4. Empiri og drøfting
4.2 Delproblemstilling 2: Hvor sterkt er samarbeidet?
6.1 DISCUSSÃO DE RESULTADOS DA PERGUNTA Nº 1
A questão nº 1 teve como intuito recolher a opinião dos entrevistados em relação à hipótese de Marcello Caetano, se ter refugiado no Quartel do Carmo porque a GNR era a única força que ele tinha a certeza que estava e continuaria do lado do Regime, logo era o local mais seguro.
As respostas obtidas foram unânimes e confirmam a hipótese com bastante certeza, tendo em atenção a convicção dos entrevistados. Todos os entrevistados afirmam que Marcello Caetano se refugiou no Quartel do Carmo, porque a GNR era a força que mais garantias lhe dava naquele momento, logo era o local mais seguro.
A argumentação utilizada pelos entrevistados recaiu, principalmente, na ideia de que a GNR defendia o Regime a ferro e fogo. Marcello Caetano achava que no Carmo estava em segurança, ou seja, que o Carmo era mais seguro porque Monsanto seria o primeiro alvo pois já tinha servido de refúgio anteriormente. A DGS aconselhou-o, a GNR era a força de total confiança do Governo, por se desconhecer a posição da Força Aérea e porque era um local onde tradicionalmente o Governo tinha apoio.
De acordo com a resposta do entrevistado nº 4, existia um plano de evacuação do Governo em grandes Crises nacionais, que previa que essa evacuação seria feita pela GNR e para Monsanto, ou para o Quartel do Carmo6.
6.2 DISCUSSÃO DE RESULTADOS DA PERGUNTA Nº 2
A questão nº 2 teve como intuito recolher a opinião dos entrevistados em relação à hipótese da GNR se ter revelado uma Guarda “Pretoriana”, pois manteve-se fiel ao Regime até à sua queda.
As respostas obtidas foram unânimes, os entrevistados demonstraram bastante certeza nas respostas dadas e estas confirmam a hipótese sem margem para dúvida. Todos os entrevistados afirmam que a GNR esteve desde o início das movimentações do lado do Regime até à sua queda e consequente transferência de poder.
Os entrevistados indicaram como principais factores para esta postura da GNR, fazer parte da sua missão, na sua história estar sempre do lado do Regime, ter origens como Guarda Pretoriana, por ser realmente fiel ao Regime, limitou-se a cumprir ordens do Comandante Geral que, por sua vez, recebia ordens do Governo, a sua dependência e porque era uma espécie de retaguarda segura para evitar a sublevação civil e político militar contra o Regime.
6
Capítulo 6 – Discussão de Resultados
O entrevistado nº 10 deixa patente na sua resposta a verificação da hipótese em estudo, como se confirma na afirmação “a GNR tinha sido criada como uma força paramilitar de segurança e de apoio total ao poder, ao poder politico vigente, daí que logicamente quando houvesse uma crise dessas, como aquela que existe no 16 de Março, e logo a seguir, 40 dias depois, no 25 de Abril, era natural que a Guarda Nacional Republicana, que tinha sido criada com essa finalidade, estivesse ao lado do Regime vigente”7.
6.3 DISCUSSÃO DE RESULTADOS DA PERGUNTA Nº 3
Nesta questão pretende-se confirmar em conjunto com a anterior a hipótese de a GNR se ter revelado uma Guarda “Pretoriana” pois manteve-se fiel ao Regime até à sua queda.
Como se pode verificar através do Quadro 5.3, as respostas são unânimes e os entrevistados nas suas respostas não demonstram a menor dúvida em afirmar que não houve oficiais da GNR no planeamento do 25 de Abril, confirmando a hipótese tal como a resposta à pergunta nº 2.
Pode, também, verificar-se, pelas respostas obtidas, que a GNR era vista como força opositora, uma força pró Regime, uma força governamental. Como tal era vista com desconfiança por parte dos mentores do MFA que nunca arriscariam uma infiltração que deitasse tudo a perder. Existiu, sim, um oficial, que se tenha conhecimento, que era do Exército em comissão de serviço na GNR e que forneceu algumas informações ao primo, Otelo Saraiva de Carvalho, para este poder elaborar o Plano de Operações, sabendo da resistência que ia encontrar por parte da GNR8.
