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Delkonklusjon: Oversettelsenes påvirkning på religionskritikken

Pour une critique des traductions: John Donne (1995) [Para uma crítica das traduções: John Donne] nasceu após os feedbacks das reações críticas dos leitores175 a sua obra “prima” anterior, A prova do estrangeiro (2002) (L´épreuve de l’étranger, 1984), que deu a Berman seu renome internacional, na área dos Estudos de tradução. Aquele livro, aqui analisado, representa uma síntese dos trabalhos do autor sobre a tradução, ao longo de uma década, ou seja, desde 1984, incluindo reflexões a respeito de suas análises realizadas no Collège international de philosophie (CIPh) [Colégio Internacional de Filosofia]176, em Paris, que lhe permitiram, com a experiência dos seminários públicos, elaborar um “método” de avaliação objetiva e fundamentada das traduções literárias. O corpus de base, analisado na segunda parte (prática) deste livro constitui-se de um único poema (“Going to bed”), de John Donne, cuja temática, determinada por Berman, a elegia, foi comparada com três traduções (duas em francês e uma em espanhol).

Essa análise-avaliação, em si, compõe a segunda parte “prática” da obra. A primeira assume um cunho mais teórico que Berman chamou de “propedêutica epistemológica” da segunda. Essa primeira parte será o objeto da nossa análise neste item de nosso trabalho, pois se enquadra no gênero da crítica das traduções, que o autor (1995, p. 12) inseriu na Crítica, vista como “instituição” ao serviço das obras – para sua sobrevivência e sua ilustração – e dos leitores.

Embora, conforme lembra Berman (1995, p. 13–14), a crítica das traduções, como “juízo” ou “avaliação”, exista desde a Idade Média, ela é ainda recente, na sua acepção de “extração da verdade de uma tradução”, que se baseia na sua análise rigorosa dos traços fundamentais que a compõe, da posição do tradutor, do seu projeto e horizonte fundadores. O novo objetivo da crítica das traduções é se libertar das tradicionais análises comparativas que não conseguiram constituir um gênero em si devido a seu ecletismo e sua heterogeneidade.

Berman destaca dois modelos pertinentes de crítica: o primeiro se refere aos trabalhos, essencialmente negativos e polêmicos, de Henri Meschonnic177, para tentar extrair a “positividade” dessa lógica unilateral e injusta; o segundo modelo é da Escola de Tel-Aviv

175 Berman escreveu não somente para seus leitores potenciais que imaginava, mas sim com eles. (BERMAN, 1995, p. 12)

176 Instituição de ensino e de pesquisa, criada em Paris, em 1983, por François Châtelet, Jacques Derrida, Jean- Pierre Faye e Dominique Lecourt, com o intuito de promover a interdisciplinaridade (entre artes, literatura, ciências, economia, política, direito, etc.), de estimular o pensamento e de renovar as abordagens teóricas. (fonte: site do Collège international de philosophie <http://www.ciph.org>).

177 Sua metodologia da crítica das traduções baseia-se num avaliação pormenorizada do texto original, isto é, segundo Berman (1995, p. 62), um conceito source-oriented do processo de tradução.

(ou escola funcionalista), que desenvolveu uma semiótica da tradução combinada com uma sociocrítica das traduções ou, de modo geral, uma teoria “cultural” da tradução.

O projeto crítico de Berman fundamenta-se, por sua vez, nos escritos de crítica literária de Walter Benjamin e na hermenêutica moderna essencialmente desenvolvida por Paul Ricoeur e Hans Robert Jauss, para ilustrar sua atividade teórica (como analista e historiador da tradução) e prática (como tradutor profissional178).

2.2.1. Para um projeto de uma crítica das traduções “produtiva” segundo Berman? As análises ou críticas comparadas de traduções, apesar de não ocuparem papel central, são imprescindíveis para o desenvolvimento das pesquisas na área tradutológica, pois, conforme afirma Berman (1995, p. 35-37), a objetividade da tarefa não pode fazer a economia de uma reflexão conceitual.

