Uma sinopse apresentada por Kendrick (1998), nos EUA refere que as c/j em acolhimento institucional apresentam resultados educacionais pobres, sendo que a instabilidade das colocações remete para níveis altos de absentismo e de abandono escolar. Os prestadores de cuidados são fundamentais no estímulo e acompanhamento das c/j, mas investem pouco na escolaridade das c/j. Assim, os prestadores de cuidados devem “colocar
os esforços para assegurar que as crianças obtêm a melhor educação que puderem” (s/p).
São de salientar os seguintes fatores de proteção nesta área: ter estabilidade e continuidade nas colocações institucionais; aprender a ler cedo e fluentemente; ter um pai ou encarregado de educação que valorize a educação; ter amigos fora dos cuidados com sucesso escolar; desenvolver, fora da escola, interesses e hobbies; encontrar um adulto significativo que lhes ofereça apoio constante e incentivo ao agir, possivelmente, como um mentor; frequência escolar regular.
Para o pesquisador americano Henry (1999), as c/j sofrem perdas quando entram no sistema de acolhimento e em cada mudança a que são sujeitas perdem segurança. Os adultos cuidadores, c/j podem validar as suas alegrias e dificuldades e, através dos seus comportamentos, atividades e interesses, as c/j fornecem pistas sobre a forma como eles lidam com os eventos da vida, tornando-se participantes ativos no desenvolvimento de novos relacionamentos.
De acordo com o autor dos EUA, Whittaker (2000), tradicionalmente, os serviços de cuidados de grupo para crianças são descritos como: um serviço de bem-estar infantil que oferece atendimento vinte e quatro horas em instalações residenciais concebidas para terem um ambiente terapêutico. Os programas e serviços são fornecidos através de uma
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ampla gama de configurações, como apartamentos, casas de grupo de base comunitária, instalações em base de campus e noutras instalações independentes, incluindo unidades de segurança. Dentro dessas definições, as crianças e as famílias obtêm uma mistura adequada de serviços, incluindo aconselhamento, educação, lazer, saúde, nutrição, experiências de vida diária, habilidades de vida independente, serviços de reunificação, e serviços de pós- tratamento. Igualmente, obtêm uma mistura adequada de serviços, incluindo aconselhamento, educação, lazer, saúde, nutrição, experiências de vida diária, habilidades de vida independente, serviços de reunificação, e serviços de pós-tratamento.
As crianças em tratamento residencial tendem a ser, ou a ter sido, clientes de todos ou da maioria dos sistemas de serviços (bem-estar da criança, justiça juvenil, saúde mental). As tentativas de limitar as colocações residenciais num sector de atendimento através de esforços sistemáticos de desinstitucionalização que, muitas vezes, resultam num aumento das colocações residenciais noutro sector de atendimento, o que ressalta a necessidade de uma perspetiva intersistemas. Os recentes esforços da Liga do Bem-Estar Infantil da América (CWLA) e outros grupos têm colocado grande ênfase na qualidade das ligações entre a criança, o ambiente residencial, e a família. Por outras palavras, estar-se conectado com a comunidade, responsavelmente ligados às famílias, conscientes dos efeitos poderosos do meio ambiente e na orientação psico-educacional é contrastante com o “tratamento
residencial”, o que se pode exprimir-se numa contradição em termos (Whittaker 2000: 68).
Segundo uma pesquisa americana conduzida por Courtney et al. (2001), a maioria dos jovens pensa que teve “sorte” (p. 700) de ter sido colocada em cuidados institucionais e está, genericamente, satisfeita com as suas experiências nesta vertente. Bastantes jovens relataram ter relações positivas com os seus cuidadores e não desejavam retornar às famílias de origem porque estas permaneciam problemáticas.
Os investigadores britânicos Martin e Jackson (2002), concluíram que as c/j em acolhimento apresentam poucas qualificações escolares e dificuldade de acesso ao ensino superior. As famílias de acolhimento, prestadores de cuidados, assistentes sociais e professores são importantes e responsáveis no apoio e incentivo escolar mas existem estereótipos negativos e baixas expectativas por parte dos prestadores de cuidados. Também, as colocações instáveis prejudicam os resultados escolares. Frequentemente
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confrontam-se com prestadores de cuidados sem formação adequada que não promovem o incentivo escolar.
