• No results found

Den digitale transformasjonen

5 Diskusjon

5.1 Den digitale transformasjonen

Das oficinas de musicalização, foram selecionados, através de observação por profissionais qualificados e com auxílio de professores da escola, alunos para integrar o segundo segmento do Projeto, o Curso de Formação Musical Pequenos Embaixadores da Paz. Os jovens que compõem o grupo tinham aulas de teoria e prática musical duas vezes por semana, com professores contratados pelo Projeto.

Além das aulas de música, realizaram atividades dirigidas por um psicólogo ou psicopedagogo, que se responsabilizava por outros aspectos, considerados fundamentais para a formação destes meninos e meninas, segundo as premissas do Projeto. Entre os assuntos tratados com os alunos estavam o estudo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, debates e reflexões sobre questões de convivência (gênero, etnias, culturas, resoluções de conflitos, entre outros) e, principalmente, atividades que promoviam a compreensão clara do papel de um Pequeno Embaixador da Paz, conforme o Projeto que era de ser um sujeito melhor, socializado, eram oferecidas a eles informações que pudessem qualificá-lo para sua vida pessoal e profissional. Este papel era entendido como além de ser um músico, o Pequeno Embaixador da Paz deveria ser um cidadão melhor.

Nos dois primeiros anos do Projeto, em Porto Alegre, por determinação da Secretaria Municipal de Educação (SMED), sob a administração municipal do Partido dos Trabalhadores (PT), os alunos, pertencentes a este grupo, não recebiam cesta básica, conforme acontecia com seus colegas dos projetos do restante do País. O entendimento da Secretaria era que havia outra forma de auxílio que os obrigaria a participar do Projeto para ajudarem a família. A sugestão da SMED, portanto, era que fossem doados kits de instrumentos musicais mensais a estes alunos, e foi o que aconteceu. Esses kits vinham todos os meses de São Paulo e continham alguns instrumentos que os alunos recebiam e levavam para as suas casas, onde poderiam praticar e ensaiar o que aprendiam no Projeto. Foram doados: pandeiros, flautas, xilofones, violões, violinos, violoncelos e teclados.

A partir de julho de 2006, Porto Alegre já estava sob a administração pública do Partido Popular Socialista (PPS) desde janeiro de 2005 (Eleições de 2004). As orientações políticas eram outras dentro da Secretaria de Educação, pois a sua equipe técnica que acompanhava o Projeto mudou a partir de janeiro de 2005. Os alunos, pertencentes ao grupo referido acima, passaram a receber auxílio financeiro, uma espécie de bolsa de estudos, assim como nas demais capitais do Brasil, onde havia Projeto TIM. Os alunos menores de 15 anos recebem uma cesta básica no valor de R$ 60,00 mensalmente; os maiores de 15 anos, uma bolsa de R$ 150,00 em dinheiro depositado em uma conta individual. Esta distinção para os maiores de 15 anos foi a opção do Projeto, por observar que alunos, acima desta idade, são considerados por suas famílias como membro economicamente ativo, participando da renda familiar no mercado de trabalho informal. Então, uma ajuda de custo auxiliaria a família e os desobrigaria desta contribuição, permitindo maior empenho e desenvolvimento nas atividades da formação de embaixadores.

Na escola Nossa Senhora de Fátima, os alunos das turmas que participaram das Oficinas de Musicalização foram selecionados com auxílio da equipe diretiva, para fazerem um teste com o maestro local do Projeto e participar do grupo dos Pequenos Embaixadores da Paz. Dos selecionados, foram aprovados 08 alunos, considerados com as aptidões musicais necessárias para o curso, que se juntaram ao grupo de 30 alunos, para fazer o curso em Porto Alegre. O restante do grupo vinha das outras duas escolas, na sua maioria, da Restinga – EMEF Carlos Pessoa de Brum – cujos representantes representavam 50% do grupo.

De 2003 até 2007, houve a substituição de um aluno da EMEF Nossa Senhora de Fátima, por excesso de faltas: “Ele não conseguia acordar para aula e não teve apoio familiar”, justificou a coordenadora dos embaixadores.

Ainda explica a coordenadora dos embaixadores:

“Algumas dificuldades com os demais foram sendo superadas pouco a pouco, e construídas cotidianamente. Como, por exemplo, questões de disciplina, convivência em grupo, nas questões de sexualidade, cuidados com o corpo e higiene” (Coordenadora dos embaixadores, Diário de campo agosto 2007)

Os alunos da EMEF Nossa Senhora de Fátima que participaram desta formação eram considerados assíduos, unidos e tinham muita facilidade com o aprendizado musical, segundo os professores de música do Projeto, que fizeram a formação dos Embaixadores da Paz. A coordenadora dos embaixadores acredita que estes fatores estavam relacionados mais com a oferta de oportunidades do Projeto do que com o perfil familiar, já que, entre eles, havia casos bem complicados, segundo a sua avaliação:

“tivemos dois alunos, cujos pais apresentam problemas sérios. A mãe de uma menina tem problemas mentais e a de um menino é alcoólatra, e isso não os faz menos empenhados. Ambos têm um desenvolvimento melhor do que alguns alunos com famílias bem mais equilibradas. Conforme a coordenadora, na ‘Bonja’ a musicalidade é forte, especialmente o samba, isso ajuda muito a motivá-los” (Coordenadora dos embaixadores, Diário de campo agosto 2007).

De acordo com a coordenadora dos embaixadores, os pais, em geral, achavam que os filhos ficaram mais responsáveis. Eles veem a oportunidade de um futuro profissional no Projeto e um benefício imediato, com o oferecimento da cesta básica.

“[...] a extrema carência fez um efeito positivo no sentido de valorizarem a oportunidade. O horizonte ‘além da vila’, a oportunidade de participar de um grupo que não é ‘a comunidade’, é formado por alunos e professores de outras comunidades, com outras vivências, de outros níveis sociais que, no entanto, estão em pé de igualdade com eles, isso os motiva, com certeza. Neste contexto, eles são especiais” (Coordenadora dos embaixadores, Diário de campo agosto 2007).

A oportunidade foi valorizada até certo ponto, pois não foi o suficiente para mantê-los engajados no Projeto. Os alunos desistiam depois de algum tempo, por não se sentirem aptos para o que era proposto no Projeto. Novamente, surge a dificuldade de rompimento com a lógica escolar: de um grande grupo de alunos, é feita uma seleção dos “mais capazes”, para seguirem com certos privilégios de aprimoramento no aprendizado e na qualificação dentro do Projeto, formando-se, assim, os Pequenos Embaixadores da Paz. São usados critérios que os qualifica e diferencia musicalmente, conforme pode ser observado com a pesquisa. No entanto,

não foram analisadas as competências e as habilidades, assim como as qualidades subjetivas destes alunos.

Figura 2 – Apresentação Embaixadores da PAZ – Porto Alegre Feira do Livro de 2007 Fonte: Material Prêmio LIF, 2007.