Entre 1984 e 1988, Berman analisou nos seus seminários, no CIPh, sempre do ponto de vista filosófico, raramente linguístico, várias traduções, essencialmente, do alemão ou do inglês para o francês ou espanhol, sempre na base de um “projeto crítico” diversificado em face das obras escolhidas como: (i) estudo do “trabalho sobre a letra”; (ii) análise comparada de (re)traduções; (iii) estudo da tradução das palavras fundamentais; (iv) análise do aparato paratextual que “apoia” uma tradução; (v) trabalho histórico sobre as traduções; (vi) estudo das características das “obras completas” de tradutores.

Essa descrição de trabalho analítico objetiva fundamentar uma “crítica produtiva” (como a de Reiss, 2002) baseada numa abordagem empática no intuito de entender as motivações que levaram o tradutor a fazer determinadas escolhas, por vezes, questionáveis. Com efeito, a crítica deve tentar desvincular-se do seu tradicional negativismo e do seu papel destruidor (a exemplo das famosas críticas anatemáticas de Meschonnic), ela não tem por única finalidade destacar os “processos de perda”179.

Berman (1995, p. 37), na análise de uma tradução, de acordo com o caráter positivo do procedimento avaliativo criterioso e rigoroso, não a julga “ruim” quando nele constam falhas, mas prefere usar termos mais adequados ao problema realmente detectado para não invalidar o trabalho do tradutor na sua integralidade. Observações do tipo “versão gravemente defeituosa”, “poeticamente insuficiente”, “fundada em um projeto de tradução errôneo” ou “paratextos” questionáveis, são mais construtivas com seus respectivos exemplos

178 Berman tradutor do alemão e do espanhol. 179 Expressão usada por Berman (1995, p. 38).

argumentados. Esse desempenho do tradutólogo, para tentar entender os motivos que levaram os profissionais a cometer determinados “erros” de tradução, faz parte do seu projeto crítico.

No entanto, Hewson (2011, p. 2) lembra que Berman (1995), fez também severas críticas condenatórias à avaliação das traduções para o francês do poema “Going to bed” de John Donne. De fato, Berman criticou, nesta obra, os anátemas de Meschonnic (1999), professor universitário parisiense (Paris 8) e o citou como exemplo de atitude de desprezo crítico quando uma tradução não se enquadra nos moldes estéticos dele.

2.2.2. Definição do conceito de crítica das traduções: a fim do negativismo?

Pelo menos desde o Iluminismo, percebe-se, conforme lembra Walter Benjamin, que o conceito geral de “crítica”, não somente das traduções, nunca poderá livrar-se do seu caráter inerente de negatividade: “o inevitável momento negativo desse conceito180“. (BENJAMIN apud BERMAN, 1995, p. 38, n.11, tradução minha).

A concepção epistemológica da crítica bermaniana, por sua vez, “desdramatiza” o conceito e ilumina a face oculta da própria crítica, ou seja, sua positividade, no entanto, mais importante do que seu lado negativo, amplamente midiatizado e, quando predominante, cunha-se implicitamente de certa falsidade: “Não só a crítica é positiva, mas essa positividade é sua verdade: uma crítica meramente negativa não é uma verdadeira crítica”181 (BERMAN, 1995, p. 38, tradução minha).

Desde Friedrich Schlegel, fundador da crítica moderna, segundo Berman (1995, p. 38), a crítica assume papel de destaque, pois está associada à analise de obras de qualidade, quando o termo “característica” é reservado às obras medíocres.

A crítica multifacetada tem tradicionalmente a tendência, conforme afirma o filósofo francês (1995, p. 39), de sufocar ou de obscurecer a obra analisada ou, quando é excelente, de afastar o leitor182 do original. Todavia, ela é paradoxalmente uma necessidade “ontológica” para a própria obra, cuja sobrevivência, até sua existência em si, depende dela para: (i) se comunicar; (ii) se manifestar; (iii) se realizar; (iv) se perpetuar.