Para os referidos autores, as c/j precisam de desenvolver uma rede de relações de apoio com mentores que invistam nelas e as valorizem, o que só se consegue através de relações longas. A participação em atividades de lazer em contacto com pessoas de fora do sistema de cuidados é importante para uma sensação de realização e autoeficácia, o que aumenta a resiliência. Não poucas vezes, problemas de saúde mental, decorrentes de traumas passados, e problemas comportamentais conduzem ao insucesso escolar e, por vezes, à exclusão do sistema. Apresentam baixa autoestima e são alvo de discriminação, sendo que bastantes apresentam necessidades educativas especiais.
Os pesquisadores dos EUA Propp et al. (2003), referem que deve ser incentivada a ligação e o apego a um ambiente familiar, pois algumas famílias de nascimento não vão ser um apoio consistente quando os jovens saírem do acolhimento e muitos jovens planeiam iniciar uma vida independente. Os prestadores de cuidados incentivam a autossuficiência através da aquisição de competências tangíveis (competências concretas que incluem a educação, a vocação, a procura de emprego, procura de habitação, e as competências de consumo, tais como o orçamento) e intangíveis (tomada de decisão, competências de comunicação, competências de planeamento, de autoestima, e competências sociais). Para os jovens em acolhimento, manter as conexões e aprender a desenvolvê-las com os outros, muitas vezes, é difícil por causa das várias colocações, da falta de estabilidade e do estigma social de estarem acolhidos.
No ponto de vista do pesquisador canadiano Maclean (2003), por vezes, as c/j que dão entrada em unidades de acolhimento, são identificadas como sendo muito passivas ou muito ativas e apresentam uma multiplicidade de problemáticas. A institucionalização tem um forte impacto sobre todos os aspetos do desenvolvimento das crianças. A qualidade da instituição faz a diferença para efeitos de desenvolvimento (intelectual, físico, comportamental e sócio emocional) mas não condenam à psicopatologia. O impacto da institucionalização é maior quando combinada com fatores de risco no ambiente pré e pós institucional. No leste europeu as unidades de acolhimento são organizadas por grupos etários o que impede o desenvolvimento cognitivo - privação intelectual, física, social e emocional, mas sabe-se que o contacto entre c/j com diferentes níveis de desenvolvimento
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contribui para resultados cognitivos positivos. A existência de brinquedos em acolhimento permite a interação social e o desenvolvimento. Quando a institucionalização é combinada com outros fatores de risco (por exemplo, baixo QI, problemas de comportamento, stress dos pais, baixo nível socioeconómico), torna-se mais fácil de prever resultados de desenvolvimento mais pobres, tornando-se a institucionalização um fator de risco.
O estudo realizado por Cameron (2004), no campo de extensão da comparação entre as realidades inglesa, dinamarquesa e alemã, concluiu que na legislação dinamarquesa e alemã, a criança é concebida como um cidadão ativo com responsabilidades. Em ambos os países as c/j têm o direito de crescer em família inseridos na sua própria comunidade. “ (…)
«As crianças e as pessoas jovens devem estar envolvidas, de acordo com seu nível de desenvolvimento, em todas as decisões que lhes dizem respeito, que sejam tomadas pelos serviços de juventude legais» na Alemanha (…) ” (McQuail 2001: 5 op. cit. in Cameron 2004:
144), de acordo com a sua idade e maturidade. Nos ambientes residenciais dinamarqueses e alemães os cuidados pedagógicos incidem sobre as necessidades diárias para a saúde, educação, relacionamentos, intimidade e compreensão através de uma variedade de meios e os cuidadores assumem responsabilidades em articulação com as c/j.
Um estudante dinamarquês disse que um bom pedagogo era aquele que tinha um
“coração profissional” (p. 145). A proximidade das relações entre adultos e c/j foi vista como
um claro benefício para a qualidade dos cuidados e para a prática pedagógica. A ação cuidadora não pode ser apenas racional, pois devem ser encorajados os pequenos sucessos realizáveis. As três dimensões (mãos, cérebro e coração) são usadas em combinação para efetuar uma abordagem pedagógica para cuidar. Em Inglaterra os cuidadores têm uma formação abrangente e pouco específica, enquanto na Dinamarca e na Alemanha existe a contribuição da pedagogia social que apoia o trabalho técnico dos cuidadores.
