2.3.1. Correlação entre as práticas de liderança e a partilha das boas práticas de comunicação
■ H3: As práticas de liderança atingem níveis de responsabilidade social tanto mais elevados quanto maior for a partilha das boas práticas de comunicação.
Os indicadores da variável dependente ‘práticas de liderança’ foram agregados num único índice (cf. Inquérito por questionário). Na hipótese 3 constata-se que o coeficiente de correlação entre as ‘práticas de liderança’ e a ‘partilha de boas práticas de comunicação’ apresenta ρ = 0,474 e Sig. 0,000 para um erro de tipo I de 0,01 (Tabela 28).
Tabela 28. Correlação entre as práticas de liderança e a partilha de boas práticas de comunicação
Designações Vd Vi
Práticas de liderança (Vd)
Spearman 1 0,474**
Sig. (2-tailed) 0,000
Partilha boas práticas de comunicação (Vi) Spearman Sig. (2-tailed) 0,474** 0,000 1
**. Correlação significativa para α<0.01 (2-tailed).
Verifica-se a existência de uma correlação significativa, positiva e moderada, confirmando-se a hipótese 3 segundo a qual as práticas de liderança atingem níveis de responsabilidade social tanto mais elevados quanto maior for a partilha das boas práticas de comunicação.
A análise mais detalhada aos indicadores que compõem a variável práticas de liderança permitiu determinar a intensidade das correlações estabelecidas entre cada um dos indicadores dessa variável e a partilha de boas práticas de comunicação (Tabela 29).
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Tabela 29. Correlações entre os indicadores das práticas de liderança e a partilha de boas práticas de comunicação
Designações Vd Vi
Decisão sobre objetivos, comportamentos pessoais e exemplos a dar aos outros (Vd)
Spearman 1 0,358**
Sig. (2-tailed) 0,000
Partilha de boas práticas de comunicação (Vi) Spearman Sig. (2-tailed) 0,358** 0,000 1 Nível de contato com clientes, fornecedores e
representantes da comunidade (Vd)
Spearman 1 0,277**
Sig. (2-tailed) 0,003
Partilha de boas práticas de comunicação (Vi)
Spearman 0,277** 1
Sig. (2-tailed) 0,003
Motivação, apoio e reconhecimento das pessoas(Vd)
Spearman 1 0,376**
Sig. (2-tailed) 0,000
Partilha de boas práticas de comunicação (Vi)
Spearman 0,376** 1
Sig. (2-tailed) 0,000
Envolvimento das pessoas e delegação da
autoridade (Vd) Spearman Sig. (2-tailed) 1 0,412** 0,000 Partilha de boas práticas de comunicação (Vi)
Spearman 0,412** 1
Sig. (2-tailed) 0,000
Utilização de informação das partes interessadas
relevantes para definir o rumo da empresa (Vd) Spearman Sig. (2-tailed) 1 0,307** 0,000 Partilha de boas práticas de comunicação (Vi) Spearman Sig. (2-tailed) 0,307** 0,000 1
**. Correlação significativa para α<0.01 (2-tailed).
As correlações estabelecidas entre cada um dos indicadores das práticas de liderança e a partilha de boas práticas de comunicação que configuram a hipótese 3 apresentam valores entre ρ = 0,277 e ρ = 0,412, e Sig. = 0,000. Verifica-se, assim, que todos os indicadores de responsabilidade social das práticas de liderança apresentam correlações significativas, positivas e fracas a moderadas com a partilha de boas práticas de comunicação.
Tais resultados permitem afirmar que à medida que aumenta a partilha de boas práticas de comunicação também aumentam ou melhoram as decisões sobre objetivos, os comportamentos pessoais e exemplos a dar aos outros, o nível de contato com clientes, fornecedores e representantes da comunidade, a motivação, apoio e reconhecimento das pessoas, o envolvimento das pessoas e a delegação da autoridade, a utilização de informação das partes interessadas relevantes para definir o rumo da empresa.
