Em níveis de iniciação, o número de alunos que não terminam os cursos é significativo. Em 2013, em turmas de iniciação num total de 18 alunos, apenas 11 concluíram o curso. Em 2014, iniciaram o curso de A1 19 alunos e apenas 11 o terminaram. No ano seguinte inscreveram-se 17 alunos e apenas 11 o concluíram. Em níveis mais avançados há menos alunos inscritos e por sua vez menos desistências. Em níveis como A2 e B1 grande parte dos alunos que se inscrevem terminam os seus cursos. O seguinte quadro é bem esclarecedor em relação ao número de alunos que iniciam e terminam o curso. Cursos de Língua e Cultura Portuguesa – Alliance Française Pretória
Ano Nível alunos inscritos Números de
Número de alunos que concluíram o curso Percentagem 2013 (A1) (B1) 18 5 11 2 61% 40% 2014 (A1) 19 11 58% (B1) 2 2 100% 2015 (A1) 17 11 65% (A2) 4 4 100% Tabela 1 – Número de alunos inscritos e número de alunos que concluíram os cursos 2. Discussão dos resultados Ao longo desta discussão tentaremos responder aos objetivos propostos com base nas questões inicialmente apresentadas. Face à origem desta investigação – saber de que modo poderemos combater o absentismo e aumentar o número de alunos a participarem e completarem os CLCP – optámos por obter informação real, diretamente a partir dos alunos que frequentaram os cursos nos últimos anos e de dados documentais disponibilizados pelas instituições. De acordo com a informação obtida nos inquéritos, a maioria dos alunos possui formação académica superior ao nível da licenciatura e do mestrado, é relativamente
jovem e considera-se confortável no uso das TIC. Praticamente todos acedem à Internet várias vezes ao dia e têm acesso móvel, a partir de casa, do trabalho e até mesmo da escola, permitindo que possam aceder a conteúdos online e participar em sessões de EaD através do computador ou de outra plataforma. Para a maior parte dos alunos com impedimentos de deslocação ou empresários e corpo diplomático que não conseguem acompanhar as aulas presencialmente, um curso em modalidade de b- learning parece adequar-se plenamente ao seu perfil, pois permite-lhes que possam acompanhar e complementar as aulas de um modo assíncrono e com uma gestão flexível do seu tempo pessoal e profissional.
Deste modo, os alunos podem aumentar os seus níveis de motivação e não perderem conteúdos trabalhados em sessões presenciais.
Podemos também considerar que a grande maioria dos alunos que nunca participou num curso de EaD afirma interesse em participar e considera ainda esta modalidade de ensino como muito importante na atualidade e na formação ao longo da vida. Uma vez que também se manifestaram disponíveis para participar, podemos afirmar que deste modo, e de acordo com o indicado no questionário, superam as desvantagens de deslocação ou de falta de tempo por questões profissionais e familiares.
Outro grande benefício apontado é a flexibilidade de realização das tarefas através das TIC. As novas ferramentas associadas à Web 2.0 possibilitam que a criação e partilha imediata de conteúdos (vídeo, som, chat, podcasts) possam auxiliar alunos e formandos na aprendizagem e aquisição de novas competências linguísticas.
A análise de documentos permite-nos perceber melhor alguns dados obtidos através dos inquéritos. Já aqui confirmámos que um curso de b-learning poderá ser perfeitamente integrado nos planos curriculares do Camões I.P. na África do Sul e possivelmente em qualquer outra estrutura da sua rede. Verificámos também o aumento na procura de cursos de PLE através da plataforma do Centro Virtual Camões, no qual houve um aumento significativo entre 2012 e 2015, resultando num aumento nas edições dos cursos e no número de alunos a aprender português.
Se cruzarmos a informação recolhida através dos relatórios finais dos professores e os inquéritos de satisfação ficamos a compreender melhor os motivos pelos quais os estudantes não concluem a sua formação. Na descrição dos relatórios
observámos que alguns dos alunos não têm momentos de avaliação suficientes e que não participaram nas aulas por motivos profissionais, sendo o absentismo o principal indício da não conclusão.
Avaliando os inquéritos de satisfação encontramos alguns comentários por parte dos alunos a sugerir uma componente online ou a criação de um laboratório de línguas que permitisse ajudar a complementar as aulas e apoiar os alunos com maiores dificuldades de participação em sessões presenciais. Este cruzamento de informação possibilita-nos perceber que há uma necessidade em dar resposta a este público e que a criação de uma oferta pedagógica diferente da que existe poderá resultar em sucessos de aprendizagem com números bem superiores.
No que respeita às percentagens de alunos que iniciaram e concluíram os cursos observamos que a maior percentagem de desistências se verifica nos níveis de iniciação, ou seja, é mais difícil garantir níveis de conclusão par quem começa de níveis iniciais. Neste caso, o percurso para atingir níveis de fluência é maior, resultando muitas vezes em desmotivação e desinteresse nas aulas.
