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Depresjon

In document Depresjon og fysisk aktivitet (sider 10-14)

No ano de 2010, pouco depois da transferência das unidades vinculadas ao IPHAN para o IBRAM, surgiu, a partir das ponderações entre as diretorias do MAI, do Departamento de Processos Museais – DEPMUS e da presidência do IBRAM o debate sobre a alteração de sua denominação para Museu Socioambiental de Itaipu - MUSAI. A iniciativa de alteração do nome baseava-se também nas ações indicadas no Plano Museológico da instituição, que contemplava programas e projetos cujo raio de ação não se restringiam à arqueologia.

78 Na compreensão de Stelvio Figueiró, embora as ações do Museu já estivessem direcionadas para a perspectiva socioambiental, a motivação de alteração do nome também tinha interesses ligados à consolidação de uma nova política de museus e a disputa pelas unidades museológicas entre IPHAN e IBRAM:

Não foi uma coisa que surgiu do corpo funcional. Não é uma coisa que veio de uma discussão aqui na casa e tal, parece que veio de um problema maior até por conta do IPHAN ainda brigar, naquela época, na figura do seu superintendente, brigar para que o Museu de Arqueologia se transformasse num centro de referência em arqueologia e, portanto deveria ficar vinculado ao IPHAN, ligado ao IPHAN. Assunto de arqueologia sempre foi assunto do IPHAN e o que o IBRAM teria com isso? Enfim... Só precisava tirar o nome museu, né? Parece que era isso. E aí nos vimos inclusive a presença do vice- presidente aqui, não sei se o cargo dele era esse, do Mario Chagas, era a segunda pessoa, pelo menos que a gente via... Aqui presente com a gente para discutir o assunto, para tirar nossas dúvidas com relação ao assunto. Fato é que nos já fazíamos um trabalho de educação socioambiental, não com essa amplitude que nos fazemos hoje, claro, temos muito mais pessoas pra isso, mas a gente já tava trabalhando no entorno, já trabalhava com as comunidades, com essa visibilidade do entorno aqui do Museu de Itaipu. (...) Muito mais uma disputa política do que efetivamente o que se fazia. A gente até hoje não virou museu socioambiental e as nossas práticas socioambientais estão aí, ganhando premio inclusive em algumas instituições como a FAPERJ, né? Então, elas existiam e vão continuar existindo não importa o nome, né? Quer dizer, aparentemente esse nome não importou e a gente não deixou de fazer porque não conseguimos mudar de nome. (FIGUEIRÓ, Stelvio. Depoimento [abril 2014] entrevistadora: Mirela Leite de Araujo. Niterói, 2014)

Quando questionado sobre as motivações que levaram à consulta pública, Pedro Colares Heringer também compreende que a alteração do nome partiu de uma provocação do IBRAM, mas as motivações estavam relacionadas à afirmação de uma perspectiva social sobre as funções dos museus e também de modo a facilitar a captação de recursos:

Talvez [para] mostrar que as ações do Instituto são voltadas para o fator do desenvolvimento social, atualizar a prática do museu junto à teoria museológica, uma coisa mais voltada para os museus comunitários, talvez facilitar a captação de recursos, já que o tema ambiental tava bem em voga. Acho que é uma coisa nesse sentido. (HERINGER, Pedro Colares. Depoimento [abril 2014] entrevistadora: Mirela Leite de Araujo. Niterói, 2014)

Assim, em 17 de setembro de 2010, foi realizada uma reunião que contou com a presença de representantes de organizações não-governamentais da região, técnicos do IPHAN e do IBRAM, moradores do Canto de Itaipu e funcionários do MAI. Presidida pela diretora da instituição à época, Vera Lucia Gigante Carvalho, a reunião teve a participação de representantes das seguintes instituições: Superintendência do IPHAN/RJ; Colônia de Pescadores Z-7; Associação de Comerciantes da Praia de Itaipu - ACOMPI; Associação Livre de Pescadores e Amigos da Praia de Itaipu- ALPAPI;

79 Parque Estadual da Serra da Tiririca/Instituto Estadual de Ambiente - PESET/INEA; IBRAM, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO, que assinaram favoráveis à alteração da nomenclatura.

Quando perguntado sobre o posicionamento das pessoas que participaram da consulta pública, Stelvio Figueiró afirma que, embora tenham votado a favor da alteração do nome, poderia ter havido um melhor esclarecimento sobre as questões e relevâncias política dessa alteração (informação verbal). Para Pedro Colares Heringer, a mudança de nome foi compreendida pelos participantes da chamada pública, especialmente os moradores de Itaipu, como um benefício: “Eu lembro que eles entenderam a provocação e assimilaram isso como uma coisa vantajosa, já que no próprio nome do museu estaria dizendo que ele se preocupa com a comunidade, com a questão social.” ((HERINGER, Pedro Colares. Depoimento [abril 2014] entrevistadora:

Mirela Leite de Araujo. Niterói, 2014)

Seu Chico, pescador de Itaipu, uma das lideranças comunitárias e que hoje responde pela presidência da ALPAPI, estava presente na consulta pública. Em depoimento ele explica como a mudança de nomenclatura foi percebida positivamente pelos pescadores, inclusive pela possibilidade de participação e construção conjunta de uma nova idéia de Museu. De forma crítica, ele afirma em seu depoimento que o Museu pode trabalhar mais para discutir o seu entorno e os conflitos atuais62:

