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DEN NORDATLANTISKE OSCILLASJON (NAO)

In document Variasjoner i været fra år til år (sider 27-35)

As problemáticas sociais presentes no cotidiano das comunidades da ilha do Combu são relacionadas à segurança, cultura, serviços públicos, individualismo, desmotivação, saúde e turismo.

A sensação de insegurança e vulnerabilidade é uma problemática que está presente no discurso de todas as lideranças. A população reclama muito de furtos nas residências, onde os principais alvos são os eletrodomésticos, as madeiras, os materiais de construção, os animais domésticos (galinhas, patos e porcos) e os recursos extraídos da floresta, como o açaí e o cacau. A Polícia Militar do Estado, que, através do Grupamento de Polícia Fluvial (GFLU), é responsável pela segurança pública, já foi contactada várias vezes pelas comunidades, mas alegam não ter aparelhamento suficiente para fazer uma ronda efetiva na região das ilhas. Outras ocorrências, menos frequentes, são relacionadas à violência por excesso de consumo de bebidas alcoolicas, violência sexual, ações de vândalos e ausência de sinalização naútica (MATTA, 2006).

Em relação à questão da posse da terra, a insatisfação também é grande entre todas as lideranças. A população cresceu aceleradamente nos últimos 15 anos e, apesar de ser proibido, famílias de fora da ilha ainda continuam estabelecendo residência.

Nos depoimentos das lideranças 2, 3 e 4 foi colocado que os jovens da ilha já não se interessam muito em conhecer o patrimônio cultural local. Não há empenho em aprender sobre os conhecimentos da floresta e de seus recursos, o que importa é dominar apenas aquelas atividades que trazem imediato retorno econômico, como o extrativismo do açaí e do cacau. O trabalho de artesanato com as folhas do guarumã se restringe cada vez mais ao público feminino de idade avançada.

A população perdeu a credibilidade no poder público e nas instituições de pesquisa que atuam na ilha. Esse assunto será mais aprofundado no próximo capítulo, que abordará a gestão da ilha do Combu como Área de Proteção Ambiental. Segundo todas as lideranças entrevistadas, as instituições públicas apresentam muitos projetos e iniciam as ações, mas dificilmente dão continuidade ao que se proporam. Já as instituições de pesquisa realizam

levantamentos na ilha, mas os benefícios que poderiam advir dos resultados de suas pesquisas não são sentidos pela população local.

Muito desse descrédito com o poder público é reflexo da falta de acesso a serviços públicos básicos como abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo. Na área da saúde, apesar da instalação do posto de saúde, que amenizou a situação da falta de atendimento, ainda não se pode esperar que a população esteja satisfeita, pois a queixa principal é da falta de médicos e remédios, além da necessidade de ampliar a capacidade do posto, para que ele realize mais do que o atendimento ambulatorial.

O individualismo é apontado por todas as lideranças como uma problemática importante, pois:

antes havia uma maior relação entre os moradores, e os trabalhos do extrativismo, transporte e venda dos recursos da floresta era feito de maneira coletiva. A própria divisão da ilha em comunidades é um traço dessa falta de relação, pois tem até mesmo conflito dentro das próprias comunidades (Depoimentos da liderança 4). (informação verbal).

Esse individualismo acompanha a desmotivação para participar da vida em comunidade:

o centro comunitário tem um papel importante na conquista dos direitos da comunidade. No passado foi assim. Mas as pessoas não querem mais ter trabalho, não querem participar, não gostam de ouvir uma crítica, não querem mais se unir. Só vem muita gente quando o assunto da reunião é trabalho, dinheiro (Depoimentos da liderança 3). (informação verbal). Sobre a atividade turística citada anteriormente, apesar do interesse de uma parcela da população em melhorar o turismo na ilha, a liderança 3 disse que alguns moradores consideram a atividade turística desordenada, aumentando a geração de lixo, a disseminação de hábitos nocivos entre a população local, a poluição sonora e a insegurança.

Em relação aos impactos ambientais provenientes da ação antrópica, serão considerados tanto os realizados pela população local como os impactos externos que atingem o território da ilha.

A própria inexistência de uma rede de esgotamento sanitário e de coleta de lixo representa tanto um risco à saúde da população da ilha como um problema ambiental. Soma- se a isso a carga de dejetos domésticos e industriais, e a água de lastro proveniente das embarcações, lançadas diretamente no rio Guamá todos os dias, originados na zona urbana de Belém, conforme demonstra a (Fotografia 12):

Fotografia 12 - Madeireira localizada na margem do rio oposta à ilha do Combu, na zona urbana de Belém (acima); Detalhe do lixo produzido pela madeireira (abaixo, à dir.); e encanamento do esgoto da zona urbana de

Belém, que desemboca na margem do rio oposta à ilha do Combu (abaixo, à esq.).

Fonte: DIAP/SEMA/PA (2012) (Autor: Brenda Batista Cirilo).

Em sua pesquisa, Matta (2006, p.121) investiga os impactos decorrentes da relação entre a região urbana e a região insular de Belém, que considera como de influência antrópica moderada, porém ressalta a necessidade de um trabalho de sensibilização a ser realizado na zona urbana sobre a necessidade de conservação da região insular, e considera que:

As movimentações portuárias, o fluxo de embarcações, a troca de águas de lastro e outros impactos decorrentes da utilização intensa da orla como área de escoamento de atividades produtivas (madeireiras, transporte intermodal, turismo), somadas a ocupações de formação espontânea abrigando uma população fixa e outra flutuante incompatível à provisão de infra-estrutura e raramente englobada por políticas públicas, representam um somatório de problemas que atingem uma população responsável por parte da identidade cultural e sócio-econômica de Belém [...]. O autor também descreve dois cenários para a relação zona urbana de Belém – Ilha do Combu, um considerando o crescimento da capital em direção à rodovia BR-316 e o outro considerando este crescimento em direção à rodovia PA-150. O cenário que mais o preocupa é o segundo, onde ele faz as seguintes considerações:

Segundo Matta (2006, p. 131):

A ocupação de áreas hoje de pouco adensamento urbano existentes entre a PA-151 e Belém, irá modificar radicalmente a paisagem nativa, constituir aglomerações urbanas em áreas pouco servidas por infra-estrutura e contribuir para novos pontos de pressão antrópica ao sul do Combu. [...] Atualmente já existe uma presença humana intensa nos trechos próximos às linhas de transmissão da Eletronorte, e há pressões provenientes da ocupação do solo nas áreas onde estão Acará e Barcarena, com a remoção da cobertura vegetal no entorno da alça viária através de extração desordenada de madeira e com escoamento do produto em toras pela alça especialmente na direção de Tailândia. Ou então com projetos de monoculturas ou pasto.

Esta previsão realizada por Matta (2006) corrobora uma antiga preocupação dos moradores da própria ilha do Combu: a ocupação desordenada das áreas de entorno poderá representar o aumento do já desordenado processo de ocupação do território da própria ilha, o que futuramente pode também comprometer a conservação das características ambientais e socioeconômicas da mesma.

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