4. Tendenser og resultater
4.1 Deltakerne
1DGHVFULomRGDFRQVWUXomRGRVWUDEDOKRVHPDOJXPPRPHQWRIRL
citado que alguns itens ou elementos são testados no momento da construção de
XPWUDEDOKR6mRH[SHULPHQWDGRVGLYHUVRVLWHQVQRDUUDQMRDWpVHREWHURLGHDO
$VVLPDH[SHULPHQWDomRpDOJRHVVHQFLDOQDSURGXomRSRLVUHYHODSRVVLELOLGDGHV
WDQWRWpFQLFDVTXDQWRSOiVWLFDV&RPRGLWRDQWHULRUPHQWHUDUDPHQWHDHVWUXWXUDGR
PRGHORLQLFLDOpFRQVWUXtGDDULVFDLVVRSRUTXHDVH[SHULPHQWDo}HVFRPRXWURVLWHQV
faz com que surjam outras possibilidades, outros mecanismos, outras formatações
HVWUXWXUDLVHSOiVWLFDV-iRFRUUHXPXLWRGHXPLWHPVHUHVFROKLGRQRUHSRVLWyULR
quando colocado no arranjo, não se adaptar bem com parte dos elementos e em
FRQWUDSDUWLGDVHDGDSWDUSHUIHLWDPHQWHDRXWURVHOHPHQWRV1HVVHPRPHQWRKi
duas possibilidades: seguir o projeto não utilizando o novo item ou continuar com o
novo item e as peças que se ajustaram muito bem a ele e não utilizar as demais que
destoaram.
(VVHWLSRGHFRQVWUXomRDWUDYpVGHH[SHULPHQWDo}HVpXPDPDQHLUD
SDUWLFXODUSHVVRDO1mRKiUHJUDVQHPFDPLQKRVDSHQDVXPPRGHORLQLFLDOTXH
gera as primeiras necessidades, os primeiros itens; após isso as experimentações
HVFROKHUXPSURGXWRMiSURQWRIRUPDWDGRVHRSWDSRUFRQVWUXLURPRGHORYRFr
mesmo, da sua maneira, de acordo com as suas necessidades. Com os mesmos
SHQVDPHQWRVVmRSURGX]LGRVRVWUDEDOKRVDUWtVWLFRVRXVHMDGDPDQHLUDTXH
pGHVHMDGDWHQGRRFRQWUROHVREUHDSURGXomRVHPLQWHUIHUrQFLDVH[WHUQDV1D
internet existem diversos sites com mecanismos e máquinas construídas com o
conceito do DIY12$OJXQVGHVVHVVLWHVVmRSHVTXLVDGRVQDKRUDGHVHSURGX]LU
DOJXPWUDEDOKRSRLVHOHVSRVVXHPGLYHUVRVPHFDQLVPRVHSRVVLELOLGDGHVH[SORUDGDV
por pessoas comuns, que desenvolvem suas próprias máquinas, muitas delas
adaptadas as necessidades do construtor.