Devem ser providas as necessidades de saúde, bem-estar e de suporte físico e emocional ao mesmo tempo que se promove a cidadania. A promoção da cidadania passa por ouvir as c/j respeitando os seus pontos de vista e envolve-los na tomada de decisão para que funcionem bem socialmente apesar das suas desvantagens. Os cuidadores deverão estimular os contactos das c/j com as famílias e com as escolas. Comparativamente com a Dinamarca e com a Alemanha, a Inglaterra não apoia tanto as relações sociais das c/j, mas as
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relações sociais da vida quotidiana são vistas, para o indivíduo, como fontes de reflexão, de crescimento e de mudança.
De acordo com o estudo de autoria do canadiano Ungar (2004), os adolescentes querem e precisam de ajuda ao nível do autocontrole, especialmente quando crescem em ambientes de alto risco. Os pais e outros cuidadores exercem forte influência na saúde mental das c/j e ajudam a construir novas identidades, ao mesmo tempo que contribuem para superar as dificuldades associadas a ambientes pobres. Os adolescentes buscam relações estreitas com os adultos para se autoconstruírem (controle benigno). Os jovens institucionalizados referem que preferem estar expostos aos riscos que as suas famílias representam do que terem colocações em acolhimento, embora estes últimos possam oferecer mais bem-estar. Um jovem satisfeito com a sua autoconstrução é menos autodestrutivo e menos desviante/delinquente do que os seus pares rejeitados pelos prestadores de cuidados. Os adolescentes permanecem ligados aos pais, mesmo quando ampliam os seus contactos sociais e devem ser orientados para prestadores de cuidados com os quais estabeleçam relações positivas.
O investigador britânico Stein (2006), refere que se verifica instabilidade nas colocações e discriminação em meio escolar. O acolhimento é muitas vezes incapaz de ter um efeito curativo relativamente às experiências danosas As colocações estáveis e a continuidade da escolaridade podem conduzir os jovens ao ensino superior. Para que se melhorem os resultados é necessário: intervir precocemente e apoiar as famílias; melhorar a qualidade dos cuidados, que permitam estabilidade e continuidade, de forma a serem compensados em relação aos traumas pelos quais passaram; proporcionar oportunidades para que as transições sejam graduais e não normativas; fornecer apoio contínuo aos jovens que precisem, principalmente aos que tiverem problemas de saúde mental e necessidades complexas.
Na perspetiva dos cientistas sociais americanos Freundlich e Avery (2006), existem preocupações sobre a qualidade da preparação da vida independente pois este treino incide pouco sobre vertentes práticas e inicia-se tarde, sendo que existe pouca disponibilidade dos serviços para prestarem apoio. Alguns jovens (outros não) sentem-se suficientemente preparados para deixarem o acolhimento. Não é promovida a necessária manutenção dos laços familiares no período de acolhimento. A saída dos indivíduos deve-se começar a
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preparar a partir do momento em que são admitidos no acolhimento independentemente do tempo de estadia. As necessidades educacionais devem ser avaliadas e tratadas de forma continua em tempo oportuno articulando os aspetos formais e informais.
De acordo com um estudo australiano, realizado por Cashmore et al. (2007), a maioria das c/j em acolhimento tem resultados escolares fracos e abandono escolar precoce. É importante que as colocações sejam estáveis e que exista um adulto de referência. É relevante a participação em atividades extracurriculares para desenvolverem diversos interesses e potencialidades. Por vezes são alvo de bullying e de descriminação e sentem-se desiludidos com a escola. Frequentemente são alvo de suspensões escolares ou de expulsões. Apresentam, genericamente, uma clara desvantagem social.
Para os americanos Dale et al. (2007), a avaliação dos resultados deve-se concentrar em mudar comportamentos direcionados, melhorando profundamente problemas comportamentais e emocionais enraizados, conseguindo uma boa educação básica, e desenvolvendo hábitos de trabalho, atitudes e habilidades. Estes são elementos fundamentais hoje considerados pelos formuladores de políticas e pesquisadores por serem essenciais para os adolescentes se tornarem autossuficientes. Verifica-se que aumentou o número de jovens delinquentes e com problemas de saúde mental que são atendidos pela assistência social o que está relacionado com políticas financeiras e de justiça juvenil. A população atual de jovens em contextos de bem-estar infantil foi crescendo cada vez mais de forma heterogénea.
