O coeficiente de variação (CV) da vibração total ponderada em frequência, ahv, foi calculado para cada ensaio utilizando a ferramenta Sabre-Saw e no final foi calculada a média dos ensaios realizados tanto na pega da ferramenta (n= 8 operadores), como no punho dos operadores (n= 32 operadores) (tabela 4.3).
Tabela 4.3: Variabilidade de ahv, medida na pega da ferramenta elétrica (n= 8 operadores) e no punho dos operadores (n= 32 operadores), durante os ensaios em contexto simulado de trabalho com a ferramenta Sabre-Saw
Medições na pega Medições no punho
CV (%) CV (%) Média (Min-Máx) Média (Min-Máx)
Ensaios em vazio Sem luvas 2,39 (0,67-4,65) 9,26 (2,11-19,96) Ensaios em corte Sem luvas 5,21 (1,17-10,75) 9,89 (3,46-25,71) Luvas 1 2,42 (1,18-4,64) 8,24 (3,31-17,11) Luvas 2 2,53 (0,68-6,05) 7,76 (3,77-14,78) Luvas 3 1,87 (0,81-3,16) 7,64 (3,44-16,78) Luvas 4 2,23 (0,80-5,18) 8,49 (1,89-16,33)
Ao analisar os resultados obtidos para a ferramenta Sabre-Saw ao nível da pega e do punho dos operadores, constata-se que todos os valores de CV se situam abaixo dos 10%, significando que o conjunto de dados registados é razoavelmente homogéneo.
Depois de verificada a homogeneidade dos valores obtidos de ahv nos diferentes ensaios e tal como na tarefa 1, também aqui é interessante verificar se existem, ou não, diferenças significativas entre os ensaios realizados pelos operadores, ao mesmo tempo que se confere a sua consistência. Desta forma, foram inseridos no software SPSS, separadamente para cada tipo de medição (na pega da ferramenta e no punho dos operadores), os valores correspondentes a cada um dos 6 ensaios referidos na tabela 4.3. Foi utilizado o teste não paramétrico Wilcoxon Signed Ranks para determinar os valores de p-level a partir dos valores calculados do CV. A tabela 4.4 apresenta os valores de p-level obtidos.
Tabela 4.4: Valores de p-level obtidos pelo teste estatístico não paramétrico Wilcoxon Signed Ranks, quando se comparam os valores do CV dos 6 ensaios entre si, utilizando a ferramenta Sabre-Saw e fazendo a distinção entre valores com o acelerómetro localizado na pega da ferramenta e no punho dos operadores
CV (%)
Ensaios em vazio Ensaios em corte
Sem luvas Sem luvas Luvas 1 Luvas 2 Luvas 3 Luvas 4
Na pega Ensaios em vazio Sem luvas — 0,123 0,832 0,595 0,380 0,942 Ensaios em corte Sem luvas — — 0,034(*) 0,105 0,027(*) 0,020(*) Luvas 1 — — — 0,680 0,059 0,317 Luvas 2 — — — — 0,197 0,498 Luvas 3 — — — — — 0,257 Luvas 4 — — — — — — No punho Ensaios em vazio Sem luvas — 0,458 0,607 0,182 0,224 0,969 Ensaios em corte Sem luvas — — 0,229 0,122 0,071 0,566 Luvas 1 — — — 0,748 0,855 0,627 Luvas 2 — — — — 0,856 0,325 Luvas 3 — — — — — 0,291 Luvas 4 — — — — — —
4.1. VARIABILIDADE DE AHVNAS DIFERENTES TAREFAS 59 pega da ferramenta e com um nível de confiança de 95%, verifica-se que a variabilidade da vibração nos ensaios realizados em vazio não apresenta diferenças significativas (p-level<0,05) em relação aos ensaios realizados em corte. Pode então constatar-se que as operações de corte e o modo operatório de cada operador, derivado das caraterísticas técnicas da luva, da força de preensão da ferramenta, da força vertical de corte, da pressão de contato entre a ferramenta e a mão do operador, da postura do punho, do braço, do corpo e a própria aptidão do operador, não interferem significativamente (p-level<0,05) com a variabilidade da vibração emitida pela ferramenta.
