Nesta investigação, propusemo-nos a observar a prática de três professoras que atuam no ensino de LEC, denominadas P1, P2 e P3. Foram analisadas com isso, duas escolas distintas, sendo P1 e P2 contratadas pela rede municipal de ensino e P3 professora efetiva da rede privada de ensino. Além disso, a formação das professoras escolhidas para análise das aulas era distinta, sendo P1 e P3 formadas em Letras e P2 graduada em Pedagogia.
O período de observação das aulas analisadas pela pesquisadora teve duração de cinco meses, na escola municipal, e dois meses na rede privada. Por meio da observação das aulas e com o contato com as professoras, pudemos notar que P1 e P2 não possuem satisfação profissional com as aulas de inglês, admitindo ministrar essas aulas devido à necessidade financeira. Já no que diz respeito a P3, vemos que se mostra bastante
satisfeita com seu trabalho, aparentando maior disposição e estímulo para ministrar as aulas de inglês.
Por meio da análise das aulas das três participantes da pesquisa, pôde ser percebida a adoção de determinadas práticas que mostraram um pouco das concepções de linguagem e ensino das educadoras em relação ao que acreditam ser ensinar uma LE. A análise dos dados nos revelou que as aulas de LEC são geralmente ministradas por graduados em Letras, já que pudemos comprovar na escola municipal a existência de processos seletivos, que selecionam professores formados em Letras para ocuparem o cargo de professor de inglês nas escolas de Educação Infantil e de Ensino Fundamental I. No que diz respeito à rede privada de ensino, não há nenhum teste, sendo a escolha dos professores feita por meio da análise de currículos. No entanto, como a implantação desse ensino não foi legitimada por nenhuma lei, não existem diretrizes que ordenem uma formação específica para nenhum professor. Além disso, existem leis internas nas escolas que permitem, na ausência de educadores aprovados no processo seletivo, a ocupação das aulas de LI por professores efetivos da escola. Com isso, foi possível encontrar um profissional da área de Pedagogia atuando no ensino de LEC na função de substituta.
Foi possível constatar que a formação do professor possui grande influência na sua prática em sala de aula, aliada as suas crenças, já que nenhuma das professoras recebeu formação específica para trabalhar inglês com crianças do Ensino Fundamental I. Dessa forma, elas buscam se adequar ao ensino de LEC auxiliadas pelas proposições do material didático.
Essas constatações se deram por meio da comparação entre as respostas obtidas por meio do questionário, e da entrevista e a observação da prática de cada uma delas. No que diz respeito a P1, pudemos verificar que sua opinião acerca do ensino de LEC se difere bastante de sua prática em sala de aula. A professora, por possuir magistério, conhece as características do aprendiz criança, e com a formação em Letras, parece saber um pouco sobre a metodologia do ensino de inglês. Dessa forma, P1 possui algum conhecimento teórico que permite a ela discorrer sobre as características principais que deveria haver nas aulas de inglês para crianças. No entanto, na observação de suas aulas, percebe-se que a professora não consegue aplicar a teoria à prática.
Quanto às características apresentadas por P2, podemos afirmar que a professora possui bastante conhecimento das características do aprendiz criança, já que sua formação em Pedagogia privilegia os estudos nessa área. No entanto, P2 não recebeu
nenhuma formação quanto a metodologias de ensino em LI, além de não possuir a competência lingüístico-comunicativa, que permite ao professor de LE um conhecimento na língua-alvo. Com isso, as aulas de P2 não focalizavam a LE, ficando o ensino restrito à proposição do material didático, sem que houvesse interação, nem mesmo aprendizado, já que o aluno tinha pouco contato com a LI, o que evidencia total desrespeito pelo aprendiz e pela função do professor. Este aspecto pode estar relacionado com a formação da professora P2, que não foi preparada para atuar na área de LE. Isso fazia com que, em suas aulas, as crianças fossem obrigadas a esperar as ordens e orientações da mestra.
Em relação a P3, foi possível constatar que a professora possui, assim como P1 e P2 um conhecimento teórico das características do aprendiz criança. No entanto, diferentemente de P1 e P2, a professora utiliza com mais freqüência outros recursos, que não somente o material didático no preparo e aplicação de suas aulas. Dessa forma, existe a intenção de se realizar atividades mais significativas para os alunos. Outra característica de P3 é que ela usava a LI em todos os momentos da aula, embora intercalasse sempre com palavras em português. No caso de P3, sua formação em Letras se mostra refletida em sua atuação em sala de aula, já que busca, por meio de atividades diversificadas, promover a interação e a comunicação em sala de aula, tentando aproximar a LI da realidade dos alunos.
No que diz respeito à formação das professoras de Letras (P1 e P2), podemos tecer uma comparação entre as professoras P1 e P3, já que, além de ambas serem formadas em Letras, elas cursaram a mesma faculdade em anos diferentes. Com isso podemos perceber, no que diz respeito à competência lingüístico-comunicativa, uma grande divergência, já que em P3 esta competência se mostrava mais presente, o que foi visto pela análise de suas aulas. Já quanto à mesma competência em P3, pode-se dizer que ela é bastante precária, mesmo que sua formação em Letras privilegiasse tal competência.
2. Quais são as práticas desenvolvidas pelas professoras nas aulas de LEC e como