As pesquisas em sites de DIY são apenas um pequena parte das
PXLWDVSHVTXLVDVUHDOL]DGDVSDUDVHGHVHQYROYHURVWUDEDOKRV6mRSHVTXLVDGDV
diversos tipos de tecnologias, manuais de máquinas, sites de mecânica, física
HTXtPLFDHQWUHRXWURV6mRSHVTXLVDVSDUDDSULPRUDURFRQKHFLPHQWRH
FRQVHTXHQWHPHQWHXWLOL]iORVQRVWUDEDOKRV3DUDRWUDEDOKR3(/7,(5IRL
UHDOL]DGDXPDYDVWDSHVTXLVDDWpVHFKHJDUDSDVWLOKDWpUPLFD1RLQtFLRIRUDP
pesquisados os mecanismos de resfriamento de geladeiras, posteriormente
RVLVWHPDGHUHVIULDPHQWRGHEHEHGRXURVDWpTXHVHFKHJRXDVSDVWLOKDV
WHUPRHOpWULFDV$OJXPDVSHVVRDVHVWDYDPFRQVWUXLQGRSURMHWRVDIY com essas
SDVWLOKDVSDUDUHVIULDUEHEHGRXURVHSURFHVVDGRUHVGHFRPSXWDGRU1RSULQFtSLR
FDORUHRRXWURSHUFDRFDORU3RUpPORJRVHYLXTXHDGLIHUHQoDGHWHPSHUDWXUD HUDPtQLPDSRLVDVSDVWLOKDVVmRSURGX]LGDVFRPPHWDLVHVSHFLDLVHSODFDVGH FHUkPLFDVFRQGHQVDGDVRTXHRWLPL]DPRVHXIXQFLRQDPHQWR$VVLPDVSDVWLOKDV IRUDPDGTXLULGDV2SUy[LPRGHVD¿RHUDFRQVHJXLUGLVVLSDURFDORUJHUDGRSRUXPD GDVSDUWHVGDSDVWLOKDSRLVTXDQWRPDLVVHGLVVLSDRFDORUGRODGRTXHHVTXHQWD PDLVRRXWURODGR¿FDIULR1RLQtFLRVHWHQWRXGLVVLSDURFDORUFRPYHQWRLQKDVRV FRROHUVGHFRPSXWDGRU(PXPVHJXQGRPRPHQWRWDPEpPSHVTXLVDQGRYLX VHTXHDOpPGRDUDiJXDpODUJDPHQWHXWLOL]DGDSDUDUHVIULDUPiTXLQDV$VVLP FKHJRXVHDRPRGHORLGHDOXWLOL]DGRQRWUDEDOKR(VVHpDSHQDVXPH[HPSORGDV
diversas pesquisas que ocorrem no momento das construções. São pesquisadas
possibilidades, mecanismos, tecnologias; de maneira que elas possam ser
DSURSULDGDVHH[SORUDGDVQRVWUDEDOKRVDUWtVWLFRVHQDJUDQGHPDLRULDDGDSWDGDV
SDUDRXWURV¿QV
1DKLVWyULDGDDUWHSRGHPRVGHVWDFDUPXLWRVDUWLVWDVTXHWUDEDOKDP
FRPH[SHULPHQWDo}HV1DYHUGDGHDJUDQGHPDLRULDGHOHVRXWRGRVWUDEDOKDP
em algum nível, com experimentações, uma vez que são testados materiais,
REMHWRVWpFQLFDVHQ¿PRDUWLVWDDFDEDUHDOL]DQGRPXLWDVH[SHULPHQWDo}HV3RUpP
YDPRVGLUHFLRQDUHVVDSHVTXLVDSDUDDUWLVWDVTXHWUDEDOKDPFRPH[SHULPHQWDo}HV
e pesquisas de tecnologias. Assim, são colocados em destaque dois artistas
especialmente com o crítico Mário Pedrosa, a quem o artista atribui como um dos
UHVSRQViYHLVSRUIRUPDWDUVHXVQRYRVFRQFHLWRVVREUHDUWH3DODWQLNIRLXPDUWLVWD
e inventor. Ele desenvolveu pesquisas sobre luz e movimento, criou os famosos
REMHWRVFLQpWLFRVFigura 100HRVDSDUHOKRVFLQHFURPiWLFRVH[SORURXWDPEpP
essas pesquisas em diversas pinturas. Criou ainda jogos e máquinas diversas.
Ele defende o papel do artista como inventor, pois entende que: são realmente os
artistas que pesquisam que podem proporcionar essencialmente o contato com RLQHVSHUDGRYLYL¿FDQGRDVVLPRTXHFKDPDPRVGH³FULDWLYLGDGH´(PALATNIK,
$EUDKDP,Q2625,2S3DODWQLNpFRQVLGHUDGRXPGRVSLRQHLURV
da arte tecnológica no Brasil. Ele desenvolveu, pesquisou, inventou mecanismos
TXHHUDPUHVSRQViYHLVSRUPRYLPHQWRV6HXFRQKHFLPHQWRWHFQROyJLFRYHPGRV
estudos em mecânica direcionados e aplicados em objetos artísticos. Realizou
uma apropriação das informações de outro campo para desenvolver pesquisas
essencialmente artísticas, utilizar esses mecanismos aliados a arte.
