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KAPITTEL 3: METODE

3.4 Deltagende observasjon

Quando os professores/educadores aprendem a usar a tecnologia no contexto da sua escola, da sua sala, com as crianças reais e de acordo com objectivos igualmente reais, têm muito mais possibilidades de beneficiarem desta formação e com ela melhorarem a qualidade dos contextos de aprendizagem em que desenvolvem a sua actividade.

Nesta perspectiva, interessa sublinhar alguns aspectos, que poderão constituir-se como áreas chave no desenvolvimento desta formação:

• Desenvolver a compreensão dos professores/educadores acerca da

tecnologia da educação; Existe uma ampla falta de conhecimento sobre as possibilidades e objectivos do uso das TIC em contexto educativo;

• Ajudá-los a ver de que modo o trabalho que habitualmente desenvolvem com

os alunos e a experiência que já detêm pode ser adaptada e potenciada pelo desenvolvimento de actividades que recorram à utilização da tecnologia;

Desenvolver a sua confiança na capacidade de utilização das TIC; a falta de

segurança e a ansiedade por ela provocada constitui um dos factores que mais inibe a utilização das novas tecnologias pelos educadores/professores (Crook, 1998a; Stables, 1997);

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• Identificar actividades diversas a partir das quais os professores possam

começar a relacionar-se com as TIC, providenciando a possibilidade de experienciarem por si próprios essa utilização antes de a ensaiarem com as crianças;

• Fornecer oportunidades para troca de ideias e partilha de práticas e constituir

com base nessas trocas registos de “boas práticas”.

Importa ainda fazer sentir aos educadores/professores que as novas tecnologias, para além de instrumentos promotores de experiências educativas junto das crianças, são também meios de comunicação e de colaboração entre profissionais, constituindo-se portanto como poderosos instrumentos do seu próprio desenvolvimento profissional.

Para além de permitirem a realização de um conjunto de tarefas de apoio ao desenvolvimento de trabalho com as crianças e de organização das actividades, permitem ainda, através das possibilidades de comunicação online, estabelecer facilmente interacção entre pares e com especialistas, abrindo desta forma um leque muito vasto de oportunidades de formação cooperativa. Na verdade, estas novas “comunidades de aprendizagem” podem constituir-se como um novo e estimulante espaço pedagógico, também ao nível da formação de professores.

As novas tecnologias e a Internet oferecem pois oportunidades para o desenvolvimento profissional que até há poucos anos não podíamos equacionar. À medida que os educadores/professores se tornam utilizadores mais competentes e confiantes da tecnologia utilizando-a no âmbito da sua formação profissional, tornam-se também mais aptos a utilizarem-na adequadamente com os seus alunos, como nos refere, Jonassen et al. (2003).

Perrenoud (1994), refere que tal como acontece relativamente aos processos inovadores em geral, a adesão da administração da escola, a sua atitude favorável à mudança, traduzida no suporte contínuo aos educadores/professores envolvidos é também essencial no caso específico da integração da tecnologia (Han, 2002; Haugland, 2000; Kosakowsky, 1998).

Assim, e de acordo com os relatos de várias experiências, Van Scoter et al. (2001) é fundamental uma gestão que, para além de facultar os eventuais recursos

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necessários, adopte uma atitude aberta às sugestões, conceda independência aos educadores/professores para que estes experimentem e implementem as suas ideias e incentive os seus esforços, prestando-lhe colaboração, quer na eventual reorganização de espaços, quer na reestruturação de horários que se ajustem às necessidades de formação.

Com efeito, uma administração que se preocupe essencialmente em criar condições que favoreçam a melhoria do contexto de aprendizagem, que se preocupe com o desenvolvimento profissional dos seus docentes, que adopte um estilo de liderança democrática em que todos se sintam envolvidos, num clima de trabalho em que impere o respeito e o diálogo, tenderá a constituir-se como um contexto organizacional facilitador dos processos de integração e do seu sucesso.

Na continuação do pensamento de Thurler (1994), saliente-se, ainda, que os professores/educadores precisam de sentir que o seu trabalho e investimento é reconhecido e caucionado superiormente, constituindo esta atitude um reforço da mudança, na medida em que a valoriza e legitima.

Importa, desde já, esclarecer que competências consideramos fundamentais para o professor, neste âmbito. De facto, julgamos que o entusiasmo pela infusão das TIC na formação de futuros professores não deve traduzir-se na criação de especialistas em informática. A preocupação principal deverá ser a de formar professores que saibam utilizar essa tecnologia de maneira reflectida e adaptada à sua disciplina e aos níveis que irão seleccionar. Assim, identificam-se como principais competências necessárias ao professor, neste domínio (Ponte e Serrazina, 1998, 12):

- o conhecimento de implicações sociais e éticas das TIC; - a capacidade de uso de software utilitário;

- a capacidade de uso e avaliação de software educativo;

- a capacidade de uso de TIC em situações de ensino-aprendizagem.

