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3.   BONUSPROGRAMMER I LUFTFARTSBRANSJEN

3.4   V IRKNINGER AV BONUSPROGRAM

3.4.1   Dempet konkurranse og innelåsning

Meu primeiro contato com o assunto foi quando entrevistei Bruno – o Ga- 10 Fonte: www.gavioes.com.br

vião consciente. Naquele dia, conversei com muitas pessoas e acabei sugerindo os questionamentos dele em outras entrevistas para saber se existia um consenso. Identiiquei várias opiniões semelhantes as que esse rapaz tinha, mas a dele era a que mais se enquadrava nessa ideia de oposição:

– A escola de samba e a torcida são uma coisa só? Você faz parte das duas? – Não, só da torcida mesmo.

– E como funciona essa divisão?

– De outubro a fevereiro predominam os assuntos do Carnaval, mesmo sen- do em uma época compatível com as inais de campeonatos. Mas eu sou contra, isso divide a opinião da torcida. Não dá, desvia o foco.

– E vocês não podem mudar isso?

– A torcida acaba se dividindo mesmo e uns icam mais com a escola. Mas não adianta reclamar porque não vai mudar: a lição entre os membros da Gaviões é ouvir muito e falar nada, em respeito aos mais velhos e à experiência.

Eu entendia o que Bruno queria dizer, tanto que falou pouco sobre isso, mesmo deixando claro o seu descontentamento. Mas, ao mesmo tempo em que alguns pensavam como ele, outros viam na escola de samba um complemento da torcida. Esse era o caso de Pantchinho, mestre de bateria da Gaviões da Fiel durante onze anos – com intervalo de dois anos para assumir a presidência da torcida em 2009.

– O que signiica pra você estar à frente da bateria da Gaviões?

– O que eu mais queria é estar onde eu estou. Por exemplo, eu nunca tive a intenção de ser presidente, aconteceu.

– E como você vê o papel da bateria durante os jogos?

– Sem a bateria não tem jogo! Nada acontece! Quer dizer, acontece, vai, mas com uma qualidade menor.

– E a relação da escola de samba com a torcida, é assim também? Tem uma grande participação?

– A intenção foi justamente essa quando ela foi criada. Chegava uma certa época que tudo icava parado, aí o pessoal acabava indo para as outras escolas de samba, nos bairros. Quem morava na Bela Vista ia lá pra Vai-Vai, na Barra Funda ia pro Camisa11, Nenê12 na Zona Leste, então a gente fez isso pra agregar mesmo.

No início nem era um bloco de competição, mas chegou uma hora que todo ano 11 Referência à escola de samba Camisa Verde e Branco (SP).

a gente ganhava. De 13 campeonatos disputados pelo bloco, a gente ganhou 12! E aí, o que aconteceu, nós fomos os primeiros a colocar um carro iluminado no sambódromo, então acabaram convidando a gente para disputar. Nisso, a escola de samba foi crescendo em uma proporção que a gente não conseguia sustentar: a gente tinha a opção de parar, continuar uma torcida, sem o compromisso com o carnaval, mas, na época, os Gaviões optaram por esse desaio.

– E qual foi a importância disso?

– Isso foi muito bom, até mesmo pra entidade. A gente precisa disso, você viu aí hoje, nossa escolinha de bateria tinha mais de 150 alunos. Talvez, se não esti- vessem aqui, estariam no bairro. Isso é importante também pra comunidade, eles agregam valores, é cada com a sua habilidade, quer dizer, uns pra ritmo, outros pra organizar o desile, fazer a coreograia, enim.

Na sede da Gaviões da Fiel, a garotada se dividia entre os instrumentos. Pan- tchinho tinha razão, a maioria deles era jovem, precisava de uma referência para não se perder no mundo. Não dou razão para a falta de representatividade como a que alguns torcedores parecem enfrentar – como é possível ver nesse caso – mesmo que conscientemente. Mas eu pude acompanhar o ensaio e são várias gerações reunidas, de adultos a crianças. No ritmo dos chocalhos, ripas, caixas e surdos, não havia como impedir os pés de sambarem – nem os meus.

Naquele im de tarde, tive a oportunidade de ver duas cenas que representa- vam cada um desses extremos: na primeira, um garotinho tocava uma ripa13 com

a mesma velocidade de um adulto, demonstrando habilidade e muito ensaio. No entanto, o que atraía a sua atenção, era o amigo que, perto dali, corria e brincava com uma bola. Dividida, a criança olhava, esboçava uma tentativa de se livrar do instrumento – quase ou maior que ela – e voltava a bater. Não sabia se brincava ou prestava atenção no que estava ensaiando, da mesma forma que os membros, divididos em opiniões diferentes: torcer nas arquibancadas ou se dedicar ao sam- ba? Qual era o verdadeiro papel de um torcedor organizado?

Já a outra cena, transparecia o que Pantchinho queria me provar. Ele falava sobre a importância e a necessidade de unir os Gaviões. Trazer o samba à sede da torcida e colocá-la no sambódromo combinava duas paixões que não podiam ser separadas: no im da tarde, todos os alunos da escolinha que ensaiavam em frente ao galpão da escola de samba, se posicionaram para atravessar a rua até a sede, do 13 É o chamado repenique: um instrumento pequeno tocado com baqueta em uma das mãos

outro lado. A avenida movimentada e com enorme luxo de carros parou para ver a bateria passar. O hino ecoava no quarteirão todo, nas vozes de todos aqueles corintianos, seguido pelas batidas:

“Lááá, laiálaiálaiálaiá ôôôô Laiálaiá laiálaiálaiálaiá porópópó Salve o Corinthians,

O campeão dos campeões,

Eternamente dentro dos nossos corações Salve o Corinthians de tradições e glórias mil Tu és orgulho

Dos esportistas do Brasil Porópópó”

E antes que alguém imagine demais, dessa vez meus pés icaram quietinhos. Sambar ao som do hino adversário? Jamais. Dá azar!

C A P Í T U L O 6

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