Assim, o que Berman chama de “criticismo” corresponde, de fato, a uma manifestação intrínseca da obra original, que, desde que existe – ou seja, quando está lida –, gera

180 « l’inévitable moment négatif de ce concept » (BENJAMIN apud BERMAN, 1995, p. 38, n.11)

181 « Non seulement la critique est positive, mais cette positivité est sa vérité : une critique purement négative

n’est pas une critique véritable. » (BERMAN, 1995, p. 38)

182 Ou por rejeição ou pelo motivo que os leitores leiam somente críticas (até de alta qualidade) sem ler a obra original, conforme Berman (1995, p. 39).

implicitamente, querendo ou não, críticas que vão produzir um efeito de retroação (feedback) significativo e esclarecedor, renovando infinitamente os pontos de vista da leitura.

Quando essas críticas são de alta qualidade, elas formam obras em si, isto é, um conjunto de obras críticas, que se tornam tão importantes quanto a obra de origem: a crítica lhe dá vida. Por conseguinte, a tarefa do crítico, escapando à degradação erudita, cientista ou formalista, dos tradicionais processos de perda, proporciona um “existir” humano nas obras e pelas obras e as perpetua, por meio de movimentos contínuos e iterativos de renovação e de “rejuvenescimento”, dando forma nova a algo que já tem forma, ressalva Berman (1995, p. 39-40) referindo-se a Schlegel.

Assim, um dos vários aspectos da crítica que representa a tradução em si, torna-se, de forma similar, sobremaneira necessário para a perpetuação renovada das obras, confirmando seu grau de parentesco no ato tradutório. Esse parentesco manifesta-se na posição crítica do tradutor “em todos os níveis”183, conforme assevera Berman (1995, p. 40), referindo-se a After Babel de George Steiner (1998a), para quem existem traduções que são “verdadeiras obras- primas de exegese crítica”.

Vale ressaltar, no entanto, que a relação entre crítica e tradução, de época bastante recente, parece naturalmente implícita, pois sempre houve184 nítida dicotomia entre, de um lado, a tarefa do tradutor, pouco atraído pela crítica de qualidade, e, de outro lado, a tarefa do crítico de obras que desconsiderava ou desconhecia os “problemas de tradução”.

O tradutor, tradicionalmente, dedica-se a uma atividade crítica endógena, inerente ao ato tradutório, afastando-o da crítica exógena, ou seja, uma forma de metacrítica, conforme a definição da crítica das traduções dada pelo próprio Berman (1995, p. 41, tradução minha): “A crítica de uma tradução, portanto, é a de um texto que, por sua vez, resulta de um trabalho de ordem crítica185”.

Todavia, o crítico perpetua uma prática que considera o texto traduzido como um texto isolado, ab ovo, porém como uma obra “estrangeira”, que recebe o mesmo tratamento avaliativo do que uma obra “nacional”. A comparação sistemática com o texto original permanece ainda “desnecessária”, por vários motivos, mas quando realizada, há uma (super)valorização, que Berman (1995, p. 41) qualifica de “obsecional”, dos defeitos e dos

183 Berman (1995, p. 40) se refere aqui à REtradução.

184 A crítica de tradução, como julgamento, existe desde o século XII, porém, conforme Berman (1995, p. 41), bastante marginal em relação à crítica de obras em si.

185 « La critique d’une traduction est donc celle d’un texte qui, lui-même, résulte d’un travail d’ordre critique. » (BERMAN, 1995, p. 41)

erros cometidos, até mesmo quando a tradução é globalmente adequada (Cf. Capítulo 4, p. 281).