2RXWURDUWLVWDFLWDGR3DXOR1HQÀLGLRH[SORUDRXWUDiUHDDP~VLFD
$VVLPFRPR3DODWQLNVHXVWUDEDOKRVSRVVXHPXPULJRUWpFQLFRHXPDSUHRFXSDomR
clara com o “acabamento” dos objetos. Ele desenvolve objetos que exploram a
sonoridade (Figura 101). Um texto extraído do site pessoal do artista resume muito
são presentes na sua obra. Seus trabalhos se parecem com bichos, LQVWUXPHQWRVPXVLFDLVRXFRPPiTXLQDVGH¿FomRFLHQWt¿FD(NENFLIDIO, 2010).
3DXOR1HQÀLGLRSHVTXLVDRVVRQVHPVHXVWUDEDOKRV(OHGHVHQYROYH
PHFDQLVPRVTXHFULDPDOWHUDPGLVWRUFHPRVRP$VVLPFRPR3DODWQLNHOHWUD]
outras tecnologias para o campo da arte. Os dois artistas brasileiros realizam com
SULPRUHFXLGDGRWRGDVDVHWDSDVGDFRQVWUXomRGHVHXVWUDEDOKRV'HVHQYROYHP
mecanismos, pesquisam possibilidades, formatam a estrutura dos objetos de acordo
FRPDVVXDVQHFHVVLGDGHVHVWpWLFDVH[SORUDPDWHFQRORJLDVHPHVTXHFHUGRFDPSR
artístico. Eles se apropriam de outras informações para compor objetos dotados de Figura 100
$EUDKDP3DODWQLNObjeto Cinético
CK-8, s.d..
Figura 101
transformam a produção artística em uma ampla pesquisa, em um amplo campo de
experimentações.
5.3 Gambiarra
gam.bi.ar.ra:
sf 1 Teat Ribalta de luzes na parte anterior e superior dos palcos. 2 Serviço HOpWULFRPDOIHLWRHVSHFLDOPHQWHFRPD¿QDOLGDGHGHREWHUHQHUJLDHOpWULFDGH maneira ilegal. (DICIONÁRIO, 2010, grifo do autor).
1RWH[WRDQWHULRUIRLFLWDGRRULJRUWpFQLFRGRVDUWLVWDV$EUDKDP3DODWQLN
H3DXOR1HQÀLGLR2WUDEDOKRVGHVVHVGRLVDUWLVWDVVmRPXLWREHPFRQVWUXtGRV
FRQWURODGRVpGHVHLPDJLQDUTXHVHMDPPiTXLQDVPXLWREHPHODERUDGDVTXH
GL¿FLOPHQWHDSUHVHQWDUmRDOJXPWLSRGHPDOIXQFLRQDPHQWR+iRXWURVDUWLVWDVSRUpP
TXHWUDEDOKDPFRPRLQYHUVRGLVVR,QWHQFLRQDOPHQWHRVWUDEDOKRVGHVVHVDUWLVWDV
parecem estar a beira de um colapso, na iminência de se destruírem; aparentam
WHUHPVLGRFULDGRVVHPSUHRFXSDo}HVHVWpWLFDVHWpFQLFDVXPDHVSpFLHGHDIY
LQLFLDOH[SHULPHQWDO$OJRSDUHFLGRFRPDGH¿QLomRGRGLFLRQiULRSDUDJDPELDUUDRX
VHMDWUDEDOKRVPDOIHLWRV(OHVOHPEUDPDOJRUHDOL]DGRFRPRLPSURYLVRRXPHVPR
do projeto.
