, e tem os seguintes traços:
1- É uma coisa que acontece ao nome e não ao discurso. Ela está entre as figuras de palavras.
2- Ela é definida em termos de movimento - epífora – ou deslocamento de /para. A visão de epífora de Paul Ricoeur, com a característica de perplexidade e mudança, é algo geral entre os tropos, e, mais ainda, não é apenas ornamento, mas produz conhecimento, informação. Ela não só informa, mas instiga a imaginação sediada pela diáfora150·
Textualmente Ricoeur apresenta a epífora como misteriosa, cujo mistério deva estar na natureza icônica ou imaginaria da passagem intuitiva151. Nesse momento ela acolhe o fenômeno, a realidade e desvia para o sentido figurado. Acolhe o fenômeno no fundo da psique, e o desvia quando leva a semântica do verbo poético a significar algo que transcende o sentido literal.
Estes últimos movimentos mostram o ponto que Ricoeur explana pelo aspecto da predicação. Esta predicação tem algo de divino152, que se aproxima do absoluto, do ontológico, embora permaneça imerso na matéria. A definição epifórica explicita um caráter quase metafísico da metáfora, o lugar do contato homem-mundo na linguagem, a epifora aprofunda o entendimento da intersecção da postura imanente com a transcendência que a analogia nos oferece.
A epífora toma vulto no pensamento poético e alimenta o conhecimento. Ela nos abriga no filosofe e penetra no reduto do conceito. Penetrando no entendimento, ela amplia o círculo da rotatória metafórica e desemboca na via da compreensão - uma via elevada, de trânsito tão rápido quanto eficiente – porque alcança a elevação do ser. Eis aí a epífora, em toda a sua extensão.
Mas é sempre um encontro fugidio porque escapa dos modelos metafísicos, mas acolhe o ontológico, o ser como sua base e fundamentação. A epífora esta contida na versatilidade do elo entre o imaginário, o ser e o conhecer. Como o metal, cuja forma permite união de módulos iguais em algum aspecto, a epífora no seu
150 Cf. Ibid., p. 25.
151 Cf. Ibid., p. 328. 152 Cf. Ibid., p.431.
isolamento inicial projeta os termos da metaforização, elidindo provisoriamente os dois termos, para em seguida criar a unidade do movimento figurativo.
O elo da epífora é um movimento continuo na lexis, abrindo-se para receber o próximo elo, até que o texto se feche. Os elos que formam a corrente significativa contribuem para a instauração de um processo epifórico seqüencial, até chegar ao epilogo da enunciação. É um processo leve e profundo porque é volátil e leva o discurso da imanência do significado primordial, literário para a transcendência do tropos.
Esse é o processo da epífora: ela alimenta a metáfora em qualquer circunstância, a viva, a morta, a rejuvenescida. Porque ao mesmo tempo em que fornece o conceito, engaja-se à maquinação da fábula que o imaginário quer contar
O estudo da metáfora que percorremos revela um canhão de luz, pronto para atuar, o da epífora, a alma da metáfora. Alma porque, pelos cânones cristãos clássicos, alma é o que permanece infinitamente. A epífora é o eterno imaginário do ser humano.
O material da epífora liga-se ao potencial criativo do poema ou da prosa figurada e depende da intuição, responsável pela percepção do ícone, ou da imagem. A explosão criativa, produto claramente atribuído ao imaginário, realiza o objetivo da metáfora, mostra sua essência por meio da epífora.
Os estudos contemporâneos sobre o imaginário iniciaram-se com Gaston Bachelard153. A fenomenologia do imaginário, de certa forma, admite uma origem
psíquica para a linguagem poética. É uma hipótese plausível. Se a espécie humana se distingue pela linguagem, e a linguagem inclui o ícone, que se reflete na imagem, o imaginário penetra no ser e no pensar.
O lado alternativo à Lingüística para explicar a poética e o homem é a psicologia, que também explica o imaginário. Um dos seus produtos, para Ricoeur, é o verbo poético 154, a palavra e todas as circunstâncias simbólicas de seleção e de combinação, consubstanciadas pelo elã humano. A epífora sob ação de artista não apenas sonha como quer Bachelard·, mas também voa como os pássaros, e até
153 Cf. Gaston BACHELAR, La poetique de l’ espace. 154 Cf. Paul RICOEUR, A Metáfora Viva, p. 329.
parafraseia a linguagem, com o seu referente, como focalizaremos no terceiro capítulo deste trabalho, com fulcro na prosa de João Guimarães Rosa.
Conclusão
A entrada de Paul Ricoeur neste trabalho com a sua Metáfora Viva fica justificada em si mesma e pela aproximação entre Aristóteles, Lingüística e a Psicologia. O tempo nada mais é do que uma esteira, na qual se agregam os acréscimos culturais em sua sucessão infinita. Essa infinitude é paralela à compreensão infinita. Eis o palco da vida.
Em tal esteira, e por meio do seu canal aporético, a linguagem,155 as fundamentações fluem do clássico ao contemporâneo. Neste trâmite, ciência e noção clássica se entrelaçam. É essencial que sintetizemos os passos que focalizamos nessa obra monumental como A metáfora viva, de Paul Ricoeur 156. A princípio, Ricoeur adota a teoria de Jakobson,157 pela qual ele entende que metáfora e metonímia não constituem mais apenas aspectos figurativos da linguagem, para interagem a base da estruturação na linguagem. Por este fundamento de Jakobson, Ricoeur afirmou que substituição e semelhança no enunciado formam um par capaz de convalidar a gênese do texto de significar e transmitir mensagens.
