KAPITTEL 2: TEORETISK RAMMEVERK OG BEGREPER
2.2 Den ressursbaserte teorien
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Idem, ibidem, p. 179. 227
Os vicentinos, irmãos leigos da SSVP, também se valem da Imitação de Cristo para se prepararem na tarefa de assistir aos pobres. Ver a este respeito, SOUZA, Marco Antônio de. A Leitura Espiritual do Evangelho nas Reuniões das Conferências Vicentinas: A Educação para a Caridade. In: ATAS DO SEMINÁRIO INTERNACIONAL DIMENSÕES DA HISTÓRIA CULTURAL. Belo Horizonte: Unicentro Newton Paiva, 1999, 73-79
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Em 21 de março de 1892, foi aberto em Tortona, o 1º Oratório, uma espécie de Clube Juvenil Religioso, que daria origem aos orionitas e inauguraria também seu trabalho de assistência.
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Exatamente como nos ideários dos vicentinos e orionitas, de orientação católica, o ideário assistencial espírita kardecista tem, por princípio, a educação dos assistidos em sentido amplo, e, em especial, a educação moral. Muito embora em ambos os casos, o atendimento às necessidades da assistência material seja o ponto de partida, o que é demonstrado cabalmente pelas práticas, isso ocorre em formatos diferentes. A gnose católica, diferentemente da espírita, apresenta a idéia de salvação pelo juízo final, concretizada pelas boas ações realizadas ao longo da vida, levando-se em consideração que o livre arbítrio favorece uma constante tomada de posição em relação aos valores morais, possibilitando seguir o caminho do bem ou do mal. No caso do kardecismo, o movimento contínuo de reencarnação propicia a cada encarnação uma etapa ou estágio de aprimoramento do espírito, correspondente à educação intelectual e moral. A caridade, em ambos os casos, é parte integrante do processo de salvação/evolução do espírito, e pode ser considerada um veículo ou ação indispensável à promoção da educação, entendida como processo moralizador.
É interessante notar que a visão de progresso moral do kardecismo encontra-se presente em antiga crença medieval, cujo principal representante foi Joaquim da Fiore, líder herético, que imaginava três etapas da humanidade: a Idade do Pai, a Idade do Filho e a Idade do Espírito. Assim, à primeira revelação, Moisés e sua lei; teriam se seguido a segunda revelação, os ensinamentos de Jesus Cristo, sendo, a terceira revelação, o espiritismo, obra dos próprios espíritos, realizada na época em que a humanidade estaria em nível elevado de conhecimento, tendo condições de por em prática todos os ensinamentos anteriores. Dessa forma, Allan Kardec seria apenas o codificador, aquele espírito através do qual a revelação se manisfestou, na verdade, o
instrumento do Mestre Divino, para cumprir a promessa dos Evangelhos, sendo assim, a segunda parte do cristianismo, o “Consolador Prometido.”229
Essa idéia permaneceu entre os espíritas e promoveu a construção da imagem do espiritismo que o associa à ciência, e também à filosofia e à religião. Apesar da polêmica entre os seguidores do espiritismo kardecista, que os coloca frente à frente, numa discussão sobre essa questão primordial, alguns espíritas alegam que só é possível verificar a defesa do espiritismo como religião nas obras póstumas de Kardec. Nas obras basilares da doutrina, parece não haver muitas dúvidas quanto ao fato de o momento histórico projetar a ciência como elemento central da revelação.
“Cést en fait une révélation autant scientifique que religieuse (révéler c’ést “ôter le voile” dit Kardec, c’est-à-dire dévoiler ce qui était caché ou ignoré) dont la nouveauté tient essentiellement au caractère positif des messages. Car le spiritisme, nous avons déjá commencé à la voir, dissout les mystères, anthropomorphise les symboles, donne aux forces de l’áu-delá un corps, une voix, un visage. (...) Enfin la révélation au sens kardeciste a un caractère éminemment évolutif, à límage de l’époque.” 230
Ciência ou religião laica, pelo fato de não possuir clero, nem culto ou templo, muito menos hierarquia, não havendo termo de comparação entre o médium e o sacerdote, o espiritismo projetava-se também como doutrina filosófica, alegando que isso gerava conseqüências religiosas, como sempre acontece com todas as filosofias espirituais. Entretanto, as sucessivas descobertas da ciência e da técnica, em meados do
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Cf. AUBRÉE, Marion e LAPLATINE, François. LaTable, le Livre et les Esprits. Paris: Éditions Jean- Claude Lattès, 1990, afirmam que o momento histórico em que se projetou o espiritismo, segunda metade do século XIX, foi fecundo ao aparecimento de manifestações religiosas que tentavam aproximar aspectos religiosos e científicos que pudessem dar conta da efervescência social provocada pelos avanços tecnológicos, mudanças econômicas e crescimento demográfico, citando, além do kardecismo, o ocultismo e o catolicismo ultramontano. Com relação a esta última manifestação no Brasil ver, LIMA, Lana Lage da Gama. A reforma ultrmontana do clero no Império e na República Velha. In: História e Cidadania – XIX Simpósio Nacional de História-ANPUH. São Paulo: ANPUH/Humanitas, 1998, p. 439- 447.