São atitudes que vão na contramão das criações industriais. Eles
FRQVWURHPREMHWRVFRP¿RVKDUGZDUHVVROGDVHPHQGDVPHFDQLVPRVHSHoDV
DSDUHQWHVPXLWRVWUDEDOKRVSRVVXHPORQJRV¿RVOLJDGRVDGLYHUVDVWRPDGDVGR
espaço expositivo, em uma ambiente aparentemente sem controle, sem cuidados,
como se estivessem sido construídos em um laboratório para serem testados.
$OJXQVDUWLVWDVUHDOL]DPWUDEDOKRVTXHVHDSUHVHQWDPYLVXDOPHQWHFRPRPDOIHLWRV
3RUpPPXLWRVGHVVHVWUDEDOKRVSRVVXHPWDQWRULJRUHFRQWUROHWpFQLFRTXDQWRRV
WUDEDOKRVGR$EUDKDP3DODWQLNRXGR3DXOR1HQÀLGLR7RGDYLDVyVHFRQKHFHHVVDV
informações quando se tem contato com os artistas ou com os grupos de artistas. O
TXH¿FDSDUDDPDLRULDGRVHVSHFWDGRUHVpDYLVXDOLGDGHGDJDPELDUUD
8PDJDPELDUUDpUHVXOWDGRGHIXQomRUHVVLJQL¿FDGDVID]HQGRFRPTXH dispositivos técnicos possam fugir de suas hipertelias e ganhar outras funcionalidades. Busca-se que eles sejam, por assim dizer, abertos ao mundo, negociando com outros objetos e com a natureza ambiente. A SUiWLFDGDJDPELRORJLDVHVLWXDPHQRVQDHQJHQKDULDFLHQWt¿FDLQGXVWULDO especialista, homogênea, padronizada, incapaz de dialogar com a natureza a não ser submetendo-a a suas funções e operações), e mais na duração, QDOHQWLGmRQRLPSHUIHLWRHDEHUWRWUDEDOKRGHDUWt¿FHVHDUWHVmRV(LEMOS, 2010).
VmRQRYDVXWLOL]Do}HVHIXQo}HVGHGLVSRVLWLYRVWpFQLFRVH[SORUDGRVSHORVDUWLVWDV
No Brasil nós possuímos muitos artistas contemporâneos pesquisando a gambiarra
HFULDQGRREMHWRVKDFNHDQGRGLVSRVLWLYRVUHXWLOL]DQGRUHFLFODQGRHDWULEXLQGR
RXWUDVIXQo}HVDVPiTXLQDV8PJUXSRDVHUGHVWDFDGRpRSHVVRDOGRSURMHWR
*DPELRORJLD(OHVGHVHQYROYHPWUDEDOKRVOLJDGRVDUHFLFODJHPGHSDUWHVGH
máquinas e ao funcionamento imperfeito das máquinas (Figura 102).
2SURMHWR*DPELRORJLDWUD]XPQRYRVLJQL¿FDGRSDUDRFRQWH[WR tecnológico, ao assumir uma postura de recontextualização criativa de materiais normalmente entendidos como refugo (BASTOS, 2010). O grupo procura explorar,
entre outras coisas, o excesso de máquinas e o problema da reciclagem desses
objetos. Para isso eles procuram reinventar a tecnologia, reinventar a utilidade dos Figura 102
Fred Paulino e Lucas Mafra, Quadro
surgimento do projeto e o movimento de artistas que se apropriam dos descartes da
sociedade:
Acho que a gambiologia agrega um certo tipo de sentimento de incômodo que está circulando não só no Brasil, mas em todo o lugar. Disso, de excesso mesmo, de tudo, de equipamento demais e jogando muito plástico fora e você não sabe o que você faz com seus computadores velhos. Eu nunca gostei de jogar as coisas fora mesmo… (PAULINO, 2010).