O entrevistado nº 2, com uma resposta sucinta, esclarece bem o que se passou, “A GNR era vista com desconfiança por parte do Movimento, o Exército é que ia fazer o golpe não podia arriscar infiltrações que deitassem tudo a perder. Houve oficiais soltos, que pertenciam ao Exército só que estavam lá colocados que forneceram algumas informações”9.
6.4 DISCUSSÃO DE RESULTADOS DA PERGUNTA Nº 4
A questão nº 4 teve como intuito recolher a opinião dos entrevistados em relação à hipótese da GNR ser temida e vista como uma força inimiga, pois apesar de algumas limitações sabiam que era capaz de se opor ao Movimento.
As respostas obtidas não são unânimes. Os entrevistados demonstraram bastante relutância em responder à questão na generalidade e existe uma grande divisão nas
7 Ver resposta à questão nº 2 do entrevistado nº 10- Apêndice M 8
Capítulo 6 – Discussão de Resultados
opiniões por parte dos entrevistados, independentemente de terem estado no lado da GNR ou do Exército.
Apesar desta discordância e hesitação geral em responder, pode-se verificar que a GNR tinha várias limitações a nível de equipamento e armamento10, o que não lhe possibilitava, a nível de poder bélico, ter hipóteses de vencer o MFA, mas mesmo assim era uma grande preocupação para o MFA, acima de tudo porque “era uma força organizada e com bons militares”11 e podia causar-lhe enormes dificuldades, pois sabiam que à menor descoordenação que fragilizasse o Movimento, a GNR, com o seu sentido de missão, poderia contrariar o Movimento, tal como afirma o entrevistado nº10, mentor do Plano de Operações do 25 de Abril, “com o Regimento de Cavalaria da Ajuda, com o Regimento de Infantaria de Cabeço de Bola, é possível que pudesse contrariar, porque nós, também tínhamos as nossas próprias fraquezas, nessa altura em 25 de Abril, tinha sido iniciada na primeira semana de Abril, talvez no dia 10 de Abril, a recruta e o pessoal tinha muita pouca experiência”12
6.5 DISCUSSÃO DE RESULTADOS DA PERGUNTA Nº 5
A questão nº 5 teve como intuito recolher a opinião dos entrevistados em relação à hipótese de existir ordem para os militares da GNR que estavam no interior do Quartel do Carmo dispararem respondendo aos disparos das forças sitiantes sobre o Quartel.
A resposta dos entrevistados é unânime, todos alegam desconhecimento, como tal não se confirma a ordem dada, apesar de na revisão da literatura existir menção à mesma.
O entrevistado nº4, que estava colocado Quartel do Carmo, diz não ter ouvido essa ordem, mas que como esteve a maior parte do tempo no exterior é possível não ter ouvido.13
Há entrevistados que à posterior ouviram rumores da suposta ordem, “Ouvi rumores
que o Comandante Geral chegou a dar ordem de disparo só que não foi obedecida”.14
6.6 DISCUSSÃO DE RESULTADOS DA PERGUNTA Nº 6
A questão nº 6 teve como intuito recolher a opinião dos entrevistados em relação à hipótese de os militares da GNR que estavam no interior do Quartel do Carmo não terem reagido aos disparos sobre o Quartel do Carmo.
As respostas obtidas foram unânimes e confirmam a hipótese sem a menor dúvida por parte dos entrevistados. Todos os entrevistados afirmam que não existiu reacção por parte dos militares da GNR do interior do Quartel do Carmo apesar dos disparos sobre o Quartel.