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século XIX, se apresentavam-se como um momento auspicioso da maturidade humana, desafiando a todos que quisessem cumprir a tarefa de construir a doutrina que conciliasse o espírito religioso do cristianismo e o espírito laico das luzes, o que parecia ser impossível. Portanto, seria preciso inventar uma heterodoxia para dar conta desse desafio.
Foi aceitando essa tarefa, que Kardec lançou as bases de sua doutrina. Aubrée e
Laplatine231 indicam o caminho da heterodoxia kardecista: 1) recusa da teologia do
pecado original, em favor de uma explicação histórica, fundada na noção de livre arbítrio e progresso contínuo; 2) recusa do mistério da ressurreição dos mortos a longo prazo, no juízo final, substituído pela teoria da reencarnação; 3) Jesus Cristo passa a ser visto como espírito superior extremamente elevado, dotado de grande força magnética que fomenta incessantemente o bem; 4) introduz uma concepção do ser humano que fica próxima do ocultismo, do cristianismo, do platonismo e cartesianismo, uma dualidade corpo e alma, que Kardec define como perespírito, algo que fica a meio caminho entre o corpo e alma e é de natureza material: “C’ést une substance éthérique d’une légèreté extrême qui peut se mouvoir dans l’espace, une envelope fluidique qui
accompangne l’ésprit lorsqu’au moment de la mort, il se sépare du corps;”232 e, 5)
finalmente, há uma recusa aos mistérios da fé, já que a fase da pré-história da humanidade está superada, e essa exige a superação da ignorância com a razão e as leis da natureza.
De acordo com esses motivos, o kardecismo se apresenta por meio de uma plêiade de ilustres educadores, fazendo parte de um verdadeiro panteão de benfeitores da humanidade. Todos esses educadores teriam, de algum modo, contribuído para o progresso moral da humanidade, ao introduzirem alguma idéia ou proposta, em direção
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ao que consideram a fraternidade e a paz universais. Em geral, essa longa lista de educadores importantes começa com líderes religiosos e filósofos da Antigüidade, tais como, Jesus considerado, à parte, como “grande pedagogo da Humanidade”, Buda, Platão e Sócrates. Este último, teria dado grande contribuição, ao aplicar a maiêutica, “parto espiritual – através da qual ele pretendia extrair de seus discípulos a verdade moral.”233
Em seguida, aparecem aqueles que recebem a denominação de “grandes educadores modernos”, começando por Jean Amos Comenius (1592-1670), apontado como criador da pedagogia moderna, ao propor a educação para todos, incluindo mulheres, pobres e deficientes e também, de promover a pedagogia humanista apoiada
na razão humana.234 Outros nomes engrossam a lista: August Hermann Francke (1663-
1727), pedagogo de Lübeck, os educadores alemães Ludwig Zinzendorf (1700-1760 e Henry Melchior Mühlemberg (1711-1787), Johann Bernard Basedow (1723-1790), responsáveis pelos métodos de filantropismo escolar e pela educação de caráter piedoso; a seguir vem Jean Baptiste La Salle (1651-1719), criador da congregação Irmãos das Escolas Cristãs. Outro ilustre representante do catolicismo, lembrado nessas coletâneas, é Dom Bosco (1815-1888), nomeado apóstolo do amor educativo, criador do método que introduz a doçura na atuação do mestre na vida dos alunos.