Esse comportamento apreciativo afasta a crítica das traduções da tradicional crítica de obras que, por sua vez, se reforça e se valoriza, especialmente a crítica jornalística, graças a sua “multiplicidade de dimensões e de discursos”, lembra Berman (1995, p. 41). Ele enfatiza que uma crítica que se restringe apenas a “julgar” reforça os tradicionais preconceitos negativos para com todo texto que submetido a um processo tradutório intrinsecamente debilitante que se manifesta por meio do traço de secundaridade186 ao qual se associa o da defectividade187, contrapõe-se à veracidade do texto original.

Dessa contraposição entre o polo de defectividade e o da veracidade nasceu, no âmbito da crítica das traduções, um ato de cunho ético unilateral, chamado julgamento depreciativo: uma tradução não é nem nunca será o original.

Assim, a indefectível veracidade do texto “primeiro” existe apenas através da – também “indefectível” – defectividade, conforme lembra Berman (1995, p. 42). Um texto traduzido é sempre defeituoso em alguma parte, independentemente das qualidades e das competências profissionais do tradutor. Essa intransponível mediocridade, oriunda desse conjunto de “culpabilidades”, leva Berman (1995, p. 42, tradução minha) à seguinte avaliação: “Esse trabalho defeituoso seria um erro (não se devem traduzir as obras, elas não o desejam) e uma impossibilidade (não podem ser traduzidas)188”.

A esse discurso eminentemente negativo contrapõe-se a positiva necessidade de se comunicar que rompe o silêncio impondo-se pela intraduzibilidade ontológica das obras, que já suscitou inúmeras reflexões filosóficas189 e que, por vezes, a sustentava. Da pauperização do original nasce, pelo contato físico, o enriquecimento da língua e da cultura às quais se destina o texto traduzido imperfeito, o que Berman (1995, p. 42) chama de “benfeitos colaterais da tradução”, que restabelecem a ligação entre o TP e o TC.

A tradução, como “simples eco enfraquecido190”, nunca deixou de ser “o duplo191“ (daí sua secundaridade) do texto original que representa sua primeira finalidade, à qual Berman

186 Sendo o texto original “primeiro” e o texto traduzido “segundo”. (BERMAN, 1995, p. 41-42)

187 Berman (1995, p. 41) define esse neologismo de defectividade como um conceito que engloba em si todas as formas de defeito, de falha, de erro inerente a toda tradução.

188 « ce labeur défectueux serait une faute (il ne faut pas traduire les œuvres, elles ne le désirent pas) et une

impossibilité (on ne peut pas les traduire). » (BERMAN, 1995, p. 42)

189 Esse discurso começou inverter-se, porém nitidamente, conforme Berman (1995, p. 42), desde o Romantismo alemão, ou seja, a partir do discurso positivo de Goethe, Humboldt, e de Schleiermacher.

190 « simple échos affaiblis » (BERMAN, 1995, p. 43)

(1995, p. 42) atribui um segundo propósito, o de se tornar autônoma, isto é, uma obra em si, um “novo original” na cultura receptora, porém realização bastante marginal.

A crítica das traduções é, assim, uma metacrítica, pois o texto traduzido é fruto de uma reflexão eminentemente crítica do texto original realizada pelo tradutor. Essa metacrítica – apesar de sua, até então, parca expansão – é tão importante para vida das obras traduzidas e suas respectivas recepções quanto a tradicional crítica literária (monolíngue). Todavia falta- lhe, como para a tradução, um “estatuto simbólico” que Berman (1995, p. 43) chama de “dignificação secreta”, que outorgaria à crítica das traduções o direito de existir por si própria, quer dizer, exercer seu “direito à cidadania”192, principal ambição da tradutologia que é o de valorizar as traduções e, por conseguinte, os tradutores.

Esse quadro modificou-se nestas últimas décadas com a criação de cursos universitários (de graduação e de pós-graduação), nos quais acadêmicos (discentes e docentes) empenham-se na publicação de crítica de tradução.