Tendo em consideração uma investigação sueca liderada Vinnerljung e Sallnäs (2008), bastantes c/j em acolhimento são antissociais (grupo de alto risco) e revelam problemas de saúde mental. A mudança de colocação pode levar à delinquência, principalmente entre os indivíduos masculinos, e é um indicador robusto de mau prognóstico para os adolescentes. É evidente a necessidade de prestação de serviços de saúde mental e de educação sexual.
Na pesquisa australiana, levada a cabo por Raymond e Heseltine (2008), é dito que as c/j institucionalizadas são um grupo populacional distinto com níveis mais elevados de comportamentos emocionais desproporcionais e que se relacionam com problemas de conduta. Muitos apresentam problemas complexos de saúde mental. Os ambientes são tradicionalmente caracterizados por um ratio desproporcional entre jovens e adultos, uma
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equipa de prestadores de cuidados com elevada rotatividade, rotinas estruturadas e institucionalizadas, e podem incluir ambientes emocionalmente carregados ou voláteis. Os cuidadores parecem ter um papel central no fornecimento de modelos, uma vez que dizem respeito à construção de papéis adultos. Como os jovens se aproximam da sua transição para a independência e para a vida adulta, o papel e a importância do grupo cuidador de referência vai tornar-se mais importante função dos agentes que cuidam com os clientes permite relacionamentos duradouros com qualidade. Estes jovens são socializados e apoiados para obterem a independência - conseguida à custa da continuidade das relações com os cuidadores significativos. A idade adulta também é construída considerando a obtenção da responsabilidade face ao outro, o que representa ter capacidade para cuidar dos outros.
A investigação canadiana concretizada por Marquis et al. (2008), refere que as crianças negligenciadas e as que foram alvo de maus-tratos físicos apresentam necessidades diversificadas, pelo deverão ser integradas em respostas diferenciadas, sendo que as crianças maltratadas fisicamente apresentam dificuldades de adaptação devido a uma panóplia de dificuldades.
Os investigadores israelitas Grupper e Mero-Jaffe (2008), defendem que é necessário mudar a atitude dos prestadores de cuidados para com as famílias das crianças em acolhimento – os pais devem deixar de ser vistos como parte dos problemas das crianças, mas sim como parte das soluções, pois devem ser envolvidas no crescimento e desenvolvimento das c/j. Deve-se fomentar uma cultura de aprendizagem e desenvolvimento de competências, pelo que as famílias devem ser enquadradas no espaço de acolhimento e apoiadas na aquisição de competências para que se reabilitem as relações com as c/j e se tornem menos marcadas as diferenças entre as duas formas de vida. Os cuidadores têm uma imagem estereotipada das famílias relacionadas com os motivos do acolhimento, o que se pode esbater se se estreitarem os laços entre as residências de acolhimento e a comunidade envolvente. Em acolhimento o trabalho deve ser holístico com a finalidade de aumentar a eficácia do trabalho com os pais, pelo que é muito importante fortalecer os canais de comunicação com a comunidade local e com os serviços a que as crianças podem recorrer.
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Também o estudo norte-americano, dirigido por Dworsky & Courtney (2009), revela que as c/j passam por colocações instáveis que não possibilitam o estabelecimento de relações fortes e contínuas com os prestadores de cuidados e, também, devido a características pessoais dos jovens (comportamentos ou problemas emocionais; problemas escolares; potencialidade para a autossuficiência; idade de entrada; fugas, etc.). É importante a manutenção dos laços familiares de forma a assegurar a continuidade do apoio após a transição. Também se salienta a importância da existência de relações de apoio consistentes com cuidadores adultos (mentores) como forma de lhes ser possibilitada a continuidade de apoio após a saída. Os jovens que ficam em acolhimento até aos dezanove anos, ou mais, apresentam melhores taxas de resultados do que os seus pares que são descarregados do sistema mais cedo. Muitos demonstram dificuldades em estabelecer relações positivas com prestadores de cuidados, mas permanecem os contactos com as famílias de origem.
