• No results found

Deling av hendelser blant vedlikeholdsentreprenører

Kapittel 5: Empiri og drøfting

5.8 Deling av hendelser blant vedlikeholdsentreprenører

Partimos do entendimento de que os gêneros do discurso são produtos das relações sociais em que os sujeitos estão envolvidos diariamente, sendo condição de manifestação da língua e regulados pelas esferas de utilização dela. É com essa compreensão que adentramos na discussão em torno do gênero mon[ografia, que atende a esfera acadêmica. Assim, para compreendermos o gênero monografia, tomamos como base os pressupostos do Círculo de Bakhtin principalmente sobre a definição de gêneros e suas características, em seguida, nos apoiamos em estudos de Bronckart (1999) sobre os gêneros, especialmente, quando se refere aos modos de narrar e expor tão necessários em gêneros da esfera acadêmica, por fim, buscamos nas discussões de Marcuschi (2002) e de outros, o viés didático-pedagógico que subtende esse gênero. Desse modo, buscamos fundamentos para a

compreensão dos gêneros do discurso como formas de enunciado atreladas às esferas da atividade humana, que nos ajudam a situar a discussão sobre a monografia como gênero do discurso da esfera acadêmica.

Para início de discussão, uma questão que podemos chamar é sobre a origem dos gêneros, dizemos isso, porque atualmente não se pode discutir ensino, produção textual, escrita, dentre outros, sem se retomar os estudos sobre gêneros. Assim, de acordo com Todorov (1980, p. 46), “os gêneros surgem de outros gêneros. Um novo gênero é sempre a transformação de um ou de vários gêneros antigos: por invenção, por deslocamento, por combinação”. Assim, compreendemos que os gêneros são resultados das situações diárias em que os sujeitos estão envolvidos, surgindo e se reinventando através dessas situações como elemento de comunicação.

Dito isso, passemos à definição de gêneros do discurso que se abstrai do Círculo de Bakhtin ao mostrar que a manifestação da língua se dá em forma de enunciados orais e escritos, vinculados a diversas esferas da atividade humana. Vejamos na acepção abaixo:

Todas as esferas da atividade humana, por mais variadas que sejam, estão sempre relacionadas com a utilização da língua [...]. O enunciado reflete as condições específicas e as finalidades de cada uma das esferas, não só por seu conteúdo (temático) e por seu estilo verbal, ou seja, pela seleção operada nos recursos da língua – recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais –, mas também, e sobretudo por sua construção composicional. (BAKHTIN, 2003, p. 279).

Como vemos nas palavras acima, os gêneros se adéquam às condições de produção e, por isso, refletem tais condições a partir das diversas esferas da atividade humana, no que se refere ao seu conteúdo temático, estilo e estrutura composicional. Nessa perspectiva, o conceito de gêneros do discurso é entendido como manifestação da língua e da realidade, significa dizer, ainda, que é a partir das situações reais de uso concretizadas pela imensa variedade textual existente na sociedade que se representam os gêneros do discurso.

Nessa perspectiva, o enunciado é entendido como manifestação da língua em uso, comportando “formas – padrão”, que, por sua vez, permutam de acordo com várias temáticas e estilos diferenciados. São exatamente essas formas que constituem os gêneros, “tipos relativamente estáveis de enunciados” (BAKHTIN, 2003, p. 279), que estão relacionados ao contexto sócio-histórico, demarcados por diversas situações que os determinam e os caracterizam enquanto materialização da língua: conteúdo temático – o que é e o que pode tornar-se dizível por meio do gênero; construção composicional – estrutura particular dos textos pertencentes ao gênero; estilo – configurações específicas das unidades de linguagem derivadas, sobretudo, da posição enunciativa do locutor; conjuntos particulares de sequência que compõem o texto etc.

Dado esse caráter de “unidade real”, os gêneros do discurso apresentam-se, pela sua condição, como sendo heterogêneos; por isso, é necessário considerar a natureza sócio-histórica do enunciado, levando em conta a diversidade existente entre os gêneros. Tomando essa característica para o gênero monografia, entendemos que essa atua como uma representação das relações dialógicas que emergem dentro do âmbito acadêmico, já que pela própria constituição desse gênero, tem-se pressuposta essa condição dialógica, o que indica esse caráter de unidade real.

Com base nessas três características apontadas por Bakhtin, definimos o gênero monografia como unidade real da língua que: (i) possui conteúdo temático delimitado, de acordo com a área de conhecimento com a qual o locutor dialoga; (ii) possui uma estrutura composicional própria e delimitada (introdução, desenvolvimento e conclusão); (iii) possui um estilo demarcado por uma linguagem impessoal, formal, concisão, objetividade e clareza; (iv) possui finalidade de produção reconhecida, já que o produtor pode publicar o trabalho, apresentar em eventos, dentre outros. Como vemos, a monografia congrega todas as características de um gênero discursivo. Essa concepção da monografia é diferente do que propõe os manuais que privilegiam o caráter técnico e normativo, pois, dentro quadro

bakthiniano, a monografia é concebida enquanto gênero do discurso, que leva em consideração a natureza sociohistórica e o seu caráter dialógico.