2.2.3. As análises das traduções: uma questão de gênero?

Berman (1995, p.43) lamenta a multiplicidade heteróclita (focos, contextos, finalidades) das análises de tradução praticadas que limita qualquer tentativa de organização ou classificação, necessária, porém, para estabelecer um perfil coerente da crítica nesta área. Várias abordagens destacam-se: (i) a comparação do TP com suas traduções ou as traduções entre si; (ii) as análises detalhistas e eruditas.

O procedimento crítica de traduções mais comum baseia-se no cotejo do TC com o TP ou com suas várias traduções, cujo intuito é destacar os inevitáveis desvios ou alterações, que se situam sempre, no que Berman (1995, p. 44) chama de “nível micrológico, pontual”. O relatório crítico, geralmente desprovido de qualquer rigor metodológico ou de finalidade, não passa de mera listagem de desvios, que não sofreu a menor análise de ordem sistêmica da parte do crítico, tento como principal alvo a figura conceitual do tradutor.

Este trabalho poderia ajudar, por exemplo, a compreender a origem das escolhas tradutórias ou a refletir sobre o conceito de tradução como tertium comparationis, enfatiza Berman (1995, p. 44). De modo geral, esses cotejos “ingênuos” não se enquadram em nenhum projeto crítico relevante e rigoroso que poderia contribuir para transformar a crítica das traduções em um gênero ensaístico pertinente e autônomo.

192 « droit de cité » (BERMAN, 1995, p. 43)

Longe de ser autônomas193 e, também, desprovidas de qualquer abordagem metodológica específica, as análises eruditas são, no sentido amplo definido por Berman (1995, p. 44-45), geralmente heterogêneas e globais, pois analisam alguns trechos para reconstituir os “traços fundamentais” de uma tradução inteira, inserindo-os no seu contexto histórico, sem negligenciar os cotejos detalhados entre várias traduções, quando existem.

Além disso, Berman (1995, p. 44) acrescenta que o alto grau de especialização estreita a “legibilidade” desse tipo de crítica (de traduções de autores de prestígio). Sendo tão elevado restringe sua recepção a alguns leitores especializados em literatura, em geral, universitários.

Berman define sua concepção de “forma de uma análise de tradução” como:

uma estrutura discursiva sui generis, adaptada a seu objeto (a comparação de um original e sua tradução, ou traduções dele), forma suficientemente individualizada para distinguir-se dos outros gêneros de análise.194 (BERMAN, 1995, p. 45, grifos do autor, tradução minha)

O autor atribui a esse conceito de forma uma faculdade geradora intrínseca de sua própria potencialidade e vitalidade, que extrai de si mesma seu objeto de estudo e sua própria metodologia, nitidamente baseada, porém, em teoria linguística, textual e tradutória. Para ilustrar sua argumentação, Berman analisa, sem pretensão de exaustividade, dois modelos críticos bastante representativos nos estudos tradutológicos: (i) a poética de tradução de Henri Meschonnic; (ii) a teoria do polissistema da Escola (funcionalista) de Tel-Aviv, com seu principal representante Gideon Toury195; (iii) a Übersetzungskritik196 [crítica de tradução] alemã de Fritz Paepcke.

A Tabela 2.14 (abaixo) sintetiza, de forma temática, os principais pontos-chaves das duas primeiras abordagens críticas (i) e (ii), destacados por Berman. A apresentação em tabela destaca, vis-à-vis, as características intrínsecas da Poética da tradução e da Teoria do polissistema, como o tipo de focalização da crítica (source-oriented vs target-oriented), os conceitos-chaves (falha vs norma), as fundamentações teóricas e as metodologias, entre outros.

193 Berman (1995, p. 45) destaca que esse tipo de críticas integra-se comumente em grupo de pesquisa (ex. no âmbito europeu, as Hölderlinstudien), ou disciplinas universitárias literárias e históricas, mas não tradutológicas.

