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5 Drøfting

5.4 Delkonklusjon påvirkning på personlig utvikling

Em geral, os globalistas que se sustentam numa perspectiva liberal têm, obviamente, uma visão mais otimista da globalização, uma vez que enfatizam os aspectos positivos da competitividade que é inerente a este processo.

Entre os principais autores do pensamento globalista destacam-se Keohane ; Nye (1989), que buscam argumentos para suplantar a tese de que o sistema internacional está baseado no pressuposto da estabilidade hegemônica.

Esta perspectiva globalista, também denominada neo-institucionalista, visa frisar a importância dos ganhos absolutos que cada ator pode vir a obter num sistema de maior interdependência, de tal modo que o poder não é tão essencial quanto às perspectivas de desenvolvimento econômico. Por esta razão, os regimes e organizações internacionais têm a função de garantir o incentivo para que os atores continuem cooperando e, assim, viabilizem a manutenção da estabilidade do sistema.

Esta perspectiva globalista baseia-se na hipótese oriunda da teoria econômica neoclássica do racionalismo, que por sua vez se estrutura nos princípios básicos do liberalismo, no qual os agentes econômicos internacionais maximizam os seus ganhos absolutos. Em geral, é a partir desse referencial que os adeptos dessa corrente justificam a minimização do papel do Estado no que tange à tomada de decisão envolvendo as escolhas coletivas.

Todavia, cabe ressaltar que Keohane ; Nye (1989), como já fora discutido na seção anterior, ainda vêem o Estado representando um papel central nas relações internacionais, mas cuja relação passa a envolver uma complexa rede de interesses, sobre o qual o poderio militar tem sua influência relativamente reduzida.

Soma a isso, o fato de que como os autores partem dos pressupostos da teoria econômica neoclássica e da atuação do Estado a partir de uma condição de interdependência complexa, a racionalidade permite o exercício de uma avaliação que visa minimizar os chamados custos de transação.

Ainda dentro dessa perspectiva globalista, Held ; McGrew (2002) e Young (1980)

destacam como essa complexa rede de interações, que denominam regimes internacionais36,

funciona a partir de um sistema de relações multilaterais que formatam a atual ordem internacional, substituindo as antigas polaridades políticas e militares, mesmo que ainda permaneçam as supracitadas condições assimétricas.

Não obstante as críticas envolvendo o esvaziamento do papel do Estado, e tampouco a ênfase que é dada a esses regimes internacionais, deve-se enfatizar a perspectiva relativamente diferenciada dos globalistas de base institucionalista, uma vez que esta parte do princípio de que esses regimes internacionais não devem ser elevados:

[...] a posições míticas de autoridades sobre os Estados: pelo contrário, os Estados criam esses regimes para atingir objetivos específicos. Ao enfrentarem dilemas de coordenação e colaboração nas situações de interdependência, os governos sentem a necessidade de instituições internacionais que lhes possibilitem atender seus interesses por meio de ação coletiva limitada (KEOHANE apud HURREL, 1995, p.

42-43).

Apesar disso, pode se afirmar que tal proposição parte do pressuposto de que o conjunto das relações tanto econômicas quanto sociais e políticas extrapolam as fronteiras nacionais, fazendo com que novos desafios – relacionados às questões territoriais que determinam os aspectos da organização social e política de uma nação – devam ser reavaliados, uma vez que estes precisam ser compreendidos a partir de uma condição em que as relações em constante expansão estão imbricadas com as proposições territoriais, cujo limite está sujeito ao próprio espaço nacional.

Ademais, Young (1972) sopesa que o Estado e a sociedade civil tornaram-se elementos unitários que têm objetivos específicos. Mas, inseridos num ambiente globalizado convivem com uma série de organizações internacionais, que fazem com que as suas configurações estejam em constante mutação, dado que atuam numa arena fragmentada de formulação de decisões políticas, que não é mais permeada apenas pelas forças internas, mas também por redes transnacionais (governamentais e não governamentais), de tal modo que passam a alterar constantemente as suas formas e as suas dinâmicas.

Held ; Mcgrew (2002) acrescentam, ainda, que as empresas multinacionais tornaram- se um dos principais núcleos do atual ordenamento global, dado que ao expandirem suas

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Regimes internacionais significam para tais autores um conjunto de princípios, normas, regras e procedimentos de tomada de decisão implícitos ou explícitos em torno dos quais se observa convergência de expectativa dos atores em torno de uma questão ou área das relações internacionais. E esses procedimentos de tomada de decisão constituiriam a prática para a implementação de escolhas coletivas no sistema internacional (RACY ; ONUKI, 2002).

relações financeiras, produtivas e comerciais para fora de suas matrizes, passaram a exercer, em concorrência com os Estados, uma autoridade decisiva na organização, na localização e na distribuição dos recursos econômicos na economia global contemporânea.

