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A 1ª etapa foi a apropriação do tema, delineando sua importância. Antes de realizar a pesquisa de campo, analisamos os dois protocolos para o tratamento da hipertensão arterial - o vigente e a atualização e esclarecemos as dúvidas junto às pessoas que participaram da elaboração de ambos. Também fizemos levantamento bibliográfico sobre o assunto nas bases indexadas e um levantamento epidemiológico buscando série histórica das internações por essas doenças e os gastos com essas internações em Sorocaba. Este levantamento foi realizado através da consulta às bases de dados do DATASUSe tabulação no programa Microsoft Excel for Mac 2011.20

A 2ª etapa foi o levantamento do perfil dos médicos que trabalhavam na atenção básica de Sorocaba em abril de 2012. Para isso realizamos duas pesquisas: na primeira buscamos a relação de médicos que trabalhavam nas UBS/USF como clínico geral em dezembro do ano 2000 (data final do grande treinamento para os médicos sobre o protocolo vigente) e abril de 2012 (início deste estudo) e utilizando o programa Excel comparamos as duas listas para ver o percentual de médicos que passaram pelo treinamento do protocolo vigente do PSA em 2000 e que ainda estavam trabalhando em 2012; na segunda levantamos a formação dos médicos que atuavam como clínico-geral e generalista de UBS/USF em abril de 2012 através de planilhas recebidas das UBS/USF pelo PSA para atualização do cadastro dos clínicos.

A 3ª etapa foi a pesquisa sobre o processo histórico. Nesta etapa utilizamos a vivência do autor, documentos públicos oficiais (Planos de Saúde, relatórios, circulares e ofícios) e consultas pessoais com profissionais que viveram o processo (micro reuniões).

A 4ª etapa foi a realização de entrevistas com quatro pessoas classificadas neste estudo como "gestoras do PSA", sendo dois ex-gestores (do ano 2000) e dois gestores do PSA de 2012 (momento do início da pesquisa de campo). Foram

realizadas entrevistas aprofundadas, com perguntas abertas utilizando um roteiro (APÊNDICE B). As entrevistas foram gravadas em áudio e posteriormente transcritas. A escolha destas quatro pessoas foi por conveniência. Os dois médicos ex-gestores (G1 e G2) foram os principais artífices da implantação do protocolo vigente no ano 2000 e como clínicos de UBS em 2012 estavam tendo oportunidade de vivenciar a prática da proposta que elaboraram. O outro médico (G3) era o gestor do programa no início de 2012, teve a iniciativa de convidar a universidade para a atualização dos protocolos de hipertensão arterial e diabetes mellitus e participou com os professores da FCMS-PUC/SP na atualização. No ano 2000 este médico trabalhava como clínico geral de uma UBS e participou do processo de capacitação como médico. O quarto entrevistado (G4) foi um enfermeiro que assumiu a gestão do PSA no segundo semestre de 2012 e não participou da elaboração e implantação do protocolo vigente, mas era responsável pela gestão do programa. Nesta entrevista buscamos informações atuais sobre as características do PSA e as dificuldades enfrentadas, e também uma visão "não médica" do processo.

A 5ª etapa foi a realização das entrevistas com médicos que atuam como

clínicos gerais ou generalistas e que utilizam o protocolo vigente do PSA. Foram

entrevistados seis médicos com a finalidade de entender como o programa estava sendo desenvolvido nas UBS/USF. No momento da análise das entrevistas foi incluída também neste grupo a segunda parte das entrevistas com os dois gestores citados anteriormente (G1 e G2) que atualmente atuam como clínicos gerais em UBSs, totalizando oito entrevistas com médicos. O critério de escolha destes médicos foi por sorteio, porém, procurando garantir uma amostra de profissionais com especializações variadas incluindo generalistas, cirurgiões, clínicos gerais, especialistas e recém-formados que refletisse o universo dos médicos que atuam na atenção básica. Para isso foram separados em grupos (pela especialização) e o sorteio se deu em cada grupo. Todos os participantes consentiram em participar do estudo, consignado pela assinatura no TCLE. Os médicos foram designados neste estudo como M1, M2, M3, M4, M5 e M6. Como o sorteio focou o médico, as oito unidades de saúde envolvidas (incluindo as do G1 e G2) foram também aleatórias, pois, dependiam do local de trabalho do médico. Um médico trabalhava em mais de uma UBS e sua entrevista refletiu as duas, porém, como uma das unidades também

era local de trabalho de outro médico entrevistado o total de unidades envolvidas continuou sendo oito.

A 6ª etapa correspondeu a análise das entrevistas - Todas as entrevistas foram gravadas, transcritas e analisadas. O objetivo do estudo não foi fazer uma análise de conteúdo profunda das entrevistas, mas, sim, buscar informações para propor o conjunto de subsídios norteadores para implantação do protocolo atualizado. Para a análise das entrevistas foram utilizados elementos das técnicas de análise de conteúdo de Minayo e de Bardin.25,32 As entrevistas foram lidas e revisadas exaustivamente e destacados os pontos mais importantes e/ou mais representativos de cada resposta. Destes pontos mais importantes foram pinçadas as expressões chaves, a ideia central e o tema relatado de cada entrevistado. Em seguida as respostas (de todos os entrevistados do grupo) foram agrupadas pelos temas para explicar as perguntas do estudo e construir discurso que refletisse a ideia dos médicos e dos gestores em relação ao tema. Como havia perguntas diferentes, os grupos foram tratados separadamente. Os roteiros que direcionaram as perguntas estão no APÊNDICE B.

A 7ª etapa foi uma entrevista em grupo com características, mas sem a pretensão formal de um grupo focal, envolvendo o pesquisador, o orientador e um

grupo de gestores de uma regional de saúde composto por: três coordenadores

de unidades básicas de saúde, um coordenador de unidade saúde da família e dois supervisores. O ponto chave desta etapa(como acontece nos grupos focais) foi o uso explícito da interação entre as pessoas para produzir dados que seriam difíceis de conseguir fora desta situação, pois o grupo permitiu a troca de ideias sobre o

tema.36 A abordagem de um colegiado procurou complementar as nossas

entrevistas anteriores atendendo o novo processo organizativo da SMS. Esta reunião foi realizada para ouvir os atores envolvidos no processo, perceber as dificuldades operacionais, reforçar a disposição da universidade em contribuir com a melhoria do serviço e também perceber a receptividade daquela equipe às propostas. A reunião teve o áudio gravado, foi transcrita e analisada utilizando elementos das técnicas de análise de conteúdo de Minayo e de Bardin.25,32 A transcrição e análise foram realizadas como descritas para os demais conjuntos de entrevistas. A escolha deste colegiado foi por conveniência porque é responsável por uma região aonde existe o predomínio de população adulta e idosa - principal

público do PSA e as equipes do colegiado estão discutindo como reorganizar a assistência. A reunião foi realizada na sede da regional aonde fizemos uma roda de conversa, explicamos os objetivos do encontro e abrimos a palavra para ouvi-los.

A 8ª etapa foi a discussão dos dados coletados e a elaboração dos subsídios

norteadores. Foram analisadas todas as entrevistas e a partir da análise do seu

conteúdo foram feitas as propostas de subsídios norteadores apresentados junto com as discussões porque separá-las tornaria o processo repetitivo e menos consistente. A elaboração dos subsídios se fez utilizando a experiência de vários autores apontados na bibliografia e também dos atores envolvidos no processo.

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