Uma vez definido os gêneros do discurso, Bakhtin (2003) passa a diferenciá-los e classificá-los como primários e secundários. Essa distinção pode ser aplicada da seguinte forma: constituem-se como primários, gêneros como diálogo, carta, que estão ligados a situações espontâneas do cotidiano e, por isso, não exigem tanta formalidade e nem apresentam estruturas rígidas e complexas. Já os gêneros secundários, são considerados aqueles que emergem de esferas complexas e podem ser decorrentes da transmutação de gêneros primários, além disso, exigem a formalidade dispensada nos primários, por exemplo, como romance, teatro, conferência, dentre outros. Sobre essa diferenciação, Bakhtin (2003, p. 281-2) pontua que “a distinção entre gênero primário e gênero secundário tem grande importância teórica, sendo esta a razão pela qual a natureza do enunciado deve ser elucidada e definida por uma análise de ambos os gêneros”. Essa classificação de primário e secundário, de acordo com Sobral (2009), é de cunho qualitativo, mas não hierárquico e sim de anterioridade. Com base nessa distinção apontada acima, entendemos que a monografia pode ser compreendida, conforme indica Bakhtin, como gênero secundário, já que surge no âmbito de outros gêneros da esfera acadêmica e possui estrutura complexa.

A concepção de gênero de Bakhtin (2003, p. 291) que adotamos é singular, pois revela que os gêneros modificam-se de acordo com as transformações sociais e diárias, implicando diretamente na arquitetura, organização e estilo, já que, conforme suas palavras, “a variedade dos gêneros do discurso pressupõe a variedade dos escopos intencionais daquele que fala e escreve”. Disso resulta o entendimento de que a demanda de gêneros não se esgota, pois é algo infinito, dado o caráter de ser manifestado pela linguagem e pelas relações sociais.

Outra questão enfatizada no âmbito das discussões realizadas pelo Círculo de Bakhtin diz respeito à valorização do estilo dentre as características que o gênero deve comportar, pois, para Bakhtin (2003, p. 289), “quando há estilo há gênero”. Desse modo, o estilo não é apenas uma

marca para determinado gênero, mas é indissociável do gênero, do ponto de vista composicional. Em termos gerais, os gêneros discursivos, definidos por Bakhtin, são formas distintas de enunciados que refletem a variedade da língua e manifestam o estilo próprio do sujeito, que é visto na multiplicidade de temas.

Reconhecidos, pois, esses aspectos que abarcam os gêneros do discurso, podemos dizer que esses atuam como ferramentas e/ou instrumentos de manifestação da língua. Nesse sentido, acreditamos que os gêneros da esfera acadêmica, com destaque para a monografia, atuam como primordiais para a formação intelectual e universitária, já que são elementos e mecanismos necessários ao desenvolvimento da competência linguística e comunicativa tão indispensável no espaço universitário.

Dito isto, adentramos nos estudos de Bronckart (1999, p. 157)9, em que texto e gêneros atuam como termos semelhantes, ou seja, “são produtos de atividades de linguagem em funcionamento que apresentam características relativamente estáveis”. (1999, p. 137). A proposta desse autor visa a uma classificação, que iremos aplicar ao gênero monografia. Segundo esse autor, essa classificação que pode ser vista como instrumento de análise e sugere uma abordagem em três níveis: as atividades de linguagem, os textos, os tipos de discurso, considerados como mundos discursivos. No que tange à ideia de mundos discursivos, definimos as operações constitutivas chamadas de arquétipos psicológicos, esses, por sua vez, podem ser representados pelas coordenadas dos mundos surgidas na ordem do narrar e na ordem do expor.

A partir dessa proposta de mundos discursivos de Bronckart (1999), aplicamos esse entendimento ao gênero monografia, pois compreendemos que o discurso que prevalece na monografia é o teórico com algum viés interativo, dado ser um gênero da esfera acadêmica e, por isso, a prevalência do discurso teórico. Ademais, o discurso teórico caracteriza-se pela utilização/marca do verbo EXPOR, que assinala “uma autonomia completa

9 Bronckart (1999) propõe algumas equivalências terminológicas considerando a perspectiva

de Bakhtin, tais como: formas e tipos de linguagem são denominados de ações de linguagem; gêneros do discurso são chamados de gênero de texto e os enunciados, enunciações e/ou textos bakhtinianos são chamados de textos.

em relação aos parâmetros físicos da ação de linguagem de que o texto se origina”, o que é bastante presente nos gêneros da esfera acadêmica.