Já a partir de um uma proposição globalista considerada “pura”, Rosecrance (1990) tem uma posição bastante distinta dessa, ao enfatizar que a globalização criou um novo cenário que não mais se sustenta na política, mas apenas nas relações econômicas, que a partir da concorrência faz com o que mercado passe a regular as relações internacionais, permitindo

a todos os atores envolvidos maximizar suas vantagens37.

Além do mais, os globalistas “puros” reproduzem as proposições enfatizam que somente a partir das relações de mercado os setores denominados tradicionais, cuja atividade produtiva é ineficiente e focada apenas na auto-suficiência local, podem se transformar nos setores modernos, que se baseiam em atividades produtivas eficientes e internacionalmente integradas. Tais conjecturas se baseiam na teoria dual, segundo a qual:

[...] o crescimento de uma economia de mercado resulta naturalmente do desencadear das forças de mercado. Com sua tendência natural de intercâmbio, os seres humanos tendem a expandir sua atividade econômica à medida que as limitações externas são removidas, e abrem-se novas oportunidades. [...] O dualismo considera o fato de a economia mundial moderna ter se desenvolvido por meio da expansão global da produção destinada ao mercado [...]. O setor moderno deslocou gradualmente o setor tradicional, à medida que mais e mais sociedades se adaptavam à organização econômica baseada no mercado (GILPIN, 2002, p. 87).

Em contraposição não apenas aos críticos da globalização (dos quais se incluem os céticos), mas também aos teóricos institucionalistas (ou neoliberal para o debate das Relações Internacionais), o que deve ser destacado dessa vertente globalista mais radical é a ênfase dada aos fatores endógenos do mercado ao denominado processo de modernização econômica, pois tal aceitação justifica a minimização dos possíveis eventos de cunho político e social, que além de serem exógenos contribuem negativamente para o desenvolvimento de um país.

Tais preceitos fazem parte, pelo menos do ponto de vista retórico, dos atuais

receituários neoliberais38, que têm contribuído para a disseminação de políticas, sobretudo

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Essa perspectiva se apóia nos princípios do liberalismo econômico, que no campo da economia política internacional encontra respaldo na chamada teoria da economia dual. Como essa perspectiva enfatiza os pressupostos da teoria neoclássica, ela se apóia nas seguintes premissas: o individualismo; a racionalidade econômica; o comportamento maximizador dos agentes; e o mercado como determinante da geração do bem- estar social.

38 A definição de neoliberalismo em questão segue as ponderações de Hayek (1990), cuja argumentação visa

entre os países com menor grau de desenvolvimento, baseadas na adoção de um conjunto de ações sustentadas na premissa do Estado mínimo, na abertura e na desregulamentação econômica, entre outras.

O processo de modernização se apóia numa série de medidas que devem ser adotadas pelas sociedades tradicionais (ou periféricas), de tal modo que essas precisam assumir, em primeiro lugar, uma percepção etapista da sua evolução, bem como almejar um estágio superior de desenvolvimento através da reprodução dos modelos (econômicos, institucionais etc) das sociedades avançadas, o que, entre outras coisas, requer a dissolução de suas fronteiras.

Cabe ressaltar, ainda, que a adoção do sistema de mercado como norteador das políticas internas e externas também representa, para os seus defensores, um processo de modernização que atua como um procedimento civilizatório superior, de tal modo que uma sociedade menos desenvolvida tem na globalização a oportunidade de disseminar esses valores e essas instituições considerados, por eles, ideais.

Assim sendo, enfatizam, a partir desse norte modernizante, os princípios de liberdade econômica como pré-requisito para a liberdade política, permitindo a evolução daqueles que experimentam as novas condições, cujos valores estão baseados, via de regra, na Europa Ocidental e nos Estados Unidos.

Percebe-se que os globalistas favoráveis a esta ordem econômica reafirmam que a disseminação dos princípios de um único mercado global, viabilizado pela mobilidade do capital e pela concorrência internacional, tem sido responsável pela modernização e pelo desenvolvimento dos países menos industrializados. Como exemplo de experiências “bem sucedidas” que adotaram tal modelo, Ohmae (1995) cita alguns países do Leste asiático e da América Latina.