194 « une structure discursive sui generis, adaptée à son objet (la comparaison d’un original et de sa traduction,

ou de ses traductions), forme suffisamment individuée pour se distinguer des autres genres d’analyses. » (BERMAN, 1995, p. 45)

195 Com os outros representantes como Itamar Even-Zohar (Israel), Annie Brisset (Canadá), José Lambert (Bélgica).

196 Somente citado por Berman (1995, p. 45), esta abordagem crítica alemã não é aqui analisada. Vale ressaltar que Fritz Paepcke faz parte, com seus conterrâneos H. J. Vermeer e K. Reiss, dos tradutólogos alemães significativos, na área da crítica de tradução.

Tabela 2.14. As análises de tradução (comparadas) segundo Meschonnic e Toury

As análises “engajadas” da Poética da

tradução de H. Meschonnic As análises da TEscola de Tel-Aviv (G. Toury) eoria do polissistema da

T

ip

o “Source-oriented”: focalização da crítica no

TP; •

“Target-oriented”: focalização da crítica no TC; C on ce it o- ch av e A FALHA

• Destaque sistemático de todas as falhas; • Destaque das causas das falhas das

traduções, mas não há análise;

Defeitos subjetivos da psique tradutória; Denúncias seguidas de re-traduções

pontuais.

A NORMA

• Utilização de um conceito de “norma”: o Fatores intersubjetivos como os valores

de um grupo social;

o Modelos para seleção dos textos a ser traduzidos;

• “Norma inicial”:

o Escolha básica do tradutor: source /

target;

o Norma disjuntiva: dilema já exposto por Humboldt;

• Normas translacionais (em função da época):

o Adaptação da obra estrangeira; o Naturalização;

o Ao contrário da Alemanha romântica;

F un da m en ta çã

o • “Saberes modernos” (linguística, semiologia, poética);

• Teoria explícita do traduzir e da escritura; • Ideia determinada do ato tradutório; • Justificativas: escolhas ideológicas, modas

estéticas ou literárias, de convenções.

• Explorar os recursos da linguística e da análise textual;

• Examinar as condições sóciohistóricas, culturais, ideológicas de realização da tradução;

• O “sistema de transformação” das traduções é a interiorização dessas normas pelo tradutor. C ar ac te st ic as

• Análises engajadas: polêmicas e militantes; • Avaliação e destruição de traduções a partir

da ideia de “engajamento”;

• Análises negativas como gênero em si (criado por Meschonnic);

• Análises não autônomas, pois pertencem à

poética da tradução;

• Análises injuntivas e incontestáveis sobre a tarefa do tradutor.

• Rejeita o conceito prescritivo do traduzir; • Analisar uma tradução não é “julgar”, mas

estudar seu sistema de transformação; • Considera a “literatura traduzida” parte do

“polissistema” literário de uma cultura; • Avaliação baseada no respeito dessas

normas. O bj et iv os

• Denunciar com precisão (pormenores): o Incoerências;

o Sistematismos errados; o Preconceitos dos tradutores; • Traduzir, como trabalho de escritura.

• Estudar objetiva e científicamente a “literatura traduzida”;

• Objetivo: não “julgar”, mas mostrar o “porquê” das transformações realizadas pelos tradutores;

• O “porquê” corresponde às normas “translacionais” dos polissistemas.

Tabela 2.14. As análises de tradução (comparadas) segundo Meschonnic e Toury

As análises “engajadas” da Poética da

tradução de H. Meschonnic As análises da TEscola de Tel-Aviv (G. Toury) eoria do polissistema da

M et od ol og ia

• Análises com forma determinada: o Uma parte sobre o poeta traduzido:

poética (serve de base para 2ª parte); o Uma parte sobre as traduções: poética

da tradução;

• Análise dos defeitos dos tradutores (traços da psique tradutória):

o Fatuidade;

o Negligência (laisser-aller), relaxamento;

o Menosprezo do autor do original e dos leitores;

o Complacência narcísica; o Ausência de consistência.

• Elaboração de uma metodologia explícita e teoricamente fundada;

• Comparação de uma tradução com seu original;

• Teorias linguísticas e literárias, do texto literário;

• Descrição sistemática: