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2.3 Inkluderende undervisning

2.3.1 Deltakelse og medborgerskap

Iniciamos pela apresentação do resultado geral considerando as quatro variantes da variável pronome de primeira pessoa do plural (pronome P4):

• Nós pleno; • A gente pleno; • Nós nulo; • A gente nulo. Resultados gerais: • Total de ocorrências: 2.542 • Nós pleno + nulo = 1.303 = 53% • A gente pleno + nulo = 1.141 = 47%

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Gráfico 5 - Distribuição percentual dos pronomes nós e a gente, plenos e nulos, na amostra de obras de literatura infantojuvenil gaúcha

Fonte: Elaborado pela autora.

Ao considerar tanto os pronomes plenos quanto os nulos de primeira pessoa do plural, percebemos que a competição entre o pronome canônico e a forma inovadora é acirrada, visto que a diferença em prol do pronome pleno nós + nulo é de apenas 6% em relação ao novo pronome. Tal proximidade em termos de percentuais, no entanto, precisa ser detalhada para que se compreenda melhor essa competição. De fato, prevalecem as ocorrências do pronome pleno

a gente e da forma nula de nós, pois os percentuais do pronome pleno nós e do nulo de a gente são baixíssimos.

Vejamos a distribuição dos dados em relação às quatro variantes: • Nós pleno = 110 (4%)

• A gente pleno =1029 (42%) • Nulo de nós = 1193 (49%) • Nulo de a gente = 112 (5%)

Com base nesses resultados, realizamos o gráfico a seguir a fim de ilustrar melhor a distribuição dos pronomes plenos nós e a gente e os respectivos nulos:

53% 47%

Nós pleno + nulo A gente pleno + nulo

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Gráfico 6- Distribuição percentual dos pronomes nós e a gente, distinguindo plenos e nulos, na amostra de obras de literatura infantojuvenil gaúcha

Fonte: Elaborado pela autora.

O que esses resultados mostram é notável: uma claríssima preferência pelo pronome inovador em sua forma plena em contraste com uma robusta quantidade de nulos de nós. A soma dos percentuais dessas duas variantes (42%+49%) alcança 91% da totalidade dos dados. Entretanto, são variantes que representam, uma, a inovação na língua, com o uso de a gente seguido de verbo na forma não marcada para pessoa e número (a terceira pessoa, na gramática tradicional); outra, a preservação do subsistema de concordância verbal na língua, com o uso de pronome nulo seguido de verbo flexionado com a marca de pessoa e número de P4, expressa pela desinência –mos.

Isso posto, consideremos mais de perto o uso dos pronomes nulos em nossa pesquisa. No que concerne aos casos de nulo de a gente (5%), cabe ressaltar que são bem raros ainda, conforme demonstramos no gráfico 6. É necessário destacar também que, em todos os parágrafos em que ocorreram casos de sujeito nulo de a gente, a primeira menção ao referente sempre aparece com pronome pleno a gente na posição de sujeito, conforme podemos conferir no trecho abaixo:

(23) “Nem respondi. OK, podia até ser, mas me fez bem. Não adianta, eu até entendo o Waltinho, sei que quando a gente fala em professor, a imagem que pinta não é a de um cara aberto, como o Bem Hur, ou jovem como o Narco, ou mesmo séria, mas legal, feito a Maria

4% 42% 49% 5% Nós A gente Nulo de nós Nulo de a gente

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Izabel. Só o que pinta na cabeça da gente é o Hélio ou um cara como o Paulo, de física, que é um tirano em aula. Não é grosso como o Hélio, tá certo, mas não deixa a gente nem respirar. Espirrou, ele olha com cara feia. Virou pra perguntar uma coisa a um colega, ele pede para virar de volta. Ô, sufoco. Claro, pensando deste jeito o Waltinho não podia mesmo se entusiasmar pelo acampamento. Um cara que não deixasse a gente5 cantar, nem (a gente) tomar vinho, nem (a gente) pôr um biquíni, não era companhia que prestasse”. (NORONHA, 1985, p. 72).

Os casos de nulo de a gente, nesta pesquisa, são bem restritos sintaticamente. Nas poucas ocorrências evidenciadas, o nulo de a gente aparece em orações coordenadas assindéticas e sindéticas, como no trecho destacado acima, em orações subordinadas ou em outro contexto que permita a recuperação bem local do referente/ da referência da cadeia. De um modo geral, os casos mais recorrentes são os de oração coordenada sindética. Abaixo, transcrevemos mais três exemplos das obras literárias, sendo um representativo de oração coordenada assindética, um de oração subordinada e, por fim, um de recuperação do referente da cadeia referencial, eis:

(24) “Seu Adolpho gritou, lá de dentro, para que a Cláudia cuidasse um minuto do balcão porque precisava dar uma saída rápida.