Russett (1993) complementa que somente a globalização econômica viabiliza todas as condições necessárias para a existência de um ambiente baseado numa ordem global estável e sem guerras, uma vez que se sustenta num amálgama oriundo da interdependência econômica.

Outro importante aspecto destacado pelos globalistas é a crescente importância do regionalismo, que tem feito com que diplomacia inter-regional se intensifique, consolidando as relações mútuas entre os Estados membros.

mecanismo de limitação do funcionamento dos mercados pelo Estado, e têm servido de base para toda uma proposição retórica, sobretudo por países mais desenvolvidos e por organismos econômicos internacionais. Apesar disso, cabe ressaltar que movimento neoliberal nasce na década de 40, com o objetivo central de criticar todas as proposições vigentes no pós-Guerra, sobretudo no que se referia à promoção do Estado de bem-estar social, que era responsável pela destruição das liberdades individuais e pelo comprometimento dos bons resultados da concorrência, pontos considerados centrais para a prosperidade de todos.

Segundo Hanson (1998), a regionalização só tende a favorecer a globalização econômica, ao oferecer um ambiente no qual os países buscam se inserir de maneira estratégica aos mercados mundiais. E, ao contrário dos céticos, considera que o regionalismo contribuiu para consolidar as questões políticas que envolvem a globalização, ou seja, o regionalismo não representa uma ameaça à globalização, pois não colabora para o surgimento de blocos rivais, e sim para o fortalecimento de mecanismos mais eficientes de integração.

Fukuyama (1992) sintetiza tais proposições liberais a partir do fim da Guerra Fria, quando se expôs a superioridade do sistema baseado na democracia liberal e no capitalismo, sendo que a principal explicação para tal resultado reside no fato de que apenas a união desses dois modelos permite a satisfação humana fundamentada na posse de bens materiais e de riqueza, e da devida valorização individual. Além do mais, o crescimento econômico, que pode ocorrer em qualquer tipo de regime político, só se torna mais efetivo quanto aos seus fins quando se alia à democracia liberal, isto porque o resultado decorrente dessa aliança permite a satisfação das necessidades humanas de valorização pessoal, de igualdade e de liberdade política.

Portanto, essa vertente mais radical da perspectiva globalista admite que o processo de integração (global) deve ser feito via mercado sem a interferência “maléfica” do Estado, de tal modo que possa alcançar níveis mais elevados de interdependência global, o que implica na elevação do bem-estar social de todos aqueles adotam tal “opção”.

De uma forma geral, cabe destacar que parte dos globalistas, quando buscam compreender o atual estágio da globalização, procura distinguir as diversas etapas desse longo processo, bem como diferenciar os modos de reprodução nos respectivos sistemas responsáveis pela integração global, além de destacar o padrão mutável das relações envolvidas.

Neste sentido, Held ; McGrew afirmam que a análise globalista apresenta um conceito de globalização mais amplo, que abarca a idéia de suas diferentes formas históricas. Assim sendo,

Essa tradição particular da análise sócio-histórica estimula a concepção da globalização como um processo um tanto indeterminado, pois não se inscreve numa lógica preordenada que presuma uma trajetória histórica ou um estado final únicos, isto é, o surgimento de uma única sociedade mundial ou civilização global. [...] Ela é considerada, antes, um produto de forças múltiplas que incluem os imperativos econômicos, políticos e tecnológicos, além de fatores conjunturais específicos, como, por exemplo, a criação da antiga Rota da Seda ou o colapso do socialismo de Estado. Ela não tem um padrão fixo ou predeterminado de desenvolvimento histórico. Além disso, uma vez que atrai e empurra as sociedades para direções diferentes, ela gera, simultaneamente, cooperação e conflito, integração e

fragmentação, exclusão e inclusão, convergência e divergência, ordem e desordem (2002, p. 21).

Consequentemente, os autores situam a avaliação da globalização a partir de uma perspectiva da longa duração, que constantemente influencia os padrões de mudança histórica, de tal modo que a sua compreensão envolve situá-la numa conjunção de convergências seculares da história mundial, o que permite a aceitação de suas diversas configurações ao longo da história.

Apesar dessas ponderações, não se pode deixar de enfatizar que o globalismo, ou o idealismo, constitui sua argumentação numa perspectiva normativa, que se fundamenta nos princípios da racionalidade e da natureza humana que prescrevem um mundo ideal no qual a conduta altruísta dos atores internacionais leva à paz entre os Estados.