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Departure Possibilities for an Approach to Stakeholders

3. Literature Review

3.2. Stakeholders in Global Projects

3.2.6. Departure Possibilities for an Approach to Stakeholders

A política urbana de Duarte Pacheco, enquanto se manteve à frente do Ministério das Obras Públicas e Comunicações (MOPC) acompanhou o surto de modernização lançado pelo Estado Novo, cujo desenvolvimento exigia a construção de um conjunto de infraestruturas, como estradas, portos, caminhos de ferro, aeroportos e obras de hidráulica, essenciais para que essa modernização se processasse (Silva, 1994, p. 12).

Fig. 12 - Planta da cidade de Lisboa de 1947

Em 1938, Duarte Pacheco decidiu contratar o arquiteto-urbanista Étienne de Gröer, para assumir o cargo de urbanista-conselheiro técnico da Câmara Municipal de Lisboa o qual, juntamente com os serviços técnicos municipais, deveria definir as grandes linhas de desenvolvimento da cidade e levar a cabo o estudo que serviria de base ao Plano Geral de Urbanização e Expansão de Lisboa (PGUEL) (Silva, 1994, p. 15).

Em 1948 o Plano Diretor da Cidade de Lisboa estava concluído e foi aprovado pela CML, embora nunca tivesse tido aprovação governamental. As principais linhas de força do plano foram as seguintes:

● Criação de uma rede viária radiocêntrica a partir de um eixo construído pela Avenida António Augusto de Aguiar e o seu prolongamento até à estrada Lisboa-Porto;

● Organização de densidades populacionais decrescentes do centro para a periferia; ● Criação de uma zona industrial na zona oriental da cidade, associada ao porto;

● Construção de uma ponte sobre o Tejo no Poço do Bispo-Montijo, ligada a uma das circulares; ● Construção de um aeroporto internacional na parte norte da cidade;

● Criação de um parque em Monsanto com cerca de 900ha, e uma zona verde em torno da cidade que incluiria o Parque de Monsanto e que se prolongaria pela várzea de Loures até ao Tejo (Silva, 1994, p. 18).

O “Plano de Gröer” é um Plano Director típico daquela época. Produz um retrato das condições futuras da cidade de Lisboa a obter através das suas propostas sectoriais. Nela está enraizada a ideia de que as alterações físicas a introduzir permitiriam obter certas características sociais. Admitia que, por exemplo, através de habitações condignas para toda a população seria possível alterar o padrão das relações sociais. O determinismo físico é uma constante ao longo de todo o Plano. Nele estão inscritos certos valores sociais,

Fig. 13 - Plano Diretor de Urbanização de Lisboa de 1948

prevalecentes naquela época entre os urbanistas, os quais, de resto, se coadunam com os do regime, como veremos (Silva, 1994, p. 18).

O principal instrumento do plano foi o zonamento. O espaço foi dividido em áreas com diferentes usos, às quais se aplicava legislação específica, impondo ao mesmo tempo uma divisão social do mesmo e salvaguardando o valor da propriedade em certas áreas. Este Plano Diretor revela uma estrutura urbana que reparte o espaço em função dos diferentes níveis de rendimento. Assim, os bairros operários encontram-se junto das zonas industriais, supostamente com o objetivo de reduzir as desvantagens que adviriam de longas deslocações entre o local de residência e o do trabalho (Silva, 1994, pp. 19-20).

Segundo Silva (1994, p. 20), no que respeita à habitação este plano reflete também a visão social da época, assim como a ideologia do regime, o qual encarava a habitação social de forma paternalista, ignorando os fatores que estavam na origem dos bairros da lata, e supondo que os mesmos seriam resolvidos pelas propostas do Plano Diretor.

Em fevereiro de 1954 a Câmara Municipal de Lisboa criou o Gabinete de Estudos de Urbanização (GEU). O GEU foi encarregado de proceder à revisão e atualização do “Plano de Gröer”, de onde resultou, em 1959, o Plano Diretor de Urbanização de Lisboa (PDUL) o qual manteve a maior parte das propostas do plano anterior, embora tivesse introduzido significativas alterações.

Entre estas destaca-se a construção da ponte sobre o Tejo a partir de Alcântara ligando a Almada, uma autoestrada contornando o Parque de Monsanto (de Alcântara por Campolide até à Buraca) e a construção de duas autoestradas, uma para norte e outra para sul na continuação da ponte. O GEU esteve também envolvido no lançamento da urbanização dos Olivais – Norte e Sul – assim como de outras zonas da cidade. O fim do PDUL ditou também a extinção do GEU que foi substituído pelo GTH (Gabinete Técnico de Habitação), o qual ficou encarregue de urbanizar vastas áreas da cidade, com o objetivo de criar habitação social que estava prevista no PDUL de 1959 (Silva, 1994, p. 24).

Na década de 1960 a CML encomendou ao arquiteto-urbanista francês George Mayer-Heine que elaborasse uma revisão do PDUL devido à necessidade de um instrumento que enquadrasse a nova realidade urbana, nomeadamente o aumento do tráfego automóvel, o arranque da rede de metropolitano, a construção da ponte sobre o Tejo e o início do processo de terciarização do centro e do crescimento dos arredores da cidade.

