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14 Opprettelse og endring av

15.5 Departementets vurderinger

Na análise do itinerário do regime capitalista e de suas crises, a grande mutação ocorrida no final século XIX é o que Duménil e Lévy (2003) chamam de revolução

da gestão (managerial revolution), fenômeno conseqüência da transformação da forma de

propriedade que se desloca para o controle de gestores e empregados e que “modificou profundamente as relações entre capital e trabalho” (GAULEJAC trad. CÓRDOVA, 2005).

Mas, o que é gestão (management)? Inicialmente foi criada por engenheiros e nisso reside uma “concepção física da empresa, representada como um conjunto mecânico”,

que hoje, com o aporte da Administração, acrescentam-se “preocupações que integram os seres humanos, as interações e a complexidade” (GAULEJAC trad. CÓRDOVA, 2005).

Gestão é comumente definida como “um conjunto de técnicas destinadas a racionalizar e otimizar o funcionamento das organizações”, para uma melhor utilização dos recursos financeiros, materiais e humanos que assegurem a perenidade da empresa. Para Gaulejac, na realidade, a gestão é um “sistema de organização do poder” e tem seus fundamentos na “organização científica do trabalho (Taylor, 1912)” e na “gerência (management) das empresas multinacionais” que surge nos anos de 1980”, resultante do “duplo movimento de internacionalização e de financeirização da economia”. Como técnica e como poder, ela tem uma ideologia, enquanto “traduz as atividades humanas em indicadores de desempenhos, e esses desempenhos em custos e benefícios”. Por outro lado, legitima-se num pensamento “objetivista, utilitarista, funcionalista e positivista”. Daí, surge o indivíduo na ótica de um recurso humano, produzindo uma inversão de valores:

(...) uma inversão das relações entre o econômico e o social. Na verdade é antes a empresa, como construção social, que é uma produção humana, e não o inverso. Existe aí uma confusão das causalidades, expressão suplementar da primazia concedida à racionalidade dos meios sobre as finalidades. Considerar o humano como um fator entre outros, é ratificar um processo de reificação do homem [ e da mulher]. O desenvolvimento das empresas somente faz sentido se ele contribui para a melhoria da sociedade e, portanto, do bem-estar individual e coletivo e, em definitivo, se ele está a serviço da vida humana. Gerir o humano como um recurso, sob o mesmo título que as matérias primas, o capital, os instrumentos de produção ou, ainda, as tecnologias, é pôr o desenvolvimento da empresa como uma finalidade em si, independente do desenvolvimento da sociedade, e considerar que a instrumentalização dos homens [e mulheres] é um dado natural do sistema de produção (GAULEJAC trad. CÓRDOVA, 2005).

Gaulejac ressalta que o “management” foi o modelo que deu suporte à fase de crescimento dos “Trinta Gloriosos” 7. Modelo que tem como principal símbolo o gerente

(manager), cujo papel funcional é o de encontrar o ponto de conciliação entre “as exigências de lucro trazidas pelos acionistas, a adaptação ao mercado (“o cliente é o rei”) e a melhoria das condições de trabalho” (GAULEJAC trad. CÓRDOVA, 2005).

Esses são os pressupostos da lógica gerencial, por isso, a necessidade de uma

gestão dos recursos humanos em substituição a uma gestão de pessoal e das relações sociais.

O exercício dessa função, embora apoiada na busca da racionalidade e da eficácia, pode levar a uma “obsessão da rentabilidade financeira (...) mesmo em detrimento do desenvolvimento da 7 Período de 1945-1975 - marcado por desenvolvimento das principais economias mundiais.

empresa”. Nas empresas com características hierárquicas, do tipo tayloriano, há uma tendência em “produzir indivíduos obedientes, respeitosos à autoridade e às regras, o que S. Milgram denomina “estado agêntico”. Já as empresas gerenciais (manageriales) buscam produzir indivíduos motivados pelo sucesso profissional, a busca da performance, a iniciativa individual, o que se definiu como “homem gerencial” (managerial)” (AUBERT; GAULEJAC, 1991, trad. CÓRDOVA 2007).

