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Den interne styringen av bevarings- og sikringsarbeidet ved Universitetet i Oslo

4.3 Styringen av arbeidet med å bevare og sikre samlingene

4.3.2 Den interne styringen av bevarings- og sikringsarbeidet ved Universitetet i Oslo

Entrevistámos os jornalistas de ambos os setores, de forma a compreender o reduzido espaço da cultura nos noticiários. Abordámos a coordenadora da agenda e planeamento da TVI, sobre o reduzido espaço da cultura nos noticiários e esta defende que “os canais generalistas dão pouca visibilidade à cultura, ainda vai aparecendo mas são mais temas relacionados com música e cinema essencialmente” (Filipa Salema). O que concluímos através da análise de conteúdos é que os temas culturais retratados nos noticiários têm uma tendência para serem produtos da indústria cultural, ou seja, são destinados para as massas (música, moda e cinema).

O jornalista Rui Lagartinho, também aborda esta problemática e defende que “há um divórcio entre a perceção do que é cultura e do que é popular, no entanto isso não corresponde bem a verdade, pois ainda há um grande distanciamento entre o que é a cultura e a cultura popular, pois o que é popular é o que acaba por ser arrastado pelo fenómeno da televisão, pelo stand up comedy e programas desse género mais destinados ao consumo de massas, é isso que vende”. Em outra prisma, muitas vezes os noticiários fecham o com fait divers, perante isto Rui Lagartinho, refere que “o facto de apostaram num faitdiver e não apostarem numa notícia de cultura esta relacionado com a pouca perceção da cultura”, defende o jornalista.

Podemos considerar que, na opinião dos jornalistas ligados à cultura, existe um ciclo vicioso: os meios de comunicação não divulgam, o público não cria hábitos e rotinas, logo não se interessa; depois por outro lado se não divulgas o interesse não aumenta, se o interesse não aumenta, os meios não querem divulgar um assunto que supostamente não tem interesse. Para o jornalista da RTP1, “a cultura é discriminada, normalmente um jornal não prescinde da seção de cultura não entendemos como há noticiários sem cultura, é uma fatalidade mas não é só por cá, é um pouco por todo o mundo”.

Dentro da cultura, o teatro, a fotografia, a pintura e a escultura, são subcategorias quase inexistentes, o apresentador João Paulo Sacadura aborda essa questão e afirma que tem “consciência que a percentagem do teatro nos noticiários televisivos é quase nula, porque ainda não conseguimos encontrar uma forma que a tornasse rentável e os nossos decisores ainda não entenderam a importância da cultura para nós, como cidadãos da europa e do mundo. Quem manda, nomeadamente os nossos políticos, ainda não perceberam que a cultura é muito importante como nossa fator de formação e identidade pessoal. Não apostam nesta área, pois em tom de ironia, achamos que é mais importante o futebol, as novelas, entre outras áreas que achamos mais importantes que a cultura”. Para o apresentador um problema residual é o facto de “as pessoas ainda não se aperceberam da importância da cultura e há um grande problema que é a questão da rentabilidade, mas a cultura usada inteligentemente pode gerar dinheiro, gerar investimento”. (João Paulo Sacadura, ex apresentador do Cartaz das Artes – TVI).

6.1.2. Do lado dos artistas

Do lado dos artistas, a nível geral percebe-se o descontentamento dos artistas perante o espaço insignificante que os temas culturais ocupam na televisão a nível geral. O ator António Oliveira, expressa que “é tão simples que até parece absurdo o reduzido espaço que a cultura ocupa nos noticiários e nos meios de comunicação em geral”. (António Oliveira). Perante o desfavorecimento de temas menos noticiados nos noticiários portugueses o ator António Oliveira pensa que “em Portugal o que acontece é que “temas como a cultura, a educação, a saúde, a ciência, estão dissociados, uma vez que, para nós são áreas distintas, já em outros países desde que eles sejam fatores de desenvolvimento humano, desde que marcam a atualidade e sejam pertinentes na sua forma de expressão, estes temas fazem parte de muitos noticiários”. Isto acontece porque a lógica das televisões assenta numa política económica, face a isto o ator dos Radar 360º “não podemos ignorar, de modo algum que o “modus operandi” da sociedade que vivemos assenta numa lógica maioritariamente capitalista que assenta numa lógica de lucro. Na minha ótica estamos numa lógica de números, escalas, metas, audiências e objetivos que transcendem por absoluto os conteúdos dos próprios programas”, acrescenta António Oliveira. Por outro lado não é tão difícil de

divulgar a cultura, “se houver vontade e as pessoas quiserem é fácil e melhor que isso fundamental” (António Oliveira).

De forma a justificar melhor as afirmações enunciadas, entrevistámos o diretor do Imaginarius (festival Internacional de teatro de rua) José Cardoso, de forma a perceber a sua perspetiva no que respeita ao espaço dos temas culturais nos noticiários das televisões portuguesas. O diretor do festival defende que hoje a cultura tem o espaço que tem, “talvez por as agendas noticiosas darem mais relevância a outro tipo de assuntos. Geralmente o assunto que está na ordem do dia é a economia, e dado isto, talvez se dê menos importância ao tema cultura. É acima de tudo uma questão de agenda e dos temas que vendem mais ou que vendem menos em termos de interesse do público em geral, e infelizmente o público em geral não está tão interessado ou preocupado com os temas de cultura”, refere.

Falta de sensibilidade por parte dos meios de comunicação, pensamento capitalista e falta de conhecimento são as razões mais enunciadas para que a cultura ocupe o espaço insignificante que ocupa nos noticiários públicos e privados das televisões nacionais portuguesas.

6.1.3 Do lado do diretor de informação

Para o diretor de informação da TVI, José Alberto Carvalho, a cultura nos media portugueses, sobretudo na televisão é encarada como uma atitude paternalista, o jornalista explica-se em relação ao conceito e refere que “quando digo paternalista é neste sentido de incentivar as pessoas a consumirem bens culturais, e deste ponto de vista há um exercício do jornalismo diferente daquilo que existe sobre a política, sobre a economia, sobre o desporto, e sobre todos os outros temas”, salienta.

Falamos com o diretor de informação, sobre o reduzido espaço que a cultura ocupa nos noticiários portugueses, e José Alberto Carvalho, salientou que há uma leitura precipitada sobre a cultura, em relação aos meios de comunicação, “acho francamente preconceituoso a relação que os media estabelecem com a cultura, quando na verdade o que nós nos devíamos questionar era qual é a educação que nos temos para as artes na escola, e qual é a educação que temos para com as artes em família".

6.1.4. Nível académico

De forma a aprofundar o conteúdo através da técnica das entrevistas, falamos com a autora Isabel Ferin Cunha, o conhecimento académico permitiu-nos alargar os horizontes e comparar a observação a vários níveis de análise. Segundo a autora, a cultura quase nunca é notícia, “porque não é um tema que suscite, na opinião dos programadores e editores, grandes audiências”. O que podemos concluir é que a base para a cultura ser publicitada

passa pelas audiências, ou seja, se não é um produto que não vende é um produto não noticiado.

6.2) O interesse do público por cultura