Um grupo chamou a gente pra discutir isso e a gente também tava...E foi colocado, né? Que o Museu de Arqueologia ele cuida só do que está embaixo da terra, né? O que taí preservado de certa forma... Daí a gente tem o entorno do Museu, né? A gente tem a pesca, a gente tem o Morro das Andorinhas, a gente tem a Duna também com o material dela, tem a Lagoa... Então a gente tem um meio ambiente que tem que ser discutido. E com isso, com essa participação nossa, foi criado um novo nome pro Museu com uma nova formatação e estatuto, ter uma nova ideia do que é um Museu e pra que serve um museu em Itaipu. Até hoje as pessoas ainda chamam de Museu de Arqueologia né? Eu também, de vez em quando, chamo. Me esqueço. Mas eu achei que essa participação foi muito interessante exatamente por isso, por causa dessa preservação do entorno do Museu, não só desse material antigo, mas também do que tem e do que a gente pode preservar no entorno do Museu. Só que eu acho que a gente avançou pouco. Por que no entorno do Museu tá acontecendo algumas coisas e que a gente poderia botar em discussão junto com a comunidade. Mansões que estão construindo. O próprio Projeto Orla que tava sendo elaborado...A gente tem que discutir mais pra que serve essas coisas. Qual o mal que pode trazer ou qual o

62 A percepção que de alguns pescadores sobre o Museu será desenvolvido no próximo capítulo. No entanto, é interessante ressaltar que esse grupo acompanha e possui críticas às mudanças na gestão da instituição.

80 beneficio que pode trazer essas coisas. Eu e mais o grupo do Museu, a gente não bateu de frente suficiente...batemos de frente bastante, criamos algumas discussões, mas nos não avançamos bastante em cima desse trabalho, né? Eu acho que a gente precisa se reunir mais. (SOUZA, Jorge Nunes de. Seu

Chico. Depoimento [junho 2015] entrevistadora: Mirela Leite de Araujo.

Niterói, 2015)

Houve, como podemos perceber na fala do Seu Chico, a partir dessas discussões, uma expectativa de que a mudança de nomenclatura oferecesse mais liberdade para ações voltadas para a conscientização das relações humanas com o meio ambiente e uma aproximação com os moradores do Canto de Itaipu, em especial com os pescadores.

Apesar dos debates promovidos nessa ocasião e da consulta pública, o processo legal para a mudança formal ainda está em tramitação na Procuradoria Jurídica Federal junto ao IBRAM.

Para Stelvio Figueiró, a mudança teria mais pertinência atualmente do que há 5 anos :

Hoje em dia eu olho para a mudança de nome e entendo que nós seriamos, como museu socioambiental, melhor recebidos em projetos. A gente fala muito de ONGs de fomento que tem até dinheiro sobrando na área do “socioambiental” mas a gente não consegue sequer ultrapassar o primeiro obstáculo porque a gente fala como Museu de Arqueologia. Então, hoje eu olho para essa mudança de nome e entendo que pode ser sim um uma coisa propositiva, pode sim. Outrora eu não pensava assim, mas agora eu olho e acho que pode valer a pena sim, que pode ser bom sim, já que a gente dá tanta notícia socioambiental, do entorno.(...) Tem mais significância, se é que essa palavra vai caber aí. Hoje faz muito mais sentido. Até porque também os trabalhos socioambientais se solidificaram. Nosso apoio às questões nas comunidades, às outras instituições, das universidades que passaram a fazer parceria com a gente isso tudo é muito recente, isso data de 2 ou 3 anos atrás...talvez até mais do que quando do ponto de partida de mudança de nome. Então hoje parece que faria mais sentido, para acompanhar tudo isso que taí convivendo com a gente. Então hoje sim. (FIGUEIRÓ, Stelvio. Depoimento [abril 2014] entrevistadora: Mirela Leite de Araujo. Niterói, 2014)

Para Pedro Colares Heringer, a mudança ou a permanência do nome não afeta diretamente as ações do Museu mas a multiplicidade de focos pode ser um fator de conflitos internos. Para ele, a Instituição não é impedida de realizar suas atividades somente pelo nome que ela tem. No entanto, a partir da realização da consulta pública e da votação, o Museu “ficou devendo” a concretização da mudança, principalmente para as pessoas que participaram do processo (informação verbal). Ele diz ainda que foi uma oportunidade de refletir sobre as ações e sobre o foco do Museu:

(...) isso foi uma tentativa de refletir, através do nome do museu, sobre as novas atividades que o museu passara a praticar. A questão do sócio, a questão de estar voltado para a comunidade e a questão do ambiental de trabalhar o espaço que ele se integra, entendo a arqueologia aí como um

81 ponto nesse caminho na relação do homem com o ambiente, só quem num tempo pretérito, que também estaria englobada só que não de maneira tão óbvia quanto no nome atual, né? E isso é uma discussão grande aqui dentro,né? Qual é o foco do museu? O museu tem alguns focos, né? E por ter mais de um, pode ser que o museu fique desfocado...então acaba que isso vai ser..é um fator de conflito aqui dentro. (HERINGER, Pedro Colares. Depoimento [abril 2014] entrevistadora: Mirela Leite de Araujo. Niterói, 2014)

In document Depresjon og fysisk aktivitet (sider 10-14)