Chapter 4: Discussion and Analysis
4.1 Demographics Characteristics of Respondents
De acordo com Federico Kauffman Doig: “O ceramista da época incaica não inventou conhecimentos técnicos que fossem desconhecidos anteriormente. As expressões oleiras ostentam um polimento notável, formas nobres e equilibrada decoração, preponderantemente geométrica.” (Kauffman Doig 1983: 725). Ainda segundo o autor, as representações e as formas da cerâmica Inca tendem a apresentar uma padronização.
Abaixo, apresentamos uma tabela retirada da publicação “Cerâmica Inca em Pachacámac” (Ángeles Falcón 2011: 33) que apresenta as formas mais recorrentes relacionadas ao estilo Inca-Cusco da região do vale de Cusco durante o Horizonte Tardio102:
102 A tabela é exposta em nosso trabalho para demonstrar ao leitor quais são as tipologias mais
recorrentes do estilo Inca de Cusco. A tabela aponta alguns tipos de peças com o preenchimento em coloração mais escura que para o nosso propósito deve ser desconsiderado, já que, originalmente foi produzida assim, para identificar as formas da cerâmica do estilo Inca-Cusco que foram encontradas no sítio arqueológico de Pachacámac na Costa Central.
Tabela correspondente a tipologia das formas tipicamente atribuídas ao estilo Inca-Cusco (imagem retirada de Ángeles Falcón 2011: 33).
A forma mais recorrente vista durante a pesquisa e destacada unanimemente pela bibliografia consultada, como principal forma atribuída ao estilo cerâmico incaico, é o denominado “aríbalo cusquenho103”; primeira figura da tabela acima que também pode ser vista no anexo 1 do nosso catálogo de fotos (figuras 1, 3 e 4) e no anexo 2 referentes aos estilos locais. Essas peças, como mencionamos anteriormente, são reconhecidas pelo formato de seu bojo,
103 Nomenclatura referente à semelhança morfológica desses objetos com os vasos gregos de
mesmo nome. Os aríbalos cusquenhos também são frequentemente chamados de Urpus ou Puyños – nomenclaturas Quéchuas atribuídas a esses objetos – entre outras (provenientes do inglês por exemplo). Por questões de padronização, o termo aríbalo será mantido neste trabalho para referir-se a este tipo de peça.
e sua base cônica, a presença de alças laterais no bojo e de alças/apliques miniaturas no gargalo reto terminando em uma borda extrovertida larga com lábios arredondados ou retos em sua extremidade. Esses objetos também apresentam o pequeno aplique na parte superior do bojo, geralmente representando a cabeça de algum animal ou outros motivos abstratos – segundo Doig, atendendo à funcionalidade de sustentação do aríbalo com uma corda104 (Kauffman Doig 1983: 726).
Esses objetos são reconhecíveis, também, pelas finas técnicas de polimento e policromia que constituem o estilo cusquenho como um todo. A dimensão dos aríbalos varia de miniaturas minúsculas, de 2 a 5 cm de altura, a objetos de tamanho mediano variando entre 20 a 30 cm de altura e tamanhos grandes variando de 1 m a 1,5 m de altura aproximadamente105. A grande variedade na dimensão dos objetos demonstra a diversidade de contextos a que estes objetos estariam originalmente associados, do ponto de vista simbólico e funcional.
Portanto, com base nas coleções dos principais museus pesquisados e na bibliografia consultada, foram identificados os atributos considerados diagnósticos para estabelecer o estilo cusquenho: são eles as formas denominadas “aribalóides” (objetos cuja forma lembram a forma original dos aríbalos) e as bordas extrovertidas largas (figuras 10 e 12 do catálogo no anexo 3). Além das bases cônicas de aríbalos, são comuns bases planas e algumas plano-côncavas estáveis.
Esses principais atributos morfológicos presentes no estilo Inca-Cusco, e recorrentes nos diversos estilos Inca-Provinciais, apresentam uma continuidade estilística com a cerâmica Quilque (a que nos referimos no primeiro capítulo), antecedente na região de Cusco. Outro aspecto diagnóstico da cerâmica Incaica é a sua iconografia padronizada, especialmente referente aos chamados “Tipo padrão Cusco policromo A” e “Tipo padrão Cusco
104 De toda forma, ressaltamos também a questão simbólica desses apliques já que muitos fazem
parte da própria representação iconográfica de muitas dessas vasilhas e também da sua recorrência em outros objetos como jarros de alça de mão. E inclusive, nem todos os aríbalos são grandes para necessariamente serem carregados sustentados por um corda.
105 Não foram tiradas medidas exatas de todos os objetos analisados. Essas são medidas
aproximadas com base na análise de alguns exemplares e das informações contidas nos catálogos dos museus.
policromo B” (ver anexos 1 e 2 do catálogo de fotos) estabelecidos pelo arqueólogo John Rowe (1944). Ambos os padrões se caracterizam com base na morfologia de aríbalos, separando os campos de representação iconográfica em três partes: gargalo/borda, centro do bojo e laterais do bojo.
Segundo Craig Moris, que parte das definições de John Rowe, o tipo A se caracteriza predominantemente por faixas horizontais negras ou vermelhas, separadas por linhas brancas ou vermelhas mais estreitas no gargalo. No centro do bojo frontal, linhas verticais margeiam elementos centrais e/ou fazem zig- zag em direções alternadas (destacamos, em alguns casos, a presença dos motivos em “X” margeados por linhas verticais e separados verticalmente por uma ou mais linhas horizontais). E por fim, nas laterais do bojo frontal encontra- se o denominado padrão helecho106 (Rowe 1944 apud Morris 2010: 30-31). Já o Tipo B, se caracteriza por dois atributos: por fileiras de pequenos “diamantes” (losangos) geralmente negros sobre um fundo vermelho ou com as faixas horizontais seguindo o padrão do Tipo A. O centro do bojo frontal apresenta uma fileira de grandes losangos formados por linhas concêntricas negras e ou vermelhas e geralmente margeadas lateralmente pelos motivos em “X” entre linhas verticais e horizontais como descrito anteriormente. Nas laterais do bojo central, o padrão apresenta fileiras horizontais de pequenos triângulos apontando para baixo, alternados negros e vermelhos separados por uma linha negra tênue (Rowe 1944 apud Morris 2010: 30-31).
Durante a pesquisa realizada no museu Inka de Cusco, com base na observação de peças em exibição e na leitura da descrição de 500 peças no catálogo, foi constatada a predominância da iconografia geométrica dos tipos A e B, além da recorrência de outros padrões geométricos e de figuras zoomorfas e fitomorfas. Acreditamos que esta recorrência reforça a interpretação da iconografia como um meio de diagnosticar o elemento incaico em objetos cujas formas se mantiveram tradicionais, em nível local107.
106Lumbreras (1989: 234) denomina o motivo fitomorfo como um “fern” (um tipo de planta da
família das Pteridophytas). Em alguns aríbalos é representado um motivo fitomorfo semelhante que de forma naturalística se parece com a planta do milho, o que poderia ser também uma possibilidade de interpretação para o motivo. De toda forma é um motivo recorrente facilmente diagnosticado como pertencente ao conjunto de representação iconográfica do estilo Inca- Cusco.
107 E por outro lado, também destacamos que uma parte significativa dos dados analisados não