Eu não sei, ainda, por que as coisas acontecem... Se elas têm que acontecer assim mesmo...

Só sei que nós éramos amigos e amigo é coisa séria.

A gente queria estar junto, (a gente) brincar junto, (a gente) contar coisas, (a gente) olhar coisas, (a gente) descobrir e (a gente) viver coisas junto, (a gente) crescer junto”. (TUTIKIAN, p. 66, 2005).

(25) “—Tudo bem. Quando a gente se fala de tudo, você diz que quer que a gente seja super próximo, que (a gente) se fale de verdade. Na semana passada eu falei coisas pra você, lembra? Não falei? E você disse que a gente era pra valer, que (a gente) era mesmo. E agora eu tenho que ficar bem longe e ficar quietinha? Então o que a gente é, afinal? ” (CUNHA, 2015, p. 15). (26) “Falei pra Mim que eu não ia mais ficar na escola, tava me sentindo muito mal, por causa do Lucas e tudo, que a gente se encontrava depois da aula, na livraria do café, como (a gente) tinha combinado antes. Ela perguntou se eu tava ok, eu disse que sim, e que ela era quem tinha que se cuidar mais. Ficar arrumando briga com um cara daquele tamanho, não era uma ideia legal. Ela nem me deu atenção. A Mim é assim mesmo”. (CUNHA, 2015, p. 35).

Os resultados de língua falada da pesquisa de Borges (2004, p. 120) acerca dos casos de nulos do pronome nós, na cidade de Pelotas, parecem se opor aos encontrados em nosso levantamento, em que os nulos de nós se sobrepõem robustamente aos casos de nulo de a gente. Do total de 2.057 ocorrências dos pronomes de primeira pessoa do plural tanto plenos, quanto

5Transcrevemos todo o parágrafo em que ocorrem os casos de nulo de a gente para contextualizar o leitor, porém,

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nulos, 9% são casos de nulo de a gente e apenas 7% são casos de nulo de nós. Contudo, esses resultados referem-se a todas as posições sintáticas, não sendo, por isso, passíveis de comparação com os resultados de nosso estudo.

O mesmo problema acontece em relação ao estudo de Borges (2004, p. 51), sobre a língua escrita de peças teatrais, já que os dados se referem a todas as funções sintáticas, e não somente à função de sujeito. Vale mencionar, mesmo assim, que o pronome nulo de nós (49%) alcança percentuais muito elevados, se comparados com os do pronome nulo de a gente (1%). É importante ressalvar que esses percentuais de pronomes nulos são da rodada geral que também incluiu os pronomes plenos; por isso, como podemos verificar, a soma dos dois percentuais não fecha os 100%.

Brustolin (2009, p. 175), em sua pesquisa já mencionada anteriormente, ao analisar a frequência e probabilidade de a gente segundo a variável preenchimento do sujeito na fala dos estudantes, observou que há mais sujeito nulo com nós (99%) do que com a gente (1%). Dessa forma, confirmou sua hipótese inicial de que, se a marca está colocada no morfema do verbo, o sujeito pode ser nulo. Como vemos os resultados obtidos na pesquisa de Brustolin, no quesito sujeito nulo, são semelhantes aos de língua escrita de Borges (2004) e os que também se aproximam dos resultados desta pesquisa em termos de percentuais, visto que, assim como neste estudo, o pronome nulo nós se opõe robustamente em relação ao pronome nulo de a gente. Feitas essas primeiras comparações, em que tínhamos resultados gerais com a distribuição das quatro variantes da variável dependente, passaremos, agora, a uma nova análise, binária, que considera apenas os pronomes plenos. Há duas razões importantes para essa escolha: a primeira é comparar os resultados da literatura infantojuvenil da amostra com os resultados dos estudos de língua falada que consideraram somente os pronomes plenos. A segunda é que uma análise binária permite avaliar mais diretamente os efeitos dos grupos de fatores sobre a escolha de um ou de outro pronome, o que é importante nesta fase da introdução do pronome inovador na língua escrita.

4.2 Segunda análise: Pronomes plenos nós e a gente em relação às variáveis linguísticas e