A lista prossegue com Johann H. Pestalozzi (1746-1827), apontado como inovador da pedagogia, ao educar crianças pobres com base na obediência, no amor e na confiança, que “fazem despertar na criança os primeiros germens da consciência.”235
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Idem, ibidem. 233
INCONTRI, Dora. A Educação Segundo o Espiritismo. São Paulo: Edições FEESP, 1997, p. 89. 234
Comeninus aparece em uma das listas ao lado de Jacob Spener (1635-1705), pastor de Estrasburgo, indicado como representante da Educação Pietista de base protestante, que teria sido precursora da idéia do lar substituto, apreciado pelos kardecistas exatamente pelo fato de a proposta não passar pela Igreja e sim, pelos lares. Cf. FERNANDES, Washingtoon, Luiz Nogueira. Mansão do Caminho, 40 anos: Uma história de amor na educação. Salvador: Livraria Espírita Alvorada, 1992.
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Em seguida, aparece, invariavelmente, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), apresentado como marco na reforma da educação ao propor uma pedagogia baseada no desenvolvimento natural da criança.
A partir de Rousseau e Pestalozzi, essa plêiade adquire certa coesão, não apenas pela proximidade temporal das idéias, mas também por algumas afinidades que existiriam entre suas propostas pedagógicas. A idéia de evolução das faculdades do ser lançada por Pestalozzi propiciaria a evolução harmoniosa e progressiva, abrangendo todos os seres humanos, talvez seja a que mais o aproxime da concepção kardecista, da evolução espiritual. As etapas que promovem o homem do estado primitivo, passando pelo estado social, até chegar ao estado moral, são aos olhos do kardecismo, a manifestação avant la lettre de sua doutrina.236
Assim, a influência das idéias de Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827) sobre
Denizard Hippolyte Léon Rivail (1804-1869), que, depois da trajetória rumo à fundação da doutrina espírita, passou a ser conhecido como Allan Kardec, parece ser atestada unanimemente pelos estudiosos de suas propostas educativas. Allan Kardec foi aluno de Pestalozzi no educandário de Yverdon, aproximadamente, entre 1815-1822.237
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Outros nomes de educadores que aparecem com freqüência são: Friedrich Froebel (1782-1852), criador dos Jardins de Infância; Rudolf Steiner (1861-1925), criador da pedagogia Waldorf e da Atroposofia, que visam ao engajamento emocional da criança na aprendizagem; Édouard Claparède (1873-1940), apontado como precesor das idéias de Jean Piaget; Célestin Freinet (1896-1966) criador da escola “ativa” onde a criança é motivada a participar de atividades que aprofundam o relacionamento humano; Jean Piaget (1896-1980) que é valorizado pelos estudos sobre a moral heterônoma e da moral autônoma; Lev Semenovich Vigotsky (1896-1934), é lembrado por sua teoria do desenvolvimento proximal que enfatiza o trabalho cooperativo e a integração social entre as crianças; finalmente, alguns nomes são lembrados por razões diversas, sendo os mais comuns, Johann Sebastian Bach (1685-1750), Wilhem von Humboldt (1762-1814), G. Girard (1765-1850), Johann G. Fichte (1762-1814), Maria Motessori (1870-1952) e ainda citados, en passant, por sua contribuição em estudos de psicologia, aparecem, Pavlov, Wallon, Max Wertheimer, Kohler, Koffka, Skinner e Karl Rogers.
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As informações deste trabalho sobre a formação do pensamento de Allan Kardec, assim como sua trajetória da educação ao espiritismo, foram retiradas principalmente de AUBRÉE, Marion e LAPLATINE, François. LaTable, le Livre et les Esprits. Paris: Éditions Jean-Claude Lattès, 1990.
Na Suíça, próximo ao lago de Neuchâtel, na cidade de Yverdon, no Instituto do mesmo nome, sob a influência de Pestalozzi, o jovem Denizard Rivail respirou os ares da moral calvinista e os ensinamentos de seu mestre:
“Enfin le protestantisme libéral d’Yverdon va façonner l’esprit même du spiritisme dans sa doutrine e jusque dans son organizations qui peut être caractérisée de la manière suivante: méfiance à l’égard de l’improvisation, ponctualité des réunions, dépoullement à l’extrême du cérémonial, silence et recueillement, bref une riguer toute calviniste.” 238
Por meio dessa influência, marcante em toda sua vida, Léon Rivail elaboraria, em seu pensamento, a permanente necessidade de demarcar, com clareza, as fronteiras entre o bem e o mal. Para construir o bem, meta final da pedagogia moral, e esteio da educação popular, Pestalozzi considerava fundamental que as instituições de ensino acompanhassem a educação familiar, e, nesse caso, a mãe, olhando de perto a educação dos filhos seria o protótipo da melhor educação; entretanto, a força paterna, sendo, em essência a força do educador devia estar presente em todos os momentos da vida familiar.