(VVDHVSpFLHGHPRYLPHQWRFLWDGRSHORDUWLVWDVHXWLOL]DGRVH[FHVVRV
GDVRFLHGDGHSDUDFRQVWUXLUVHXVWUDEDOKRV$FRQVWUXomRSRUpPQmRVHWUDWDDSHQDV
GHDSURSULDomRPDVGHUHLQYHQomRGDTXLORTXHHVWDGLVSRQtYHOGDTXLORTXHp
descartado. É como se fosse uma demonstração a sociedade de que os descartes
podem ser aproveitados, reutilizados. Esse incomodo citado leva os artistas a
SURFXUDUHPVDtGDVHYiOYXODVGHHVFDSHVSDUDTXHHVVHVREMHWRVJDQKHPXPD
HVSpFLHGHVREUHYLGD13.
A elaboração de artefatos de maneira improvisada retrata a espontaneidade GRFRWLGLDQRGDVPHWUySROHVHSURS}HXPDUHÀH[mRVREUHDSHUHFLELOLGDGH deteorabilidade e reinvenção da tecnologia, em um contexto em que o excesso de objetos fora de uso acumulados sobre a superfície do globo é uma questão crucial (BASTOS, 2010).
2DUWLVWDWDPEpPpDGHSWRGRDIY e constrói seus dispositivos com um mínimo
GHWHRULDFRPPDWHULDLVTXHYmRGDVXFDWDDUHVWRVGHPDGHLUDDOpPGHUHDOL]DU
SHUIRUPDQFHVHR¿FLQDVGHHOHWU{QLFDQmRFRQYHQFLRQDO3$1(721(1RVLWH
do projeto se tem acesso aos esquemas de construção de alguns objetos, com uma
H[SOLFDomRGHWDOKDGDSDUDTXHPTXLVHUFRQVWUXLURVHXSUySULRREMHWR
3RURXWURODGRWHPRVDUWLVWDVFRPRD0DULDQD0DQKmHVTXHSURGX]
WUDEDOKRVH[WUHPDPHQWHFRQWURODGRV$VDo}HVVmRFRQWURODGDVHRVPRYLPHQWRV
são precisos e programados (Figura 104). A artista promove uma interação - quase
um diálogo - entre objetos, criando assim relações íntimas, orgânicas, entre partes
GRVGLVSRVLWLYRVHOHWU{QLFRV3HUFHEHVHTXHDFRQVWUXomRGHVHXVWUDEDOKRV
HQYROYHXPWUDEDOKRFXLGDGRVRGHDOJXpPTXHSRVVXLFRQKHFLPHQWRVWpFQLFRV Figura 103
DSUHVHQWDLPDJHQVHPWHODVGH/&'$JDPELDUUDHVWpWLFDGDDUWLVWD¿FDSRUFRQWD
GDWHQWDWLYDGHH[SRUDRS~EOLFRRVFLUFXLWRVHOHWU{QLFRVH¿RVSRUWRGDVDVSDUWHV
0DVQDYHUGDGHDJDPELDUUD¿FDPHVPRSRUFRQWDGDUHLQYHQomRGDVIXQo}HVGH
alguns aparatos tecnológicos, que em seu caso não são reciclados.