10
Ver resposta à questão nº 4 do entrevistado nº 4- Apêndice G
11 Ver resposta à questão nº 4 do entrevistado nº 8- Apêndice K 12 Ver resposta à questão nº 4 do entrevistado nº 10- Apêndice M 13
Ver resposta à questão nº 5 do entrevistado nº 4- Apêndice G
14
Capítulo 6 – Discussão de Resultados
Os militares não reagiram, segundo os entrevistados, porque tinham ordem dos seus comandantes directos para não disparar15, “porque houve uma percepção da parte dos
militares da GNR que não havia volta a dar”16 e “porque a força que se lhes oponha com os
blindados apontados para o Quartel era de tal maneira impressionante, imponente, que era suicídio tentar disparar contra quem quer que fosse”.17
6.7 DISCUSSÃO DE RESULTADOS DA PERGUNTA Nº 7
A questão nº 7 teve como intuito recolher a opinião dos entrevistados em relação à hipótese de existir civis no interior do Quartel do Carmo.
As respostas obtidas foram unânimes e confirmam a hipótese sem a menor dúvida por parte dos entrevistados. Todos os entrevistados afirmam que existiam civis no interior do Quartel do Carmo.
A razão de estarem civis dentro do Quartel do Carmo prende-se com o facto de
“existiam residências no interior, onde moravam militares da GNR que lá prestavam serviço com as suas famílias”18e “era normal nos quartéis da Guarda, não só do Carmo, ter
residências para os militares que prestavam lá serviço, desde oficiais, sargentos e praças”19. Todos os entrevistados que no 25 de Abril pertenciam ao MFA, excepto o entrevistado nº 8, alegam que só tiveram conhecimento de civis depois de abertas as portas do Quartel e Salgueiro Maia ter ido lá dentro, ou seja, à posterior dos disparos, alegando que em princípio não seriam executados os disparos sobre o Quartel se soubessem.
6.8 DISCUSSÃO DE RESULTADOS DA PERGUNTA Nº 8
A questão nº 8 teve como intuito recolher a opinião dos entrevistados em relação à hipótese da GNR ter um papel fundamental na resolução do 25 de Abril de 1974, pois evitou que esta data ficasse lembrada como um “mar de sangue”.
As respostas obtidas não são unânimes, pois a maioria dos entrevistados responde à questão afirmativamente, confirmando a hipótese. Mesmo os entrevistados que respondem que não, na sua generalidade, depois no seu discurso, acabam por confirmar a hipótese.
Os entrevistados, no geral, realçam a acção da GNR pela sua passividade, ou seja, como força que “ajudou para um desenlace mais fácil e proveitoso para todos, caso não o tivesse feito e houvesse um tiroteio de parte a parte tinha existido dezenas de mortos”20,
15
Ver resposta à questão nº 6 do entrevistado nº 3- Apêndice F
16
Ver resposta à questão nº 6 do entrevistado nº 1- Apêndice D
17 Ver resposta à questão nº 6 do entrevistado nº 10- Apêndice M 18 Ver resposta à questão nº 7 do entrevistado nº 7- Apêndice J 19
Capítulo 6 – Discussão de Resultados
teve um papel fundamental porque “evitou o confronto directo e o derramamento de sangue” 21e “quanto mais não seja por não responder ao fogo”22.
6.9 DISCUSSÃO DE RESULTADOS DA PERGUNTA Nº 9
A questão nº 9 teve como intuito recolher a opinião dos entrevistados em relação à hipótese da GNR não sair como derrotada no 25 de Abril de 1974, mesmo estando do lado oposto ao do MFA.
As respostas obtidas foram praticamente unânimes, sendo o entrevistado nº 9, o único a considerar que a GNR saiu derrotada, talvez por não viver o 25 de Abril numa das forças intervenientes, como tal analisou a questão colocada olhando só à missão que estava atribuída à GNR e que esta não conseguiu cumprir.23
No entanto, olhando aos restantes entrevistados, confirmam a hipótese, sem a menor dúvida, afirmando que a GNR não saiu derrotada no 25 de Abril de 1974.
As opiniões reflectem o espírito que se viveu de ambos os lados, convergindo no mesmo sentido, “quem de facto saiu derrotado é um Governo que persistia num tipo de política que não interessava rigorosamente nada ao povo do nosso país. A GNR é uma força que tem a sua missão, que a cumpre cabalmente e não sai derrotada”24. Outros argumentos bem patentes é que “tiveram a percepção que já não valia a pena estar a sustentar um Regime que estava completamente impopular”25.