Outra questão acrescentada por Bronckart (1999, p. 171-173) é que o discurso teórico é, em princípio, “monologado e escrito e esse caráter se traduz principalmente pela ausência de frases não declarativas”. Esse caráter monologado do discurso acadêmico é assinalado por Sobral (2009) que diz “há discursos que na superfície se organizam em termos monológico, mas tendem ao dialógico, como é o caso do discurso acadêmico”.

Diante dessa premissa, outras propriedades são demarcadas para o discurso teórico, em decorrência de uma análise empírica, conforme se seguem: (i) a presença de múltiplos organizadores com valor lógico- argumentativo; (ii) a presença de numerosas modalizações lógicas, assim como a onipresença do auxiliar de modo ‘poder’; (iii) a exploração de procedimentos de focalização de certos segmentos de texto, assim como procedimentos de referência (metatextual, intratextual, intertextual) a outras partes do texto, ou intertexto científico; (iv) a presença de muitas frases passivas, a maioria do tipo ‘passiva truncada’ e (v) a grande frequência, ao lado das anáforas pronominais, de anáfora nominais ou de procedimentos de referência dêitica intratextual. (BRONCKART, 1999). De um modo geral, essas propriedades operam como elementos que organizam o discurso teórico e, também, caracterizam o gênero monográfico, uma vez que esse se constitui, basicamente, do discurso teórico.

Depois desses apontamentos de Bronckart, trazemos à baila, algumas proposições apontadas por Marcuschi (2002, p. 22) que servem para a compreensão do gênero monografia como um objeto de ensino. O referido autor entende que “os gêneros textuais10 constituem-se como ações sócio- discursivas, para agir sobre o mundo e dizer o mundo, constituindo-o de algum modo”. Uma das primeiras questões apontadas por Marcuschi (2002) é sobre a distinção entre tipos textuais11 e gênero textual, pois, segundo ele, não se pode tomar o gênero textual como objeto de ensino sem que essa distinção seja esclarecida. Assim, tipo textual designa sequências de

10 Nomenclatura utilizada por Marcuschi diferentemente do que propõe Bakhtin.

natureza linguística: narração, argumentação, descrição, injunção e exposição12, que são materializadas nos gêneros, consideradas como “constructos teóricos definidos por propriedades intrínsecas”, enquanto os gêneros textuais são realizações linguísticas concretas, definidas por propriedades sócio-comunicativas (cf. MARCUSCHI, 2002, p. 22-23). Dessa forma, a distinção pode ser tomada da seguinte forma: enquanto os gêneros textuais congregam e definem-se por critérios sócio-comunicativos que dizem sobre as relações sociais em que eles emergem; os tipos congregam e definem-se por critérios internos (linguísticos, funcionais e textuais), que dizem dos aspectos internos ligados à língua. Embasados por essa distinção, dizemos, pois, que o gênero monografia comporta mais de uma tipologia textual e define-se segundo critérios sociocomunicativos.

Além disso, Marcuschi (2002; 2003) aponta que o gênero mantém uma relação hierárquica com algumas categorias, estabelecida da seguinte forma: (i) quanto ao domínio discursivo; (ii) quanto ao suporte; (iii) a formação discursiva que subentende a circulação do gênero e, por fim, (iv) a tipologia. Essa relação hierárquica pode ser transferida para o gênero monografia e o caracterizamos, conforme Pereira (2007), do seguinte modo: (i) formação discursiva é ideológica, tendo em vista que está ligada à escolha por determinada teoria em detrimento de outra; (ii) o domínio discursivo caracteriza-se como o científico, uma vez que trata de um trabalho de pesquisa desenvolvido no âmbito acadêmico; (iii) a monografia como gênero caracterizado pela predominância de sequências argumentativas, mas se percebem outras, como descritivas, expositivas, e, por último, (iv) consideramos que o suporte da monografia configura-se como uma questão bastante relativa, já que depende da condição de divulgação e/ou apresentação optada pelo aluno/produtor, ou seja, o aluno/produtor irá optar por diferentes suportes do domínio científico para apresentar o gênero, que no caso da monografia, de acordo com Marcuschi (2003), pode ser o cd- rom, o congresso, a palestra e a revista científica. Sendo assim, reconhecemos, somente para fins ilustrativos, que o suporte da monografia é a revista científica, já que o suporte depende, exclusivamente, da forma de

circulação optada pelo aluno/produtor. Esses apontamentos mostrados acima servem para o entendimento de que a monografia é um gênero tomado no espaço acadêmico como objeto de ensino, já que engloba várias categorias que atuam no desenvolvimento da competência linguística do estudante.

Dessa forma, entendidas as especificidades que compõem o gênero acadêmico monografia, passemos adiante a compreender quem são os interlocutores envolvidos na produção desse gênero, já que diferentemente de outros gêneros, uma das questões centrais que se coloca para a elaboração da monografia diz respeito aos vários interlocutores que participam dessa produção.