• No results found

Tette bånd til to hjem

O objetivo desta seção é apresentar uma comparação entre as taxas de mortalidade obtidas em pesquisas realizadas no Brasil e no exterior. A Tabela 2.1 resume os principais resultados com relação a taxas de mortalidade.

A comparação de taxas de mortalidade de diferentes pesquisas precisa ser feita com muito cuidado, devido às diferenças entre as metodologias de pesquisa adotadas nos diversos estudos (COCHRAN, 1981). Uma primeira diferença de metodologia refere-se ao tipo de empresa que foi alvo da pesquisa. Duncan e Handler (1994) e Bates e Nucci (1990) tiveram como alvo a mortalidade de pequenas empresas dos Estados Unidos. O estudo do SEBRAE (2007) também teve como alvo as pequenas empresas. Os outros estudos reportados na Tabela 2.1 tiveram como alvo outro tipo de empresa – empresas industriais (de qualquer porte), e empresas de base tecnológica (também sem referência ao tamanho da empresa). A organização da Tabela 2.1 reflete a diferença de metodologia, com relação ao tipo de empresa abordado.

2.2.1. Taxa de Mortalidade de Empresas Jovens ou Consolidadas?

As três pesquisas citadas na Tabela 2.1 que calcularam uma taxa de mortalidade para pequenas empresas possuem uma diferença metodológica

significativa. As pesquisas do SEBRAE (2007) referem-se a empresas jovens, com dois, três ou quatro anos de idade. Ou seja, o SEBRAE calcula uma taxa de mortalidade nos anos iniciais do negócio: no segundo ano de idade, 22% das empresas morrem, no terceiro ano a mortalidade chega a 31,3%, e no quarto ano, alcança 35,9%.

Duncan e Handler (1994) pesquisaram empresas com nove anos de idade; Bates e Nucci (1990) incluíram em sua pesquisa empresas com no mínimo quatro anos. Note na Tabela 2.1, que a taxa de mortalidade para empresas com quatro anos calculada pelo SEBRAE (2007) é razoavelmente compatível com as taxas de mortalidade para empresas maduras, de Duncan e Handler (1994) e Bates e Nucci (1990) – 35,9%, 30,3% e 34%.

2.2.2. Taxas de Mortalidade e o Critério para Caracterizar a Mortalidade

Comparando exclusivamente os resultados de Duncan e Handler (1994) e de Bates e Nucci (1990), temos diferenças com relação à idade da empresa (9 anos versus no mínimo 4 anos), abrangência das pesquisa (Estados Unidos versus estado de Iowa) e quanto ao método de caracterizar a mortalidade. Duncan e Handler (1994) detectaram a mortalidade pelo critério de encerramento formal da empresa, enquanto Bates e Nucci (1990) identificaram a mortalidade através do critério da interrupção das atividades.

O método de detectar a mortalidade pode ter impacto no valor da taxa. É possível interromper as atividades comerciais sem solicitar o encerramento formal da empresa. Alguns empreendedores podem manter a empresa formalmente aberta, mas sem atividades comerciais, talvez pela esperança de um dia retomar as atividades do negócio, ou mesmo pelos custos e dificuldades inerentes ao processo de encerramento formal. Assim, se a mortalidade for detectada através do critério da interrupção, a tendência é que a taxa de mortalidade seja ligeiramente superior, em comparação ao caso em que a mortalidade for calculada através do critério do encerramento formal. Essa é uma hipótese para a diferença entre as taxas de mortalidade de Duncan e Handler (1994) – 30,3% / critério encerramento formal, e de Bates e Nucci (1990) – 34%, critério interrupção.

Tabela 2.1: Comparação das Taxas de Mortalidade Empresarial PEQUENAS EMPRESAS

Estudos Metodologia Ano da Coleta de

Dados

Amplitude Idade da Empresa/ Período da Consulta Taxa de Mortalidade

Duncan e Handler

(1994)

Encerramento 1994 Estados

Unidos

Empresas com 9 anos de existência 30,30%

Bates e

Nucci (1990) Interrupção 1986 Unidos – Iowa Estados

Empresas com no mínimo 4 anos de existência 34,00%

Sebrae

(2007) Encerramento 2007 Brasil 2 anos 3 anos 22,00% 31,30%

4 anos 35,90%

EMPRESAS INDUSTRIAIS Estudos Metodologia Ano da

Coleta de Dados

Amplitude Idade da Empresa/ Período da Consulta Taxa de Mortalidade

Honjo

(1998) Interrupção e Falência

1994 Japão Empresas com até 8 anos (fundadas entre 1986 a

1994)

10,20%

EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA Estudos Metodologia Ano da

Coleta de Dados

Amplitude Idade da Empresa/ Período da Consulta Taxa de Mortalidade

Castro

2.2.3. Taxa de Mortalidade de Empresas de Base Tecnológica

Os dados da Tabela 2.1 sugerem compatibilidade nos valores das taxas de mortalidade para pequenas empresas, em especial se levarmos em consideração a taxa para empresas com quatro anos de idade, do SEBRAE (2007). Mas a taxa de mortalidade para empresas de base tecnológica de Castro (2006) é bem mais baixa – 13,79%.

Considerando que Castro investigou empresas que saíram de incubadoras, é provável que se tratasse de jovens e pequenas empresas, como na pesquisa do SEBRAE, mas com uma característica peculiar: eram empresas de base tecnológica.

Por ser significativamente diferente das taxas de mortalidade para pequenas empresas em geral, a taxa de mortalidade para EBTs de Castro sugere uma variação significativa da taxa de mortalidade em função do tipo de empresa – EBT ou não EBT. Mas essa é apenas uma hipótese a ser estudada, em especial pelo fato de apenas uma taxa de mortalidade de EBTs (CASTRO, 2006) ter sido analisada.

2.2.4. Taxa de Mortalidade de Empresas Industriais de Qualquer Porte

Assim como no caso da pesquisa de Castro com foco em EBTs, a taxa de mortalidade de Honjo (1998) para empresas industriais do Japão de qualquer porte (10,2%) também não pôde ser comparada, por ser o único resultado para esse tipo de empresa.

Mas, por se tratar de empresas de qualquer tamanho, e por ser mais baixa do que as taxas de mortalidade para pequenas empresas, os resultados da pesquisa de Honjo alimentam a hipótese levantada por Bates e Nucci (1990) de que o tamanho da empresa influencia na taxa de mortalidade. Bates e Nucci perceberam que empresas com até quatro funcionários representavam 39% das interrupções, enquanto que empresas com mais de 50 funcionários representavam apenas 2,78% das interrupções (BATES; NUCCI, 1990).