6.10 DISCUSSÃO DE RESULTADOS DA PERGUNTA Nº 10
A questão nº 10 teve como intuito recolher a opinião dos entrevistados em relação à hipótese da GNR ter-se adaptado ao processo que se seguiu ao 25 de Abril de 1974.
As respostas obtidas foram unânimes e confirmam a hipótese sem a menor dúvida por parte dos entrevistados. Todos os entrevistados afirmam que a GNR se adaptou.
A GNR de imediato se colocou ao serviço do novo Regime a desempenhar funções, como o entrevistado nº 1 deixa bem patente nas suas palavras, “a GNR soube adaptar-se,
como disse no início, porque a GNR tem como missão a salvaguarda do Regime, a GNR como apartidária que é, consegue não misturar os processos políticos, as tendências políticas, na sua missão que é a salvaguarda do Regime, a ordem e a tranquilidade pública independentemente do partido ou da facção que estiver no Governo”.26
21
Ver resposta à questão nº 8 do entrevistado nº 7- Apêndice J
22
Ver resposta à questão nº 8 do entrevistado nº 6- Apêndice I
23 Ver resposta à questão nº 9 do entrevistado nº 9- Apêndice L 24 Ver resposta à questão nº 9 do entrevistado nº 10- Apêndice M 25
Ver resposta à questão nº 9 do entrevistado nº 3- Apêndice F
26
Capítulo 6 – Discussão de Resultados
6.11 DISCUSSÃO DE RESULTADOS DA PERGUNTA Nº 11
A questão nº 11 teve como intuito recolher a opinião dos entrevistados em relação à origem do 25 de Abril de 1974. Esta pergunta tem um cariz mais aberto do que as anteriores, pois não tem como finalidade a verificação de hipóteses, mas sim contribuir para perceber e recolher informação dos antecedentes deste acontecimento, confirmando a primeira parte do trabalho (o Enquadramento Teórico).
As respostas obtidas foram todas no mesmo sentido quanto à origem do 25 de Abril,
“o cansaço com a guerra e a incapacidade do poder político encontrar uma solução política para a guerra”27. Tendo o seu despoletar nos Decretos de Lei de 1973, que deu origem ao Movimento dos Capitães, com esses Decretos de Lei, “houve uma tentativa do Regime de dar aos oficiais milicianos a hipótese de passar ao quadro em seis meses de Academia e passar na carreira os oficiais da Academia”.28
“Tomamos consciência de que era necessário acabar com aquilo tudo, era necessário acabar com o Governo acabar com a ditadura”.29
6.12 DISCUSSÃO DE RESULTADOS DA PERGUNTA Nº 12
A questão nº 12 teve como intuito recolher a opinião dos entrevistados em relação ao motivo do fracasso do 16 de Março e qual a acção da GNR nesse dia. Esta pergunta é no âmbito da anterior, ou seja, mais abrangente, pois tem como finalidade perceber o que realmente se passou nesse dia, e recolher informação para confirmar a revisão de literatura e até informações extras se possível.
Pelas respostas dos entrevistados, percebe-se que a principal razão para o fracasso do 16 de Março foi a falta de planeamento antecipado, pois tinha ficado determinado nas reuniões do Movimento que ninguém agia pois era cedo, e devido a informações inconsistentes e membros que tinham demonstrado vontade em agir precipitaram-se e saíram em direcção a Lisboa, que foi o caso do Regimento das Caldas da Rainha.30
Quanto à acção da GNR verifica-se que garantiu a segurança em Monsanto, fez o cerco à AM, esteve na rotunda da Encarnação à espera da coluna que vinha para Lisboa e enviou uma força ao encontro da coluna que vinha das Caldas.
27 Ver resposta à questão nº 11 do entrevistado nº 9- Apêndice L 28 Ver resposta à questão nº 11 do entrevistado nº 5- Apêndice H 29