(VVHVDUWLVWDVFLWDGRVPRVWUDPRVFDPLQKRVSHUFRUULGRVDWXDOPHQWH
SRUDUWLVWDVQDFLRQDLVTXHRSWDPSRUWUDEDOKDUFRPPiTXLQDVHGLVSRVLWLYRV
eletrônicos. Eles exploram a cultura do excesso, o lixo eletrônico, a tecnologia, o
improviso, o erro. Eles utilizam as máquinas para outras funções, outras atividades,
FULDQGRDVVLPYHUGDGHLUDVJDPELDUUDV2VSUySULRVWUDEDOKRVSURGX]LGRVH
DSUHVHQWDGRVFRPRREMHWRGHHVWXGRGHVVDSHVTXLVDWDPEpPVmRJDPELDUUDV2V
WUDEDOKRVVmRFRQVWUXtGRVFRPREMHWRVDSURSULDGRVTXHQDPDLRULDGDVYH]HVVmR
desconstruídos e posteriormente utilizados em um arranjo, com funções diferentes
das anteriores. Há uma reordenação de atividades, funções, ligações; tudo isso Figura 103
0DULDQD0DQKmHVIsso (Taça
2VWUDEDOKRVPELTIER 0.1 e o radioreceptor 2 apresentaram pequenos
problemas de funcionamento quando expostos. O primeiro possui um mecanismo
GHUHVIULDPHQWRDWUDYpVGDiJXD(OHMiKDYLDVLGRWHVWDGRQRDWHOLrHH[SRVWRHP
XPDRFDVLmRSRUpPQXQFDSRUXPSHUtRGRVXSHULRUDGLDV(PXPDVHJXQGD
exposição, na cidade de Atibaia, a água do recipiente foi evaporando aos poucos -
FRPRGDVRXWUDVYH]HVSRUpPFRPRDH[SRVLomRIRLORQJDGHSRLVGHXPSHUtRGR
de mais de 45 dias a água atingiu um nível tão baixo que já não resfriava mais como
GHYHULD2FRUUHXTXHDSDVWLOKDVXSHUDTXHFHXSRUGLYHUVDVYH]HVHFKDPXVFRX
DSHoDGHDOXPtQLR3RUpPLVVRIRLIDFLOPHQWHFRUULJLGRFRPDDGLomRGHiJXDH
IHOL]PHQWHDSDVWLOKDWHUPRHOpWULFDQmRVHGDQL¿FRX
-iRWUDEDOKRradioreceptor 2, quando exposto na cidade de Santo
$QGUpIRLGDQL¿FDGRDSDUHQWHPHQWHSRUXPUDLR)RLQHFHVViULRHQWmRWURFDUD
IRQWHGHDOLPHQWDomRSDUDTXHRWUDEDOKRSXGHVVHFRQWLQXDUH[SRVWRDRS~EOLFR
,VVRVLJQL¿FDTXHSRUPDLVTXHKDMDXPULJRUWpFQLFRXPDWHQWDWLYDGHFRQWUROHRV
dispositivos eletrônicos e as máquinas, assim como as máquinas presentes nas
nossas residências, podem a qualquer momento apresentar algum defeito. Assim
o mal funcionamento de certa maneira são próprios desses objetos, sejam eles
artísticos ou não. Não se espera que eles apresentem algum defeito, mas sabe-
arranjos artísticos.
5.4 Reciclagem
A gambiarra propõe reciclar, em vários níveis, instrumentos tecnológicos (mas não só os de ponta). Mas, o princípio é artesanal, antigo. Vou rapidamente sustentar essa hipótese: a gambiarra, na sociedade da
informação, alia tecnologias de ponta com processos de trabalho artesanais constituindo-se como uma prática que poderíamos chamar de “cyberpunk pós-moderna”(LEMOS, 2010, grifo do autor).
$JDPELDUUDpXPDPDQHLUDGHUHFLFODUPiTXLQDV&RPGLVVH
$QGUp/HPRVDJDPELDUUDDOLDSURFHVVRVDUWHVDQDLVDWHFQRORJLDVGHSRQWD
Ao longo dessa pesquisa foram apresentadas as etapas da produção artística.
$FRQVWUXomRGRVWUDEDOKRVHQFHUUDRVSURFHVVRVDUWtVWLFRVHPDLVDSURGXomR
encerra um processo de reciclagem. Os objetos são apropriados, levados ao ateliê,
GHVFRQVWUXtGRVVHIRURFDVRDUPD]HQDGRVHSRU¿PGHVORFDGRVDXPDUUDQMR
DXPWUDEDOKRDUWtVWLFR5HFLFODUVLJQL¿FDUHDSURYHLWDUUHXWLOL]DUpXPDRSomRDR
descarte. Os processos artísticos, conceitualmente, são etapas necessárias para
TXHRVREMHWRVVHMDPUHFLFODGRV2WUDEDOKRDUWtVWLFRIXQFLRQDFRPRXPPRWRUSDUDD