Foi assim que esse pedagogo suíço realizou uma experiência assistencial com crianças pobres, levando em conta o modelo de educação da família. Em Stans, no ano de 1799, Pestalozzi pôs em prática as idéias, quando abriu um orfanato, abrigando, aproximadamente 70, crianças pobres. Essa experiência assistencial de Pestalozzi inspirou muitas outras experiências espíritas na educação dos pobres, que o consideram precursor da idéia de desenvolvimento moral.
Retomando algumas idéias de Pestalozzi que influíram no pensamento assistencial do espiritismo kardecista, encontra-se a busca constante do aperfeiçoamento espiritual, significando a tentativa incessante de melhorar a moral e o intelecto,
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associando a isso, a visão evolucionista da humanidade. Na concepção de Kardec, a cada reencarnação, o espírito pode aperfeiçoar-se,, o que propiciaria uma evolução para um mundo melhor: “À medida que a civilização se aperfeiçoa, faz cessar alguns dos males que gerou, males que desaparecerão todos com o progresso moral.”239 Por isso, o
espírito dos pais desenvolveria os de seus filhos pela educação. Essa obrigação natural dos pais, empresta à doutrina espírita um caráter missionário, estipulando um dever e uma responsabilidade inalienáveis aos responsáveis pela educação das crianças.
Essa importância extraordinária reservada à educação pela doutrina espírita,
cujos fundamentos encontram-se inicialmente na obra Le Livre des Esprits,240 que
apareceu pela primeira vez em 1857, época em que Kardec anunciava as regras da sociedade espírita, não provém, como já vimos, somente de uma forte influência do cristianismo pré-reformista, mas também dos ensinamentos em Yverdon, que se originam do pietismo. Nesse movimento religioso registrado no interior do luteranismo, pelos pregadores P. J. Spener (1635-1705) e A. H. Francke (1663-1705), destacava-se a religião prática e íntima, em que os indivíduos deveriam estar sujeitos a estreitas atitudes morais,241 ao contrário da tese da teologia dogmática, que parte da necessidade
de uma organização institucional cuja autoridade religiosa determina, coletivamente as práticas da moral.
No Livro dos Espíritos, Kardec afirma que o senso moral está presente em todas as criaturas. A preponderância da família para formação do ser humano, desde a infância, reprimindo os maus pendores, deixa evidente que o progresso da humanidade deve ser atingido pelo aprimoramento da moral. De acordo com as circunstâncias, os
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AUBRÉE, Marion e LAPLATINE, François, op. cit. , 1990, p. 25. 239
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. n. 793. 240
AUBRÉE, Marion e LAPLATINE, Françoise, op. cit., 1990, p. 25. 241
Cf. HINNELLS, John R. (org). Dicionário das Religiões. São Paulo: Círculo do Livro, 1990, p. 204, a maioria dos pietistas permaneceu na Igreja Católica, atuando como educadores e organizando reuniões,
indivíduos desenvolvem, mais ou menos, esse senso moral que existe, em princípio, em todos. Porém, os espíritos estão sempre em algum grau evolutivo, porque o que está sendo educado em cada encarnação, é o espírito. Dentro dessa concepção, qualidades vão se desenvolvendo e se acumulando em cada reencarnação, o que finalmente cria uma tendência ao aperfeiçoamento espiritual, porque as crianças possuem dentro de si o germe da perfeição, qualidades superiores e sentimentos nobres à espera de serem desenvolvidos através do esforço próprio, afinal, todos são herdeiros do patrimônio divino, “acima de tudo são filhos de Deus.”242
O Livro dos Espíritos congrega as bases da doutrina espírita kardecista, e suas prescrições enfatizam a busca da perfeição no trabalho, a constituição da família e do lar, a conservação da vida social e do projeto de civilização e do progresso, a busca do altruísmo, da igualdade, da perfeição, da piedade, da solidariedade e do bem. As leis morais teriam sido compiladas por Kardec a partir das lições de grandes espíritos iluminados, a exemplo de Confúcio, Buda, Sócrates e Jesus, congregados no que se designa: Espírito de Verdade. O espiritismo reuniria, assim, todas as correntes de pensamento que, de alguma forma, teriam indicado o caminho do bem à humanidade. Aquilo que a maioria das religiões têm por escopo, a prática do bem , da paz, da concórdia e da caridade, estaria congregado no espiritismo, não havendo lei superior à lei moral, que, por sua vez, é a lei do Pai.