Esse marco inicial correlacionado a diversos outros aspectos binários - vários outros pares - faz com que a metáfora venha a construir aquilo que Paul Ricoeur chama de metáfora viva Para fundamentar seu tratado acerca da metáfora, Ricoeur vale-se das contribuições de autores das mais diversas linhas em Semântica, em Psicologia partindo já de um substrato da Lingüística que abrange Ferdinand Saussure e Roman Jakobson.
Nessa plataforma inicial, ele procura apoio em Michel Le Gern158. Nossa
busca tentou colocar balizas, marcos, na intrincada teoria para, em primeiro lugar entender a concepção de Le Gern à leitura de Jakobson quando este opera sobre a
155 Cf. Ibid., p. 276. A citação acima tem apoio reclamado por RICOEUR, de Pierre FONTANIER, Les
figures de discours, p. 41: “O sentido de um signo é outro signo pelo qual pode ser traduzido. Em todos os casos, substituímos signos por signos”.
156 Cf. Paul RICOEUR, A Metáfora Viva, p. 276.
157 Cf. Roman JAKOBSON, Deux aspects du language et deux tipes d’aphasie.
158 Cf. Michel LE GERN, Sémantique de la metaphore e de la metonymie. Paul RICOEUR discute
pontualmente essa obra em A metáfora viva; nos presentemente usamos o ponto de apoio de LE GERN ao conceito ricoeuriano.
teoria semântica de Greimas 159. Entendido esse ponto, atingimos a noção de
imagem, por Le Gern.
Em um segundo momento, precisamos reconhecer a importância dos estudos de Paul Henle,160 adotado por Ricoeur. Henle traz ao cenário da interpretação o
valor do contexto, uma visão não - lexical que ele readapta de Aristóteles quando conceitua e aprofunda a noção de ícone e permite uma ligação com a semelhança, tese principal desta discussão.
A quarta modalidade de metáfora em Poética orienta para o sentido de proporção analógica que é o fundamento do ícone, para Paul Henle, analisamos essa proposição discutida na tese ricoeuriana de adoção da semelhança, que vem a consistir na dupla realidade da relação semântica: a predicativa e a icônica.
Neste mesmo sentido, Ricouer opera com as idéias de Hester com referência ao ícone no âmbito da Psicolingüística. Ricoeur também acolhe Gaston Bachelar e sua fenomenologia do imaginário.
Ricouer apresenta uma trajetória de adoção e de exclusão de várias técnicas no intuito de firmar sua posição relativa à metáfora como expressão viva do imaginário e do pensamento. Ele efetiva uma análise metaexpressiva161que remete a um novo código lingüístico e caracteriza uma tentativa de apreensão do fluído dinâmico do discurso , penetrando nos meandros da filosofia da linguagem. Esse porte de investigação tem tudo a ver com o porte expressivo da obra de João Guimarães Rosa e aponta a um caminho rigoroso para ler metáforas e símbolos do mal na sua obra principal.
O aprofundamento no conceito de epífora mostra-nos que ela se agiganta. No âmbito da metáfora ela adquire função ampla, múltipla e progressiva rumo a uma unidade nova de expressão. Por isso ela é um sustentáculo hermenêutico dos textos modernos e pós-modernos.
159 Cf. A. L. GREIMAS, Sémantique struturale, Recherche du méthode.
160 Paul HENLE é um estudioso da linguagem e das formas de expressão. Atuando na área de
filosofia da linguagem elaborou um ensaio: Language,Thought and Culture ,do qual o artigo Methafor serve de fundamento ao icone no estudo da metáfora, ao qual Paul RICOEUR contrapõe a questão da semelhança. Tal ensaio foi publicado pela University of Michigan Press, 1957.
161 O termo metaexpressivo quer indicar o espaço de Ricouer em apresentar, em toda a sua
Sua recorrência na teoria literária em todos os seus níveis justifica nosso intuito de estudar a sua correspondência com a criação de João Guimarães Rosa, configurando-se no primeiro eixo do nosso trabalho, preparando o terreno para discutir o papel dos símbolos referentes ao mal, seguindo as pegadas do próprio Paul Ricouer.
Assim, a teoria monumental de Paul Ricoeur sustenta a teoria hemenêutica para interpretar outra obra também monumental, a de João Guimarães Rosa. Nisto se justifica o estudo da metáfora e da simbologia, que passaremos a considerar no próximo capitulo, analisando outras duas obras importantes de Paul Ricouer.
O referencial teórico deste capitulo mediará a analise da metáfora eixo de Grande sertão: veredas, quando interpretaremos o enfoque da palavra sertão. Criado a partir do referencial de espaço, expandem e universalizam-se, concentrando grande valor expressivo, por meio de noções metafísícas. Esta estruturação abre-se para metáforas referentes aos três personagens principais, intermediados pelo bem e pelo mal. Diadorim, em quem Riobaldo, o personagem onipresente, concentra suas ações e Hermógenes, preconizado como figura maléfica, por excelência. Esses estudos serão objeto dos capítulos terceiro e quarto.