Importa referir também que uma parte importante do conhecimento profissional dos professores diz respeito ao uso das TIC como ferramentas cada vez mais presentes na actividade dos professores de matemática constituindo, (i) um meio educacional auxiliar para apoiar a aprendizagem dos alunos, (ii) um

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instrumento de produtividade pessoal, para preparar materiais para as aulas, para realizar tarefas administrativas e para procurar informação e materiais, e (iii) um meio interactivo para interagir e colaborar com outros professores e parceiros educacionais.

Os professores precisam de saber como usar os novos equipamentos e software e também qual é o seu potencial, os seus pontos fortes e os seus pontos fracos.

Estas tecnologias, mudando o ambiente em que os professores trabalham e o modo como se relacionam com outros professores, têm um impacto importante na natureza do trabalho do professor e, desse modo, na sua identidade profissional.

Na formação inicial de professores, os formandos devem tomar contacto com aplicações como o processamento de texto, sistemas de gestão de bases de dados, programas de tratamento de imagem, folhas de cálculo, programas de estatística, programas de apresentação (como o Powerpoint), correio electrónico, software educativo orientado para a aprendizagem de disciplinas específicas, bem como a Internet, tanto na vertente de consulta como na vertente de produção.

No entanto, um estudo recente sobre a formação nas TIC proporcionada nos cursos de formação inicial de professores em Portugal evidencia que as competências e conhecimentos adquiridos pelos futuros professores, não sendo brilhantes em nenhum domínio, são manifestamente insuficientes no que diz respeito, por exemplo, aos programas de estatística, bases de dados, navegação na Internet e utilização do correio electrónico, como referem Ponte e Serrazina (1998).

Para Pugalee e Robinson (1998), a introdução bem sucedida das novas tecnologias na sala de aula exige, para além da compreensão por parte do professor do porquê e do como da sua utilização, a familiarização pessoal com essa tecnologia. Para que ganhe confiança nas suas capacidades nesta área, torna-se necessário ter oportunidade de trabalho individual e em grupo, estendido ao longo de um período de tempo considerável.

No seguimento do pensamento deste mesmo autor, só assim é possível que venha a confrontar-se com as dificuldades e, também, a experimentar os sucessos. Isto é tanto mais importante na medida em que muitos professores sentem-se

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totalmente ultrapassados pelos seus alunos que evidenciam uma bagagem de conhecimentos e um à vontade que os deixa verdadeiramente intimidados.

Como atrás já ficou explicitado estes são os principais objectivos da formação inicial de professores:

• A formação pessoal e social dos futuros docentes, favorecendo a adopção de

atitudes de reflexão, autonomia, cooperação e participação, bem como a interiorização de valores deontológicos e a capacidade de percepção de princípios.

• A formação científica, tecnológica, técnica ou artística na respectiva

especialidade.

• A formação científica no domínio pedagógico-didáctico.

• O desenvolvimento progressivo das competências docentes a integrar no

exercício da prática pedagógica.

• O desenvolvimento de capacidades e atitudes de análise crítica, de inovação

e investigação pedagógica.

Para se atingirem os objectivos atrás enunciados que competências deverão ser desenvolvidas nos professores?

• A dimensão profissional, social e ética.

• A dimensão do desenvolvimento do ensino e da aprendizagem.

• A dimensão da participação na escola e da relação com a comunidade. • A dimensão do desenvolvimento profissional ao longo da vida.

A formação inicial tem por base uma estrutura que designamos por plano curricular ( in Decretos-Leis n.ºs 240/2001 e 241/2001 (I Série do Diário da República de 30 de Agosto de 2001) e que é constituída por uma componente de formação pessoal, social, cultural, científica, tecnológica, técnica ou artística ajustada à futura docência; uma componente de ciências de educação; uma componente de prática pedagógica orientada pela instituição formadora, com a colaboração do estabelecimento de ensino em que essa prática é realizada.

No curso de professores do 1º ciclo do ensino básico o conjunto das duas componentes de formação pedagógico - didáctica e de prática pedagógica, deve

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manter-se em equilíbrio com a componente de formação cultural e científica, não devendo aquela ultrapassar os 60% da carga horária total, em qualquer caso.

Nos perfis gerais e específicos do professor do 1º ciclo e do educador de

infância são feitas referências às competências no campo das TIC que se esperam dos professores e educadores.

Nesse plano, é de registar, ainda, a ênfase que estes padrões colocam no domínio destas tecnologias que se deve esperar dos professores de um curso de formação inicial de professores e educadores, quando se espera que o corpo docente de qualquer nível de ensino saiba usar apropriadamente as novas tecnologias de informação e da comunicação, em particular no ensino da sua área e na sua actividade docente.

A formação dos novos professores relativamente às TIC deve contemplar aspectos relativos às atitudes, valores e competências que aqui se formulam em função do perfil profissional e da actividade do professor.