Outros dados que nos chamaram à atenção foram os dados de Certificação do Centro de Avaliação de Português Língua Estrangeira21 (CAPLE) para a África do Sul. O
número de alunos a proceder para certificação oficial é muito baixo e muitas vezes não corresponde a alunos que frequentam os CLCP. Esta informação permite-nos compreender que a maioria dos alunos que frequentam os cursos nem sempre procuram uma certificação oficial, mas simplesmente aprender a língua por motivos pessoais ou profissionais.
O exame mais procurado e mais concretizado é o CIPLE – Certificado Inicial de Português Língua Estrangeira, que faz parte do processo de acesso à nacionalidade portuguesa. É o exame mais pretendido por cidadãos de outras nacionalidades que procuram obter a nacionalidade portuguesa.
Os exames mais avançados como o B2 são procurados por alunos já com alguns conhecimentos da língua e que por motivos profissionais lhes é exigido, como diplomatas ou estudantes universitários.
21 Ver anexo 6 - Exames de certificação realizados pelo Centro de Avaliação de Português Língua Estrangeira (CAPLE) - África do Sul
CONCLUSÃO
Num mundo completamente globalizado marcado por rápidas e profundas mudanças, são os novos ambientes de comunicação que cada vez mais dominam a nossa rotina e a nossa forma de estar e de adquirir conhecimento. É um mundo que por vezes parece inabitado e no qual a proximidade entre as pessoas cada vez parece interferir menos.
O poder das novas tecnologias de informação e comunicação permite que de certa forma nos possamos sentir donos do conhecimento onde ações como investigar, pesquisar, ler, analisar ou ouvir algo através de um plataforma digital se tornaram simples práticas à distância de um clique. Este novo universo permite contornar aspetos que há uns anos atrás seriam impensáveis e é a partir desta evolução e da necessidade de dar respostas ao mundo digital que hoje predomina, que nos propomos a partilhar esta investigação.
Neste trabalho de projeto ficámos a conhecer melhor uma realidade diferente numa zona do globo onde o português é considerado uma língua de eleição com forte poder estratégico, político e económico22. A procura e o interesse por aprender português tem vindo a crescer nos últimos anos e sabendo da importância desta língua e das influências que pode ter, é de todo o interesse continuar a desenvolver programas de ensino atuais que acompanhem a evolução digital e que respondam de um modo adequado às necessidades que surgem diariamente.
Tentar compreender o impacto que um curso numa modalidade de ensino a distância como o b-learning não será difícil, pois já aqui se comprovou que a maioria dos alunos se encontra munido de proficiências digitais e que está disposta a seguir outras opções formativas que acompanhem a evolução tecnológica no que à aprendizagem de uma língua estrangeira diz respeito. Contudo, é necessário que haja uma reestruturação e adaptação de programas de ensino e que existam professores munidos de competências adequadas para criação e acompanhamento destes planos 22 Língua oficial da SADC – Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral; da UA - União Africana; da COMESA - Mercado Comum da África Oriental e Austral.
de ação, não só de modo a promover a oferta formativa mais também de modo a promover uma melhoria na qualidade do ensino.
Neste domínio, concluímos que um curso de b-learning será uma opção viável de futuro para quem aprende português nesta área do continente africano. Se a maioria dos alunos que se propõem a aprender português viaja com assiduidade e tem agendas e horários limitados que nem sempre lhes permite frequentar assiduamente as aulas, a ideia de criar um curso de b-learning pode representar uma melhoria nas estratégias educacionais e ajudar a combater o absentismo e aumentar os níveis de interesse e motivação dos alunos.
Acreditamos que este modelo de ensino pode contribuir significativamente para uma aprendizagem efetiva, integrada num novo contexto de ensino- aprendizagem que permita maior adaptação e flexibilidade. Os alunos estão aptos a produzirem e a partilharem conteúdos e a terem um papel mais criativo, enquadrando-se no perfil da Web 2.0 e nos novos paradigmas educacionais.
Em estudos futuros poderá mesmo ser possível tentar perceber melhor qual o futuro da língua portuguesa e que tipo de públicos procuram aprender e melhorar as suas competências linguísticas nesta zona do globo. Será também interessante saber se esta modalidade de ensino poderá ser aplicada em escolas de outros níveis de ensino.
Outro aspeto com que nos deparamos e que parece pertinente para futuros estudos, é a diminuição de alunos lusodescendentes a aprender português. A maioria das aulas para este público funciona em regime extracurricular, coincidindo muitas vezes com os horários de outras atividades, não permitindo que os alunos possam estar sempre presentes nas aulas.