Para os investigadores australianos Tilbury et al. (2009), estes jovens são desfavorecidos e apresentam resultados escolares diminutos, pelo que se encontram mal preparados para realizarem a transição para a vida adulta. Os jovens salientam os aspetos que consideram relevantes para o seu sucesso pela via do acolhimento institucional: a importância de terem confiança, otimismo e determinação pessoal; terem relações de apoio, terem alguém para acreditar neles e incentivá-los, terem oportunidades de alcançar os seus objetivos; terem vias para obterem informações sobre como conseguir o emprego desejado, terem experiências escolares positivas (ao nível académico e com os pares), e terem estabilidade noutros aspetos da vida, incluindo na colocação nos cuidados.
Os mesmos autores salientam que a instabilidade das colocações contribui para o fraco aproveitamento e abandono escolar. Sentir “segurança” é importante para o sucesso escolar. Todavia, algumas mudanças nas colocações e nas escolas poderão revelar-se positivas. Os jovens precisam de apoio para traçarem os seus percursos profissionais. Alguns sentem que não podem confiar em ninguém e que estão “por sua conta”. As intervenções devem ser orientadas para melhorar a confiança psicológica e o bem-estar relacionados com a carreira. As próprias crianças, como resultado das suas experiências, podem ter baixas aspirações para alcançar objetivos académicos e ocupacionais. Tal como outros jovens, eles têm aspirações de carreira que precisam ser nutridas e trabalhadas.
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Ainda de acordo com Tilbury et al. (2009), os jovens que deixaram os cuidados apresentavam mais problemas de saúde mental do que os jovens sem-abrigo sem história de assistência social. As dificuldades escolares provêm de uma constelação de fatores: influências estruturais de classe social, etnia e género, privação de cuidados iniciais, incluindo desagregação familiar, altas taxas de exclusão escolar e de absentismo, frequentem movimentos nas colocações com consequentes interrupções escolares, falta de coordenação entre o pessoal de educação e proteção da criança, a falta de atenção às necessidades educacionais, profissionais, e baixas expectativas mantidas por famílias de acolhimento, assistentes sociais e professores.
Os pesquisadores britânicos Forrester et al. (2009), defendem que os resultados das c/j em acolhimento são geralmente considerados pobres. As crianças que entram em acolhimento tendem a ter sérios problemas, mas, em geral, o bem-estar melhora ao longo do tempo. A Inglaterra e País de Gales devem-se mover em direção a um sistema escandinavo de acolhimento, em que os cuidados são vistos como uma forma de apoio à família e são fornecidos para muitas crianças e famílias. O acolhimento fornece um modelo educativo que se aproxima da vida familiar normal, sendo que as relações positivas são nutritivas para as c/j. O acolhimento tende a melhorar o bem-estar das crianças mas tem implicações diferentes para diferentes tipos de crianças. O acolhimento permanente tende a produzir os melhores resultados para as crianças que ingressam. A maioria das crianças em acolhimento deve manter laços com a sua família de origem.
De acordo comos supracitados autores, a abordagem francesa, alemã e escandinava presta apoio a maior número de c/j mas também contempla os resultados a atingir entre este grupo vulnerável, ou seja, o acolhimento é uma forma de apoio às famílias com maiores dificuldades e não a remoção compulsória das c/j das suas casas. O acolhimento é caro mas é rentável a longo prazo porque é mais barato do que a prisão ou tratamento psiquiátrico hospitalar.
O estudo realizado nos EUA por Hagaman et al. (2010), concluiu que as c/j em acolhimento são um grupo heterogéneo que apresenta várias combinações de risco e podem ter comportamentos relacionados com a quebra de regras e agressões (níveis elevados de externalização), insucesso escolar, revelam deficits de funcionamento global relacionados com a escola o que se traduz em absentismo e em desistência. As crianças não
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apresentam os riscos no mesmo grau pois existem diferenças na forma como os dois géneros manifestam os riscos. É uma população considerada de alto risco em que coexistem crianças com e sem problemas com e sem abuso de substâncias, crianças com e sem diagnóstico de deficiência e crianças com e sem risco para distúrbios de linguagem. A presença de heterogeneidade de problemáticas pode levar a riscos múltiplos e a resultados negativos (evasão escolar, abuso de drogas, falta de emprego estável e dificuldade no acesso