Os pensamentos de Kardec depositavam, na infância as maiores esperanças de aperfeiçoamento da moral: “A delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis
aos conselhos da experiência e dos que se lhes pode reformar os caracteres...”243
outros, fundaram seitas, tais como a dos Irmãos Morávios e a Revitalização Evangélica ou, Movimento Revivalista.
242
Cf. ALVES, Walter Oliveira. Educação do Espírito - Introdução à Pedagogia Espírita. 3ª edição. Araras, SP: IDE, 1997, p. 11-113.
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Imposto por Deus, esse era primeiro, um dever dos pais. Desse modo, formar o caráter dos filhos é tarefa exclusiva dos pais, mesmo no caso da assistência aos pobres, em que os espíritas admitem, como é o caso do Abrigo Jesus, uma forma de educação em que os pais ficam afastados por algum tempo, podendo fazer visitas periódicas. De qualquer forma, uma idéia está sempre presente na estratégia assistencial espírita: a possibilidade de dar assistência através do sistema de famílias substitutas. Em todo o caso, a família jamais deve ser esquecida, o relaxamento dos laços de família, de acordo com Kardec, levaria a sociedade à “recrudescência do egoísmo,” principal fator de sua destruição.
Na orientação às crianças reside a profilaxia do futuro. A recuperação da infância desajustada, promovendo a educação voltada para a moral espírita, retirando da mente infantil o mal, pelo contato com a Verdade Eterna, representa a preparação dos assistidos para a responsabilidade e a noção dos deveres mínimos, ponto de partida das grandes obrigações.244
Alguns conselhos de natureza muito específica são dados aos que lidam com a educação das crianças. Um deles sugere que não se deve prometer prêmios ou dádivas como recompensa ou falso estímulo pelo êxito no aproveitamento escolar, pois essa prática viciaria a mente. Outro conselho pede que as crianças não sejam levadas a festas ou reuniões que lhes conspurquem os sentimentos, não sendo aconselhável ainda, dar- lhes qualquer presente, brinquedo ou publicação, que incentive a agressividade. Há também conselho que diz respeito à prática da mediunidade pelas crianças, que lhes veda o desenvolvimento dessas faculdades, principalmente em atividades de assistência em desencarnados. Se houver necessidade de intervenção, que ela seja feita pela oração e pelo passe magnético. Para os kardecistas, a criança é o espírito em evolução, significando que ela é o espírito que retorna, trazendo necessidades individuais e um
programa de vida estabelecido durante sua preparação para reencarnar.245 A criança tem
uma bagagem evolutiva, correspondendo às suas várias encarnações até o presente. Nessa bagagem estão as qualidades conquistadas no passado e também os defeitos adquiridos em outras vidas. Se bem educada, a criança parte das tendências nobres de sua bagagem, ou seja, das qualidades superiores acumuladas em outras experiências.
Apesar de ter um programa de vida traçado no Mundo Espiritual, somente a ação educativa pode se responsabilizar-se pelo sucesso e a garantia desse programa.
“Por mais revel que seja o Espírito, tenha ele renascido no antro mais profundo de inferioridade, abandonado pelos pais, nas piores condições, será ele o que mais necessitará da ação educativa que fornecerá ao Espírito que reencarnou para evoluir (grifo do autor), a energia e a força interior para vencer as provas necessárias ao seu aprimoramento.” 246
Embora tenham uma visão determinista da evolução humana, alguns espíritos evoluem com mais lentidão que outros, podendo causar um recomeço na sua escalada evolutiva, o que promove a educação a nível de fator de aceleração desse processo evolutivo. Mesmo evoluindo incessantemente, os seres humanos não deixam de fazer uso do seu livre-arbítrio, o que os coloca diante de situações geradoras de defeitos e erros, viciações amealhadas em seu livre-arbítrio, que devem ser combatidas no campo afetivo e intelectual. O exemplo indicado com freqüência, é o de Pestalozzi em Stans, que embasado no amor e na fé, deu um lar às crianças abandonadas e rebeldes, transformando-as em homens de bem.
Para entendermos melhor a situação da criança na concepção kardecista, convém
pensarmos nela, acompanhando a explicação da educadora espírita Dora Incontri,247
244
VIEIRA, Waldo. (Ditado pelo espírito de André Luiz). Conduta Espírita. Rio de Janeiro: FEB, 1960,