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2.3.2. Correlações entre a dimensão das empresas e as variáveis práticas de liderança e partilha de boas práticas de comunicação
Seguidamente procedeu-se à introdução da variável moderadora dimensão da empresa, segundo o número de empregados, testando-se a correlação que esta variável possui com a variável dependente práticas de liderança e a variável independente partilha das boas práticas de comunicação (Tabela 30).
Tabela 30. Correlações entre a dimensão das empresas e as práticas de liderança e partilha de boas práticas de comunicação
Designação Vd Vi
Dimensão da empresa (Vm) Spearman 0,104
** 0,045*
Sig. (2-tailed) 0,000 0,022 *. Correlação significativa para α<0.05 (2-tailed).
**. Correlação significativa para α<0.01 (2-tailed).
Legenda: Vd – Práticas de liderança; Vi – Partilha de boas práticas de comunicação.
As correlações estabelecidas entre a dimensão da empresa e as práticas de liderança e partilha das boas práticas de comunicação apresentam, respetivamente, valores positivos de ρ
= 0,104 para um erro de tipo I de 0,01 e ρ = 0,045 para um erro de tipo I de 0,05, respetivamente.
Em consequência, ambas as correlações possuem significância estatística e são positivas, embora a influência da dimensão da empresa não seja elevada.
2.3.3. Distribuição dos níveis de responsabilidade social das práticas de liderança por dimensão das empresas e setor de atividade
Neste ponto apresenta-se os resultados relativos à variação dos níveis de responsabilidade social das práticas de liderança em relação à dimensão das empresas e aos setores de atividade, segundo os critérios anteriormente enunciados.
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2.3.3.1. Distribuição dos níveis de responsabilidade social das práticas de liderança por dimensão das empresas
Verificou-se, com base no teste de Kruskal-Wallis, que a dimensão da empresa, definida pelo número de empregados, teve um efeito estatisticamente significativo sobre o nível de práticas de liderança no que se refere à responsabilidade social (Kruskal-Wallis(2) = 24,229; p-
value = 0,000).
De acordo com a comparação múltipla de média das ordens (Post-hoc de Bonferroni), as micro/pequenas empresas (entre 0-49 empregados) apresentam um nível de práticas de liderança no que se refere à responsabilidade social significativamente diferente das médias empresas (entre 50-249 empregados) (p-value = 0,000), sendo naquelas empresas que se encontra as mais baixas médias de ordens (Gráfico 02).
Gráfico 02. Distribuição dos níveis de responsabilidade social das práticas de liderança por dimensão das empresas
Em termos descritivos, a ordenação média relativa às grandes empresas é a mais elevada (1462,08), seguida da ordenação média das médias empresas (1415,02) e da ordenação média das micro/pequenas empresas (1259,14), o que indicia uma tendência orientada para níveis de responsabilidade social das práticas de liderança mais elevados à medida que aumenta a dimensão das empresas.
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2.3.3.2. Distribuição dos níveis de responsabilidade social das práticas de liderança por setor de atividade
Para se avaliar se o setor de actividade influencia significativamente os níveis de práticas de liderança no que respeita à responsabilidade social, recorreu-se ao teste não-paramétrico de Kruskal-Wallis, seguido da comparação múltipla das médias das ordens. Usou-se uma probabilidade de erro tipo I (α) de 0,05.
O setor de atividade teve um efeito estatisticamente significativo sobre o nível de práticas de liderança no que respeita à responsabilidade social (Kruskal-Wallis(3) = 24,913; p-value =
0,000).
De acordo coma comparação múltipla de médias das ordens (Post-hoc de Bonferroni), o setor industrial apresenta um nível de práticas de liderança no que se refere à responsabilidade social significativamente diferente do setor comercial (p-value = 0,044) e do setor de serviços (p-value = 0,000) sendo naquele setor de atividade que se encontram mais baixas médias de ordens (Gráfico 03).
Gráfico 03. Distribuição dos níveis de responsabilidade social das práticas de liderança por setor de atividade
Em termos descritivos, a ordenação média relativa aos Serviços é a mais elevada (1410,72), seguida pelo Comércio (1339,30), pela Indústria (1243,89) e pela Agricultura (1087,13).
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