Os valores que estão embutidos na ideologia gestora são: “gosto de empreender, o desejo de progredir, a celebração do mérito ou o culto da qualidade”, o que são aspirações válidas na vida humana. Ao lado da ideologia centrada no indivíduo, há os paradigmas da “celebração da mudança nos anos 1970, da excelência nos anos 1980, a noção de qualidade se difundiu ao longo dos anos 1990”. Segundo Gaulejac, a qualidade se torna a atual “utopia mobilizadora que de imediato suscita entusiasmo e consenso. Ela permite ultrapassar os objetivos de performance de rentabilidade e de lucratividade, que conotam preocupações “baixamente financeiras”, para isso, se ancora nos seguintes conceitos: “Qualidade = Excelência = Sucesso = Progresso = Desempenho = Engajamento = Satisfação das necessidades = Responsabilização = Reconhecimento = Qualidade...” (AUBERT; GAULEJAC, 1991, trad. CÓRDOVA 2007).

Cabe aqui uma reflexão sobre o que a gestão pela qualidade apregoa como excelência. A palavra excelência - vem do latim excellentia, do verbo excellere, que significa “sair do lugar comum, superar, prevalecer sobre”. No mundo das empresas, é uma prática relacionada ao management (gerência/gestão) para a obtenção de resultados e repousa sobre o conjunto de oito conceitos fundamentais: “Excelência dos resultados referidos à Performance, aos Clientes, ao Pessoal e à Coletividade é obtida graças à Liderança que mantém a Política e a Estratégia que gere o Pessoal, as Parcerias, os Recursos e os Processos” (AUBERT; GAULEJAC, 1991, trad. CÓRDOVA 2007).

A gestão e o gestor refletem símbolos de um projeto de caráter político- econômico-financeiro em curso no sistema capitalista atual. Como contribuição a essa investigação, caberia entender como a ideologia gestora está imbricada no fazer organizacional. Em primeiro lugar, entendendo que:

(...) a ideologia é um sistema de pensamento que se apresenta como racional, enquanto mantém uma ilusão e dissimula um projeto de dominação: ilusão da onipotência, de domínio/controle (maîtrise) absoluto, de neutralidade das técnicas e da modelização das condutas humanas; dominação de um sistema econômico que legitima o lucro como finalidade (GAULEJAC, 2005, trad. CÓRDOVA 2006). Em segundo lugar, identificando as suas formas de expressão, de justificação e de reprodução:

(...) o caráter ideológico da gestão, é mostrar que, por detrás dos instrumentos, dos procedimentos, dos dispositivos de informação e de comunicação, estão em ação uma certa visão do mundo e um sistema de crenças. (...) Esse projeto aparece claramente por intermédio das apostas de poder de que são objeto a formação e a pesquisa em management (GAULEJAC, 2005, trad. CORDOVA, 2006).

Para Ardoino, o “management freqüentemente, e sem razão, definido como “um saber fazer”, é um produto cultural e contém sua própria filosofia da gestão e das relações humanas” (p.9), num mundo onde Pitágoras prevalece sobre Platão e Aristóteles: as palavras e as idéias na modernidade são somente números. Como agente cultural, ele atua no nível da análise praxeológica, na busca da eficácia gerencial, nos níveis político, estratégico e tático. Sua ação está no nível político quando busca realizar “a conjunção entre um desejo e uma probabilidade”, sintetizando motivações, situações e ações hipotéticas. Expressão dos desejos por um lado e, por outro, as finalidades e valores. Momento que se refere “ao benefício desejado e ao custo aceitável na hipótese de uma conjuntura favorável”. No nível estratégico, utilizará a lógica da teoria dos jogos, que podem se efetivar no médio e longo prazos, para estudar a relação custo-benefício de alcance da otimização dos recursos e resultados. Ao programa caberia uma “re-arrumação de um sistema de ações compatíveis, denominado “plano”. No nível tático, as ações terão de atuar no curto prazo, é o momento do ajustamento dos programas e dos planos surgidos no nível estratégico. É o momento em que “a estratégia se torna missão, os objetivos se inscrevem no plano e no programa, as ações possíveis são inventariadas” (ARDOINO, 1970, trad. CÓRDOVA, 2004, p.45:6).

A gestão se constitui no grande agente, referente e possibilitador da ideologia capitalista, que tem imbricado no seu ser e fazer os pressupostos desse regime e acompanha seus aspectos conjunturais. Em função dessa relevância para o mundo organizacional, as ações de formação nas empresas, em especial a capacitação dos gestores, são sempre estratégias político-pedagógicas de inculcação de processos de mudanças administrativas, econômicas e financeiras.