O Plano Geral de Urbanização de Lisboa de Mayer-Heine, elaborado entre 1963 e 1967, consistia num instrumento de ordenamento do território que abrangia a totalidade da área do concelho. As principais linhas orientadoras deste plano foram:

● A criação de um eixo-distribuidor, apoiado a norte e a sul na autoestrada do Norte e na ponte, passando pelo Aeroporto;

● O prolongamento da Av. da Liberdade como grande eixo monumental, mas com funções de autoestrada como no PDUL anterior, com o objetivo de descongestionar a Baixa e criar um novo polo que atraía o tráfego para fora do centro, o Alto do Parque;

● A divisão da cidade em “unidades base de planeamento”, designadas por Unidades de Ordenamento do Território (UNOR´s) (Silva, 1994, p. 26-27).

Ao mesmo tempo em que se elaborava e implementava o PDUL-1967 eram levados a cabo obras de urbanização e construção de habitação social (GTH e DSUO3), dos realojamentos relacionados com os acessos

à ponte, assim como as obras de saneamento do Vale de Alcântara, da construção do metropolitano até Alvalade, para além de outros arruamentos destinados a melhorar as condições de trânsito na cidade (Silva, 1994, p. 27).

Na década de 90, as transformações operadas nas grandes cidades começaram a colocar em causa os métodos e os processos de planeamento que tinham sido utilizados ao longo das décadas de 40 e 60, pelo que em 1992, a CML aprovou o Plano Estratégico de Lisboa, um novo plano diretor que visava estabelecer as linhas orientadoras da atuação municipal com vista ao ordenamento e desenvolvimento da cidade.

Assim, a partir do cruzamento das debilidades e potencialidades da cidade, estabeleceram-se grandes objetivos estratégicos enunciados no 1.º Plano Estratégico de Lisboa:

● Fazer de Lisboa uma cidade atrativa para viver e trabalhar; ● Tornar Lisboa competitiva nos sistemas das cidades europeias; ● Reafirmar Lisboa como capital metrópole;

● Criar uma administração moderna, eficiente e participada

Com esses objetivos em mente pretendia-se operar profundas transformações na cidade de forma a resolver as graves carências então existentes, nomeadamente ao nível da habitação e das infraestruturas urbanas. Previa-se também a requalificação de alguns dos seus espaços públicos, com o objetivo de proporcionar uma melhoria da qualidade de vida dos residentes (CML, 2016).

O modelo de ordenamento do Plano Estratégico de Lisboa de 1992 constituiu, na altura, uma inovação nos modelos de planos estratégicos europeus, de cariz socioeconómico. Este plano integrou um modelo urbanístico espacializado e diferenciado em quatro áreas ou unidades territoriais com alguma homogeneidade, tendo em vista as especificidades das suas potencialidades, assim como das suas problemáticas:

I - Área Central de Lisboa – Centro da cidade e da AML (Área Metropolitana de Lisboa); II - Charneira Urbana - Arco Terciário Direcional;

III - Coroa de Transição – Periferia com articulação Metropolitana;

IV - Arco Ribeirinho – Ligação da cidade ao rio sem perder o porto.

Com vista à concretização deste plano foram criadas duas estruturas importantes: o Conselho do Plano, constituído por representantes de instituições, agentes e operadores, os quais tinham como missão aprofundar o seu desenvolvimento e a sua revisão quando necessária e uma Agência de Desenvolvimento para a Modernização da Base Económica de Lisboa (AMBELIS) (CML, 2016).

Fig. 14 - Modelo urbano, zonas

O 1.º Plano Estratégico de Lisboa estava concebido para ficar concluído no ano 2000. Importa referir que na década de 90 a cidade foi palco de importantes transformações ao nível de infraestruturação de saneamento, rede viária, estrutura verde e recolha seletiva do sistema de resíduos sólidos urbanos e dotação de alguns equipamentos coletivos nomeadamente de lazer. Colmatando todas essas profundas mudanças estão as importantes operações de requalificação da zona ribeirinha, efetuada pela Administração do Porto de Lisboa e da Zona Oriental da cidade, com vista à realização da Expo-1998 (CML, 2016).

No entanto, devido a dificuldades ao nível da sua implementação e acompanhamento, tanto de ordem cultural, como de ordem política não foi possível dar uma continuidade eficaz à concretização das ações do PEL. O programa Visão Estratégica para a Cidade de Lisboa surgiu no seguimento da criação do Departamento de Planeamento Estratégico, em 2002, e pretendia constituir um referencial das políticas do executivo anterior, em detrimento de um 2.º Plano Estratégico tradicional, optando-se por definir objetivamente um conjunto reduzido de ideias-chave e eixos estruturantes, recorrendo à metodologia e valores básicos do Planeamento Estratégico.

A Visão Estratégica – Lisboa 2012, sistematiza o processo de planeamento estratégico em Lisboa, visando qualificar e modernizar a cidade e é suportada por quatro eixos de desenvolvimento urbano:

● Lisboa, Cidade de Bairros ● Cidade de Empreendedores ● Cidade de Culturas

● Cidade de Modernidade e Inovação

A estratégia de intervenção urbanística segundo estes eixos de desenvolvimento, baseia-se em linhas de orientação estratégica e em ações que abrangem várias temáticas e dinâmicas sociais, históricas, culturais, ambientais, económicas, tecnológicas, etc. (CML, 2016).