De notar também que, não existem diferenças significativas (p-level<0,05) nas medições realizadas no punho do operador, entre os ensaios realizados em vazio e os ensaios realizados em corte. Tal fato poderá ficar a dever-se à instrução que foi obtida pelos operadores antes de efetuarem os ensaios, permitindo assim que mantivessem uma postura de trabalho muito semelhante entre si e consequentemente um nível de variabilidade idêntico entre ensaios.
Analisando pormenorizadamente a tabela 4.4, conjuntamente com a tabela 4.3, referente à tarefa em que se utilizou a ferramenta Sabre-Saw, pode afirmar-se com um nível de confiança de 95% o seguinte:
• Para os ensaios realizados com o acelerómetro na pega da ferramenta, verificaram-se diferenças significativas (p-level<0,05), entre os ensaios efetuados em corte, sem luvas, comparativamente com os ensaios realizados em corte, com luvas tipo 1, tipo 3 e tipo 4. Em todos os casos se verificou um aumento significativo de variabilidade (≈ 3-4% CV). Daqui podemos concluir que, nos ensaios em corte, a utilização de luvas anti-vibratórias diminui significativamente (p-level<0,05) a variabilidade da vibração recebida do punho dos operadores.
• Para os ensaios realizados com o acelerómetro no punho do operador, não foram registadas quaisquer diferenças significativas (p-level<0,05) entre os vários ensaios em vazio e em corte.
4.2 Comparação dos valores de aceleração da vibração das
ferramentas declarados pelos fabricantes com os valores
obtidos em contexto simulado de trabalho
Depois de se perceber o comportamento das ferramentas elétricas manuais utilizadas nesta investigação ao nível das vibrações emitidas, torna-se interessante comparar os valores das vibrações totais, ahv, obtidos em contexto simulado de trabalho, em ambas as tarefas, com os valores declarados pelos fabricantes e ainda com os valores ajustados derivados dos fatores multiplicativos propostos no CEN/TR 15350.
Para isso, apresentam-se de seguida na tabela 4.5, os valores da vibração total, ahv, emitida pelas duas ferramentas elétricas manuais (acelerómetro na pega das ferramentas).
Tabela 4.5: Valores de ahvemitidos pelas ferramentas. Medições feitas na pega das ferramentas durante os ensaios em contexto simulado de trabalho, com o acelerómetro na pega (n= 8 operadores)
Multicutter/ Pega Sabre-Saw/ Pega
ahv(m.s-2) ahv(m.s-2
Média (Min-Máx) Média (Min-Máx)
Ensaios em vazio Sem luvas 18,35 (13,60-24,30) 17,94 (16,00-20,90) Ensaios em corte Sem luvas 18,59 (15,00-23,40) 19,91 (16,80-26,20) Luvas 1 16,05 (13,40-19,00) 18,29 (15,60-20,80) Luvas 2 16,13 (10,80-20,50) 17,05 (15,20-19,10) Luvas 3 16,58 (12,40-23,20) 18,06 (15,20-20,60) Luvas 4 15,00 (11,40-19,40) 17,78 (15,40-20,90)
Sabe-se também que os valores indicados nas especificações técnicas das ferramentas, para o trabalho em madeira e aço, com as ferramentas Multicutter e Sabre-Saw, são respetivamente de 13,1 m.s-2e 19,0 m.s-2, de acordo com a tabela 3.1.
Por outro lado, consultando a tabela 2.4, pode constatar-se que, consoante o tipo de ferramenta elétrica, o fator multiplicativo que deve ser considerado para determinar o valor ajustado da ferramenta pode variar. Utilizou-se o fator multiplicativo de 1,5 para a ferramenta Multicutter, pois trata-se de uma ferramenta não específica e o fator multiplicativo de 2,0 para a ferramenta Sabre-Saw, conforme indica a tabela 2.4.
Para uma melhor visualização e análise desta comparação de valores, construiu-se o gráfico presente na figura 4.1.